A PALAVRA DO EDITOR

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

PARECIDO E O BESOURO

“Parecido” fingindo dormir

A casa era pobre de mobília. Nem mesmo aquela tradicional cristaleira para acomodar um bule, uns copos que pareciam de luxo e de cristal, um açucareiro e uma leiteria. Se não tinha cristaleira, para que ter essas coisas?

Mas, havia sim um cambito e, pousado sobre ele, uma sela que vez por outra Vovô usava no cavalo quando amanhecia o domingo com vontade ir à Missa. Nos armadores da sala, ficavam penduradas as esporas e os arreios das montarias.

Agora, destacado mesmo, num dos cantos da sala da casa, principalmente onde menos o sol “batia”, ficava o altar do pote – coberto com uma peça feita de renda; logo ao lado, um porta-caneca.

Em que pese o tamanho do pote, o maior espaço era reservado para “Parecido” – um sapo que minha Avó resolveu adotar e criar, na tentativa que moscas, mosquitos e outros insetos caíssem dentro do pote, apesar desse estar sempre coberto.

Pois, “Parecido” era uma figura. Devia ter parentesco próximo com alguma coruja, pois olhava, olhava e olhava muito para a gente, e nunca “dizia” nada. Calado que só, ainda que na linguagem que usava para se comunicar. Aquela língua pegajosa e comprida jogada para fora duas vezes, era o sinal característico de que alguma coisa estava acontecendo, com ele, ou com alguém da casa.

Quando jogava a língua para fora três vezes ou mais, era um desespero. Era, claramente, algum pedido de socorro. Na forma de falar deles, os sapos.

Vovô precisava concluir a limpeza de uma área no roçado, onde pretendia plantar umas ramas de batata doce. Após a limpeza, para garantir que algumas pragas terrenas não se alojariam ali, resolveu fazer uma coivara com o material que havia roçado. Tocou fogo. O fogo espantou os insetos, e, entre esses, aquele famoso besouro “rola-bosta”. (Digitonthophagus gazella é um besouro rola bosta, coprófago que pertence à família Scarabaeidae. Esta espécie tem grande importância econômica, pois foi introduzida em todo o mundo para controle biológico de mosca-dos-chifres e melhoria de pastagens.)

Besouro rola-bosta na sua tarefa incansável

Depois do fogaréu imposto à coivara, seria difícil encontrar lugar “mais fresco” que o pé do pote da casa da Vovó. A Natureza é sabia, e transmite aos insetos a sua sabedoria na luta pela sobrevivência.

E o besouro, sem perder tempo, deu um voo rasante para o lugar adequado. Infelizmente, não contava que, o pé daquele pote era guardado por “Parecido”, o sapo cururu da estima do meu Avô.

Claro que o besouro não teve sucesso. Antes mesmo de pousar no barro úmido do pé do pote, foi agarrado por aquela língua grande e pegajosa de “Parecido”, o sapo vigia.

Qualquer besouro, ao ser tocado, emite um odor insuportável. Quando “Parecido” se deu conta, o besouro já estava chegando no intestino grosso dele.

E agora?

Quem conhece sapo cururu, sabe que não é qualquer coisa que “consegue passaporte de saída”. Se um trem passar por cima de um sapo cururu, ele expele tudo pela boca – pelo ânus, nadica de nada fora da hora apropriada. Nem vento!

Foi só então, passados alguns minutos, que, ao tentar beber água, Vovó percebeu a aflição de “Parecido”, lançando a língua pegajosa várias vezes (foram tantas, que nem deu para contar). Olhos arregalados, quase saindo da órbita.

E, rola-bosta, quando encontra o material preferido, faz desacertos quando começa trabalhar.

E agora?

Fazer o que, se pelo lugar comum em outros seres vivos, jamais o besouro sairia.

Resultado da faina: amigo é para qualquer hora. Na tentativa de aliviar o sofrimento de “Parecido”, Vovô pegou uma bengala feita de jucá e, preferiu sacrificar “Parecido”, em vez de vê-lo sofrer tamanho aperreio.

DETALHE: Por que o sapo recebera o nome de “Parecido”? Por que, em represália, o sapo tinha uma aparência com um antigo namorado de minha Avó. Era assim que Vovô e Vovó se tratavam.

A PALAVRA DO EDITOR

ATÉ QUE ENFIM!!!

Finalmente Haddad conseguiu arrumar uma ocupação e largar a vagabundagem.

O desocupado poste de Lula foi contratado pra escrever bostosidades na Folha de S.Paulo.

O jornal certo pra acolher petistas e descerebrados de todos os níveis e desqualificações.

A Folha tem até um redator que é identificado pelo nome de “Diz Leitor“.

O derrotado e esmagado Haddad é o militante certo no jornal oposicionista certo.

Acabei de enviar mensagem ao recém empregado solicitando permissão pra republicar seus tolôtes nesta gazeta escrota.

Afinal, como é do conhecimento de todos, a meta aqui é baixar o nível cada vez mais.

Espero que ele tope!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Bárbara de Alencar

Bárbara Pereira de Alencar nasceu em Exu, em 11/2/1760. Bem antes de ser avó do romancista José de Alencar, foi uma destacada ativista que participou da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. Nestes embates, contou a ajuda de três de seus cinco filhos: José Martiniano de Pereira Alencar, Carlos de Alencar e Tristão Gonçalves. O primeiro era padre, político e jornalista, e foi o pai do romancista José de Alencar.

Ainda adolescente, mudou-se para a vila do Crato, onde se estabeleceu e tornou-se matriarca de uma família que se notabilizou no Ceará, numa época onde a mulher se restringia a criar filhos e o patriarcado se impunha de modo rigoroso. Casou, aos 22 anos, com o comerciante português José Gonçalves dos Santos. Ela própria fez o pedido de casamento e providenciou uma fuga, diante da reprovação feita pelos pais. Tornou-se revolucionária a partir das ideias emanadas pelo Seminário de Olinda, um foco de idealistas influenciados pela Revolução Francesa, por onde passaram dois de seus filhos.

No Crato, constituiu em sua casa o núcleo do movimento revolucionário, em meados de 1815, que se organizava em Pernambuco. “Dona Bárbara sempre foi considerada a cabeça pensante. Ela tinha a política nas veias e, na articulação, era a referência do grupo”, afirma o escritor Roberto Gaspar, autor do livro Bárbara de Alencar, a Guerreira do Brasil. Quando estourou a Revolução Pernambucana, em 1817, Ela junto com seu filho José Martiniano (futuro pai do romancista), durante a missa dominical, proclamou a república tal como se fizera no Recife. As tropas da coroa portuguesa foram enviadas para conter a revolta, prenderam todos e foram enviados em lombos de jumento para Fortaleza sob o sol escaldante, e levaram um mês num percurso de 500 km.

Uma vez presa, obrigaram-na a fazer uma peregrinação pelos calabouços de Fortaleza, Recife e Salvador. Em 1821 foi libertada, mas não se intimidou nem abandonou o sonho de ver o Brasil livre do jugo português. Em 1824 o movimento revolucionário “Confederação do Equador”, liderado por Frei Caneca, no Recife se espalhou pelo Nordeste e encontrou-a junto aos filhos pronta para a nova revolta. Carlos de Alencar e Tristão Gonçalves morreram em combate; José Martiniano se tornaria senador em 1832.

O sobrenome Alencar foi perseguido pelo poder constituído durante muitos anos após a Confederação do Equador. Algumas pessoas com este sobrenome, mesmo sem participação na vida política, acabaram virando mártires. Conta-se que pelo menos 13 parentes, por consanguinidade e afinidade, foram assassinadas. Quando seu filho José Martiniano foi eleito Senador do Império, em 1832, Dom Pedro II vetou seu nome. Mesmo já tendo sido Ministro da Justiça, o Imperador temia o sangue revolucionário que corria nas veias da Família Alencar.

Desse modo, ela tornou-se a primeira revolucionária e primeira presa politica da História do Brasil. Não deixa de ser paradoxal o fato de até hoje, quando o feminismo avança no País, pouco se divulga seus feitos como heroína da História brasileira. Falecida em 18/8/1832, apenas no Ceará seu nome é reconhecido e ainda lembrado no imaginário popular. Luiz Gonzaga, também nascido em Exu, nos seus shows na região do Cariri, gostava de saudar “Dona Bárbara de Alencar”. A cela, onde ela ficou encarcerada, na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no centro da cidade, ainda é muito visitada por estudantes e turistas

O escritor Gylmar Chaves, que pesquisa sua vida há 15 anos e pretende lançar sua biografia romanceada, diz que não encontrou menção alguma do seu famoso neto, José de Alencar, à sua avó. Isto se deve, talvez, ao fato dele ter se tornado um defensor do regime monárquico durante o período de D. Pedro II. Não obstante o “esquecimento” do neto, seu nome vem sendo lembrado e comemorado até hoje. A partir de 11 de fevereiro de 2005, O Centro Cultural que leva seu nome outorga à três mulheres a “Medalha Bárbara de Alencar”, uma respeitável condecoração. O Centro Administrativo do Governo do Ceará é batizado com seu nome. Uma estátua da heroína foi erguida na Praça Medianeira, em Fortaleza.

Em 1980, o poeta Caetano Ximenes de Aragão lançou o livro-poema Romanceiro de Bárbara, publicado pela Secretaria de Cultura do Ceará. Sua biografia, “Bárbara de Alencar”, escrita por Ariadne Araújo, foi lançada em 2002 pela Edições Demócrito Rocha e encontra-se na 3ª edição. Seu nome passou a denominar alguns logradouros em Fortaleza; seu túmulo ainda está em processo de tombamento; e seu reconhecimento como heroína nacional ocorreu agora há pouco, em 22 de dezembro de 2014, pela Lei 13.056, com o nome inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria, em Brasília. Só está faltando os historiadores se darem conta de sua importância na História do Brasil e passarem a incluir seu nome nos manuais didáticos de história.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

QUEM SERÁ???

Tem Amigo, tem Avião, tem Italiano, tem Amigo do amigo do meu pai, tem Amante, tem Coxinha…

Tem codinome que só a porra na lista de propinas da Odebrecht.

Uma relação digna de qualquer delegacia de polícia que se ocupe da bandidagem pesada.

Quando é agora, a Editoria do JBF descobriu que apareceu mais um codinome.

É uma tal de Espanta-Caralho.

Quem será???

Hein???

 

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

NOTAS

Faz tempo, o alerta de que o país estava prestes a quebrar ocupava espaços nas redes sociais. Dava manchetes. Como não deram bolas, fizeram ouvido de mercador, o fato aconteceu. É verdadeiro e, embora machuque, mostra que a economia fraquejou. Caiu no fundo do poço. Prostrou-se. A recessão de 2014 colaborou com a queda. A falta de políticas econômicas de impacto, forçou o baque. Ajudaram o Brasil a quebrar. Agora, é procurar levantar-se e ir em frente. Cair em campo, com vontade de trabalhar.

Basta fazer uma análise rápida para constatar a triste realidade. A dívida pública, incluindo os gastos do governo federal, INSS, governos estaduais e municipais, só faz crescer. Fechou 2017 com a cifra de R$ 3,5 trilhões. A causa do disparo da dívida foi a apuração dos juros dos títulos públicos com os novos empréstimos que o país teve de contrair “pro mode” cobrir o déficit primário. Quem acompanha o noticiário nacional deve estar lembrado de dois detalhes. A dívida brasileira vem crescendo desde 2004. Em 2015, com novas emissões de títulos do governo, para conseguir empréstimos, e segurar o descontrole das contas públicas, a barra pesou. O pulo foi gigantesco. Bem maior do que o do consagrado atleta João do Pulo, nos jogos Pan-Americanos do México, em 1975. Com o pulo brasileiro, o país acrescentou quase R$ 500 ao montante dos débitos.

Puro desastre.

Outro petardo devastador da economia é o sistema previdenciário social que funciona sob o regime geral e de filiação obrigatória. Do jeito em que se encontra, não pode ficar. Tem de ser alterado, pra poder fechar a conta. A população cresceu, não é a mesma de 1990, envelheceu e o desemprego sobe, assustadoramente. Então, pra cumprir os compromissos, o país tem de alterar as normas atuais. Afinal, a dívida pública, crescente, tá impagável. Já afoga 70% do PIB. As contas primárias não batem. Como os juros estão estratosféricos, a nação perdeu a confiança do investidor que foge de incertezas. Se a economia não crescer, não baixar o déficit primário, bau, bau. Então, permanecer no mato sem cachorro, é ignorância. Alguma atitude, popular ou impopular, tem de ser tomada. Custe o que custar.

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Em 2016, usando um perfeito instrumento de democracia, a decisão popular, apoiada pelo Ministério Público, enviou ao Congresso Nacional, um projeto de lei, visando combater a corrupção e a impunidade. A proposta seguiu com mais de 2 milhões de assinaturas. Mas, como ficou engavetada, o novo governo entregou nova proposta contendo 10 medidas contra os crimes de corrupção.

Dentre as medidas apresentadas, constam a criminalização de enriquecimento ilícito de agentes públicos, partidos políticos e punição para o Caixa 2. O novo projeto explicita o aumento das penas, criminaliza como crime hediondo o desvio de valores públicos. Impõe velocidade nas ações de improbidade administrativa, prisão preventiva para garantir a recuperação dos roubos.

O projeto sofreu críticas do meio jurídico porque não visa atualizar o Código de Processo Civil que tá caduco à beça. Especialistas afirmam que o projeto pune com mais rigor o preso pobre, embora vise em primeiro lugar punir os peixes grandes, enquadrar os poderosos dentro da lei. Na prática, o que tem acontecido são os magistrados e o Ministério público soltar de carrada, pessoas ricas com registros em casos de corrupção. Aí, desse jeito, o Brasil não se livra da terrível corrupção porque, incentivando a impunidade, os cupins dilaceram a economia.

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O que faz o consumo crescer é a segurança financeira. Segurança financeira é a possibilidade de o cidadão vislumbrar saídas para escapar da crise de dinheiro. É uma situação de emergência que livra o devedor do aperto de modo a recuperar o equilíbrio financeiro. A fuga do sufoco para permitir alimentação, saúde, moradia, educação e transporte. Oferecer condições de pagar as contas em dia. Enfim, obter meios para viver em paz, tranquilo, sem insônia e estresse. Garantir no futuro uma aposentadoria decente.

De início, para se preparar para novas e positivas empreitadas, a pessoa tem de entender detalhes sobre educação financeira. Noção que só é valorizada, quando o sujeito passa por privações, dificuldades de dinheiro. Quando o sujeito cai nessa armadilha, deduz que nunca se preocupou em construir e manter uma reserva financeira.

Diz o ditado popular que “dinheiro não traz felicidade porque na realidade é a felicidade que traz o dinheiro”. Então se a pessoa não se movimentar, cair em campo com altivez, adeus sonhos de êxito e prosperidade. Como a juventude não se interessa por assuntos financeiros, então, preocupado com a estatística que aponta muitas famílias ter entrado no negativo em 2017, começam a aparecer no ensino médio e fundamental, noções sobre aplicação do planejamento financeiro. Situação que permitiu a classe média dos Estados Unidos ter acesso ao crédito fácil e detonar a economia americana a partir de 1945, tendo por base a educação financeira.

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A Petrobrás agigantou-se. Com o inchaço, despertou a atuação de corruptos que, descaradamente, arrombaram o patrimônio da empresa, via desvios de recursos e lavagem de dinheiro. Com a perda de controle, a estatal do petróleo entrou em crise, motivada por vários fatores. Elevação do custo de produção, alto endividamento, queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, desaquecimento econômico global e, principalmente, pelos absurdos praticados contra a companhia, desde 2013.

Antes da crise, a Petrobrás estava avaliada em R$ 510 bilhões, a preço de 2008. Depois dos coices, o valor de mercado caiu para R$ 311 bilhões. Em quatro anos de gatunagem, a Petrobrás acumulou 80 bilhões reais de prejuízo. Somente com o pagamento de propinas e fraudes em contratos, entre 2010 e 2018, a roubalheira chegou a R$ 200 milhões. De juros pagos aos credores da dívida, a soma importou em R$ 85 bilhões.

Para fugir da crise, a Petrobrás instituiu o plano de reestruturação. O objetivo é recuperar a credibilidade. O plano é amargo, mas imprescindível. Começa pela redução de investimentos, suspensão momentânea do pagamento de dividendos a acionistas, revisão da política energética e venda de ativos, iniciando por oito refinarias, estimando apurar R$ 80 bilhões. A sorte é ó pré-sal ser um projeto altamente viável. Capaz de gerar boas receitas. Aí, quando detonar, a estatal vai tirar o pé da lama. Contar boas histórias. Alegrar os investidores.

PENINHA - DICA MUSICAL