PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SOLIDÃO INTERIOR – Antônio Licério de Barros

Imensa é a solidão que vem das matas
E aquela que se estende nas planuras!
A que provém do céu, lá nas alturas,
Ou que murmura, além, entre cascatas!

Aquela que contorna e envolve os rios
E vai pousar, tranquila sobre os lagos!
Que a brisa traz às praias, entre afagos,
A nos tornar mais tristes, mais vazios…

Grande, demais, é a solidão do mar!
Da tarde que desmaia a soluçar,
Buscando no horizonte seu jazigo!

Mas, a maior, a solidão mais triste!
A mais profunda solidão que existe,
Não vaga por aí… Mora comigo!

Colaboração de Pedro Malta

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Editor,

Recebi esse material há pouco, com uma nota estranhando o estrondoso silêncio que a aguerrida imprensa desta república bananense está dedicando ao assunto.

Acho que temos de fazer as vezes de nossos confrades e darmos circulação à notícia.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

MISÓGINO DOMINADO PELA MULHER

Comentário sobre a postagem MISÓGINO NOS BRAÇOS DAS MACHÓLATRAS

João Francisco:

Bolsonaro é tão misógino, que ao tomar posse como presidente quebrou todos os protocolos e, pela primeira vez em uma posse de presidente no mundo inteiro, deixou a mulher falar antes dele.

* * *

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO

Comentário sobre a postagem O ALFAIATE

Marcelo Bertoluci:

Meu avô materno, que não conheci, também foi alfaiate. Embora também fosse pessoa simples, filho de imigrantes, com pouco estudo, tinha o tino de saber que “a propaganda é a alma do negócio”. Então suas roupas, feitas por ele mesmo, eram seu mostruário.

Segundo minha mãe e minhas tias, era impossível o “seu Paulo” sair de casa sem estar impecavelmente vestido de terno completo, com colete e chapéu.

Os ternos, de linho ou talvez até de casimira inglesa, eram engomados e passados por minha avó, naturalmente, usando um ferro de passar cheio de carvões em brasa, e não se cogitava a hipótese de um vinco não estar direito ou um colarinho ficar mal-assentado.

Infelizmente, meu avô só teve tempo de casar a filha caçula (minha mãe) e morreu dois anos depois.

Sou italiano por parte de pai e ucraíno por parte de mãe.

Este avô era ucraíno, creio eu que nascido no interior de Santa Catarina, filho de imigrantes que vieram para o Brasil na virada do século 19 para o 20. A Ucrânia estava em guerra com a Polônia e a miséria era geral.

Os imigrantes chegavam praticamente com a roupa do corpo.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

GUILHERME BRAGA

Sábado pela manhã esperando o médico para realizar um exame da próstata, encontrei o amigo Jair na mesma situação. Ele olhou-me, e risonho filosofou.

– Antigamente no dia de sábado nos encontrávamos sempre num bar ou birosca para uma cervejinha gelada e uma boa conversa. Hoje perto dos oitenta estamos nos encontrando nos consultórios médicos e laboratórios, mas não há outro jeito de chegar a nossa idade.

Na verdade o que mais dói é irmos ao cemitério despedirmos de amigos de infância e juventude. A semana passada foi dolorosa, morreu Cristina Braga no domingo e oito dias depois seu marido, meu querido, Guilherme Braga. Nossa amizade vem desde os anos 50 na Avenida da Paz, no futebol praieiro, no jogo de botão, ximbra ou o pião. Depois vem a vida e nos separa, cada qual no seu canto e em cada canto uma dor, mas sempre encontrava Guilherme, figura alegre, bem humorada com incríveis histórias.

Amigos de infância não se podem fazê-los, são apenas aqueles poucos. Há alguns anos foi criada a Confraria dos Meninos da Avenida, onde os ex-moradores da Avenida da Paz reúnem-se mensalmente e no final do ano. Guilherme era um dos membros constantes, sua presença, suas histórias, alegravam os Meninos da Avenida. Guilherme fará muita falta ao nosso convívio, à sua cidade, Maceió.

Quando morre um amigo mais chegado, lembro-me do poema de John Donne que diz mais ou menos assim: “Nenhum homem é uma ilha, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes: Por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Finalizo essa homenagem ao amigo Guilherme, repassando o texto escrito por seu querido primo, o cineasta Cacá Diegues, lido por seu irmão, Nelsinho, durante a missa.

“Elegia de Cacá Diegues para Guilherme: Guilherme Braga sempre foi minha principal referência de Maceió, durante toda a minha vida. Mesmo morando longe de Alagoas, era ele quem me aproximava da cidade e de seus costumes, me atualizando sobre os acontecimentos gerais e particulares de minha terra e de minha família. Filho da irmã de minha mãe, Guilherme era portanto meu primo-irmão. Mas mais irmão do que primo.

Todo lugar desse mundo tem sempre quem o representa melhor, por motivos distintos e variáveis. No caso de Guilherme Braga, ele era a pessoa mais facilmente identificável com o estado e a cidade. Não apenas por seu amor a ambos, como também pela sua compreensão do que Alagoas e Maceió significavam em sua generosa vida e na vida de todos nós.

Qualquer dúvida, bastava consulta-lo para entendermos porque Fulano, tão cheio de evidentes pecados ou longe do retrato-falado do cargo, tinha se tornado Senador, Deputado, Governador, Prefeito ou seja lá o que for. Assim como para passarmos a achar natural o casamento entre Cicrana e Beltrano, que aparentemente se odiavam tanto, por família, política ou pura antipatia. Guilherme sabia de tudo e nos explicava, em detalhe, cada movimento ocorrido nessa terra misteriosa e surrealista, tão bela quanto inesperada. Tão inexplicável.

Desde que viemos ao mundo, com pouquíssima diferença de idade, nos tornamos parceiros no futebol de praia e na vadiagem da Avenida da Paz. Eu ainda era menino, quando meus pais deixaram Maceió e nos mudamos para o Rio de Janeiro. Mas nem assim deixei de vê-lo a cada ano, sem faltar nenhum. Acho que se isso tivesse acontecido, aí sim eu estaria distante de minha terra, perderia de vez o sentido dela.

Hoje, quase chegando aos oitenta anos de idade, vejo Guilherme partir como quem vê partir um pedaço tão grande da vida. Ele deixa, dentro de mim, um exemplo de afeto inesgotável. Além do humor com que via tudo no mundo e que vai me fazer muita falta. A única compensação é a de que ninguém poderá nos tirar a alegria de sua lembrança.

A memória é a maior formadora do caráter de uma pessoa; a minha estará sempre inspirada nele.

Cacá Diegues, 29 de abril de 2019

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PAULO TERRACOTA – CRUZEIRO-SP

Meu caro Papa,

Espero que como eu você também goste desse poema.

Filosofia Nordestina – Mírian Monte

Perdoem-me a intromissão,
Mas tem razão o Ministério da Educação.
Se o nordestino continuar filosofando,
Será um disparate, será desumano!
Imagine se surgisse outro Graciliano,
Uma nova Raquel de Queiroz…
O que seria de nós?!
O Brasil perderia as estribeiras!
Já pensou se resgatarem a Nise da Silveira?
Ah, meu pai amado, meu Jorge Amado!
Nem cravo e canela resolvem a querela!
“Parem o mundo que quero descer”,
Quero consignar essa queixa,
Parafraseando Raul Seixas.
E se os estudantes falarem versos
Contarem prosas,
Ou citarem Rui Barbosa?
Ariano Suassuna que assuma essa ciranda,
Porque nem Pontes de Miranda
Conseguiria solucionar!
E nem se fale em José de Alencar:
Imagine se “O Guarani” fosse uma trilogia!
Teríamos versos em tupi, na poesia!
Vou encerrar com Tobias Barreto,
Eu prometo!
Ou melhor seria com Castro Alves?
Que os anjos nos salvem!
Esse povo do Nordeste
É povo de muita sabedoria…
Imagina se nas escolas
Ensinarem filosofia?

JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

CRÔNICAS E CRONISTAS

Deleito-me com a leitura de uma boa crônica, e me encanta a facilidade, criatividade e inteligência de quem bem as escreve. O Brasil é um celeiro inesgotável de bons cronistas. Nós os encontramos esgrimindo essa habilidade literária em cima de diferentes situações do cotidiano.

São escritores que sugam a seiva de fatos corriqueiros ou de menor significado, para manufaturá-la em textos elaborados com leveza, graça e conteúdo. Mentes privilegiadas capazes de transformar trivialidades em grandes temas.

Tenho predileção especial pelas crônicas de Rubem Braga, o escritor nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, falecido em 1990 aos 77 anos de idade. Através dele a crônica se tornou um estilo literário de fato. Trancado na sua sisudez guardava uma alma sensível e poética.

Mário Prata – cronista mineiro de Uberaba -, descrevendo sua tietagem a Rubem Braga no badalado restaurante Pirandello, ponto de referência da sociedade paulista no começo dos anos 80, nos dá ideia do humor mordaz e inteligente do capixaba.

Durante o encontro entra no recinto uma mulher horrorosa e vai se admirar num dos espelhos da casa, quando o quase setentão Rubem comenta: “Os espelhos deveriam refletir melhor antes de refletirem certas imagens!”. Na minha opinião, quem melhor traduziu a diferença entre crônica e artigo foi Rubem Braga, ao dizer: “crônica é contar um caso e artigo é explicar o caso”.

Ao contrário das constantes exaltações ao cronista Machado de Assis, pouco se fala no pernambucano Antonio Maria, jornalista, compositor e repórter esportivo fulminado por um infarto aos 43 anos de idade, em 1964. Com mais de 3.000 crônicas publicadas nos principais jornais do Rio de Janeiro, seus escritos foram referência de leitura na época áurea da radiofonia nacional.

Quem não recorda Sérgio Porto – o Stanislaw Ponte Preta – e suas crônicas satíricas? E do Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País? Também partiu prematuramente, vitimado por um infarto, aos 45 anos de idade, em 1968. Isso sem esquecer as duas divas da literatura brasileira, Clarice Lispector e Cecília Meireles, que trabalharam a língua portuguesa com preciosismo ímpar, em suas crônicas.

Carlos Drummond de Andrade e Nelson Rodrigues dispensam comentários, pois tudo o que se acrescentar sobre o trabalho de ambos já foi dito. Fernando Sabino, aquele “que nasceu homem e morreu menino”, conforme diz a inscrição da lápide de seu jazigo, saiu do palco em definitivo, um dia antes de completar 81 anos de vida. Nunca entendi a razão de ele escrever “Zélia uma paixão”.

Acrescento à minha lista de preferências Carlos Heitor Cony e Luis Fernando Veríssimo. O primeiro, falecido em 2018 aos 92 anos, passeou por romances, contos, jornalismo, cinema, ensaios biográficos, documentários e, como não poderia deixar de ser, pelas crônicas.

O segundo, na opinião de Jaguar, “é uma fábrica de fazer humor”. A produção do escritor é de tirar o fôlego, tal o tamanho e a variedade de sua obra. É gaúcho de Porto Alegre, 83 anos, e filho do também escritor Érico Veríssimo.

O Rio Grande do Norte é também um celeiro de bons cronistas. Podemos enumerar dezenas deles. Particularmente, admiro os dons de Valério Mesquita, Diógenes Cunha e Armando Negreiros.

PENINHA - DICA MUSICAL