GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ESTAMOS FUPAGOS E MALDIDOS

O presidente Jair Messias Bolsonaro foi recebido pelo apresentador Sílvio Santos para uma entrevista assustadora.

Para começar, Sílvio Santos, ao saber pelo ponto eletrônico que Bolsonaro já o esperava no camarim, pediu licença para sair de fininho dizendo que estava apertado, isto é, com dor de barriga. Disse que alguma coisa “lhe caiu mal”.

Os adeptos da teoria freudiana logo farão a relação de uma coisa com outra: ir ao encontro da personalidade esperada era o mesmo que ir soltar o barrão.

É claro que estas considerações são brincadeirinha: Sílvio Santos recebeu todos os presidentes em seu programa, a partir de Deodoro, e teria recebido com respeito Pedro Primeiro e Pedro Segundo, se então vivo fosse.

O dono do Baú da Felicidade é uma pessoa excepcional, sendo capaz de recepcionar a maior autoridade do País com toda intimidade, bom humor e simplicidade, como mais uma vez aconteceu, e até com certo exagero.

A informalidade do Sílvio só foi superada por Sérgio Malandro, que fez o então candidato Jair Bolsonaro falar yeh yeah hahaha glugluglu para vencer as eleições, palavras mágicas que funcionaram, de modo que devemos a tragédia do governo de malucos a esse maluco, dentre outros (Olavo de Carvalho acaba de chamar o General Santos Cruz de “seu merda”).

A entrevista feita pelo Sílvio Santos estava, como não é incomum, pautada – quem sabe se pela produção, quem sabe se pela própria equipe do entrevistado – de modo que o apresentador não sabia na hora o que devia perguntar, esperava o ponto eletrônico, consultava papéis, para no final abandonar grande parte dos quesitos e ficar quase que exclusivamente na reforma da previdência – que ele mesmo defendeu com empenho, com medo de que sua falta gerará inflação.

O destaque da entrevista é que nos apavorou: sem ser diretamente indagado sobre isso, o presidente declarou que está íntegro em sua potência sexual, não necessitando do uso de viagras, cialis, tadalafilas, catuabas, garrafadas, amendoins com a casquinha ou outros “aditivos químicos”: é pau puro e bhc nas pontas.

Sai de baixo!

O cara está pronto para nos atochar a rígida trolha!

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

AMOR MATERNO

A totalidade das mulheres tem a mesma conformação para ser mãe, não importa se são instruídas ou não, pobres ou ricas. Toda mulher nasce com essa estrutura para a maternidade.

Às vezes, não consegue ser mãe de filhos biológicos, porem tende a ser, naturalmente, protetora de sobrinhos, dos irmãos, das crianças que lhe acerquem, porque tem inato, o laço que liga a mãe aos seus filhos. Toda mulher está passível de experimentar, em algum momento, o envolvimento de ser genitora. Mesmo porque alguém pode nascer sem a presença do pai, mas é impossível com a ausência da mãe.

Amor de mãe não espera nada em troca. É um compromisso eterno de dar mais do que suas forças permitem – esforço que transcende a capacidade humana. Há um episódio demonstrando de forma poética toda a beleza do amor materno, no admirável mundo do repente, relatado a seguir.

Num encontro de repentistas, em Patos/PB, o cantador paraibano Raimundo Nonato, recebeu o seguinte mote dado pela assistência:

Amor de mãe é mais doce
Do que açúcar cristal.

Nonato, então, improvisou de forma brilhante:

Amor de mãe é tão santo
Deus é quem faz o prefácio,
Mãe que mora em palácio
Com guarda por todo canto
Só é mãe do mesmo tanto
Da que usa um avental,
E a que tem vinte é igual
A de cem que aposentou-se
Amor de mãe é mais doce
Do que açúcar cristal.

XICO COM X, BIZERRA COM I

TANTOS FRANCISQUINS

Francisquim de Quixadá é seu nome, rabiscar versos no juízo e chamá-los de Poemas, seu ofício. Assim, ajuda a vulgarizar o título, a banalizar a expressão: hoje, todos são Poetas, todos se tratam por Poetas, como se Poetas fossem. Assim como Francisquim, que se diz Poeta, se acha Poeta e adora por esse título ser tratado. Faz uns versinhos, de quando em vez, utiliza rimas paupérrimas e é desobediente nos quesitos métrica e ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Não apenas pés, mas versos de pés, mãos, pernas e braços quebrados. Versos ortopédicos, digamos. Tampouco podem seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que são. Francisquim, o de Quixadá, é tão Poeta quanto aquele seu xará, o de Baturité, igualmente pouco afeito às rimas e aos versos. Incautos insistem em chamá-los de Poeta e o de Quixadá, de peito cheio e ego lotado, diz, num autoelogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Ele não mente: Na rua em que mora só há uma casa, a sua. E ele mora só. Não tem concorrentes. Mas os dois Francisquins são gente boa. Apebnas n]ão merecem o título de Poeta. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Patativa do Assaré, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Carlos Penna Filho. E apenas para que não restem dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular. Sou, digamos, o Francisquim do Crato. Poeta é uma coisa muito maior. Coisa para gente da estatura de um Neruda, de um Fernando Pessoa, além daqueles antes citados. Viva quem é Poeta de verdade!

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A PALAVRA DO EDITOR

PAROU ATÉ DE MENTIR

Em sua coluna de hoje, que está na postagem imediatamente após esta, Augusto Nunes fala que cadeia é um recanto de mundo milagroso.

Opera mudanças incríveis.

Fez até Lula se tornar um leitor inveterado!!!

Além de se tornar leitor, Lula também resolver mudar radicalmente de caráter e decidiu nunca mais mentir.

O vídeo abaixo comprova isto. Ele fala a mais pura verdade.

Vejam:

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO – SÃO PAULO-SP

Caro Berto

Tenho a satisfação de lhe comunicar que nossa biográfica concisa de Paulo Vanzolini, publicada domingo, 28 de abril, ensejou a realização de um musical intitulado “Volta por cima”.

Eu conto como se deu:

Estou organizado a biblioteca de Regina Helena de Paiva Ramos e ela recebeu o Claudio Petraglia para passar uns dias em sua casa. Numa destas tardes fui convidado para tomar café com eles.

Eu ali entre dois “monstros sagrados” do Teatro e da TV, passamos a conversar sobre a biografia do Paulo Vanzolini, velho amigo deles.

A certa altura, Regina propôs ao Claudio fazer um musical sobre o Vanzolini. Houve um certo entusiasmo com a ideia e marcaram uma reunião para discutir melhor a ideia. Eu perguntei qual seria o titulo do musical.

A Regina respondeu prontamente: “O título já está dado, Brito. É Volta por cima”.

Assim, aguardemos a apresentação deste grande musical, realizado involuntariamente com a participação do JBF.

Abraços

R. Regina Helena de Paiva Ramos e Claudio Petraglia: dois grandes nomes da cultura e das artes brasileiras.

De modo que você está muito bem acompanhado, meu caro colunista fubânico.

É um privilégio contar com gente deste nível como amigos e parceiros.

É por isso que eu sempre digo: aqui nesta gazeta escrota só tem neguinho malassombrado!

Tenho certeza que este projeto fará muito sucesso.

E, já que o musical é sobre o grande paulo Paulo Vanzolini, vou aproveitar o pretexto pra fechar esta postagem com uma de suas composições que eu mais gosto.

Estou me referindo à música Ronda. Uma música que tem a particularidade de ter sido composta como se fosse uma criação feminina, como se vê neste trecho:

“Volto pra casa abatida, desenganada da vida…”

Interpretação da saudosa Inezita Barroso, numa gravação de 1953:

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O QUE ACONTECEU NA VENEZUELA

Para ajudar a entender melhor, um pequeno resumo sobre como a Venezuela chegou onde está hoje, enfocando principalmente o setor do petróleo:

– A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, nasceu em 1960 tendo a Venezuela como um dos fundadores.

– Durante os anos 60, a Venezuela produzia mais de dez por cento do petróleo do mundo. Seu PIB per capita era mais que o triplo do Brasil, e não ficava muito atrás dos EUA. Os governos da época falvam em diversificar a economia para não se tornar “dependentes” do petróleo, mas isso ficou mais no discurso que na prática.

– Em 1976 o presidente Carlos Andrés Perez criou uma estatal (a PDVSA) para assumir todo a exploração e comércio do óleo do país, banindo as empresas estrangeiras que até então operavam sob concessões. Nos primeiros anos, a PDVSA operou com competência e eficiência, tendo contratado muitos dos executivos e engenheiros especializados que trabalhavam nas empresas estrangeiras banidas.

– No início dos anos 90, a PDVSA começou a se associar a empresas internacionais, principalmente na exploração de petróleo pesado na região do Orinoco, que exigia uma volume de recursos e uma tecnologia que a PDVSA sozinha não conseguiria ter.

– Em 1992 o então tenente-coronel Hugo Chávez participou de uma tentativa fracassada de golpe contra o governo. Chávez foi preso.

– Em 1998 uma recessão mundial derrubou o preço do petróleo. A Venezuela, que apesar dos discursos permanecia dependente da PDVSA, com a venda de óleo representando um terço da receita do governo federal, chegou à beira do colapso econômico.

– Neste ano o recém-libertado Chávez venceu as eleições presidenciais, com promessas de superar a crise e devolver a prosperidade ao país.

– As primeiras ações de Chávez visaram colocar a PDVSA sob controle total do governo. Logo após a posse, o presidente da PDVSA, Luis Giusti, com três décadas de experiência na área de petróleo, renunciou e mudou-se do país. Após sua saída, vários outros diretores se demitiram ou foram demitidos por Chávez.

– Chávez determinou que a PDVSA reduzisse seus investimentos em exploração, pesquisa e manutenção de instalações e transferisse seus lucros para o governo federal. Nas palavras de Pedro Burelli, um dos diretores que Chávez demitiu logo no início de seu mandato, “Ele não sabia nada sobre qualquer coisa relacionada a petróleo. Geologia, engenharia, o mercado internacional de óleo, nada. Era uma ignorância enciclopédica.”

– Em 2001 uma nova lei imposta por Chávez elevou os royalties pagos pelas empresas que atuavam no país e determinava que estas só poderiam atuar como sócias minoritárias da PDVSA.

– Em 2002 Chávez colocou na presidência da PDVSA o esquerdista Gastón Parra Luzardo, um professor de economia que era notoriamente contra os investimentos privados e a favor da estatização. No mês de abril, Chávez fez um discurso acusando e humilhando vários diretores da PDVSA, que foram demitidos ao vivo pela televisão. Seus substitutos foram políticos e aliados de Chávez.

– No final de 2002 a popularidade de Chávez havia despencado, principalmente entre os funcionários da PDVSA. Uma greve em desembro quase paralisou a produção do país. Ironicamente, quem salvou Chávez foram as empresas estrangeiras, onde não houve greve. A produção destas empresas manteve alguma receita para o governo e pressionou os funcionários da PDVSA a encerrar as manifestações.

– A greve se encerrou após dois meses. Chávez imediatamente iniciou sua vingança, demitindo todos que não haviam ficado ao lado do governo. Em poucos meses, a PDVSA demitiu 18.000 funcionários, incluindo praticamente todos os engenheiros e técnicos especializados.

– Não demorou muito para que até mesmo Chávez percebesse que os funcionários demitidos (e substituídos por apadrinhados políticos) faziam falta. A produção caiu, acidentes e derramamentos se acumularam. Membros do governo chegaram a consultar membros da embaixada americana em Caracas pedindo que estes intermediassem contratos sigilosos de compra de tecnologia e de treinamento para funcionários da PDVSA.

– Nos anos seguintes, Chávez continuou a perseguir as empresas estrangeiras com aumentos de impostos, cobranças de multas por infrações inventadas, e exigências burocráticas absurdas. Uma a uma, as empresas foram desistindo e abandonando o país, às vezes perdendo todo o investimento em função de confiscos abertos ou disfarçados.

– Com o déficit crescendo sem controle e a credibilidade a zero, o governo da Venezuela começou a ter dificuldades até mesmo para fechar simples contratos de importação. A salvação era sempre a PDVSA. Em 2007, a empresa foi encarregada pelo governo de controlar a produção, importação e distribuição de leite. Logo depois, passou a controlar também a importação de outros alimentos como arroz e óleo de cozinha. As expropriações e confiscos eram constantes e a todo momento empresários fugiam do país depois de ver todos seus bens tomados pelo governo.

– Em 2014, um ano após a morte de Chávez e a ascensão de Maduro, o preço do petróleo caiu de mais de cem dólares o barril para menos de cinquenta. A exportação de petróleo fornecia 95% das divisas da Venezuela, e a queda de receita lançou o país em uma profunda recessão acompanhada de uma inflação explosiva.

– Desde os tempos de Chávez, a Venezuela doa petróleo para Cuba. Cuba retribuiu enviando militares que se instalaram dentro das forças armadas da Venezuela como “consultores”. O quanto Cuba controla as forças armadas da Venezuela é uma dúvida para a qual ninguém se arrisca a dar um palpite.

– A maior parte da produção da Venezuela é de petróleo extra-pesado. Para ser comercializado, este óleo necessita ser misturado a petróleo leve, que a Venezuela não produz em quantidade suficiente e precisa importar. As importações se tornaram difíceis devido à constante falta de fundos, com a maioria dos fornecedores exigindo pagamento antecipado da PDVSA para entregar o óleo.

– Por absurdo que pareça, a Venezuela também importa gasolina e diesel, porque não tem refinarias suficientes para seu consumo. No melhor estilo populista, a gasolina é vendida por preços absurdamente baixos. O país também importa mais de 80% dos alimentos que consome.

– Nos últimos anos, a Venezuela recebeu vultosos empréstimos da Rússia e da China, a serem pagos em petróleo. Com a queda da produção, quase toda a produção da Venezuela hoje não é vendida, e sim entregue a esses países como amortização da dívida. A PDVSA tem que arcar com as despesas de produção e enviar o petróleo, sem receber nada.

– A produção da Venezuela, que era de mais de três milhões de barris por dia quando Chávez chegou ao poder, hoje é de menos de um milhão, e deve continuar caindo. Especialistas dizem que a falta de conhecimento técnico provavelmente danificou muitos poços, que terão que ser substituídos através de novas perfurações. A infra-estrutura da PDVSA está quase completamente destruída; em muitos locais os funcionários roubaram quase tudo que tinha algum valor de revenda, já que não recebiam os salários. Até mesmo canos e tanques são cortados e vendidos como ferro-velho.

– Um engenheiro que conheceu a fundo a indústria de petróleo de Venezuela estimou que serão necessários dez a quinze anos para reconstruir a infra-estrutura da PDVSA, a um custo de dez bilhões de dólares por ano.

Texto baseado principalmente em um artigo de Keith Johnson publicado em Julho de 2018 na revista Foreign Policy.

A PALAVRA DO EDITOR

ALEGRIA, ALEGRIA!!!

O jumento Polodoro, mascote e símbolo desta gazeta escrota, deseja a todos os nossos leitores uma excelente semana.

Paz, saúde, felicidade e prosperidade para toda a comunidade fubânica.

Alegria, Alegria!!!

Vamos sorrir!!!

A PALAVRA DO EDITOR

TEMA DE LARA PARA DOUTOR JIVAGO

Dr. Jivago, filme que marcou a juventude de muita gente… Linda música para um lindo filme…

Dr. Jivago, com uma trilha sonora imortal como também uma saga muito linda ou uma narrativa espetacular, foi filmado em 1965 e conforme nos relata o pesquisador Paulo Telles, para encarnar o papel-título, caracterizado pelo seu desprendimento das coisas, refinamento e nobreza, a escolha recaiu sobre OMAR SHARIF que morreu em 2015 aos 83 anos, ator de grande força e presença. Geraldine Chaplin foi convocada para viver Tonya, esposa de Jivago, mas não demorou, suscitou imediatamente uma onda de comentários maldosos. Segundo as más línguas (e infelizes), o único mérito da atriz era por ser filha de Charles Chaplin e que toda sua arte resumia-se nisto. Contudo, estes boatos (por sinal, burros) foram desmentidos violentamente por David Lean, que afirmou tê-la escolhido pela excelente qualidade de seus testes feitos para o papel antes do contrato.

O filme conta sobre os anos que antecederam, durante e após a Revolução Russa pela ótica de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um médico e poeta. Yuri fica órfão ainda criança e vai para Moscou, onde é criado. Já adulto se casa com a aristocrática Tonya (Geraldine Chaplin), mas tem um envolvimento com Lara (Julie Christie), uma enfermeira que se torna a grande paixão da sua vida. Lara antes da revolução tinha sido estuprada por Victor Komarovsky (Rod Steiger), um político sem escrúpulos que já tinha se envolvido com a mãe de Lara, e se casou com Pasha Strelnikoff (Tom Courtenay), que se torna um vingativo revolucionário. A história é narrada em flashback por Yevgraf de Zhivago (Alec Guiness), o meio-irmão de Yuri que procura a sua sobrinha, que seria filha de Jivago com Lara. Enquanto Strelnikoff representa o “mal”, Yevgraf representa o “bom” elemento da Revolução Bolchevique.

No filme há uma crítica severa a respeito do regime comunista. O cinéfilo Telles nos alerta para um detalhe importante: “Podemos notar também o discurso de crítica ao sistema socialista nas cenas anteriores e posteriores à revolução. Antes da revolução é mostrada uma Rússia com uma aristocracia rica, belos salões, culta e, até mesmo, despreocupada”. O que é verdade, pois o próprio Jivago é um médico e poeta aristocrata de sucesso. Após a revolução, todo o cenário e a sociedade até então elitista, se empobrecem. Inclusive Jivago, que perde as propriedades e acaba pobre e doente. Este percurso da trama descreve o senso comum de que o socialismo divide a pobreza e a miséria, corroborando ser um método político promotor da desgraça, assim mostra o filme do diretor David Lean.

O filme do diretor David Lean, em mais de 3 horas de projeção, comprime-se com o volumoso romance do russo Boris Pasternak, um dos primeiros escritores dissidentes da União-Soviética. Pasternak começou a escrever o romance em 1946 e levou dez anos para concluí-lo. Ao terminar, ficou inseguro se devia publicá-lo, pois a obra contrariava as normas ditadas pelo governo soviético para a literatura. Sem condições de publicar seu romance em terras soviéticas, o livro foi publicado na Itália a 23 de novembro de 1957, conseguindo rápida notoriedade em 1958, quando lhe foi conferido o Premio Nobel de Literatura. Infelizmente, por imposição do Kremlin, Pasternak não pôde aceitar a láurea, pois caso fizesse, isso poderia levá-lo à detenção em um campo de trabalho forçado na Sibéria.

A obra literária foi proibida na União Soviética até 1989, quando a política de abertura de Mikhail Gorbachev liberou a publicação do livro. Somente a partir daquele ano, os russos puderam conhecer a saga de Jivago através da literatura. Boris Pasternak morreu a 30 de maio de 1960 de câncer de pulmão, sem poder assistir ao estrondoso sucesso da adaptação cinematográfica de seu famoso e imortal romance. Na Rússia, Boris é mais conhecido como poeta do que como romancista, em virtude de o livro Doutor Jivago não ter feito sucesso na antiga União Soviética por motivos obviamente políticos.

Deixando o regime totalitário russo de lado, quem já assistiu a essa nobreza de fita deve se recordar de sua beleza plástica, seu elenco, a enormidade de sua história e a música(Tema de Lara), que até hoje ainda se ouve com todo o interesse de antes acompanhado de um reconfortante saudosismo. Na década de 1970/80 o filme foi uma febre ao ser lançado nos nossos cinemas, tudo isso, pela fama de sua trilha sonora. Essa exuberante película cinematográfica foi filmada na Espanha, Canadá e Finlândia. A música, composta por Maurice Jarre, assim como o filme, são dois espetáculos muito bem percebíveis pela sensibilidade humana. Transportando-nos ao passado ficamos a imaginar: quanta gente nesse mundão de meu Deus não foi levada ao altar para se casar ao som de TEMA DE LARA…

Ao se ouvir a relaxante melodia, Tema de Lara, os pensamentos flutuam no ar fazendo círculos através de suas notas, descrevendo o frio, a solidão de terras distantes e da beleza daquelas paragens. Na verdade, o tema dá um ar de saudades de um lugar que nunca se esteve lá. Pois bem!!! Embale a alma com essa harmoniosa valsa muito bem orquestrada e tocada no mundo inteiro, assistindo ao vídeo abaixo à saga de Lara e Yuri com lindas paisagens da Rússia, uma lição ou uma viagem de emoção pela cultura russa, seus poetas, escritores e sua história milenar…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PENINHA - DICA MUSICAL