O MAIS NOVO IMORTAL DA ABL

A ABL (Academia Brasileira de Letras) elegeu por unanimidade, na tarde desta quinta-feira (14), o escritor Ignácio de Loyola Brandão como o novo imortal da casa.

Ele vai ocupar a cadeira 11, vaga desde a morte do sociólogo e cientista político Helio Jaguaribe, morto em setembro do ano passado.

* * *

Em setembro de 2011, tive a alegria de ser convidado para participei da Flimar, a Festa Literária de Marechal Deodoro, um evento organizado pelo colunista fubânico Carlito Lima, que era então Secretário de Cultura daquela cidade alagoana.

Naquele ano meu colega de debate foi Ignácio de Loyola Brandão, talentoso romancista brasileiro, nascido na bela cidade paulista de Araraquara, um cabra pelo qual tenho uma grande admiração, e que foi eleito ontem para a Academia Brasileira de Letras.

O tema do debate: Jornal e Internet – Os Espaços da Crônica.

A nossa conversa-mole agradou o público presente e foram muitas as perguntas no final.

Falei besteiras que só a peste!!!

Parabéns, meu caro Ignácio! Fiquei feliz ao ler ontem na imprensa a notícia da sua eleição.

Você merece esta distinção.

É uma honra para a ABL ter você como seu novo imortal.

Este Editor com Ignácio de Loyola Brandão na Flimar/2011

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SINAIS NO PAINEL

J.R. Guzzo

Não é fácil, no meio de toda a prodigiosa gritaria que anda solta por aí, identificar o que de fato está acontecendo com a administração pública deste país. A inclinação mais ou menos natural, diante dos arranques de cachorro atropelado que o Palácio do Planalto produz em série, dia sim dia não, é dizer: “Deus me livre”. Que raio esse homem, e os filhos desse homem, e os ministros-problema do seu governo, estão querendo? Por que não se calam, como o rei da Espanha sugeriu ao ditador da Venezuela anos atrás ─ coisa que poderia ter lhe ajudado tanto, se ele tivesse ouvido um pouco? Porque não começam a trabalhar como gente adulta (e remunerada para isso), em vez de passar o dia mexendo com tuítes, redes sociais e o resto dessa vidinha que não soma um milésimo de centavo ao PIB? Não estão disponíveis até o momento as respostas para nenhuma dessas perguntas. Também não colabora em nada para um melhor entendimento dos fatos a coleção de reações frequentemente histéricas com que o mundo político, os “formadores de opinião” e o resto do Brasil “importante” recebem cada suspiro do governo. Resultado: a montagem de um “climão” que funciona maravilhosamente bem para a proliferação epidêmica de bobagens que não ajudam em nada, e ao mesmo tempo atrapalham em tudo.

A única atitude sensata a tomar, ao que parece, é ficar frio ─ e ficar frio por um bom tempo. Não adianta esperar que a fumaça evapore sozinha, porque ela não vai evaporar, não a curto prazo, e não enquanto continuarem fervendo a água; é possível, ou provável, que daqui a quatro anos a confusão permaneça muito parecida com a de hoje. A saída mais promissora, dentro das que podem ser acionadas na prática, é manter a calma e prestar atenção no monitor que informa os “sinais vitais”, como dizem os médicos. É aí que o cidadão pode saber onde realmente está. O primeiro deles é a inflação. Não há crise de verdade com inflação baixa ─ e a inflação brasileira está baixíssima, vem caindo desde o ano passado, e tudo indica que vai continuar em queda. O preço da gasolina e do álcool, por exemplo: está abaixo do que estava no primeiro dia do ano e do novo governo. (Não é pouca coisa; imagine por um momento qual seria a sensação se o preço estivesse subindo.) É claro que inflação perto de zero não faz o desempregado arrumar emprego, mas é certo que torna possível a solução dos problemas; sem isso não adianta nem tentar. Outra realidade que a fumaceira não pode esconder é a cotação do dólar, que permanece mais ou menos estável. Confusão, mesmo, é dólar em disparada ─ não adianta nada ignorar essa realidade ou dizer que ela não tem importância, pois não existe economia em colapso com câmbio parado.

A tela também está mostrando que apenas no mês de janeiro perto de 400.000 inscritos deixaram de receber os benefícios do Bolsa Família, por conta, basicamente, de desistências. Milhões de trabalhadores pararam de pagar o imposto sindical ao longo do primeiro ano de vigência da nova lei; a arrecadação dos sindicatos caiu em 90%, o que significa que mais de 3 bilhões de reais ficaram no bolso de quem trabalha, em vez de irem para o cofre dos dirigentes sindicais. Há economias com o corte de funcionários criados nos governos do PT, a suspensão, anulação ou cancelamento de contratos e outras despesas do governo. Não dá para saber ainda quanto dinheiro deixará de ser gasto, mas a sinalização dos primeiros dois meses de 2019 mostra que pode ser muito ─ sobretudo quando se leva em conta a relutância natural das empreiteiras de obras, fornecedores e outros ladrões, em propor negócios escusos aos 100 ou mais generais e outros oficiais das Forças Armadas presentes nos escalões superiores da nova administração. Leilões para o setor de energia elétrica já estão marcados para este ano, ao contrário da prática de não marcar nada, vigente nos últimos dezesseis anos. Há uma reforma da Previdência que será aprovada. Há, enfim, muitos outros sinais no painel. É preciso olhar para eles.

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GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Mote:

Quem quiser ter saudade do meu tanto
Sofra e ame do tanto que eu amei.

Moacir Laurentino:

Numa noite de insônia e de saudade
a angustia invadiu meu coração.
Eu senti a maior recordação
dos amores da minha mocidade
lamentei suspirei senti vontade
de beijar a mulher com quem sonhei
mas sem esse direito eu já fiquei
e nem ela possui o mesmo encanto
quem quiser ter saudade do meu tanto
sofra e ame do tanto que eu amei.

Sebastião da Silva:

Quem me fez padecer tanta ilusão
deixou todos meus sonhos destruídos
o murmúrio do adeus nos meus ouvidos
e a tristeza rasgando o coração.
Já tentei esquecer mais foi em vão
só eu sei quantas vezes já chorei
já gastei todos lenços que comprei
ensopados das gotas dos meus prantos
quem quiser ter saudade do meu tanto
sofra e ame do tanto que eu amei.

* * *

Mote:

Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

Ivanildo Vilanova:

Nobel foi o inventor da dinamite
Criador de um prêmio especifico
Deu progresso ao projeto cientifico
Onde a nossa ciência tem limite
Hoje em dia se atende o seu convite
Sem os louros da sua academia
Mas se o Deus que inspirou barra do dia
Não conhece liceu nem faculdade
Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

Severino Ferreira:

Vamos ver quem conhece aonde é
O país dos Assírios e Caldeus
Jafetanis, Fenícios, Cananeus
Descendentes da raça de Noé
E qual foi o motivo que José
Se tornou o esposo de Maria
Ela teve Jesus na estrebaria
E não perdeu o valor da virgindade
Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

Ivanildo Vilanova:

Pra ganhar o Nobel só é preciso
Conhecer de sentido e odalinfa
Ser parente da paz, irmão da ninfa
Ser parente do amor, irmão do riso
É tirar oito e meio em improviso
Tirar nove em métrica e harmonia
Nove e meio em repente e teoria
Tirar dez na escola da saudade
Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

Severino Ferreira:

Vamos ver quem possui inteligência
Pra lembrar Tiradentes, o mineiro
Que foi preso no Rio de Janeiro
Por um povo de pouca consciência
Que D. Pedro gritou: “Independência”
Que o mundo esperava e pretendia
Qual o mês, a semana, hora e o dia
Que a princesa assinou a liberdade
Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

Ivanildo Vilanova:

Vamos ver quem possui perspectiva
Pra falar sobre monte, terra e gleba
Pra falar sobre a vida de algum peba
Arrancando as raízes da maniva
E a gata que está receptiva
Quer um gato pra sua companhia
Quanto mais ela arranha, morde e mia
Mas o gato ansioso tem vontade
Vamos ver quem possui capacidade
Pra ganhar o Nobel da Cantoria.

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O MITO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (I DE IV)

O Supremo Tribunal Federal vai decidir, a partir de 9 de abril, se prisões podem se dar em Segunda Instância. À luz do art. 5º, LVII da Constituição: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. O que exigiria julgamento em quatro instâncias, segundo muitos. A partir de uma regra de Presunção de Inocência que, no mundo real, pede reflexão mais ampla.

NOSSA HISTÓRIA. No Brasil, prisões sempre se deram em Primeira Instância. E não apenas até o Código de Processo Penal de 1941, como é usual ler nos jornais. Passando a ocorrer em Segunda Instância, na verdade, só a partir da Lei Fleury (5.941/73). Uma boa lei. Em plena Ditadura, quem diria? Quando foi admitida, limitadamente ainda assim, apenas para réus primários e de bons antecedentes. A ideia de mais uma instância nasceu, não pensando em pessoas possivelmente inocentes, mas como proteção a um torturador relés.

A regra geral da prisão em Segunda Instância, que não consta de nenhuma lei, acabou sendo construção jurisprudencial do Supremo. Por uma razão técnica. É que o recurso nas decisões em Primeira Instância, Apelação, tem efeitos Devolutivo (fazendo com que o assunto deva ser rediscutido por Tribunal) e Suspensivo (a decisão monocrática não produz efeitos, até decisão desse Tribunal). Enquanto os recursos subsequentes, Especial e Extraordinário, contra decisão já desse Tribunal, apenas têm efeito Devolutivo. Determinando seja o caso reexaminado por Tribunais Superiores – STJ e Supremo. Sem interferir nas condenações. Que devem ser imediatamente executadas, para evitar o risco das prescrições. E sem que se possa rediscutir provas, por conta das Súmulas 7 (do STJ) e 279 (do Supremo). A sistemática não foi alterada com a Constituição de 1988. Suspensa em breve interlúdio (no Mensalão, quando alguns políticos muito ligados ao poder passaram a ser condenados) no HC 84.048, em 2009, voltou a se dar com o do HC 126.292, em 2016 (por 7 votos a 4).

A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA É UM VALOR ABSOLUTO? Um homem inocente não pode ser preso. Ouviremos várias vezes essa frase, no julgamento do Supremo. Só um princípio. E, não, uma regra. Problema é que para valer, como se anuncia, e não pode aceitar uma única exceção. Ninguém deve, em qualquer situação, ser preso antes do Supremo. Posto ser inocente. É sensato ir tão longe? (Continua).

1 Resposta

CULTURA VERMÊIA-ISTRELADA

Ex-todo-poderoso do Congresso, o PT conseguiu emplacar apenas duas comissões permanentes na Câmara.

Benedita da Silva (PT-RJ) ficou com Cultura e Hélder Salomão (PT-ES) com Direitos Humanos.

* * *

Isso tudo???!!! Duas comissões???!!!

É muito comissão nas mãos dessa canalha petêlha.

Estes pilantras deveriam estar fora de tudo.

O eleitorado brasileiro tirou do mapa essa quadrilha nas últimas eleições.

Eu fico só imaginando o tipo de “cultura” que Benedita vai administrar na sua comissão.

Putz!

“Essa porra desse Editor do JBF não acredita em mim. Xiuf, xiuf, snif, snif…”

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