CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GILDASIO SILVA – RIO DE JANEIRO-RJ

Caro Berto,

Em primeiro lugar minha obrigação de agradecer a essa gazeta escrota (ou seja, codinome Luiz Berto), pela equipe extraordinária que nos permite acompanhar as desgraças desse nosso pais com extraordinária competência e senso crítico.

Além das inexcedíveis e indesculpáveis sacanagens, abrilhantadas pelo venerável Polodoro !

Agora vamos ao que interessa.

Estou muito preocupado com a falta de dinheiro do Ministro Paulo Guedes e muito mais ainda com a falta de dinheiro nas mãos da rapaziada, ao mesmo tempo que assisto os criminosos da CAIXA embolsarem quase 300 milhões num recente sorteio da famigerada mega-sena!

Daí que estou tentando apresentar ao patriótico Ministro uma sugestão singela para reorganizar a questão das loterias com o objetivo básico de devolver para o povão (e para o mercado) o dinheiro que tem sido roubado.

Caso possas apadrinhar a ideia apresentada abaixo, e que reconheças sua destinação social, veja se a mesma possa ser divulgada por essa GAZETA ESCROTA.

Com um forte aperto no saco.

R. Meu caro, esta gazeta escrota é um espaço aberto e democrático que está inteiramente à disposição dos seus leitores.

Tudo que os fubânicos mandam pra cá, é publicado sem cortes, censura ou restrições.

Agora, com um “forte aperto no saco“, aí é que me sinto mesmo na obrigação de publicar sua mensagem!!!

Vôte!!!

Minha bolsa escrotal chega gemeu, a ponto de Polodoro rinchar com pena de mim!

Gratíssimo pela audiência e pelas suas generosas e apertadas palavras.

Pode ter certeza que ainda hoje Chupicleide, a nossa simpática secretária de redação, vai encaminhar ao ministro Paulo Guedes esta postagem.

E a seguir está transcrito ao pé da letra o material que você nos mandou.

* * *

SUGESTÃO DE COMO FAZER O RATEIO SOCIALMENTE JUSTO DOS PRÊMIOS DAS LOTERIAS DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Não é surpresa para ninguém a desconfiança consolidada da existência de flagrante manipulação de resultados de qualquer das modalidades das loterias da Caixa Econômica Federal.

Assim, examinando, por exemplo, a probabilidade que tem de ser premiado um cartão da mega-sena com 6 acertos, numa aposta de R$ 3,50, temos a relação 1: 50.063.860, ou seja, chance zero de o apostador ser o premiado fechando 6 acertos, salvo por merecimento divino.

Ou por fraude oficial e deliberadamente programada !

Tal cruel realidade abrange todos os tipos das loterias disponibilizadas pela CAIXA e abre o espaço fértil para a preparação de resultados previamente fraudados e, ao mesmo tempo, ampliados pela acumulação dos sorteios e prêmios sem ganhadores. O que vale para a mega-sena vale para todo o resto, com destaque para a modalidade TIMEMANIA, matemática e honestamente impossível de permitir um ganhador !

Cabe destacar que no ano 2018 a CEF arrecadou mais de 14 bilhões de reais no conjunto de apostas das diversas modalidades ( com destaque para a sonhada mega-sena ), destacando-se que todo esse volume de recursos saiu do bolso do nosso iludido ( ou fu…. ) POVÃO !!!

Entendo ser obrigatório devolver em cada sorteio – e em cada das modalidades de apostas – 100 % dos recursos destinados ao rateio entre os apostadores premiados, até mesmo porque tais recursos saíram unicamente do bolso do nosso povão!!!

Salvo melhor juízo, pequenas e possíveis modificações nas leis que instituíram as loterias – e suas benesses – podem permitir a distribuição socialmente justa à parcela dos prêmios a que os acertadores terão o direito de receber.

De imediato, deve ser legalmente eliminada a figura criminosa do “PREMIO ACUMULADO”, para todos os tipos de loteria.

Ademais, todos os prêmios das loterias devem ser rateados entre aqueles apostadores que fizerem o maior número de pontos em cada sorteio. Assim, tomando a mesma mega-sena como exemplo, teremos os seguintes grupos de ganhadores, conforme ocorram: grupo 6-5-4; grupo 5-4-3; grupo 4-3-2; e grupo 3-2-1 !

Dessa forma, que julgo até ingênua, cada sorteio fica mais animado, a administração federal elogiada, um maior número de apostadores receberá o benefício, e o dinheiro volta a circular imediatamente no mercado.

Portando: mais negócios, mais empregos e maior arrecadação de impostos, sem novos impostos!!!

E CORRUPÇÃO ZERADA !

Ainda: em favor da Administração Federal, e tomando como exemplo a mega-sena, sugiro a alteração do valor da aposta de R$ 3,50 de quem faz a aposta mínima com 6 números.

Hoje, o apostador dos R$ 3,50 (… a grande maioria!), joga 6 números com chance zero de ganhar! Esse apostador, investindo mais R$ 3,50, permanece no mesmo patamar. Quase a certeza da nada ganhar, e ainda perde R$ 3,50!

Sugiro, então, para o caso da perseguida mega-sena, que a aposta mínima pule dos R$ 3,50 para redondos R$ 4,00, permitindo, no entanto, que com os R$ 4,00 sejam feitas 2 apostas numa mesma cartela! Na pior das hipóteses o apostador comum se nada ganhar, arriscou mais e gastou menos. Perdeu, por assim dizer, apenas 50 centavos.

Por outro lado, ao estimularmos o apostador a fazer uma segunda aposta “obrigatória” na cartela de R$ 4,00, incrementamos naturalmente a receita mensal do grupo mega-sena em praticamente 15 % !!!, ou seja, uma receita adicional mensal para a CEF de R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais).

Entendo também a necessidade de a CEF alterar a forma de distribuir os recursos recolhidos com as loterias.

A totalidade desses recursos deve ser destinada obrigatoriamente para os setores de Educação, Saúde e Segurança.

Apenas isso.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MANOCA LEÃO – PALMARES-PE

Olá Sr. grande escritor, Luiz Berto,

Confissão de um simples fã.

Tenho um Programa na Rádio Farol FM 907 na cidade de Catende “Programa Panorama Popular”. E moro em Palmares PE.

Pois muito bem, há bastante tempo andava correndo atras dos amigos meus, que são também amigos do Digníssimo Escritor, contador de causos, Blogueiro, Teatrólogo, Cachaceiro, Ex-Zoneiro, Ex-Raparigueiro, o dileto Luiz Berto.

Aperreei que só a gota-serena Rubão Couto e Valter Portela, para que eles acertassem um encontro, para que fosse possível a realização de um Programa Panorama Popular, na Radio Farol FM 90.7 que finalmente aconteceu no dia 18 de maio de 2019, que para mim foi histórico, dada a competência, graça e harmonia com que o ilustre personagem se incorpora e discorre sobre cada tema posto aos ouvintes à cada conto seu.

Foi uma apresentação de Gala. O Artista brilhou com sua luz intensa, como já se esperava. Parabéns Luiz Berto, Palmarense Cabra da Peste

Sua obra dispensa comentários.

Foi um show e o coitado deste jornalista, apresentador do programa, fiquei que nem um besta, só fazia sorrir.

Obrigado, obrigado, obrigado Luiz Berto, o maior em Vida…

Eita Palmarense, Nordestino ARRETADO DE BOM!!!

R. Danô-se!!! Sequiessê uma conversa da porra!!!

Chega se engasguei-se-me todinho com a leitura de tantos elogios e xaleiragens.

Vôte!

Deixe de exageros, seu cabra doido.

Eu é que tenho de agradecer ter participado de um programa que tem uma audiência da peste em toda Mata Sul do nosso estado.

É gente que só a bixiga lixa ligada na fuxicaria de Manoca, todo sábado de manhã, a partir das 10 horas.

Pra quem ainda não viu minha entrevista, ou pra quem quiser rever as duas horas de conversa mole e repleta de miolo-de-pote, é só acessar os dois vídeos.

Clique aqui e depois clique aqui.

O grande comunicador Manoca Leão entrevistando este Editor inxirido

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GONZAGA – JOINVILLE-SC

Esculhambado Papa Berto

Mando está contribuição que era para assinatura de 6 meses da Folha de São Paulo….

Como aquele jornaleco não serve mais nem pra embrulhar peixe, passei pra esta sua gloriosa (ESCROTA) gazeta.

Espero que a Chupicleide não se ofenda

Abraços

R. De fato, embrulhar peixe com a Folha de S. Paulo é um atentado ao meio ambiente.

Este pasquim desavergonhado, a Folha de S. Paulo, que atualmente é um dos grandes partidos de oposição ao governo em forma de jornal, não serve nem mesmo pra limpar a bunda. Iria sujar o furico do obrado.

Agora, aqui entre nós: 

É mais fácil você enxergar um elefante avuando nos ares ou escutar Gleisi  Hoffmann falando a verdade do que ver Chupicleide ofendida com uma doação.

De jeito nenhum!!! Não mesmo!!!

Pode acreditar que ela chega se peidou-se todinha de tanta alegria com seu generoso depósito.

Gratíssimo pela força e pela audiência!

Vocês leitores são a grande base de sustentação e de apoio a esta gazeta escrota.

Aproveito a oportunidade para mandar um abraço ao colunista fubânico José Narcelio pela doação que fez para ajudar a pagar o 13º do ano passado da nossa secretária Chupicleide.

Chupicleide  se rindo-se e se peidando-se todinha de alegria com a generosidade dos leitores fubânicos

A PALAVRA DO EDITOR

FIGURAS MACABRAS

O quadro tétrico, diabólico, assombrado e assustador aí de cima é um brinde da Editoria do JBF para seus leitores que são catimbozeiros e praticantes da magia negra.

Quem quiser fazer um despacho neste final de semana, pode utilizar qualquer uma destas horrendas figuras.

Despacho brabo, pesado, fuderoso, carregado, pra lascar a vida de qualquer tipo de fela-da-puta.

Por exemplo: uma vizinha chata, um eleitor do PSOL, um idiota que usa celular enquanto dirige ou um petista militante.

Este sexta-feira, 24 de maio, é o dia em que a Mãe de Calor-de-Figo limpa os dentes com uma escova fabricada com os pentelhos da sogra de Belzebu, a madrasta de Caralho-de-Asas come bimba de gato frita em sebo de bode, a nêga Espanta-Cacete amarra o pixaim com biliros feitos de ossos de cachorro doido, a madrasta de Cavalo-do-Cão come barro e caga tijolo pra levantar a caverna do Tinhoso, a cabôca Traça-Pica faz careta pra Tranca-Rua em cima de um pinico de loiça, a enfezada Catraia Sibita lava a priquita com o mijo da Besta Fera pra se enxugar com um pedaço da estopa de Maria Mulambo e a irmã de Pancanha cata chatos na barba do cabôco Papa-Cu.

De modo que as imagens daquelas assombrações lá de cima estão coerentes com esta sexta-feira do Cão.

Use a abuse!!!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

DEVIA TER DADO

Afrânio aparentava boa saúde, caminhava diariamente às 17 horas pela orla. Naquela tarde Afrânio, andando, sentiu um mal estar, dor no peito, caiu no chão. Socorreram, colocaram-no em um taxi, avisaram à Paula, sua esposa, levaram o infartado ao Hospital, ao chegar estava morto. Foi uma choradeira entre parentes e amigos, os dois filhos que moram em São Paulo pegariam o primeiro avião. A notícia correu rápida no Facebook, postaram o laço preto, a foto e as notícias fúnebres elogiosas. “Alagoas fica menor. Morre Afrânio Cavalcanti grande empresário, o velório será o Parque das Flores e o enterro às 17 horas de amanhã.” Afrânio era muito querido, gentil, trabalhador, bom pai de família. Teve vários casos, mas nunca se prendeu a alguma de suas aventuras. A esposa minimizava esse defeito para viver bem.

O Parque das Flores logo ficou repleto, as duas amigas Paula e Ritinha abraçadas diante do caixão choravam em desespero aquela tragédia, os amigos consolavam a viúva. Foram 31 anos de casados, eles viviam em harmonia possível. Quando os filhos foram para o Sul estudar e ficaram por lá, o casal ficou mais amigo, precisavam um do outro. Paula chorava aos prantos diante do marido inerte no caixão, sabia que nunca mais teria seu bom humor, seu carinho e as noites gostosas de amor, afinal, Afrânio era sábio de cama.

Deram um calmante à Paula, ela deitou-se nos aposentos do velório. Ritinha acordada aguentou no salão olhando para o defunto, estava chocada, desesperada, arrependida, havia descoberto naquele momento doloroso que amava Afrânio, marido de sua melhor amiga, sua cabeça pensava em perda, lamento e traição, quando apareceu a amiga Miriam convidando-a a um passeio pela alameda iluminada do cemitério. Sentaram-se no banco embaixo de enormes pés de eucaliptos. Foi naquele momento que ela desabafava junto à amiga.

– ”Eu devia ter dado a ele.” Continuou abrindo seu coração para Miriam.

– “Eu e Paula sempre fomos grandes amigas. Depois que me separei do Arnaldo, comecei a sair com o casal, Afrânio cheio de bom humor vivia me arranjando namorado, até que dei algumas escapulidas com alguns. Ano passado na praia de Paripueira em um passeio na piscina natural, eu estava segurando a jangada com o corpo dentro d’água, de repente, senti um corpo junto ao meu por baixo d’água, entrelaçou-me entre as pernas, deu-me uma gostosa excitação, olhei nos olhos de Afrânio e balancei a cabeça negando amavelmente. Aquele momento me agradou confesso, eu adorei. Dias depois me encontrei com Afrânio no Shopping, ele convidou-me para um sorvete. Sentamos, ele perguntou se eu acreditava que um homem podia amar duas mulheres? Porque me amava e era tarado por mim. Já pensou? Eu quase sessentona. Mandei que ele se aquietasse, já não era mais menino, não ligou, continuou a conversa. Fez-me a proposta indecente. Por que não um encontro em vez em quando num motelzinho gostoso? Não precisava Paula saber.

Eu saí do Shopping excitada com a proposta, porém, havia uma amiga no meio do caminho. Afrânio quando podia, dizia-se apaixonado, eu resisti durante esse tempo todo. Hoje eu o vendo morto, inerte, a vida acabada, fiquei num profundo sentimento de perda e de arrependimento. Eu devia ter dado a ele, Miriam”.
Retornaram ao velório, Ritinha procurou Paula, ela estava sozinha no quarto, sentada na cama, deu duas batidas no colchão com a mão, convidando a amiga sentar-se. Abraçaram-se. A viúva puxou conversa.

– “Minha querida amiga, Afrânio gostava muito de você, muito mesmo, eu não sentia ciúme. Ele lhe tinha um carinho especial, eu percebia. Agora que tudo acabou, diga-me, até por curiosidade, continuarei sua amiga seja qual for a resposta. Vocês transavam?”.

Deu-se um momento longo de profundo silêncio.

– “Paula vou lhe contar a verdade, fui-lhe amiga fiel com muito esforço. Afrânio tentou, tentou muitas vezes, insistente. Confesso várias vezes tive vontade, só não dei, para não lhe trair”.

– “E eu pensava que vocês transavam. Você devia ter dado, o bichinho queria tanto.” Disse Paula chorando, beijando a testa da amiga.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

PRESIDENTES

Como todos sabem, o Brasil tem em sua história uma longa ditadura. Foram 15 anos, de 1930 a 1945. Começou disfarçada, como é usual, com promessas de nova constituição e de eleições próximas. Pouco a pouco, foram aparecendo o autoritarismo, a censura à imprensa, o desaparecimento de opositores, a repressão a qualquer idéia discordante. O ditador, todos sabem, era grande admirador do fascismo de Mussolini.

Encerrada a ditadura, o Brasil passou a decidir seus rumos através de eleições. Vamos passear um pouco pela história e relembrar as escolhas que fizemos.

– Nosso primeiro presidente após a ditadura Vargas foi um militar, o Marechal Eurico Dutra. O fato mais conhecido de seu mandato foi a proibição, numa canetada, dos cassinos e jogos de azar, levando muita gente à falência e ao desemprego.

– De forma provavelmente inédita no mundo, elegemos o ex-ditador que havia sido deposto cinco anos antes. Envolto pelo mar de lama, saiu da vida para entrar na história, suicidando-se com um tiro no coração.

– O próximo foi Juscelino Kubitschek. Assim como Quéops gravou seu nome na história construindo sua pirâmide, Juscelino construiu sua cidade. Para isso, quebrou a previdência, multiplicou a divida do país por cinco e aumentou a inflação. Para a classe média, crédito farto para comprar carro, TV e eletrodomésticos. Para os pobres, emprego farto nas fábricas que produziam os bens que a classe média comprava. Como sempre acontece com crescimento econômico baseado em crédito, a bolha estourou, mas seu mandato já havia acabado.

– Em 1960, elegemos Jânio Quadros. Em apenas sete meses, este doido tomou medidas importantes como proibir o biquíni e o lança-perfume, além de condecorar Che Guevara e receber agentes da KGB em Brasília para negociar uma aproximação com a União Soviética. Também mandou que o exército conquistasse a Guiana Francesa. Como não tinha apoio do congresso e por isso não conseguia governar, renunciou achando que o povo se mobilizaria para mantê-lo no poder. Não sabia ele que a única coisa capaz de provocar este grau de mobilização no povo brasileiro é o futebol.

– Seguem-se dois anos e meio de confusão sob o governo de João Goulart, e vinte e um anos de “ordem e progresso” (a ordem mantida à força, e o progresso, bancado por endividamento e inflação) sob uma nova ditadura, desta vez chefiada por militares.

– A ditadura entregou o poder para Tancredo, mas quem levou foi José Sarney. Veio uma nova constituição, a pior de nossa história, e cinco anos de uma corrupção e um desgoverno tão toscos que chegam a ser engraçados – menos para quem sofreu suas consequências, lógico.

– Primeiro presidente eleito pelo povo depois de trinta anos: Fernando Collor. Mais corrupção, mais incompetência, mais desgoverno. Queria governar sem o congresso, como Jânio, mas não tentou o golpe da renúncia. Afundou no mar de lama, mas não se suicidou como Getúlio, desperdiçando a chance de entrar para história como herói, como este (e Tiradentes – nosso país adora heróis perdedores).

– Próximo presidente: Fernando Henrique, o garboso. Embora tenha sido abertamente de esquerda durante toda sua vida, o PT, derrotado na eleição, passou a afirmar que ele era de direita – para o PT, tudo que não seja o PT é direita. Como nossa imprensa repete tudo que o PT fala, FHC e seu partido (que tem social-democrata no nome) passaram a ser considerados “direita”. A maior qualidade dos dois governos de Fernando Henrique foi não estragar muito a economia, que havia recebido um conserto importante com o plano real. A corrupção continuou aumentando, a qualidade do ensino continuou caindo, a balbúrdia institucional criada pela constituição de 88 continuou aumentando.

– Próximo: Lula, o divino. Dono de uma sorte invejável, Lula herdou o trono quando a crise da Ásia já havia passado, a China estava no auge de seu impulso desenvolvimentista e o mau governo de George W. Bush nos EUA enfraquecia o dólar. Tudo isto somado colocou o Brasil em um surto de prosperidade que foi, naturalmente, desperdiçado. A dívida foi multiplicada por cinco, como fez Juscelino. A corrupção continuou aumentando, agora mais rápido que no governo anterior. A qualidade do ensino começou a despencar, ao invés de apenas cair. A balbúrdia institucional superou a era Sarney.

– Próximo: Dilma, a inarticulada. Caso único de falta de lógica e raciocínio, não percebeu que os anos de bonança internacional que beneficiaram Lula já haviam passado. Como achava que entendia de economia, tomou uma série de medidas que colocaram o Brasil na pior recessão de sua história. Levou cartão vermelho por incompetência e vive, ao que parece, do rachid dos oito assessores que tem à sua disposição.

A situação atual: A recessão da era Dilma talvez esteja terminando, ou talvez esteja se agravando novamente. A corrupção nunca foi tão grande nem tão bem amparada, com um amplo time de defensores no Congresso, no Supremo, no Ministério Público e em vários outros órgãos públicos. A situação do ensino atingiu um novo marco: não são apenas os alunos que são analfabetos funcionais, mas os professores também. As instituições praticamente não existem mais, exceto para defender seus próprios interesses. O governo não governa, o legislativo não legisla, o judiciário não faz justiça: os três poderes se dedicam unicamente à política e à disputa por poder.

O presidente? No momento, parece seguir os passos de Jânio Quadros e Fernando Collor. Não tem apoio no Congresso e aparenta não saber como consegui-lo. Gostaria de mandar sozinho e impor suas decisões, mas não tem força para isso. Ao invés de se dedicar aos grandes problemas, aumenta a confusão com polêmicas inúteis sobre porte de arma, hino nacional nas escolas e crianças vestidas de azul ou rosa. É adorado por uma parte da população e odiado por outra parte. Uma terceira parte, cada vez maior, se preocupa com o futuro: teremos outro Jânio (renunciando), outro Collor (sendo destituído) ou outro Sarney (arrastando-se até o final do mandato para entregar ao sucessor um país em frangalhos)?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LILIANA FALANGOLA – RECIFE-PE

Papa Berto

Dei abrigo a São Benedito desde que ele saiu d “A Prisão…

Veja na foto abaixo, que tenho em casa:

Ele, São Benedito, e meus bisavós, Cecília e Sebastião Borges de Souza.

Um abraço,

R. Minha querida amiga, que bom voltar a ter notícias suas e ver você por aqui.

A última vez que nos encontramos foi no cafezinho do Pão de Açúcar, lá na Avenida Rosa e Silva, quando matamos as saudades e fizemos muitos fuxicos.

É um privilégio ter como amiga uma especialista em Recife e sua história.

Liliana Falangola no comando do barco que leva turistas para um belo e inesquecível passeio pelas águas do Rio Capibaribe

Que imagem arretada essa que você me mandou!

Um flagrante que traduz com perfeição a pessoa culta e sensível que você é.

São Benedito entre os seus bisavós, protegendo e velando pela sua casa.

Você está muito bem protegida mesmo!

Devo muito a este santo querido, pois foi com a crônica onde conto a história de sua prisão em Palmares que comecei o meu ofício de escriturador.

A sexta edição de “A Prisão de São Benedito” está pra sair nos próximos dias.

É um livro que vende que só a peste.

Os leitores gostam muito dos desmantelos acontecidos em Palmares e que descrevo neste opúsculo.

Gratíssimo pelo contato.

Apareça mais vezes. Será uma grande alegria. 

Capas da terceira e da quinta edição de A Prisão de São Benedito

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FLAVIO BOLZANI – BAURU-SP

Caro Editor Berto,

Gostaria de consultar vossa sapiência para saber se esta notícia é verdadeira.

Recebi agora há pouco e fiquei em dúvida.

Aguardo vosso sábio parecer

R. Caro leitor, depois do triplex, do sítio e das fartas e abundantes argumentações da defesa de Lapa de Corrupto, esta notícia tem todas as condições de ser verdadeira.

Confesso a você que não tenho dados pra julgar.

Mas, pelo que todos nós conhecemos, é uma notícia que tem tudo pra ser verdadeira.

Acredito que a defesa do proprietário do PT tenha realmente feito esta declaração.

Mas pode ficar tranquilo que logo teremos um esclarecimento.

O fubânico Ceguinho Teimoso é um grande especialista no atualmente prisioneiro por corrupção e lavagem de dinheiro, sua vida, suas obras e seus amores.

Com certeza ela vai nos dar um esclarecimento.

Fiquemos na espera.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

PISA NA FULÔ

Esse era o apelido de Gerinaldo, um “faz tudo” ou “quebra-galho” de Natal. Ele era ótimo para fazer pagamentos em bancos, enfrentar filas do INPS, desde a madrugada, para tirar fichas para atendimento médico, resolver problemas na Prefeitura, no Detran e em outras repartições públicas. Todos os “abacaxis”, ele descascava com perfeição. Era um portador de 1ª qualidade, e sabendo que portador não merece pancada, arranjava confusão em tudo que era canto. Pedia para ser logo atendido e inventava, sempre, que a pessoa interessada estava muito doente. O apelido lhe foi posto pelos amigos “biriteiros”, em homenagem à música do saudoso João do Vale, “Pisa na Fulô”, que ele gostava de cantar.

Era o final da década de 80, quando chegaram a Natal as primeiras secretárias eletrônicas, também chamadas de atendedores de chamadas (ou ainda atendedores automáticos). Era um dispositivo usado para responder automaticamente chamadas telefônicas e gravar mensagens, deixadas por pessoas que ligavam para um determinado número, quando a pessoa chamada não podia atender o telefone, nessa época, fixo. As primeiras secretárias eletrônicas usavam tecnologia de fita magnética. Hoje, os equipamentos são mais modernos, mas as fitas magnéticas ainda são utilizadas em muitos dispositivos de baixo custo.

Na época, uma secretária eletrônica facilitava os contatos comerciais. Era o que havia de mais moderno. No caso de Sérgio, que era representante comercial, ele podia atender aos clientes através do telefone, anotando os pedidos deixados na secretária eletrônica.

O dono da secretária eletrônica podia gravar sua própria mensagem, ou utilizar-se da mensagem-padrão, instalada de fábrica, que era mais prático.

Como o aparelho atendia, automaticamente, o telefone e gravava recados, era ideal para quem precisava se ausentar do escritório, ou para quem trabalhava sozinho.

Ao saber do lançamento desse importante aparelho eletrônico, Sérgio comprou um imediatamente e a firma lhe indicou um técnico autorizado para a instalação. A fita gravada de fábrica, com uma bonita voz feminina, dizia:

“ESTA É UMA GRAVAÇÃO. NO MOMENTO, SÉRGIO NÃO SE ENCONTRA. APÓS O SINAL, DEIXE SEU RECADO.”

No primeiro dia, foi um fracasso. Sérgio só chegou ao escritório no 2º expediente, confiando na secretária eletrônica. Apertou o botão para ouvir as mensagens deixadas por seus cliente, mas só ouviu desaforos e palavrões.

No dia seguinte, Pisa na Fulô foi logo cedo ao DETRAN, agendar a vistoria do carro de Sérgio. Ao ser atendido, surgiu um problema e ele, de um orelhão, ligou para o escritório do “patrão”, ignorando a existência da secretária eletrônica.

Ao ouvir que aquela voz era uma gravação e que ele deixasse seu recado, o fiel escudeiro de Sérgio entrou em parafuso. Pensou logo que tivesse ligado para o número errado. Insistiu na ligação e na 3ª vez explodiu, soltando o verbo para “aquela sirigaita” que atendera o telefone de Seu Sérgio:

-Moça, eu quero falar com Seu Sérgio!!! Quem tá falando aqui é Pisa Na Fulô. Só quero falar com Seu Sérgio!!!Passe o telefone pra ele!!! Ainda estou no Detran!!! Chame logo, sua condenada!!!

E terminou Pisa na Fulô mandando a secretária eletrônica se danar.

PENINHA - DICA MUSICAL