HIPOCRISIA!

Se você perguntar a um desses jovens desorientados, que assumem Che Guevara como referência, qual o motivo dessa veneração, certamente ouvirá como resposta que a grande virtude do argentino era a coerência com seu ideal. Afinal, Guevara deu a vida por ele. Claro que Jesus Cristo foi infinitamente superior, mas Jesus Cristo, nesses casos, está fora de cogitação. O que não passa pela cabeça da moçada é que esse supremo sacrifício é uma característica de seres notáveis, mas há condições para merecer o adjetivo: 1ª) que o ideal seja nobre e 2ª) que quem o abrace não se sinta no direito de sair por aí matando quem dele discorde. Che Guevara se desqualifica em ambas. Seu ideal já era comprovadamente desastroso quando o abraçou e ele se permitiu, enquanto tentava instalar uma guerrilha comunista na Bolívia, escrever sobre sua própria “sede de sangue”. Era uma sede em proporções cósmicas porque nem mesmo uma guerra nuclear entre a URSS e os EUA, a partir de uma base de ogivas em Cuba, deixava de lhe parecer apetitosa e desejável. “Um, dois, três, mil Vietnãs!” não enchiam seu copo.

Dito isso em menos palavras, fica assim: a coerência com um ideal errado, é algo maléfico, que produz desastres pessoais e universais com regularidade absolutamente previsível. É a “coerência” dos que na vida pessoal se recusam a refletir sobre as consequências dos seus desacertos, de seus vícios e fraquezas, como se uma linha contínua de males fosse um modelo de retidão. É a “coerência” dos que, na vida social e política, persistentemente empurram nações para seu desastroso ideal.

Pois é por esse mesmo caminho que chegamos à hipocrisia. Com efeito, há um potencial pedagógico no erro humano. No entanto, para que isso ocorra é preciso que: 1º) não disponhamos de um modo mais prático e menos oneroso de aprender; 2º) realmente estejamos interessados em acertar. Esse não é caso de quem, advertido sobre o erro que vai cometer, rejeita a advertência alegando – como tantas vezes se ouve – “deixa-me errar porque errando se aprende”. Estamos aqui diante de um caso flagrante de hipocrisia. O sujeito da resposta não quer aprender. Ele deseja errar porque o erro o atrai.

Dito isso, olhemos o caos social, político, econômico e moral do país. Cada passo nessa direção foi saudado (não preciso dizer por quem na política e na mídia) como progresso, avanço, modernização, busca da justiça, apogeu da liberdade, ruptura das amarras culturais, alegre e festiva ruptura dos fundamentos da civilização ocidental. Brilhantes considerações a esse respeito podem ser lidas no artigo “J’Accuse!” de Paulo Vendelino Kons.

Raros períodos da história humana registram tão triunfante marcha da vaca para o brejo!

Agora, quando a vaca se foi e a nação acordou, quando o projeto se tornou conhecido e seus efeitos foram rejeitados pela maioria da opinião pública, “coerentemente” persistem na defesa dos erros. Dedicam horas de tribuna e programação a lecionar a sociedade que é preciso seguir naquele rumo. É como se dissessem: “Estava tudo indo tão bem e vocês aparecem para atrapalhar nossa farra”. E aí, no apogeu da hipocrisia, se escandalizam ante imagens do caos para cuja construção tanto contribuíram e exigem censura para o que antes aplaudiam.

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VIRTUDES E VÍCIOS NA GRAMA JARDIM

Aproveitando o domingo de céu nublado, tirei parte da tarde para cuidar da grama do jardim. Arrancador de mato nas mãos protegidas por luvas, lá fui eu separar as plantinhas desejáveis das indesejáveis.

Habituado a observar o que se passa ao meu redor – para depois transformar tudo em contos e crônicas – logo vieram as reflexões sobre a vida. É impressionante o quanto podemos aprender, com uma atividade aparentemente tão simples.

Primeiro, o necessário gesto de se ajoelhar diante da natureza (ou do seu Criador). Arrancar mato é um trabalho que requer concentração, paciência e algum conhecimento do que deve ou não ser arrancado. Mas, sem se pôr de joelhos, sua execução fica bem difícil. O gesto adquire, assim, um simbolismo de humildade.

Joelhos no chão, comecei a ver semelhanças entre nossas virtudes e a grama. E entre as ervas indesejáveis e os nossos vícios.

Lembrei que a grama nós precisamos plantar, adubar, regar, até que ela se fixe e estabilize na terra. O mato não. O mato simplesmente aparece, sem qualquer esforço nosso. E, se não cuidarmos da arrancá-lo regularmente, ele cresce e sufoca a grama.

É assim, por exemplo, com o egoísmo. Se não cultivarmos o altruísmo e a solidariedade, ele vai achando em nós o seu espaço. E aos poucos nosso estímulo para pensar no outro, para abrir mão de algo em favor do outro, parece desaparecer completamente.

Talvez seja assim também com a raiva, o ressentimento e tantas outras ervas daninhas que parecem nascer espontaneamente em nosso ser. Ao contrário da serenidade e da compaixão, que precisam ser plantadas e cuidadas.

Não vejo isso como uma falha nossa, mas como um efeito colateral do nosso instinto de sobrevivência, vindo lá dos nossos primórdios, quando a necessidade de cuidar primeiro de si mesmo era bem maior que a disposição para ajudar o outro. Isso ainda acontece hoje, felizmente com menor frequência.

Estamos aprendendo, evoluindo, nos aperfeiçoando, mas ainda temos muito a caminhar.

Segui com meu trabalho dominical e observei que algumas dessas ervas indesejáveis são mais fáceis de arrancar, enquanto outras misturam suas raízes de tal forma às raízes da grama, que é impossível extraí-las sem arrancar um pouco de grama junto. E acaba ficando um buraco no lugar. Uma ferida aberta que somente com o tempo poderá cicatrizar.

No caso do jardim, esperamos que a grama renasça naquele espaço vazio, ou a replantamos, mas sempre há o risco de ali brotar novamente o mato. Porque basta ficar uma semente, ou um pouco da raiz da erva daninha, para que ela renasça. Como os nossos vícios.

Depois de algumas horas de trabalho, minha principal conclusão foi a de que precisamos observar constantemente o que sentimos, pensamos e fazemos, para irmos nos livrando dos nossos vícios e reforçando nossas virtudes. Porque em nosso jardim há sempre um matinho para arrancar e algum trechinho de grama para repor.

2 Cometários!

RECORDAR É FICAR PUTO

Em comentário feito num vídeo que foi publicado hoje nesta gazeta escrota, o jornalista Rodrigo Constantino faz uma breve referência ao nome do mártir Celso Daniel, protagonista do escabroso crime acontecido no antro da quadrilha petista.

A postagem está logo abaixo desta.

Pois a propósito deste assunto, a Editoria do JBF selecionou dois vídeos para os seus bem informados leitores.

O primeiro vídeo contém entrevista dos irmãos de Celso Daniel ao programa Jô Soares.

E o segundo vídeo contém um depoimento do notório Paulo Roberto, ex-diretor da Petrobras durante o reinado fedorento do PT na Presidência da República.

Preparem o pinico, pois a ânsia de vômito vai ser grande.


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OS COOPISTAS DO BOSQUE

Denominam de coopistas a praticantes do exercício aeróbico criado pelo médico norte-americano Kenneth Cooper – o Teste de Cooper. Na verdade, um apelido para a popular corrida de rua. Pois bem, o Bosque dos Namorados, no Parque das Dunas de Natal, tornou-se o local predileto para coopistas de todas as idades.

Aquele espaço que preserva um pouco do que restou da Mata Atlântica no litoral do país é considerado o maior parque urbano sobre dunas do Brasil, que além de contribuir para a recarga do lençol freático e na purificação do ar da cidade, presta-se como moldura adequada para a prática do Cooper.

Eu não sou coopista, mas gosto de caminhar no Bosque. Pertenço à turma dos madrugadores, porém, ando sozinho sem ouvir música e envolto nos meus pensamentos. Acontece de sempre nos depararmos com grupos em papos animados, que mais conversam do que correm ou caminham.

Ali se exercita o falar alto onde, concordando ou não, nos faz cúmplices de desagradáveis indiscrições. Os frequentadores do Bosque não precisam adquirir jornais ou revistas, tampouco ouvir ou ver noticiários de rádio ou Tv. Todas as informações presentes, passadas e futuras do estado e do mundo, eles as recebem em primeira mão bastando retirar os fones dos ouvidos – isso sem falar nas fofocas.

Em determinada caminhada, sem querer querendo, presenciei engraçadíssima prosa entre dois senhores nos quais logo percebi traços de pessoas letradas e abonadas financeiramente. Eu terminara a série de exercícios e diminuíra o ritmo da marcha, e assim pude escutar o colóquio onde o tema era viagens.

– … Por isso não! Câmara Cascudo escrevia sobre o mundo inteiro sem sair de casa, quando nem se vislumbrava a existência de computadores. Hoje, eu viajo para qualquer localidade do mundo e conheço o que bem entender de carona na internet – afirmou o senhor de cabelos grisalhos a um questionamento do seu interlocutor.

– Você já se imaginou observando Paris do alto da Torre Eiffel, saboreando o famoso “Coq au Vin” e degustando um fenomenal vinho Borgonha?

– Não. Mesmo assim duvido que se comparasse à saudosa “Carne de Sol do Lira”, regada a generosas doses de “Murim”, que funcionou nas Rocas, no Natal de antigamente – respondeu o grisalho contrariando o seu parceiro de caminhada.

– É impossível que você não tenha vontade de conhecer a Torre de Londres e o quanto ela representa para a humanidade? – insistiu o mais viajado.

– Dou por visto! Aquilo não passa de uma prisão decadente onde os monarcas ingleses decapitavam as suas amantes. E digo mais, nenhuma daquelas rameiras amarravam sequer as sandálias das “quengas” do cabaré de Maria Boa.

– Cara, é difícil lhe agradar! Mas, se você visitasse o Coliseu de Roma aposto que mudaria de ideia diante da carga de história que o monumento detém.

– Aí é onde você se engana! Coliseu de Roma, campo de concentração nazista e cemitério, para mim não passam de antros de almas penadas.

Ao ouvir aquela opinião não contive o riso. O grisalho, percebendo minha atenção na conversa, perguntou se eu concordava com ele. Ao que respondi: Desculpe-me, mas não tenho opinião formada sobre o assunto! – e acelerei o passo para evitar entrar na discussão. Não sem antes ouvir o comentário do turrão contestador: Esse deve ser outro babaca azedo igual a você!

Calado eu ouvi, e me fui sem nada dizer… Dizer o quê?

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