CHARGE DO SPONHOLZ

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

UM PÁSSARO A CANTAR DENTRO DE UM OVO – Antonio Juraci Siqueira

Se o mundo quer calar-me, eu não hesito:
recorro à trova e crio um mundo novo
onde ponho o calor e a voz do povo,
um punhado de humor, um beijo e um grito.

Na trova eu me divirto e me comovo,
nela o meu sonho é muito mais bonito,
nela eu prendo as estrelas do infinito
e um pássaro a cantar dentro de um ovo.

Trova é roupa estendida na varanda,
relva molhada pela chuva branda,
rosa vermelha, moça na janela,

gotas de orvalho a tremular na flor…
Por isso não a queiram mal, pois ela
é a voz e o coração do trovador!

Colaboração de Pedro Malta

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AUGUSTO NUNES

CANDIDATO À EXCOMUNHÃO

Leonardo Boff jura que Lula aprendeu na cadeia a resolver os problemas criados por Bolsonaro durante os governos do PT

“Essa experiência permitiu a ele duas coisas: uma grande revisão do passado e elaborar melhor a utopia de Brasil. Ele leu pilhas de livros, estudou, e virou um especialista de Brasil. Como é muito inteligente, as projeções dele para o país e o mundo já são outras. Ele vai reconstruir as pontes destruídas pelo atual presidente”.

Leonardo Boff, ex-frade que nunca decorou a segunda parte do Salve Rainha, explicando que Lula aprendeu na cadeia a consertar todos os problemas criados por Jair Bolsonaro enquanto o PT governou o Brasil.

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Irmã Dulce

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, BA, em 26/5/1914. Religiosa, adotou o nome de Irmã Dulce. ao se tornar freira, em 1933, em homenagem a sua mãe Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, falecida quando ela tinha 7 anos. O pai, Dr. Augusto Lopes Pontes, era dentista e professor da UFBA-Universidade Federal da Bahia. Ainda criança manifestou vocação religiosa e pedia orientação a Santo Antônio para saber se deveria casar ou ser freira.

Aos 13 anos, após visitar áreas carentes e ajudar mendigos, enfermos e desvalidos, decidiu pela vida religiosa e procurou o Convento de Santa Clara do Desterro, famoso por ter abrigado as três “Santas do Desterro” em séculos passados. Mas, não foi aceita devido a idade; voltou a estudar e foi transformando a casa dos pais, com o apoio da irmã, num centro de atendimento aos necessitados. A casa passou a ficar conhecida como “Portaria de São Francisco”. Em 1932 formou-se professora do curso primário e no ano seguinte entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, em São Cristovão, Sergipe.

Em agosto de 1933, fez profissão de fé e recebeu o hábito de freira. Voltou à Salvador, passou a lecionar num colégio da Congregação, na Cidade Baixa, e dar assistência aos pobres. Suas atividades não se restringiam apenas a ajudar as pessoas carentes. O objetivo era criar instituições permanentes de auxílio e cooperação e, junto com o frei Hildebrando Kruthaup, fundou a União Operária São Francisco, em 1936, o primeiro movimento cristão operário da Bahia, que deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

A finalidade da União era difundir cooperativas, promover a cultura dos operários e defender seus direitos. Era mantido com o dinheiro arrecadado por três cinemas, que foram construídos a partir de doações. Tal inciativa deu suporte à inauguração do Colégio Santo Antônio, em 1939, para atender os operários e seus filhos. Hoje o Centro Educacional Santo Antônio (CESA) abriga mais de 300 crianças de 3 a 17 anos, com acesso a cursos profissionalizantes. No mesmo ano invadiu umas casas na Ilha dos Ratos para abrigar os doentes recolhidos nas ruas. Mas logo foram despejados e ela passou a perambular por lugares mais distantes na busca de lugar para abrigá-los.

Na dificuldade de encontrar outro espaço, encontrou um local desocupado no Convento, em 1949. Era um galinheiro desativado, que ela transformou em albergue, no qual alojou 70 pessoas. Em apenas 10 anos, esse galinheiro deu origem a Associação Obras Sociais Irmã Dulce-OSID, inaugurada oficialmente em 1959 e no ano seguinte foi inaugurado o Albergue Santo Antônio. A OSID atualmente é um dos maiores complexos hospitalar com atendimento gratuito do Brasil, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do SUS-Sistema Único de Saúde. Em 1983 foi ampliado, contando com 400 leitos. Hoje o Hospital Santo Antônio atende mais de cinco mil pessoas por dia. Para conseguir mão-de-obra especializada no atendimento, ela fundou a Associação Filhas de Maria Serva dos Pobres.

Em 1980, na visita do Papa João Paulo II ao Brasil, foi convidada a subir ao altar para receber uma bênção especial. O Papa, que agora há pouco foi canonizado, retirou do bolso um rosário, ofereceu-lhe e impulsionou seu trabalho: “Continue, Irmã Dulce, continue”. Em fins de 1990, passou a sofrer com problemas pulmonares e enfrentou 16 meses de agonia. Foi internada no Hospital Português; em seguida foi transferida para uma UTI do Hospital Aliança, quando ordenou: “Quero morrer ao lado dos pobres”.

Assim, foi para o Hospital Santo Antônio, onde passou toda a vida. Em 20/10/1991, recebeu a segunda visita do Papa João Paulo II, que lhe deu a extrema unção. Em 13/3/1992 veio a falecer aos 77 anos e foi sepultada no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Posteriormente, foi transferida para a Capela do Hospital Santo Antônio, em cumprimento ao seu desejo. Considerada uma das mais importantes e influentes ativistas humanitárias do século XX, foi indicada pelo presidente José Sarney e pela rainha Silvia da Suécia, para receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1988.

Em 2001, foi eleita a “Religiosa do Século XX” numa eleição promovida pela revista “Istoé”. Em 2012, ficou entre as 12 maiores personalidades brasileiras de todos os tempos, numa pesquisa feita pelo SBT-Sistema Brasileiro de Televisão para eleger as pessoas que mais contribuíram para o País. Em 2014, o Governo da Bahia instituiu a data de 13 de agosto como o Dia Estadual em Memória à Bem Aventurada Dulce dos Pobres. Em 2018 as “Obras Sociais Irmã Dulce” foi considerada a melhor organização não governamental da Região Nordeste e uma das 100 melhores do Brasil.

No próximo domingo, Irmã Dulce será canonizada numa missa celebrada em Roma e receberá o nome de “Santa Dulce dos Pobres”. Esta biografia concisa continua na próxima semana, revelando os fatos que levaram-na à canonização.

DEU NO JORNAL

TRABALHO ESCRAVO

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que se presta ao papel de intermediar programas como o “Mais Médicos”, baseado na exploração da mão-de-obra de profissionais de medicina cubanos, é o principal alvo de um processo de indenização milionário por trabalho escravo da médica Ramona Matos.

Ela fugiu da polícia política de Cuba, que vigiava os passos dos médicos cubanos no Brasil, e foi para os Estados Unidos. Ela processa a Opas na Justiça da Flórida.

A Opas não foi processada no Brasil porque a entidade tem imunidade diplomática, não importa o que faça. Nos EUA, não há essa blindagem.

O programa “Mais Médicos” foi implantado pelo governo Dilma com o objetivo claro de transferir dinheiro para a ditadura cubana.

Cada médico custava R$ 10 mil ao mês, dos quais R$ 9 mil eram pagos à ditadura.

Um ano depois, cada médico passou a receber R$ 3 mil.

Bolsonaro acha justo o processo da médica cubana Ramona Matos contra a Opas.

O ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) também.

* * *

Bolsonaro e este seu ministro Luiz Henrique são dois reacionários fascistas.

Uma dupla que abomina o fantástico progresso comuno-socialista da Ilha da Liberdade.

Viva Fidel!!!

Viva Dilma!!!

Viva Lula!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A VIDA COMO TEM SIDO E COMO TEM NOS LEVADO

Sem que possamos assegurar que a vida em sociedade teve algum tipo de progresso ou evolução, podemos garantir, isso sim, que muita coisa já não é como era cinquenta anos atrás.

Houve mudança, sim. Num somatório, algumas eram necessárias, outras nem tanto. Um exemplo perceptível, é que, com o progresso das pesquisas e da ciência em todos os mais evoluídos rincões do mundo, há quase um século se tenta descobrir a cura do câncer, e não se consegue.

A praticidade de algumas coisas melhorou. Alguns direitos foram conquistados – mas ainda não conseguiram descobrir “por que um ser humano precisa matar outro”. Os irracionais não se matam entre as espécies semelhantes.

Torçamos para que, pelos muitos dias que ainda teremos pela frente, as coisas e as relações humanas continuem melhorando.

Deixando a ansiedade de lado, trato hoje de dois momentos diferentes enfrentados pela sociedade vivente, que se dilacera, que se entretém das mais diferentes e estapafúrdias formas – mas diz ao mundo que se ama.

I – A CACIMBA

A cacimba e a tradição familiar da roça

Em muitos desses grotões interioranos Brasil à fora, uns chamam de cacimba, outros de cacimbão, e outros tantos de cisterna. Na realidade, é um buraco cavado no chão, que vai encontrar o lençol freático e um veio contínuo d´água. Me acostumei chamando de cacimba, embora Vovó quisesse que chamássemos “poço”. E ela “mandava” em nós. Sem reclamações, ou as frescuras atuais. Quem não obedecesse, estaria comprando uma briga que, no futuro, acabaria perdendo. Nem que fosse um gostoso pedaço de rapadura, ou algumas colheradas a mais, daquele gostoso caldo do almoço dominical , colocadas com carinho no prato de barro.

O que sabemos mesmo, era que, ficávamos horas e horas “puxando água” para encher os tonéis que os jumentos carregariam. Eram os “caminhos d´água” que tornavam o nosso trabalho uma poesia da eficiência, dizendo da nossa importância ao som do “roém, roém, roém” provocado pelo contato do breu com a madeira desgastada e da corda de sisal com o carretel (roldana).

Algum dia, na minha infância, puxar água para encher o pote de alguém, já foi uma forma de trabalhar para ganhar umas moedas de mil réis. Era comum faltar água em algum lugar, e as donas das casas da vizinhança nos pagavam para enchermos os potes. Com a merrequinha que ganhávamos, comprávamos revistas, íamos ao cinema, e comíamos pipocas antes do início da sessão da tarde. Era, digamos, o colorido da vida.

II – A DIFERENÇA – ÀS VEZES, “A FAMÍLIA” DESEDUCA!

Alojamento de um “Colégio Militar”

Volto a bater na tecla em caixa alta. Educar é uma coisa, e cabe à família. Entre as muitas tarefas pertencentes à família, está o “impor limites” (com o peso da palavra, mesmo: “impor”) e, nos dias atuais, os pais aprenderem e terem que dizer “não”.

As gerações passadas foram criadas de formas diferentes, sem a obrigatoriedade de dizer sempre o “sim”, como acontece nos dias de hoje. Era o “não” – e estamos conversados! Adota quem quer. Mas, quem não adotar, vai correr o risco de se dar mal. E, quase sempre, isso acontece.

Escolarizar compete à escola – neste caso, algumas escolas, inadvertidamente, estão tomando para si o papel de educar. E é aí que mora o perigo, e nisso residem os mais catastróficos conflitos no dia a dia do jovem.

Entre os primeiros sinais dessa tentativa de inversão dos papeis, está a quase imposição de que os jovens estudantes tratem as(os) professoras (es) como “tia” (tio). Ora, “tio”, é o irmão do pai ou da mãe – e nem vamos caminhar por ali, pois seria discutir a mediocridade ou o sexo dos anjos.

Quarto de dormir de jovens “educados” pelas famílias brasileiras

Mas, o que nos traz aqui, nestes poucos parágrafos é a acirrada discussão da sugestão e não da obrigatoriedade de matricular ou não, o(a) filho(a) numa escola com “orientação militar.” Como se isso estivesse sendo uma determinação. E não é.

Quem matricula o(a) filho(a) numa escola Adventista?

Alguém é obrigado matricular o(a) filho(a) numa escola adventista?

Sabe qual é mesmo o grande problema? É que a ideia vem do Governo Bolsonaro. E muitos que não votaram no 17, simples e ridiculamente, para mostrar que “são do contra”, estão tentando desconstruir a proposta. Repetimos: “proposta”! Não orientação.

É quase que a mesma babaquice (repito o termo chulo: “babaquice”) de ficar dizendo que “homossexualidade” é “orientação”, e não opção. Alguém orienta outrem para que escolha ser homossexual, para queimar a rosca?

Vai longe a pendenga. Duvido que, descumprindo as “regras” dos colégios com orientação militar, algum aluno se atreva a sair da cama sem deixa-la arrumada com os lençóis sem uma única rusga.

Diferente das camarinhas onde dorme e vivem os(as) filhos(as) de muitos dos pais atuais. Alguém vai querer exigir que o(a) filho(a) alinhe o quarto pessoal antes de sair de casa? Du-vi-d-ó-dó!

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