A PALAVRA DO EDITOR

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O QUE DIZER PARA AQUELE SEU AMIGO QUE FALA MAL DO CAPITALISMO

Segundo meus parentes, meu bisavô era um dos homens mais ricos de sua cidade. Ele não tinha TV, nem rádio, nem telefone. Não tinha luz elétrica nem água encanada. Para suas “necessidades”, ele se dirigia a uma casinha nos fundos do quintal.

“Que riqueza é essa?”, devem estar pensando meus leitores. Bem, era a riqueza de 1910. Significava ter uma boa casa na rua principal (além dessa, a cidade só tinha mais três ou quatro), usar roupas boas e ir para a cama sem medo de não ter o que almoçar no dia seguinte.

O conceito de riqueza mudou com o tempo. Principalmente, porque passou a ser possível ter coisas que antes não existiam. De onde vieram estas coisas? Quase sempre, vieram da vontade de alguém de ganhar dinheiro fazendo algo que as outras pessoas queiram. Thomas Edison achou que as pessoas pagariam para ter lâmpadas elétricas ao invés de lampiões. Henry Ford achou que as pessoas pagariam para ter um automóvel no lugar de um cavalo. Steve Jobs achou que as pessoas pagariam para ter um troço chamado computador. A isso chamamos LIVRE MERCADO.

“Ahhh, mas meu professor falou que o capitalismo é malvado e opressor!”, estão pensando alguns leitores. Bem, antes de mais nada, “capitalismo” é dessas palavras que mudam de significado de acordo com as convicções (e intenções) de quem fala, como “democracia” e “justiça social”. Seu uso era muito raro até que um certo Marx a usou como sinônimo de algo “do mal”, e desde então muita gente seguiu este conceito.

Fundamentalmente, “capitalismo” vem de “capital”, óbvio. É um sistema econômico onde existe o dinheiro como meio de troca, e a acumulação de bens como forma de aumentar a produtividade e a riqueza.

Acumulação de bens não tem nada a ver com tomar a comida da mão das velhinhas e das criancinhas. É o processo de transformar os recursos em bens de capital ao invés usá-los para o consumo. Alguém que ganha a vida fabricando cadeiras pode, ao invés de gastar o lucro, investir em máquinas para produzir mais cadeiras a um custo menor. E depois investir este lucro em mais máquinas para fabricar também mesas e armários, e assim por diante. Resumindo, acumulação de bens = investir ao invés de gastar (presumindo que os bens sejam úteis, claro. Quem acumula bens inúteis apenas pelo prazer de tê-los é um colecionador)

“Ahhhh, mas querer ganhar mais é ganância!”. Claro. O ser humano é movido por incentivos. O capitalismo tem como princípio dar a todos a chance de enriquecer através de TROCAS VOLUNTÁRIAS. Se você faz algo que os outros gostam, você se dá bem e fica rico. Se os outros não gostam, não compram e você fica pobre. Funciona melhor do que fingir que todo mundo é bonzinho e trabalha pensando apenas no bem comum, coisa que já foi tentada várias vezes e nunca deu certo.

“Ahhh, mas os monopólios…” O Capitalismo de Livre Mercado não presume a existência do governo; pelo contrário, considera-o dispensável. Sem governo, cada um é livre para escolher a quem dar seu dinheiro. Você gosta de funk? Compre o CD da Anitta. Prefere axé? Compre o da Ivete Sangalo. Não gostou de nenhum? Não compre. Por definição, em um sistema livre não pode existir monopólio: qualquer um que ache que pode fazer melhor ou mais barato é livre para fazer e concorrer.

Infelizmente, a natureza humana tem muitas imperfeições. Um dos nossos grandes defeitos é gostar que alguém “nos proteja” tomando decisões e assumindo responsabilidades por nós. Esse alguém se chama governo. A existência do governo permite a existência de uma degeneração do capitalismo chamada Capitalismo de Estado (ou Capitalismo de Compadres). Nele, o livre mercado deixa de ser livre: em nome de proteger os cidadãos, o governo cria regras, regulamentos, controles, etc., que limitam a escolha. Você não pode mais comprar aquilo que prefere, apenas aquilo que o governo permite que seja oferecido, o que geralmente significa conceder privilégios aos que são amigos do dito governo. O paradoxal é que quase sempre que isso acontece, as pessoas clamam por mais governo, esperando que ele resolva os problemas que ele mesmo criou.

“Ahhh, mas o governo faz muitas coisas…” É importante não esquecer que a palavra “governo” é uma abstração. Um governo é apenas um conjunto de pessoas que conquistaram os privilégios de viver às custas dos demais e de tomar decisões em nome de todos. Embora não seja impossível que os membros do governo ajam de forma criativa, eficiente e produtiva, isso é pouco provável devido à falta de incentivos. Se não há vantagem em correr risco, porque fazê-lo? É mais seguro evitá-los, e é por isso que governos em geral não criam nada novo. Você lembra de algum avanço tecnológico que foi produzido por um governo? O mais comum é que o governo assuma a tarefa de fazer algo proibindo que os outros façam (hidroelétricas, por exemplo). Aí alguns clamam “Está vendo? Sem o governo, não teríamos hidroelétricas!”, quando a verdade é que, se o governo deixasse, não apenas teríamos hidroelétricas como elas poderiam ser construídas sem propinas e superfaturamentos.

“Ahhh, mas no capitalismo existem pobres…” Sim. A pobreza é a condição natural do ser humano. Comida tem que ser plantada e colhida, roupas não se fazem sozinhas, casas não brotam do chão. Há dois ou três séculos atrás, mais de 80% da humanidade ia dormir sem saber se teria o que comer no dia seguinte. Durante boa parte da história, a maior parte da população não era dona sequer de sua própria vida: eram propriedade dos reis, condes ou czares. Hoje, graças ao desenvolvimento tecnológico, a fome é um problema para menos de 20%. Ao contrário do meu bisavô, hoje mesmo quem não nasceu nobre pode ter um carro, um computador, uma máquina para lavar roupa.

Repetindo: todas as facilidades da vida moderna nasceram do interesse de alguém em ganhar dinheiro oferecendo às pessoas coisas que elas queiram; e a possibilidade de fazer estas coisas veio do acúmulo tecnológico. Se podemos comprar um carro hoje, é porque há trezentos anos atrás alguém construiu uma máquina de fazer parafusos. Se até hoje os parafusos fossem feitos à mão, um a um, um carro (se existisse) seria um privilégio de poucos, porque seria caríssimo.

O capitalismo vai acabar com a pobreza? Provavelmente não, já que o progresso modifica constantemente o conceito de pobreza. Nos anos 60, pessoas ricas tinham uma tv (preto-e-branco) na sala. Hoje, quem tem apenas uma tv em casa é pobre (mesmo sendo uma LED full-hd). Mas se considerarmos o conceito de riqueza de um século atrás, hoje quase todas as pessoas do mundo capitalista são ricas, ao contrário dos poucos países que ainda pregam que o capitalismo é ruim, onde até mesmo comer todo dia ainda é um desafio.

Para terminar: o capitalismo é bom? Na verdade, o capitalismo é algo tão inerente ao ser humano que é difícil imaginar o mundo sem ele. Já houve tempos mais livres, em que o conceito de “livre mercado” era mais usado. Hoje, o controle do governo vem aumentando em todo o mundo chamado “democrático”, sob disfarces como “social-democracia”, “estado de bem-estar social” ou “neoliberalismo”. No mundo não-democrático, ainda se tenta fazer de conta que a negação do capitalismo funciona, enquanto se pratica o capitalismo às escondidas. O capitalismo só não é bom para quem tem medo de ser adulto, e prefere viver agarrado na mão do governo. Mas é graças ao capitalismo que eu posso escrever este texto no meu computador e você pode ler no seu.

A PALAVRA DO EDITOR

ALFRED HITCHCOCK: O MESTRE DO SUSPENSE

O britânico Sir Alfred Hitchcock (1899-1980) é o maior diretor de todos os tempos, embora a concorrência seja grande, como Woody Allen, Spielberg, Tarantino, John Ford e tantos outros… Uma vez que nunca ganhou um Oscar, é inegável que a grandeza de Hitchcock é reconhecida. Seus filmes, além de serem inovadores, são esteticamente perfeitos, bonitos, bem cuidados e com tramas envolventes. Uma lenda na história do cinema, diretor perfeito!!! Como aperitivo e acompanhado de um suculento tira-gosto vai aí, apenas o nome de 10 filmes dirigidos pelo fenomenal MESTRE HITCH, como era carinhosamente chamado: Janela Indiscreta, Trama Macabra, O Terceiro Tiro, O Homem Que Sabia Demais, Psicose, Um Corpo Que Cai, Pacto Sinistro, Festim Diabólico, Os pássaros e Disque M Para Matar.

Os filmes desse monstro sagrado do suspense são obrigatórios em qualquer coleção de cinéfilo. Hitch era fantástico em pensar nessa técnica formidável de gravar sem interrupções, por não haver vídeo teipe, coisas de mestre mesmo… Às vezes passa pela minha cachola, o que ele estaria realizando hoje com a ajuda da tecnologia, hein?!?!?! parece que um cinto de segurança te consome no sofá te gruda na cadeira de frente à tela do computador e não sai mais te deixando estático, comedido e mantendo o espectador, numa expectativa tensa e angustiante sobre o que pode acontecer. Ele carrega, por trás de sua aparentemente adorável figura bonachona um rastro de ódio, de obras-primas e de estórias que marcaram a mente coletiva de quem ama o Cinema como arte…

Hitchcock tem duas fases, a britânica e a americana; ele ficou mais conhecido pela última, pois estamos falando da indústria que é Hollywood. Mas, ainda na Inglaterra, ele já mostrava toda sua genialidade, comprovada em “Os 39 Degraus”. Sempre foi uma figura curiosa tanto na vida particular quanto na profissional. ao filmar Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), que ganhou o Oscar de melhor filme e deu para Hitchcock sua primeira indicação ao Oscar. Ele também foi indicado por Um Barco e Nove Destinos, Quando Fala o Coração, Janela Indiscreta e Psicose, mas nunca ganhou um Oscar. Em 1967, recebeu da Academia o prêmio Irving Thalberg, pelo conjunto da sua obra. Nunca ganhou um prêmio por melhor direção no Oscar, apesar de ter sido indicado 5 vezes.

Como costuma afirmar o cinéfilo norte-rio-grandense, Antônio Nahud, Ele é, possivelmente, o mais conhecido dos cineastas, cujo nome, por si só, resume um gênero cinematográfico. Possuidor de um estilo próprio, combinando criatividade e apurado domínio da narrativa, conduzia suas histórias com zelo, sem dar sinais de falta de imaginação. O estudioso de Hitchcock, o carioca Paulo Telles, a respeito de todo seu feito cinematográfico é taxativo em afirmar que, fica difícil escolher um favorito com uma obra tão magnífica, porém, Festim Diabólico (1948) seja um dos melhores. Na verdade, Todos os filmes de Hitch são brilhantes, mas sem dúvida este é o mais destacado por tão tamanho brilhantismo e, sem dúvida é filme obrigatório de qualquer videoteca que se preze, afirma o cinéfilo carioca.

Dono de uma obra respeitada na sétima arte, Hitchcock, como pessoa, não era conhecido por ser um diretor amigável com os atores com os quais trabalhava, para dizer o mínimo. Reza a lenda que, ao ser contestado por um repórter sobre a frase “ATORES SÃO GADO”, atribuída a ele, o cineasta teria rebatido: “Nunca disse que atores são gado. O que eu disse é que todos os atores deveriam ser tratados como gado”. Aliás, a atriz brasileira Eva Wilma não tem boas recordações de Alfredf Hitchcock. Dama do teatro, televisão e cinema brasileiro, a atriz Eva Wilma (hoje, com 85 anos), ela fez testes para o papel de uma cubana em Topázio, suspense lançado pelo diretor britânico em 1969. Eva Wilma relembra discussão com Hitchcock: “Ele começou a dialogar comigo e me provocar”.

Hitchcock estava precisando de uma atriz latino-americana para o papel de uma cubana no filme Topázio. Tirei as fotos e voltamos para o Brasil. Ele mandou pedir currículo, material filmado e mandaram me buscar. Lá fui eu de primeira classe, tentando ler aquele livro, Topázio, disse a atriz, ao lembrar da extensão do romance escrito por Leon Uris, que tem mais de 400 páginas. Uma das razões do arranca rabo entre Wilma e Hitchcock foi em razão dele e do maquiador exigirem seus SEIOS POSTIÇOS. Já em Hollywood, Wilma contou que sua audição não foi das melhores. “A preparação do teste foi quase traumatizante, muita coisa postiça”, relatou a atriz. “Por exemplo: os seios postiços. Eu falei: ‘Precisa? Está tão bom assim. Eles praguejaram: NÃO!!!.

Pois bem!!! Louvado e enaltecido como um dos maiores artesãos do cinema que deixa o espectador de cabelo em pé durante todo o tempo de projeção, elogiado pela crítica e reconhecido como influência por vários diretores, ele marcou profundamente a cultura cinematográfica. Seus filmes não apenas sobrevivem intactos ao tempo, mas mantêm o interesse de espectadores das mais diversas idades e formações. A oportunidade de conhecer ou rever suas obras não deve ser perdida por nenhum amante da Sétima Arte. Admirador que sou, este colunista/blogueiro, assim como os cinéfilos Telles e Nahud, também homenageia o espetacular mestre do suspense que realizava filmes com um cuidado único, uma paixão exclusiva e uma emotividade extrema disfarçada por um profundo e arrebatador domínio técnico. ALFRED HITCHCOCK não é um nome… é uma LENDA IMORTAL!!!

XICO COM X, BIZERRA COM I

CALAR E OUVIR

Silêncio! Cessem todos os barulhos, zoadas e zumbidos e calem-se os homens. Todos. Mulheres: só para elas tenho ouvidos. Diante de tantas inconsequências provocadas pelos homens repletos de ignorância plena, refaço o caminho e declaro ao mundo o meu silêncio, que assim permanecerá, apenas para ouvir toda a sabedoria que vem da alma feminina, sábia e generosa. Calo, e calarei sempre para escutar a voz da mulher, melhor conselheira. Deixem-me ouvi-la, sempre. Ouvir e depois ouvir mais uma vez, e mais outras ouvirei. Para isso tenho meus dois ouvidos: para escutar as mais verdadeiras verdades. Deixo minha única boca apenas para o beijo. Além da reciprocidade do beijo, haverá de caber em mim, da mulher que amo, o abraço mais terno que farei por merecer. Ela sempre caberá no meu abraço. Quanto mais de perto, melhor poderei ouvir e aprender o que ela me ensina. Silêncio, por favor!

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

DANDO O FIOFÓ BINARIAMENTE

Comentário sobre a postagem UM DEBATE ARRETADO

Álvaro Simões:

Quando estudava Matemática na Católica de Minas Gerais, estávamos nos primórdios da informática no Brasil.

Alí surgiu a importância prática da numeração binária.

Ao ler esse artigo sobre o Seminário da UFPE que Sua Santidade Papa Berto ilustrou com sua augusta presença me sobreveio uma dúvida atroz (não atrás):

Que diabos tem baitolagem a ver com o vocábulo “binário”?

Matutei, matutei, até recordar-me de uma das definições que conheço da palavra e aí entendi:

“Binário é um sistema de numeração POSICIONAL”.

Ah, ficou claro, agora.

Deve ser para classificar em quantas posições cada baitola gosta de levar uma pajaracada.

Se gosta só de uma, é unitário.

Se gosta de duas, é binário.

Fora da cultura não há salvação!

Viva o Seminário da UFPE no qual, se os palestrantes faltassem, a douta platéia nem perceberia.

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Sistema de numeração posicional binário: como tomar no rabo 173 pajaracadas científica e matematicamente

PENINHA - DICA MUSICAL