DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GILDASIO SILVA – RIO DE JANEIRO-RJ

Caro Berto,

Em primeiro lugar minha obrigação de agradecer a essa gazeta escrota (ou seja, codinome Luiz Berto), pela equipe extraordinária que nos permite acompanhar as desgraças desse nosso pais com extraordinária competência e senso crítico.

Além das inexcedíveis e indesculpáveis sacanagens, abrilhantadas pelo venerável Polodoro !

Agora vamos ao que interessa.

Estou muito preocupado com a falta de dinheiro do Ministro Paulo Guedes e muito mais ainda com a falta de dinheiro nas mãos da rapaziada, ao mesmo tempo que assisto os criminosos da CAIXA embolsarem quase 300 milhões num recente sorteio da famigerada mega-sena!

Daí que estou tentando apresentar ao patriótico Ministro uma sugestão singela para reorganizar a questão das loterias com o objetivo básico de devolver para o povão (e para o mercado) o dinheiro que tem sido roubado.

Caso possas apadrinhar a ideia apresentada abaixo, e que reconheças sua destinação social, veja se a mesma possa ser divulgada por essa GAZETA ESCROTA.

Com um forte aperto no saco.

R. Meu caro, esta gazeta escrota é um espaço aberto e democrático que está inteiramente à disposição dos seus leitores.

Tudo que os fubânicos mandam pra cá, é publicado sem cortes, censura ou restrições.

Agora, com um “forte aperto no saco“, aí é que me sinto mesmo na obrigação de publicar sua mensagem!!!

Vôte!!!

Minha bolsa escrotal chega gemeu, a ponto de Polodoro rinchar com pena de mim!

Gratíssimo pela audiência e pelas suas generosas e apertadas palavras.

Pode ter certeza que ainda hoje Chupicleide, a nossa simpática secretária de redação, vai encaminhar ao ministro Paulo Guedes esta postagem.

E a seguir está transcrito ao pé da letra o material que você nos mandou.

* * *

SUGESTÃO DE COMO FAZER O RATEIO SOCIALMENTE JUSTO DOS PRÊMIOS DAS LOTERIAS DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Não é surpresa para ninguém a desconfiança consolidada da existência de flagrante manipulação de resultados de qualquer das modalidades das loterias da Caixa Econômica Federal.

Assim, examinando, por exemplo, a probabilidade que tem de ser premiado um cartão da mega-sena com 6 acertos, numa aposta de R$ 3,50, temos a relação 1: 50.063.860, ou seja, chance zero de o apostador ser o premiado fechando 6 acertos, salvo por merecimento divino.

Ou por fraude oficial e deliberadamente programada !

Tal cruel realidade abrange todos os tipos das loterias disponibilizadas pela CAIXA e abre o espaço fértil para a preparação de resultados previamente fraudados e, ao mesmo tempo, ampliados pela acumulação dos sorteios e prêmios sem ganhadores. O que vale para a mega-sena vale para todo o resto, com destaque para a modalidade TIMEMANIA, matemática e honestamente impossível de permitir um ganhador !

Cabe destacar que no ano 2018 a CEF arrecadou mais de 14 bilhões de reais no conjunto de apostas das diversas modalidades ( com destaque para a sonhada mega-sena ), destacando-se que todo esse volume de recursos saiu do bolso do nosso iludido ( ou fu…. ) POVÃO !!!

Entendo ser obrigatório devolver em cada sorteio – e em cada das modalidades de apostas – 100 % dos recursos destinados ao rateio entre os apostadores premiados, até mesmo porque tais recursos saíram unicamente do bolso do nosso povão!!!

Salvo melhor juízo, pequenas e possíveis modificações nas leis que instituíram as loterias – e suas benesses – podem permitir a distribuição socialmente justa à parcela dos prêmios a que os acertadores terão o direito de receber.

De imediato, deve ser legalmente eliminada a figura criminosa do “PREMIO ACUMULADO”, para todos os tipos de loteria.

Ademais, todos os prêmios das loterias devem ser rateados entre aqueles apostadores que fizerem o maior número de pontos em cada sorteio. Assim, tomando a mesma mega-sena como exemplo, teremos os seguintes grupos de ganhadores, conforme ocorram: grupo 6-5-4; grupo 5-4-3; grupo 4-3-2; e grupo 3-2-1 !

Dessa forma, que julgo até ingênua, cada sorteio fica mais animado, a administração federal elogiada, um maior número de apostadores receberá o benefício, e o dinheiro volta a circular imediatamente no mercado.

Portando: mais negócios, mais empregos e maior arrecadação de impostos, sem novos impostos!!!

E CORRUPÇÃO ZERADA !

Ainda: em favor da Administração Federal, e tomando como exemplo a mega-sena, sugiro a alteração do valor da aposta de R$ 3,50 de quem faz a aposta mínima com 6 números.

Hoje, o apostador dos R$ 3,50 (… a grande maioria!), joga 6 números com chance zero de ganhar! Esse apostador, investindo mais R$ 3,50, permanece no mesmo patamar. Quase a certeza da nada ganhar, e ainda perde R$ 3,50!

Sugiro, então, para o caso da perseguida mega-sena, que a aposta mínima pule dos R$ 3,50 para redondos R$ 4,00, permitindo, no entanto, que com os R$ 4,00 sejam feitas 2 apostas numa mesma cartela! Na pior das hipóteses o apostador comum se nada ganhar, arriscou mais e gastou menos. Perdeu, por assim dizer, apenas 50 centavos.

Por outro lado, ao estimularmos o apostador a fazer uma segunda aposta “obrigatória” na cartela de R$ 4,00, incrementamos naturalmente a receita mensal do grupo mega-sena em praticamente 15 % !!!, ou seja, uma receita adicional mensal para a CEF de R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais).

Entendo também a necessidade de a CEF alterar a forma de distribuir os recursos recolhidos com as loterias.

A totalidade desses recursos deve ser destinada obrigatoriamente para os setores de Educação, Saúde e Segurança.

Apenas isso.

AUGUSTO NUNES

NOSTÁLGICA CANALHICE

Boulos sente saudade do tempo em que os presidentes brasileiros eram lobistas de países comandados por ditadores de estimação

“Com menos de 6 meses de governo, Bolsonaro já viajou duas vezes aos Estados Unidos e fez quatro reuniões no Planalto com representantes norte-americanos. Presidente do Brasil ou embaixador-lobista dos EUA?”.

Guilherme Boulos, líder do MTST, no Twitter, com saudade do tempo em que os presidentes brasileiros eram embaixadores-lobistas de Cuba, da Venezuela e de outros países comandados por ditadores de estimação.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MANOCA LEÃO – PALMARES-PE

Olá Sr. grande escritor, Luiz Berto,

Confissão de um simples fã.

Tenho um Programa na Rádio Farol FM 907 na cidade de Catende “Programa Panorama Popular”. E moro em Palmares PE.

Pois muito bem, há bastante tempo andava correndo atras dos amigos meus, que são também amigos do Digníssimo Escritor, contador de causos, Blogueiro, Teatrólogo, Cachaceiro, Ex-Zoneiro, Ex-Raparigueiro, o dileto Luiz Berto.

Aperreei que só a gota-serena Rubão Couto e Valter Portela, para que eles acertassem um encontro, para que fosse possível a realização de um Programa Panorama Popular, na Radio Farol FM 90.7 que finalmente aconteceu no dia 18 de maio de 2019, que para mim foi histórico, dada a competência, graça e harmonia com que o ilustre personagem se incorpora e discorre sobre cada tema posto aos ouvintes à cada conto seu.

Foi uma apresentação de Gala. O Artista brilhou com sua luz intensa, como já se esperava. Parabéns Luiz Berto, Palmarense Cabra da Peste

Sua obra dispensa comentários.

Foi um show e o coitado deste jornalista, apresentador do programa, fiquei que nem um besta, só fazia sorrir.

Obrigado, obrigado, obrigado Luiz Berto, o maior em Vida…

Eita Palmarense, Nordestino ARRETADO DE BOM!!!

R. Danô-se!!! Sequiessê uma conversa da porra!!!

Chega se engasguei-se-me todinho com a leitura de tantos elogios e xaleiragens.

Vôte!

Deixe de exageros, seu cabra doido.

Eu é que tenho de agradecer ter participado de um programa que tem uma audiência da peste em toda Mata Sul do nosso estado.

É gente que só a bixiga lixa ligada na fuxicaria de Manoca, todo sábado de manhã, a partir das 10 horas.

Pra quem ainda não viu minha entrevista, ou pra quem quiser rever as duas horas de conversa mole e repleta de miolo-de-pote, é só acessar os dois vídeos.

Clique aqui e depois clique aqui.

O grande comunicador Manoca Leão entrevistando este Editor inxirido

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

Aderaldo Ferreira de Araújo, mais conhecido como “Cego Aderaldo” um dos maiores cantadores da poesia popular nordestina (1878-1967)

* * *

Cego Aderaldo

(atendendo a um pedido do Padre Cícero)

À ordem do meu padrinho
Vou colher algumas flores…
Fazer minhas poesias
Cheias de grandes louvores
Saudando, primeiramente,
A Santa Virgem das Dores.

O nome do santo Padre
Anda pelo mundo inteiro,
A cidade está crescendo
Com este povo romeiro,
Devido às grandes virtudes
Do santo de Juazeiro.

Nossa Senhora das Dores
É que nos dá proteção,
Ordena ao nosso bom Padre,
E ele cumpre a Missão,
Ensinando a todo mundo
O ponto da salvação.

Deixo aqui no Juazeiro
Todos os sentidos meus
Juntamente ao meu Padrinho
Que me limpou com os seus,
Vou correr por este mundo
Levando a bênção de Deus.

* * *

João Paraibano

Vê-se a serra cachimbando…
Na teia, a aranha borda;
O xexéu canta um poema;
Depois que o dia se acorda,
Deus coloca um batom roxo
Na flor do feijão de corda.

*

Do nevoeiro pra o chão
a nuvem faz passarela;
o sapo pinota n’água,
entra na lama e se mela;
faz uma cama de espuma
pra cantar em cima dela.

*

Sempre vejo a mão divina
no botão de flor se abrindo,
no berço em que uma criança
sonha com Jesus sorrindo;
a mão caçando a chupeta
que a boca perdeu dormindo.

* * *

Roberto Queiroz

Admiro o Zé Ferreira
Um cantador estupendo
Se a roupa se suja, lava
Se rasga, bota remendo
Gasta menos do que ganha
Que é pra não ficar devendo.

* * *

Luciano Carneiro

Eu não tive vocação
Pra diácono nem vigário
Tornei-me então um poeta
Não muito extraordinário
Mas sou com muita alegria
No campo da poesia
Um verdadeiro operário.

* * *

Leonardo Bastião

Ontem vi uma coruja,
Sentada numa cancela,
Demorei trinta segundos,
Olhando a feiura dela,
Quando me vi no espelho,
Tava mais feio do que ela.

*

Admiro o juazeiro,
Nascido na terra enxuta,
A fruta é pequena e ruim,
A madeira é torta e bruta,
Mas a bondade da sombra,
Cobra a ruindade da fruta.

*

Eu não vou plantar saudade,
Que não estou mais precisando,
A caçamba da saudade,
Toda vez que vai passando,
Ao invés de levar a minha,
Derrama a que vai levando.

* * *

Josué Romano

Eu já suspendi um raio
E já fiz o tempo parar.
Já fiz estrela correr,
Já fiz sol quente esfriar.
Já segurei uma onça
Para um moleque mamar!

DEU NO JORNAL

IMPRENSA CALUNIADORA

A mulher com quem o presidiário Lula diz pretender se casar após sair da prisão, Rosângela da Silva, a “Janja”, recebe R$ 16.769,57 por mês, para atuar na área de “responsabilidade social” da estatal Itaipu Binacional, onde a média salarial é de R$ 8.779,68.

Como prova de que o “padrinho” era forte, ela foi nomeada em 1º de janeiro de 2005 para trabalhar em Curitiba e não próxima à hidrelétrica, em Foz do Iguaçu.

A menos que a data tenha sido fraudada, Itaipu abriu as portas para formalizar o contrato de “Janja” em pleno feriado nacional.

Relacionando-se com Lula há anos, “Janja” ganhou a boquinha em Itaipu sem fazer concurso ou passar por qualquer processo seletivo.

“Janja” foi contratada por ordem do então presidente de Itaipu, Jorge Samek, petista do Paraná obediente a Lula, que o nomeou.

O ex-presidente ao lado de Jorge Samek, o militante petista que nomeou Janja para a Itaipu por ordem de Lula

* * *

Só mesmo uma imprensa reacionária e fascista como esta nossa poderia publicar uma mentira cabeluda desta magnitude.

Janja é uma moça gabaritada, preparada e competente.

Ela sabe enfrentar um duro da porra no seu serviço.

O amor entre estes dois pombinhos, Lula e Janja, é tocante e comovente.

A Editoria do JBF dedica aos apaixonados noivos uma linda música na voz de Nat King Cole, ao mesmo tempo que deseja ao casal muitas e muitas felicidades nos próximos 20 anos de visitas íntimas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GONZAGA – JOINVILLE-SC

Esculhambado Papa Berto

Mando está contribuição que era para assinatura de 6 meses da Folha de São Paulo….

Como aquele jornaleco não serve mais nem pra embrulhar peixe, passei pra esta sua gloriosa (ESCROTA) gazeta.

Espero que a Chupicleide não se ofenda

Abraços

R. De fato, embrulhar peixe com a Folha de S. Paulo é um atentado ao meio ambiente.

Este pasquim desavergonhado, a Folha de S. Paulo, que atualmente é um dos grandes partidos de oposição ao governo em forma de jornal, não serve nem mesmo pra limpar a bunda. Iria sujar o furico do obrado.

Agora, aqui entre nós: 

É mais fácil você enxergar um elefante avuando nos ares ou escutar Gleisi  Hoffmann falando a verdade do que ver Chupicleide ofendida com uma doação.

De jeito nenhum!!! Não mesmo!!!

Pode acreditar que ela chega se peidou-se todinha de tanta alegria com seu generoso depósito.

Gratíssimo pela força e pela audiência!

Vocês leitores são a grande base de sustentação e de apoio a esta gazeta escrota.

Aproveito a oportunidade para mandar um abraço ao colunista fubânico José Narcelio pela doação que fez para ajudar a pagar o 13º do ano passado da nossa secretária Chupicleide.

Chupicleide  se rindo-se e se peidando-se todinha de alegria com a generosidade dos leitores fubânicos

A PALAVRA DO EDITOR

FIGURAS MACABRAS

O quadro tétrico, diabólico, assombrado e assustador aí de cima é um brinde da Editoria do JBF para seus leitores que são catimbozeiros e praticantes da magia negra.

Quem quiser fazer um despacho neste final de semana, pode utilizar qualquer uma destas horrendas figuras.

Despacho brabo, pesado, fuderoso, carregado, pra lascar a vida de qualquer tipo de fela-da-puta.

Por exemplo: uma vizinha chata, um eleitor do PSOL, um idiota que usa celular enquanto dirige ou um petista militante.

Este sexta-feira, 24 de maio, é o dia em que a Mãe de Calor-de-Figo limpa os dentes com uma escova fabricada com os pentelhos da sogra de Belzebu, a madrasta de Caralho-de-Asas come bimba de gato frita em sebo de bode, a nêga Espanta-Cacete amarra o pixaim com biliros feitos de ossos de cachorro doido, a madrasta de Cavalo-do-Cão come barro e caga tijolo pra levantar a caverna do Tinhoso, a cabôca Traça-Pica faz careta pra Tranca-Rua em cima de um pinico de loiça, a enfezada Catraia Sibita lava a priquita com o mijo da Besta Fera pra se enxugar com um pedaço da estopa de Maria Mulambo e a irmã de Pancanha cata chatos na barba do cabôco Papa-Cu.

De modo que as imagens daquelas assombrações lá de cima estão coerentes com esta sexta-feira do Cão.

Use a abuse!!!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

DEVIA TER DADO

Afrânio aparentava boa saúde, caminhava diariamente às 17 horas pela orla. Naquela tarde Afrânio, andando, sentiu um mal estar, dor no peito, caiu no chão. Socorreram, colocaram-no em um taxi, avisaram à Paula, sua esposa, levaram o infartado ao Hospital, ao chegar estava morto. Foi uma choradeira entre parentes e amigos, os dois filhos que moram em São Paulo pegariam o primeiro avião. A notícia correu rápida no Facebook, postaram o laço preto, a foto e as notícias fúnebres elogiosas. “Alagoas fica menor. Morre Afrânio Cavalcanti grande empresário, o velório será o Parque das Flores e o enterro às 17 horas de amanhã.” Afrânio era muito querido, gentil, trabalhador, bom pai de família. Teve vários casos, mas nunca se prendeu a alguma de suas aventuras. A esposa minimizava esse defeito para viver bem.

O Parque das Flores logo ficou repleto, as duas amigas Paula e Ritinha abraçadas diante do caixão choravam em desespero aquela tragédia, os amigos consolavam a viúva. Foram 31 anos de casados, eles viviam em harmonia possível. Quando os filhos foram para o Sul estudar e ficaram por lá, o casal ficou mais amigo, precisavam um do outro. Paula chorava aos prantos diante do marido inerte no caixão, sabia que nunca mais teria seu bom humor, seu carinho e as noites gostosas de amor, afinal, Afrânio era sábio de cama.

Deram um calmante à Paula, ela deitou-se nos aposentos do velório. Ritinha acordada aguentou no salão olhando para o defunto, estava chocada, desesperada, arrependida, havia descoberto naquele momento doloroso que amava Afrânio, marido de sua melhor amiga, sua cabeça pensava em perda, lamento e traição, quando apareceu a amiga Miriam convidando-a a um passeio pela alameda iluminada do cemitério. Sentaram-se no banco embaixo de enormes pés de eucaliptos. Foi naquele momento que ela desabafava junto à amiga.

– ”Eu devia ter dado a ele.” Continuou abrindo seu coração para Miriam.

– “Eu e Paula sempre fomos grandes amigas. Depois que me separei do Arnaldo, comecei a sair com o casal, Afrânio cheio de bom humor vivia me arranjando namorado, até que dei algumas escapulidas com alguns. Ano passado na praia de Paripueira em um passeio na piscina natural, eu estava segurando a jangada com o corpo dentro d’água, de repente, senti um corpo junto ao meu por baixo d’água, entrelaçou-me entre as pernas, deu-me uma gostosa excitação, olhei nos olhos de Afrânio e balancei a cabeça negando amavelmente. Aquele momento me agradou confesso, eu adorei. Dias depois me encontrei com Afrânio no Shopping, ele convidou-me para um sorvete. Sentamos, ele perguntou se eu acreditava que um homem podia amar duas mulheres? Porque me amava e era tarado por mim. Já pensou? Eu quase sessentona. Mandei que ele se aquietasse, já não era mais menino, não ligou, continuou a conversa. Fez-me a proposta indecente. Por que não um encontro em vez em quando num motelzinho gostoso? Não precisava Paula saber.

Eu saí do Shopping excitada com a proposta, porém, havia uma amiga no meio do caminho. Afrânio quando podia, dizia-se apaixonado, eu resisti durante esse tempo todo. Hoje eu o vendo morto, inerte, a vida acabada, fiquei num profundo sentimento de perda e de arrependimento. Eu devia ter dado a ele, Miriam”.
Retornaram ao velório, Ritinha procurou Paula, ela estava sozinha no quarto, sentada na cama, deu duas batidas no colchão com a mão, convidando a amiga sentar-se. Abraçaram-se. A viúva puxou conversa.

– “Minha querida amiga, Afrânio gostava muito de você, muito mesmo, eu não sentia ciúme. Ele lhe tinha um carinho especial, eu percebia. Agora que tudo acabou, diga-me, até por curiosidade, continuarei sua amiga seja qual for a resposta. Vocês transavam?”.

Deu-se um momento longo de profundo silêncio.

– “Paula vou lhe contar a verdade, fui-lhe amiga fiel com muito esforço. Afrânio tentou, tentou muitas vezes, insistente. Confesso várias vezes tive vontade, só não dei, para não lhe trair”.

– “E eu pensava que vocês transavam. Você devia ter dado, o bichinho queria tanto.” Disse Paula chorando, beijando a testa da amiga.

DEU NO JORNAL