SUELEN M. TAVARES – MACEIÓ-AL

Caro Editor,

Familiares do presidente Bolsonaro fizeram o registro.

Ele está preocupadíssimo com a repercussão do seu twitter sobre a pornografia no carnaval.

Preocupado e muito abatido, conforme se pode constatar na foto.

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JACOB FORTES – VICENTE PIRES-DF

QUEIXAS DE UM DEFUNTO

Quando se fala em ruas esburacadas, — e neste quesito, aliás, Vicente Pires, DF, apresenta semblante inigualável — logo se faz presente a figura do singular escritor Lima Barreto. No transcorrer da sua vida literária Lima relata haver recebido uma carta de um defunto, a bem dizer de um ex-defunto, por meio da qual registrava seu desapontamento com o prefeito por haver este negligenciado com os seus deveres municipais ao deixar as ruas confeitadas de buracos.

Quando do falecimento de um certo habitante da localidade “Boca do Mato”, Méier, RJ, o corpo fora colocado num caixão e, sequentemente, transportado num coche em direção ao cemitério de Inhuma. Durante o trajeto o defunto sofrera o diabo quando a carruagem transitava pela rua José Bonifácio, muitíssimo bem ornada de crateras de todas as profundidades e larguras. De uma feita, ao ensejo de um invulgar solavanco o defunto saltou do esquife vivinho da silva; ressuscitou com o susto.

Muito ressentido, conclui o signatário da carta dizendo ao escritor Lima que por causa dos descasos municipais “nem defunto consegue ter vida eterna”.

Fica o alerta aos que forem instados a transportar caixas mortuárias pelas vias do Vicente Pires; estas ainda não engoliram caminhão, apenas camionete e seus dois ocupantes. Afinal, gulodice à farta é coisa para os de alta patente: a Vale.

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NOS TEMPOS DA BALADEIRA

Baladeira de menino macho

Como sempre tiveram o rabo muito comprido, os tempos da saudade e da malinagem dos meninos dos anos que ainda estão se bulindo dentro dos caixões de madeira, ainda podem ser alcançados, pois estão acabando de dobrar a última esquina. Percure e verás!

Mas, percure mesmo, como se estivesse bulindo nessa porra de telefone celular. E, se tu não achar, é por causa que é uma besta quadrada. Ou nunca fostes criança!

As férias do final do ano eram as mais melhor, apois duravam quase que o final do mês de dezembro, o mês de janeiro todinho, e mais a premêra semana de fevereiro. Contanto nos dedos das duas mãos e nos dedos todinhos dos dois pés, ainda vai faltar dedo prumode dar certim.

Aí a gente se danava a malinar, caçando passarinho. A gente fazia espeto de passarim prumode ajudar Vovô e Vovó no dicumê que dá sustança.

Nós era uma primaiada só. Do lado dos fios da Tia Maria com Tio Antônio, era uma reca grande, mas tinha mais mulher. Homem mesmo, eram apenas três: Zé Luciano, Raimundo Lúcio e Sebastião. Os outros irmãos era tudo mulher. Adispois nós soube que quase tudo deu pra rapariga. Teve até uma (Elzidan) que botou venda de auferecer xiri em Casa Amarela, bem no centrim de Recife.

Sebastião, dos três primos machos, era o que mais sabia caçar de baladeira, e tinha boa pontaria. Tinha preferência pra matar beija-flor, apois gostava de procurar a bichinha se debatendo entre as folhas secas, pegar as duas partes do bico, rasgar e engolir o coração das bichinhas.

– Zé, é prumode ficar caçador melhor, e com mais sorte!

Esse era o dizer dele, Sebastião. Os outros passarinhos, quando a gente matava ia botando dentro do bornal carregado à tiracolo.

Quando a gente chegava em casa ia pelar os bichos. Tinha rolinha, tinha sabiá, tinha papa lagarta, e, às vezes, tinha até camaleão. Dava uma boa espetada e ajudava sim, a acompanhar o feijão de corda com rapadura raspada, farinha seca, tudo misturado com maxixe e jerimum – nunca comemos comida mais saudável, pois ninguém nem sabia que diabos era agrotóxico.

Foto 2 – Beija-flor para a enfiada no espeto

O camaleão a gente tinha que comer no mesmo dia, pois a clorofila que saía do monstrengo ficava parecendo “pus” – minha Avó não comia, pois tinha nojo. Era sabida, e ao mesmo tempo abestaiada.

A gente que fazia a própria baladeira. Cortava as câmaras inservíveis de pneus, fazia as tirinhas e estava pronta a baladeira, com uma funda de couro velho e um bom cabo de jucá. As “balas” eram pedras catadas com esmero na beirada do açude, e todas tinham que caber na funda, para garantir melhor impulsão.

Sebastião tinha uma mania: a cada 100 passarinhos que matasse, fazia uma marca com canivete no cabo da baladeira. Contava até 100, com castanhas de caju, que separava em duas latas de leite Ninho.

Tínhamos dois momentos diferentes nas férias: de alegria, quando elas começavam, e tinha até quem fosse nos esperar no ponto do ônibus; e, de tristeza, quando chegava a última semana, e a gente sabia que as aulas recomeçariam.

Tanto uma coisa (a chegada), quanto a outra (o término), ainda fazem lacrimejar os olhos. Malinagens de crianças que sabiam o que era a felicidade.

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ALOYSIO MARQUES – VITÓRIA-ES

Nobre Editor,

Publique esta lista de telefones na nossa gazeta escrota.

Vamos jogar pra escanteio este lixo da extrema mídia brasileira.

Saudações fubânicas!

R. Pronto, caro leitor, tá publicado conforme você pediu.

Eu só espero que o distinto público não cancele as assinaturas do Jornal da Besta Fubana.

Chupicleide, secretária de redação, agradece do fundo do coração.

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UM CASO DE VIDA OU DE MORTE

O presidente da República se queixa de que é impossível viajar de carro sem ser multado, critica a fiscalização eletrônica e diz que não vai gastar mais dinheiro com isso. Não investirá em novas lombadas eletrônicas e, quando as atuais esgotarem sua vida útil, não serão renovadas.

Há estradas em que a oscilação da velocidade máxima parece mesmo uma pegadinha para multas. Mas este é problema do Governo, não da tecnologia. E, num país em que mais de 50 mil pessoas morrem por ano no trânsito e 350 mil vão para o hospital, que vale mais: evitar multas ou evitar mortes?

A instalação da lombada eletrônica no Brasil, em 1992, foi decisiva para reduzir os acidentes de trânsito em 70%. O BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, cita a experiência brasileira como referência mundial. No lugar onde há lombadas eletrônicas, os acidentes se reduziram em 30% e as mortes em 60%. Em pontos mais perigosos, as mortes caíram a quase zero.

Ninguém gosta de ser multado, mas pesquisa de 2002 dá 84% a favor do monitoramento eletrônico. Estudo do Ibmec mostra que em 2004 as lombadas eletrônicas evitaram mais de mil mortes. Custo das lombadas? Comparando, pequeno: cada acidente com morte nas rodovias federais custa R$ 418 mil ao Governo; cada ferido, R$ 86 mil. Mesmo que os acidentados se recuperem totalmente – o que nem sempre ocorre – saturam o SUS.

Vale a pena morrer para não ser multado?

Fala muito!

Não há dúvida de que os três zeros à esquerda, 01, 02 e 03, dão trabalho ao PaiPai. Mas Bolsonaro, o Zero Alfa, também não perde uma oportunidade de provocar polêmicas que, se perder, farão mal ao Governo, e se ganhar não lhe trarão qualquer vantagem. Já brigou com Daniela Mercury, Caetano, com dois senhores que acham que ficar nus no centro de São Paulo, com o dedo no ânus e urinando um no outro, é um protesto contra sabe-se lá o que. A briga com os referidos senhores (que dizem fazer oposição aberta, mas não revelam seus nomes) repercutiu no mundo – e repercutiu mal. Bolsonaro fala muito, durante o Carnaval soltou 29 twitters, sobre os mais diversos temas, mas só tocou no que é importante, a reforma da Previdência, na sexta, 7. Aí falou sobre reforma tributária e retomada dos investimentos. Aliás, a reforma da Previdência é o que interessa à economia, aqui e lá fora. A opinião de dois peladões pouco higiênicos não tem a menor importância. Pois foi com eles (mais alguns artistas) que o presidente gastou boa parte de seu tempo.

Muiiiiito!

Bolsonaro, em frase infeliz, disse que democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem. E a Constituição, nada? A coisa pegou tão mal que o general Augusto Heleno teve de explicar que não era bem isso. E, em sua permanente campanha para ignorar jornais e jornalistas, Bolsonaro anunciou que todas as quintas usará um live para contar o que o Governo faz. Trabalho inútil: em menos de três meses, e apesar do tempo no hospital, Bolsonaro encaminhou a maior parte da reforma da Previdência e o pacote anticrime de Sérgio Moro. Seria mais que suficiente para consagrar seu início de Governo, apesar de alguns ministros esquisitos – desde que não quisesse discutir também questões celestiais de gênero, como o sexo dos anjos.

Problemas…

Há forte desaceleração nos mercados internacionais, em grande parte por causa da disputa comercial entre EUA e China. As exportações chinesas caíram 20,7% em fevereiro. Esperava-se a queda, mas algo como 6%. Em dinheiro: o superávit previsto para fevereiro era de US$ 24,5 bilhões. Ficou em US$ 4,12 bilhões. Em janeiro, o superávit tinha sido de US$ 39,16 bilhões. E algo que afeta o Brasil: as importações caíram 5,2%, contra 2,5% previstos. A Bolsa de Xangai perdeu 3% em um só dia.

…e resultados

Nos Estados Unidos, onde a economia vive uma fase de pleno emprego (até 4% de desempregados), houve alguma criação de vagas: de 4%, o índice de desemprego caiu para 3,9%. O salário médio subiu 0,3% em fevereiro; de um ano para outro, a alta salarial foi de 3,3%, contra 3,2% de janeiro. Não são taxas espetaculares, mas são positivas. E Trump já começa a se preparar para a reeleição. Os opositores democratas ainda não têm nomes fortes.

A vida como ela foi

Um livro notável, de um jornalista notável, com depoimentos de notáveis jornalistas, será lançado amanhã, na sede da ABI, Rio, às cinco da tarde. Aziz Ahmed, em Memórias da Imprensa Escrita, conta tudo o que viu, e que não foi pouco: Carlos Lacerda, antes de ser político, queria ser autor de novelas; De Gaulle jamais disse que o Brasil não é um país sério; uma festa no dia da posse do presidente Kennedy foi suspensa pela polícia, chamada por um cidadão incomodado com o barulho. Leia ali a última entrevista de Ricardo Boechat. Há Samuel Wainer, há o próprio Aziz Ahmed. Não dá para perder.

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MARLUCE PAIVA – FEIRA DE SANTANA-BA

Caro Editor,

Votei em Bolsonaro e estou torcendo pra que ele faça um bom governo.

Ele tem pouco mais de dois meses governando e já é alvo do ódio das esquerdas brasileiras. Isto é bom sinal. Sinal de que ele está dando certo.

Veja na foto anexa porque eu votei nele.

Um grande abraço!!

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NOTAS

Depois de passar 13 anos dominados pela estrutura da corrupção e de desvios de recursos públicos, o brasileiro resolveu mudar. Escolher nas urnas, alguém capaz de resgatar a esperança perdida pelos caminhos escusos. Da desordem no patrimônio público. Então, das urnas, surgiu Jair Bolsonaro. Mas, embora a equipe montada apresente gabaritada capacidade técnica, falta o principal. A tomada de atitudes firmes e determinadas para reconduzir o país aos patamares sonhados. Todavia, inconformados, no carnaval, os brincantes mandaram recados. Um deles, “Presidente, assuma o bastão”. Deixe o brasileiro confiante nas mudanças.

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A inflação na Turquia, economia emergente, disparou. Bateu recorde. Desde 2003, estava sob controle. Em agosto, atingiu 18%, estimulada pela desvalorização da moeda local, aumento de preços ao consumidor, elevação dos custos de importação, déficit comercial, importação maior do que as exportações, desavença no comércio com os Estados Unidos, cujas sanções afetaram os setores de transportes, alimentação e habitação, fuga e dependência de investimentos externos e incertezas políticas. Até no Banco Central turco, o governo tem metido a colher. Para atrapalhar. O curioso é o governo adotar a queda de preços de frutas e legumes para derrubar a inflação. Mas, desconfiado, o povo turco teme que a medida seja apenas para impressionar, pois o presidente é candidato à reeleição. Brevemente.

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Dois problemas são cruciais para a agricultura brasileira. O clima seco e a excessiva utilização de defensivos agrícolas. Os agrotóxicos, quando utilizados sem regra, causam um mal danado para as lavouras. A aplicação sem recomendação de especialista só traz prejuízos. Para o agricultor, o comerciante e a saúde do consumidor. Com relação ao clima, a irrigação por gotejamento é a salvação para a cultura da cebola, mandioca e banana do Nordeste. Causa alta produtividade com redução de custos. A técnica, aliada ao baixo custo do material, muitas vezes improvisado, começa a ser empregada no cultivo da cana, em Alagoas, com boas perspectivas para a produção de açúcar e de etanol.

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Depois do México, o Brasil é o maior construtor de shoppings centers na América Latina. Atualmente, existem mais de 600 centros de compras no país, distribuídos pelas regiões Sudeste, 289 unidades, Sul, 97 e Nordeste, 93. A febre pelos shoppings centers começou em 1956, na cidade de Edina, Minnesota, Estados Unidos. Depois, a ideia se ramificou pelo mundo. A procura pela segurança e comodidade incitou a construção de mais centros comerciais, totalmente fechados. Contudo, a mania se altera na estrutura do conceito de varejo tradicional. A tecnologia, a mudança de hábitos de consumo, a queda salarial, a repetição de franquias e a desconfiança no consumo via online. Por isso, especialistas estimam que até 2030, metade dos shoppings fecharão as portas na América do Norte. Caso até lá, não surjam inovações na área.

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