PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA – Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Colaboração de Pedro Malta

DEU NO JORNAL

NADA DE LGBT EM CUBA

Angeli Full

Alguns iludidos poderiam achar estranho que o governo de Cuba tenha cancelado – em nome da “política do Partido, do Estado e da Revolução” – a marcha anual LGBT.

Iludidos sim, pela conversa mole da esquerda, sempre disposta a defender as “minorias indefesas”.

Essa conversa mole, ao menos em Cuba, não passa de uma mentira elaborada pelos “inventores de histórias” comunistas.

Só quem desconhece a história não sabe que o “herói” da revolução cubana Che Guevara apresentou, em 1959 – assim que Fidel Castro tomou o poder – um conceito muito especial: o do “novo homem”.

Essa ideia foi explicada em sua nota O homem e o socialismo em Cuba, na mesma época.

O tal “novo homem” de Guevara deveria ter valores anticapitalistas, cooperativos e não materialistas.

Qualquer um que se afastasse desse ideal era considerado “contra revolucionário”. Esse era o caso dos homens gays, que Guevara chamava de “pervertidos sexuais”.

A homossexualidade, vista pela ótica distorcida de Guevara e seu líder, Castro, era um sintoma de “decadência burguesa”. Expressão que os esquerdinhas emburralhados ainda hoje adoram usar, enchendo a boca.

Mas os mesmos esquerdinhas se esquecem que Guevara ajudou Castro a fundar o primeiro campo de concentração cubano em Guanahacabibes, para onde mandou homossexuais, testemunhas de Jeová, padres afrocubanos e outros, que eram forçados a trabalhar para o Estado. A maioria morria logo, depois de torturados e estuprados. O slogan desses campos – copiado dos nazistas de Auschwitz – era “O trabalho liberta”.

Mas as qualidades do nobre líder comunista não paravam aí. Guevara, entre outros passatempos, adorava torturar animais, característica de assassinos em
série. De fato, contam-se ao menos 216 vítimas diretas do assassino, no período de 1957 a 1959.

Os negros eram outro dos alvos do sujeito, que os descreveu em seu diário como “aqueles indivíduos da raça africana que mantiveram sua pureza racial graças à sua falta de afinidade pelo banho’”.

Aos mexicanos, ele se referia como ‘um bando de índios analfabetos.’

Assim, não há como estranhar, hoje, que o Estado cubano reprima manifestações LGBT, como acaba de fazer. É coerente com a concepção enviesada de Guevara e Castro sobre uma ‘sociedade superior’, onde a vida humana – e os humanos – tinham pouco ou nenhum valor.

Diferente – e muito – da fachada mentirosa alardeada de que lutam por minorias e as defendem.

A única minoria que defendem é a própria, de castas corruptas e algozes de seu próprio povo.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

UM XIBUNGO VERMÊIO NOS ZISTADOS ZUNIDOS

O dia a dia sofrido de Jean Wyllys, um exilado político, amarrado ao berço do capitalismo (Times Square), sendo torturado e reprimido pela imagem opressora do grande capital (Samsung e Coca-cola), sonhando com dias melhores em Cuba ou na Venezuela onde finalmente encontrará a paz.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DODDO FÉLIX – BOM JARDIM-PE

Carríssimo Papa Berto,

esse fiel que ora vos escreve está deveras sumido.

O fato é que ainda não concluí a escrita do meu livro sobre Bom Jardim. Devo concluí-lo somente em finais do ano que vem.

Mas deixemos de lero-lero e vamos ao que (me) interessa.

Estou anexando esse soneto que escrevi semana passada. Caso valha a pena e ainda queira dá-me a honra, publique-o.

Com votos de que continue em gozo de plena saúde (você , Aline e o João), aceite o abração desse seu humilde e devoto admirador.

R. Aqui você não pede nada, meu caro.

Aqui você manda e dá as ordens.

Que bom que reapareceu e deu notícias.

Sucesso no seu livro.

E vamos ao soneto que você nos mandou:

A UM PSEUDOGURU

O poeta não é de tecer loas
a quem quer que se mostre inconsequente.
Não aceita também que algum demente
fique atacando a moral das pessoas.

Faz jus, decerto, às mais áureas coroas
aquele que respeita sua gente,
tal como faz general Villas Boas,
um cidadão, sem dúvida, decente.

Os insultos banais de um falastrão
(o vilão louco que lá longe ladra),
homens de bem jamais atingirão.

É na distância que os covardes agem…
E o tal guru nesse perfil se enquadra,
pois lhe falta, afinal, honra e coragem.

Bom Jardim, 8 de maio de 2019.

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

ZUMBIS IMBECILIZADOS

Há dias que tento escrever um pequeno texto comentando este vídeo que está aí embaixo.

Um texto sobre os zumbis idiotizados e escravizados pelo uso irracional do celular.

Uns tabacudos que se desligam do mundo, da família, dos filhos, dos entes queridos e mergulham numa letargia idiotal, com os olhos grudados na telinha do aparelho.

Um texto que falasse também sobre os criminosos e suicidas que usam o celular enquanto dirigem. Uma praga que tomou conta das ruas de nossas cidades.

Seria ótimo se se lascassem sozinhos e quebrassem os chifres ao baterem com seus automóveis num poste de ferro, sem matar pessoas ou provocar prejuízos e danos nos carros de outros motoristas.

Mas cada vez que eu tentava escrever o texto, a indignação era tão grande que eu não tinha condições de prosseguir.

Desisti.

Vou apenas publicar o vídeo.

Um vídeo que, por uma feliz coincidência, termina com a capa de uma dos meus livros prediletos.

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

NOTAS

Apesar de estar acostumada a decepções, acontece a toda hora no país, a sociedade se surpreendeu com mais uma notícia triste e negativa. O Banco Central divulgou as novas taxas para as operações de crédito. Tem sido praxe, elevarem os juros do cartão de crédito e do cheque especial. Agora, ao parcelar dívidas do cartão de crédito, o cliente paga 178,41% a.a. É o quinto aumento consecutivo. A taxa realmente é assustadora. Mete medo. Então, por enquanto nada de pagar o mínimo da fatura, senão dança. A taxa de cheque especial também aumentou tanto que dá calafrio só em pensar no furo do bolso da pessoa que entra no saldo devedor. Em ambos os casos citados, os aumentos são recordes. O problema é saber até quando as taxas de juros continuarão subindo, subindo, sem parar. Sem apresentar sinais de baixa. Pelo menos por enquanto.

A tendência natural do aumento da taxa de juros é elevar as demais taxas de juros do mercado. Com isso, a renda familiar cai, retem o consumo, segura a produção, podendo causar, inclusive mais desemprego. A salvação tem sido a taxa Selic se manter abaixo de 10% ao ano faz um bom tempo. A intenção é manter a inflação sob controle.

No momento, contrair dívidas nas modalidades do cartão de crédito e do cheque especial nem pensar. Só em última instância. Todavia, quem tá no fogo é bom sair logo da encruzilhada. Quem puder trocar tudo pelo empréstimo consignado, que também é empréstimo, embora com juros menores, o mais recomendável é tentar se manter longe dos empréstimos por uma razão muito simples. A situação brasileira anda muito controversa. Daí as lojas e financeiras, também cobrarem juros bem acima do normal, sob algumas alegações. Garantir o risco nas operações, envolvendo valores, situação cadastral do cliente e o prazo da operação. Afinal, sair do vermelho o quanto antes, é a melhor decisão. Trocar os gastos supérfluos pelos estritamente necessários, o item mais recomendável. Faz bem à beça.

*
Para compensar o pequeno tamanho territorial, Israel, no Oriente Médio, toma construtivas medidas. Agiganta-se na tecnologia para oferecer bom nível de vida aos quase 9 milhões de habitantes. Com apenas 70 anos de fundação, foi constituído em 1948, e sobreviva sob tensão nas fronteiras com o Líbano, Síria, Jordânia e Cisjordânia e o Egito, o Estado Judeu obtém destaque em vários aspectos. É elogiado, sobretudo pelas nações mais desenvolvidas.

É sucesso na educação, de alto retorno, registra excelente estágio de desenvolvimento econômico, industrial e médico, os indicadores sociais são elevados, graças ao PIB de 350 milhões de USD, principal moeda negociada no mundo, oferece boa expectativa de vida à população, preserva os direitos políticos e civis. Embora conte com limitação de recursos naturais, o país experimenta autossuficiência na produção de alimentos. Exporta frutas, vegetais, produtos farmacêuticos, software, tecnologia militar e diamantes. Possuidor de rico patrimônio arqueológico, Israel ganha boa receita com o turismo, principalmente o religioso.

Para comprovar a riqueza cultural, 12 cientistas israelenses foram laureados com o Prêmio Nobel, dos quais cinco pertencem as áreas da ciência que contribuem para o progresso da agricultura, ciências da computação, eletrônica, genética, medicina, óptica, energia solar e em várias áreas da engenharia. Com bom porte científico, Israel domina nos setores de biotecnologia agrícola, irrigação por gotejamento, solarização de solos, reciclagem de águas de esgoto para uso no campo.

*
O adulto, com certeza, lembra do passado dos Correios. Instituição séria, competente, rentável e de forte credibilidade na praça. Naquela época, as críticas à instituição eram mínimas. A desorganização da ECT praticamente começou com o excessivo pagamento de dividendos à União, responsável pelo controle dos Correios. Com o impasse, a ECT descontrolou-se. Perdeu o essencial, inclusive o nível de qualidade dos serviços. Situação que piorou drasticamente depois que as administrações desastradas passaram a comer pelas beiradas o patrimônio financeiro da empresa.

De 2007 em diante, a empresa nunca mais conseguiu segurar a capacidade de investimentos e a viabilidade econômico/financeira. A tecnologia, os roubos de carga, inclusive os desvios internos, os incêndios nos centros de distribuição, a concorrência dos motoboys, as más gestões, gerando monstruoso prejuízo de R$ 2 bilhões, mexeram nas estruturas dos Correios. Fraquejado, a empresa teve de tomar sérias decisões impopulares. Demissão em massa de trabalhadores, fechamento de agências, especialmente nas pequenas cidades.

Sem contar com os Correios, a população dos pequenos municípios enfrenta problemas. Com os assaltos e destruição de agências, os bancos preferem, em vez de recuperar o que foi destruído pelos bandidos, fechar as agências. Por falta de segurança. Com isso, as operações bancárias passaram a ser executados pelos correios. Evidente, que sem os Correios, as pessoas terão de viajar para os municípios mais prósperos. Para tirar os Correios do buraco, falam em privatização. A ideia não é nova. É cópia da experiência da Alemanha, Holanda, Áustria e Bélgica. A intensão é acompanhar a evolução do mercado, ter condições de concorrer com o bom desempenho do comércio eletrônico, que bomba. Lógico que a privatização machuca. Deixa mágoas e traumas. Mas, é preferível privatizar, caso seja a melhor solução para o caso, a suportar a lembrança do Postalis, fundo de pensão dos Correios, que ficou arrobado em R$ 7 bilhões, fruto de falcatruas administrativas.

*
De fato, o Brasil de hoje, não é o Brasil que o povo quer. A sociedade sonha. O cidadão exige. Os desequilíbrios travam a economia, causam incertezas, mancham a imagem do país no exterior, destroem planos, envergonham a Nação. No espaço de um ano apenas, no período entre 2016 e 2017, a pobreza evoluiu 4%. Passou de 52,8 para 54,8%. Como as mazelas não são eliminadas, a pobreza extrema subiu acima da média. Marcou 13%. Revelou existir no país 15,3% de indigentes. Morrendo de fome. Enchendo as ruas e as comunidades de maltrapilhos, pedindo esmolas. Atraídos pelas bocas de fumo.

Segundo apurou o IBGE, o acréscimo de 2 milhões de pessoas pobres alarga as necessidades econômicas, expande as carências sociais. Como a recessão desgastou o mercado de trabalho, o PIB cresceu pouco, bem abaixo das necessidades. O desemprego explodiu, a taxa de desocupação agigantou-se, a informalidade cresceu. Então, é evidente que a renda familiar caiu e a pobreza aumentou. Para classificar o trabalhador pobre, a renda mensal não passa de R$ 406 mensal. Já para ser considerado integrante da pobreza extrema, a renda individual por mês, esbarra em R$ 140.

Lamentavelmente, quase a metade da pobreza, cerca de 25 milhões de brasileiros, vive no Nordeste. O Sul abriga apenas 3,8 milhões de pobres e o Sudeste fica com 15,2 milhões de carentes. É preciso mexer na política de distribuição de renda que no Brasil permanece péssima. Do jeito em que se encontra, o contingente de 10% da população ativa, concentra quase a metade do conjunto de rendimento dos brasileiros. A desigualdade social estimula a miséria, a fome, a violência, a criminalidade. Fora isso, acirra também a desigualdades racial, desnivela a educação. Lamentável verificar que em termos de desigualdade social, o Brasil ocupa a oitava posição no mundo. Bem diferente da Noruega, Japão e Suécia, onde as desigualdades sociais são superbaixas.