CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SALÁRIO

Salário, direito trabalhista, é o reconhecimento financeiro pela dedicação física ou mental a uma determinada atividade profissional. Uma vantagem pelo desempenho de atividades trabalhistas. É a contraprestação da força de trabalho pelo cumprimento de contrato entre o empregador e o empregado. O empregador paga e o funcionário recebe um valor financeiro, em compensação ao serviço prestado ou pelo cargo ocupado.

O salário é recebido via três modalidades de trabalho. Por tempo de serviço, o valor é fixo. Por produção, o valor é variável, depende do volume produzido. Por tarefa, quando o trabalhador recebe uma comissão extra pela labuta que executa.

Na prática, tem o salário nominal e o salário real. O salário nominal é o valor recebido em dinheiro pelo trabalhador, de acordo com a moeda do país. Já o salário real simboliza o poder de compra de bens e serviços, durante determinando período. Em função da pressão inflacionária que empurra o custo de vida lá pra cima, o poder de compra do salário nominal é superbaixo. Retira o conforto do trabalhador.

Para evitar discrepâncias, massacre do trabalhador pela empresa, o Brasil instituiu o salário mínimo, em 1934. Porém, só começou a vigorar em 1940, quando de fato consolidaram-se as mudanças econômicas em debates no país, na ocasião.

O valor foi, então, definido por lei, para evitar discussões. Mas interpretações. Na formação salarial, é levado em consideração as necessidades do trabalhador e respectiva família com relação a gastos com alimentação, educação, saúde, moradia, transporte, vestuário, lazer. Por causa da inflação, anualmente, o valor do salário é atualizado.

De acordo com o Direito, existe diferença entre o salário e a remuneração. A palavra salário diz respeito ao recebimento em dinheiro pelo trabalho. Já o termo remuneração, abrange outras vantagens. Significa a inclusão de comissão, derivada da atividade trabalhista, na forma de alimentação, moradia, vestuário.

No início dos tempos, há cinco mil anos, como não existia dinheiro, o trabalho era pago de forma esquisita. O trabalhador recebia uma espécie de proteção. Era beneficiado com moradia ou então o patrão transferia mercadoria à pessoa para quitar a atividade trabalhista. A mercadoria recebida pelo trabalhador tinha o nome de sal. Simbolizando uma valorosa moeda. Em virtude da escassez, o sal avaliado como ouro.

Na época do Império Romano, descobriu-se a necessidade de salgar a carne para não apodrecer. Conservar o tecido muscular do animal intacto. Pronto para o consumo, sem oferecer risco à saúde.

Tempos depois, já no período em que o regime capitalista começou a prevalecer, Marx definiu o salário como o pagamento feito ao empregado pelo aluguel de sua força de trabalho ao patrão. Desempenhada por determinado período.

Devido ser submetido à lei da oferta e da procura, o salário sofre variantes. Antes, o valor do salário era calculado apenas para cobrir as necessidades de momento do trabalhador. No entanto, tempos depois, diante de novos modos de vida, surgiu outra interpretação para o salário. Quando passou a ser definido pela norma da produtividade marginal do trabalho.

Mas, por causa de desencontros trabalhistas e políticos, fatos comuns no Brasil, persistentemente, o país resolveu adotar o piso salarial, em 1967. Estabeleceu em cada categoria profissional um valor mínimo fixo, a ser pago ao trabalhador, seguindo as diretrizes do acordo ou convenção coletiva de trabalho. Copiando as regras básicas praticadas no mundo.

Todavia, cada país segue o seu roteiro de pagamento. Enquanto no Brasil, Argentina, Espanha, Portugal, Rússia, o salário é pago por mês, na Alemanha, Canadá, EUA, Japão e Reino Unido, o trabalhador recebe por hora trabalhada. Tem país que não segue a regra do salário mínimo. O México obedece uma regra diferente. Lá, o salário é pago por dia.

O problema é que o salário mínimo do Brasil é o terceiro pior do mundo. Segue coladinho da Rússia e da Moldávia. Condição péssima para gerar e aprofundar desigualdades. Caso sério no país. A Austrália, ao contrário, tem o maior salário mínimo, seguido do Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MANOEL BERNARDO – MACEIÓ-AL

ZÉ DO CAVAQUINHO, O MAIOR BOÊMIO DE VIÇOSA

“Beber, só com método. Sem método, até água de pote faz mal”.

Zé do Cavaquinho, 1911-1981

O Bar Trovador Berrante, localizado na Praça Apolinário Rebelo, talvez não tivesse a magia se não fosse pela figura de seu proprietário, José Rodrigues de Moura, o Zé do Cavaquinho. Músico nato, seresteiro, trovador e recordista de farras. Zé com os seus chorinhos, muitos dos quais de improviso, reunia autoridades, curiosos, farristas e turistas.

Zé do Cavaquinho nasceu em Viçosa no dia 10 de dezembro de 1911, segundo o próprio começara a vida de boêmio muito cedo, aos 11 anos, e já em 1929 compôs o seu mais conhecido choro, intitulado O Escorrego do Urubu, na cidade de Maceió.

Zé com seu dom artístico tivera muitos saudosos amigos, como o velho senador Teotônio Vilela, Denis Portela de Melo e Waldir Azevedo, o criador do chorinho “Brasileirinho”. Farras não faltavam para o Zé, que chegava a passar semanas fora de casa sem dar noticias. Zé sem dúvida era o que mais bebia, pois bebia com todos os fregueses. Muitas vezes o velho senador ia de manhãzinha arrancá-lo da cama, ainda bêbado e dormindo, amarrava-o na sela de um cavalo manso e seguiam em bando para onde tivesse farra.

Fora uma vida inteira levada em “olhares e sorrisos” como o próprio dizia.

Zé também tivera outros companheiros de farras incontestáveis: Bejo, cantor de belíssimos sambas e tocador pandeiro, Mané Domingues e Paulo Clarinete. Em 2005 foi lançado um CD com suas músicas mais conhecidas, interpretadas pelos seus filhos, todos músicos.

Zé do Cavaquinho faleceu em abril de 1981, sendo enterrado no cemitério municipal de Viçosa Frei Cassiano de Camacho.

Seu histórico bar foi totalmente reformado, ganhando placas comemorativas e galeria de fotos e artigos, continuando a ser o reduto dos boêmios de Viçosa.

CHARGE DO SPONHOLZ

PENINHA - DICA MUSICAL

A PALAVRA DO EDITOR

VOLTAMOS!

Caros leitores e colunistas fubânicos:

Ficamos mais de 24 horas fora do ar.

Não foi por ordem do STF. Foi por conta de pane no sistema de hospedagem.

Choveram mensagens aqui na nossa caixa, gente chorando, gente gemendo e gente desesperada.

Muitos viciados entraram em crise de abstinência.

Mas parece que já está tudo regularizado e estabilizado.

Tenham calma que a Editoria vai atualizar o expediente.

Não precisa ninguém pensar em se suicidar.

Chupicleide dará expediente extra.

Abraços e um excelente domingo para todos!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Santa Dulce dos Pobres

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, conhecida como “Irmã Dulce”, está sendo canonizada hoje (13/10/2019) pelo Papa Francisco, em Roma. Mas para o povo de Salvador, ela passou a ser considerada Santa pouco depois de seu falecimento, em 13/3/1992. O processo de beatificação iniciou em 2000 e passou a tramitar na Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano. A validação jurídica do virtual milagre presente no processo foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003, quando ela recebeu o título de Serva de Deus, outorgado pelo Papa João Paulo II.

Em janeiro de 2009, a Congregação anunciou voto favorável reconhecendo-a como ”Venerável”. Tal votação obteve a unanimidade do colégio de cardeais, bispos e teólogos após a análise da “Positio”, um relato biográfico e resumos dos testemunhos dos milagres relatados no processo. Dois meses depois, o Papa Bento XVI aprovou decreto de reconhecimento de suas virtudes. Em 9/5/2010, foi realizada a exumação e transferência das “relíquias” para sua capela definitiva, na Igreja da Imaculada Conceição, ao lado da OSID-Associação Obras Sociais Irmã Dulce.

Em maio de 2011, foi beatificada pelo mesmo Papa, por intermédio de Dom Geraldo Magella, em Salvador, último passo para a canonização. A partir daí passará a se chamar “Santa Dulce dos Pobres”. Um nome bem apropriado, tendo em vista a vida que levou dedicada aos pobres. No dia seguinte (14) haverá missa da Santíssima Trindade na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses (Roma), em agradecimento ao seu dom. Em Salvador a celebração ocorrerá no próximo domingo (20/10/2019), na Arena Fonte Nova. A partir do ano 2020 seu nome será festejado todo dia 13 de agosto.

São dois os milagres que serviram de base para a canonização de Irmã Dulce: o primeiro ocorreu em 2001. Uma paciente, após o parto, apresentava um quadro de hemorragia não controlável e passou por 3 cirurgias num período de 18 horas sem que o sangramento estancasse. Só estancou ao término de uma corrente de orações, proposta por um sacerdote, pedindo a intercessão de Irmã Dulce.

O segundo milagre reconhecido pelo Vaticano refere-se a um homem que passou 14 anos cego e passou a sentir fortes dores, devido a uma conjuntivite. Pouco ante de dormir, pediu a Irmã Dulce para que a dor fosse aliviada. Acordou no dia seguinte não apenas aliviado da dor, mas enxergando normalmente. O milagre intrigou os médicos, devido ao fato de mesmo após voltar a enxergar, os exames apontaram lesões que deveriam impedir o sentido da visão.

São quatro as exigências do Vaticano para reconhecimento do milagre e consequente canonização: (1) o fato tem que ser “preternatural”, ou seja, a ciência não consegue explicar; (2) instantâneo, ocorrer logo após a oração/pedido; (3) duradouro e (4) perfeito. A OSID, através de sua Assessoria de Memória e Cultura, contabilizou o recebimento de cerca de 10 mil relatos de graças alcançadas por intermédio da Irmâ Dulce. Sua canonização é a terceira mais rápida da História (27 anos), atrás apenas de Madre Teresa de Calcutá (19 anos) e do Papa João Paulo II (9 anos).

Veja reportagem da Globo News clicando aqui

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

XODÓ NORDESTINO

Você gritou: Ô de casa!
Eu saí e dei bom dia
Me pediu um copo d’água
A desculpa eu conhecia
Saí quase no pinote
Fui pegar água no pote
Lhe servi com alegria.

Você me olhava com gosto
E eu olhava pra você
Ali nascia um chamego
E nós dois dele a mercê
Eu no começo corava
Quando você me chamava
Minha flor de muçambê.

Quando o fole da sanfona
Gemia nalgum lugar
Você trocava de roupa
Corria pra me pegar
E naquela brincadeira
No forró a noite inteira
Eu via o suor pingar.

Teu copo grudado no meu
Meu corpo no teu grudado
O povo todo olhando
O nosso rodopiado
Não tinha naquele chão
Pras bandas do meu sertão
Um casal mais animado.

Eu me arrumava todinha
Com meu vestido de chita
Aquela flor encarnada
Me deixava mais bonita
Você na sua paixão
Roubou pra recordação
Meu laço feito de fita.

Era um xodó animado
Era um chamego ladino
Tinha cheiro no cangote
Coisa só de nordestino
Ao som de xote e baião
Embalamos a paixão
Era um chamego bem-vindo.

CHARGE DO SPONHOLZ

JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

A ARTE DE CONVIVER

Quando jovem, papeando com um parente já bastante calejado pelos percalços da vida, após escutar a sua ladainha de dissabores acumulados ao longo da profissão que abraçara, exclamei: Viver é difícil! Ele logo me contestou, afirmando:

– Discordo, Narcelio, viver é fácil. Tomemos como exemplo a vida de um ermitão, o indivíduo que se propõe enfrentar a vida longe da sociedade, privado de qualquer conforto, envolto apenas pela liberdade da solidão. Ora, se essa foi a maneira ideal que o cidadão escolheu para viver, de certa forma, ele encontrará a felicidade em assim viver – e continuou: O difícil, meu amigo, é conviver.

Embora sem ter esquecido essa conversa de mais de meio século atrás, na época, não percebi a dimensão nem o tom profético daquela observação. Ao adquirirmos a experiência advinda com o passar dos anos e, após engolirmos contrariedades e sofrermos decepções, somente então, perceberemos a exata medida do quão difícil é conviver em sociedade.

Cada um de nós somos únicos, dispondo de essências diferentes com as quais nem sempre conhecemos a forma correta de lidar. Depois da invenção da prensa móvel, por Gutenberg, já devem ter sido impressos milhares de livros, tratados e orientações de como se relacionar e bem conviver entre os semelhantes.

São conselhos do tipo: busque gostar das pessoas, seja bem-humorado, ouça seus interlocutores, saiba perdoar, aceite a diversidade de cada um, aprenda a elogiar e agradar, valorize os pontos positivos do outro e esqueça os negativos, reconheça seus erros, nunca constranja alguém, respeite e exercite o autocontrole e aprenda a abdicar de seus interesses em favor do próximo.

Atendendo a toda essa gama de indicações o indivíduo, em princípio, já estará no entorno da felicidade beatífica se encaminhando para a plenitude da vida eterna, onde dispensará o aprimoramento do bom convívio em sociedade.

Pressupõe-se que ninguém vai conseguir agradar a todos no mundo. Cristo é o mais nítido espelho de mártir repudiado por caminhar junto ao próximo. Poucos conseguem conviver em sociedade oferecendo a outra face para espancamento.

Para muitos de nós é difícil perdoar ou distribuir elogios e agrados gratuitos. Facilmente, passeamos por longe do autocontrole, da prática do amor ao próximo, da humildade para reconhecer os próprios erros e da habilidade para aceitar as diferenças dos outros.

Porém, para esses, existe uma regra básica no enfrentamento da maioria das situações difíceis na convivência em sociedade: falar pouco. O silêncio é a mais estridente e poderosa das vozes. Consegue calar todas as demais com a sua penetrante ausência de som.

Falando pouco você angaria amizades, não se envolve em situações polêmicas ou desagradáveis e, o melhor de todos os resultados, torna-o respeitado – desde que nunca esqueça de manter os olhos abertos.

Se essa dica não funcionar com você, meu prezado irmão, então largue tudo e faça como o papa Bento XVI: abandone o convívio em sociedade e arranje um eremitério para encerrar os seus dias neste mundo. Por que? Ora, você não nasceu para viver entre humanos, tampouco para interagir com qualquer ser pensante. Talvez, convivendo entre primatas você… Ops, paremos por aqui!