ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

JUNTOS

Deixa que de teus fúlgidos cabelos
eu teça a tênue tela em que fixados
se vejam, sem desdouro, os aurialados
sóis de minha ternura e meus desvelos.

Deixa-me recolher teus prantos, pelos
descaminhos da vida derramados.
E não ponhas cuidado em meus cuidados,
nem te arreceies nunca de perdê-los.

Que, a me perderes, antes eu me perca:
eis o mais que dizer-te posso acerca
de quanto o amar-te é-me sustento. E, a fim

de que apartados não nos colha a morte,
dá-me tudo de ti, e de tal sorte
que, em me perdendo, percas tudo em mim.

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO TWITTER

DEU NO JORNAL

TOLÔTE PETRALHA DOS MAIS FEDORENTOS

Dias Toffoli, em entrevista ao SBT, defendeu o inquérito ilegal das Fake News com o argumento de que ele revelou a atividade de terroristas contra o STF:

“Esse inquérito descobriu na deep web ataques terroristas. Não é pouca coisa. E ataques terroristas, pelo o que já foi investigado, com ligações a pessoas que já fizeram outros atentados gravíssimos. Ataque terrorista. Não é pouca coisa. E nós estamos falando de uma coisa absolutamente séria.”

Qual ataque terrorista?

Realizado por quem?

Quando?

* * *

Tudo que Toffoli diz, quando não deixa o Brasil puto de raiva, é pra provocar frouxos de risos.

Esse capacho do PT, pau-mandado de Zé Dirceu e de Lula, é um dos tolôtes mais fedorentos do STF.

E mente com a cara mais lavada do mundo.

A PALAVRA DO EDITOR

PERCIVAL PUGGINA

GUERRA DE NARRATIVAS E SUAS VÍTIMAS

Durante cerca de trinta anos participei intensamente de debates em programas de rádio e TV aqui em Porto Alegre, onde resido. O formato era mais ou menos o mesmo: colocavam-se frente a frente duas posições distintas sobre um tema em evidência. O objetivo não era que os participantes chegassem a um improbabilíssimo consenso, mas duelassem com as armas da lógica e da retórica para convencerem a audiência. A regra ética prevalente, muitas vezes rompida, era a de “não mentir”. Eu tinha uma lista de mentirosos com os quais não debatia…

Perante o tribunal da opinião pública, é aceitável que defesa e acusação sublinhem o que a cada uma convém, descartando, ambas, o que lhes seja inconveniente. O contraditório compete ao outro lado da mesa. Mentir, porém, é sempre indecoroso. Estou contando isso para reconhecer perfeitamente legítimo que, no debate político, cada lado adote a “narrativa” que melhor lhe convém. Repito para absoluta clareza: refiro-me a esse específico tipo de interlocução.

Recentemente, ouvi de um professor a quem reprovei a parcialidade na qual afundou a Educação em nosso país, que toda observação da realidade é feita a partir de um ponto. O professor só poderia falar desde o seu ponto de vista. Eu o contestei dizendo que isso era válido no debate político, mas a sala de aula não era lugar para tais disputas, nem para disputas com tais características, mormente com protagonismo do professor. É totalmente impróprio, ali, promover o convencimento dos alunos. O ambiente escolar é sagrado demais para isso.

Por outro lado, quase tão desonesto quanto mentir aos alunos é esconder o ponto de vista divergente e ocultar autores e livros que contestem as ideias do professor, da disciplina, ou do departamento. E é exatamente isso que, há décadas, acontece no Brasil, escondendo-se as obras de autores conservadores e liberais, como Antonio Paim, Meira Penna, João Camilo, Roberto Campos, Ives Gandra, Olavo de Carvalho, entre tantos outros. Na contramão, intoxicam-se os colegiais com obras marxistas e com textos como o lamentável “Veias abertas da América Latina”, renegado pelo próprio autor.

No mesmo diapasão, a “mãe das humanidades”, a grande e apaixonante ciência da História, se tornou terreno fertilíssimo para essa importação da retórica política ao campo da ciência. Nasceu e prosperou, nos últimos anos, uma nova História, dita crítica, que simplesmente prostitui a nobre ciência no leito das lascívias do poder e das preliminares da disputa pelo poder hegemônico. Como pode a História se converter em objeto de uma “guerra de narrativas”, em que, como sempre, a verdade é a primeira a ser imolada?

Que tipo de intelectuais e professores são esses que desrespeitam a sala de aula e a ciência, ocultando interpretações e autores divergentes numa atividade militante em que até a mais grossa mentira é tolerada pela habitualidade com que é contada?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SANCHO PANÇA – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

MENINA SUPERPODEROSA

Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (ministra da Agricultura) lança MP do Agro e AgroNordeste.

MP do Agro – Medida Provisória assinada por Jair Messias Bolsonaro no dia 1.º de outubro.

Está muito bom?

Então ficou melhor, pois também foi lançado o AgroNordeste, programa de apoio a pequenos e médios produtores nordestinos.

A poderosa, simpática e competente ministra Tereza Cristina vem FAZENDO ACONTECER, como fazem profissionais de altíssima competência.

Por culpa dessa senhora e do “presidento” já destruí três microondas de tanto que treino diariamente teclando 17, já de olho nos próximos pleitos.

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CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

AS MAZELAS DE SEU JOAQUIM

Mi proguntaro ôto dia
Cumé qui tutais Juaquim?
Respondi sem arrilia
E foi mais ou meno assim,
Eu tô mei disleriado
Os mocotó tá inchado
Tô sintinno um farnizin
Pió qui pirão de sebo,
Andano iguarmente um bebo
Sem mi aprumá no camim.

Um gôgo me aperriano
Queu tusso pra mi lascá,
Um insporão me furano
Bem no mei do caicanhiá
Qui me dexa essa manquera,
Tomém sinto uma cocêra
Aqui nas parte da frente,
Vivo anssim nessa quizila
Num tenho a vida tronquila
Quiném tinha antigamente.

Sofro de dô incausada,
De ispinhela caída,
De junta descunjuntada,
Na canela uma firida
Qui vevi a martratá eu,
Já virô “sarou morreu”
Disso tô ciente e certo,
Arre cum quanta mazela!
Tô cum pigarro na guela,
Tomém cus’peitos aberto.

Tô tumano uma meizinha
Qui seu Mané fêis pra eu,
Cum titica de galinha,
Cidrêra, eiva-doce, breu,
Tem casca de quixabêra,
De pau-carrasco, aruêra,
Raspa de pau-angelim,
Jucá, jatobá, angico,
Catuaba, grão-de-bico,
Feijão-de-boi e gergelim.

Mé de abêia jataí,
Cravo do reino, pimenta,
Semente de calumbí,
Tem jurubeba, água benta,
Tem foia de maiva-rosa,
Inté baba de babosa
Ali Seu Mané butô!
Tumei cum todo coidado
Num rugime insagerado
E as mazela num passo.

Aí eu dixe tá rim
Pos tô cada veis pio,
Minha véia dixe assim
Acho quisso é catimbó,
Vai lá no congá de Lica
Que toda essa trumbica
Qui tu tem vai se acabá,
Sinti assim um receio
Mai sigui o seu cunceio
Fui direto pro Congá.

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ALEXANDRE GARCIA