GOZANDO DOBRADO

Uma mulher tem chamado a atenção nas redes sociais após ter tatuado um pênis no braço.

Segundo o site Universa, a dona de casa Rosineia Aguiar, conhecida como Neia, disse que a ideia partiu dela mesma e foi decidida após uma semana de reflexão.

“Pedi opinião para meus filhos. Eles acharam estranho, mas depois concordaram que seria legal”, contou.

O tatuador responsável pela obra, Maurício Miranda, compartilhou a imagem em sua rede social. “Quando a gente menos espera, vem alguém e te surpreende. Escolha da cliente, vamos respeitar”.

* * *

Lapa de pica da porra!!!

Se ela enfiar o braço tatuado todinho na bacurinha, até chegar ao cotovelo, terá uma orgasmo duplo.

Vai gozar com o braço e com a pica.

Vôte!!!

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EPITETOS, CODINOMES E APELIDOS

O hábito de apelidar pessoas, lugares ou coisas é tão antigo quanto a nossa espécie.

Nos acostumamos e “dar nomes” simbólicos para qualificar, caracterizar e denominar personalidades, entidades, situações, lugares, etc. De maneira que, na adjetivação eleita e optada, configure, evidencie, tipifique e associe o devido “o alvo”.

Podendo o termo escolhido, conforme a figura de linguagem adotada, vir a ser pejorativo ou enaltecedor e simpático.

Na mesma linha de raciocínio e designação temos o codinome, que é um símbolo ou palavra usada que enfatiza um termo para ocultar o nome verdadeiro de uma pessoa, entidade, plano, etc.; nome “codificado”, seria.

Apegando-se nessa popular prerrogativa, o povo faz uso de criativos e irreverentes alcunhas para designar aquele personagem que está, geralmente, desagradando de alguma forma naquele momento.

O próprio editor faz uso constante de alcunhas (possui uma lista considerável), ao se referir a figuras da nossa vida política (dos três poderes), ou das “personalidades” populares da sua terra natal, Palmares.

Vejamos alguns alcunhas marcantes de personagens da história da humanidade:

– BERMUDO, O GOTOSO – Primeiro rei da Galícia. Como sofria de gota (uma forma de artrite), foi apelidado de “Gotoso”;

– BOLESLAU, O BOCA TORTA – Governou a Polônia entre 1107 e 1138, ganhou esse apelido por ter a boca “levemente torta”;

– CARLOS, O CALVO – Carlos II governou a Frância Ocidental entre 840 e 877. usou-se, no presente caso, de pura ironia, por ele ser bastante cabeludo;

– CONSTANTINO, O COPRÔNIMO – (Koprônimo deriva de fezes). Seus inimigos, assim o apelidavam devido à lenda que dizia que ele defecou na pia batismal quando foi batizado;

– GUILFREDO, O CABELUDO – Conde entre 878 e 897. Pela imagem dele esculpida na Catedral de Barcelona, percebe-se a lógica do apelido;

– HAROLDO DENTE-AZUL – Foi rei da Dinamarca e Noruega de 958 até 986. Diz a lenda que ele teria um dente estragado, de cor escura, que se aproximava do azul;

– HAROLDO, O NOJENTO – Ele foi o primeiro rei da Noruega. Reza a lenda que ficou mais de 10 anos sem cortar e lavar o cabelo;

– HENRIQUE, O IMPOTENTE – Rei de Castela e de Leão de 1454/1474. Após 13 anos, divorciou-se da 1ª mulher, sob a alegação de impotência, por conta de uma maldição. As prostitutas locais negavam a informação. Casou novamente e teve uma filha (que as más línguas diziam não ser dele);

– JOÃO II, O FAZEDOR DE BEBÊS – Governante do Ducado de Cleves, na Alemanha. Como bem define o alcunha, foi pai de 63 filhos ilegítimos;

– JUSTINIANO, O DO NARIZ CORTADO- ustiniano II foi o último imperador bizantino da dinastia heracliana, governando de 685 a 695. Acusado de usar os fundos do reino para satisfazer seus gastos pessoais, foi alvo de uma revolta. Ele foi deposto e teve o nariz cortado. Mesmo assim, acabou voltando ao poder entre 705 a 711, quando enfrentou uma nova revolta e acabou decapitado;

– LULACO, O BOBO – Lulaco foi apelidado de “O Simples” ou “O Bobo”, mas mesmo assim se tornou rei da Escócia em 1057. Era considerado um governante fraco e foi assassinado menos de um ano após a sua coroação;

– UGOLINO, O CANIBAL – Nobre italiano do século 13. Sua história é contada na Divina Comédia, de Dante: acusado de traição, ele teria canibalizado os próprios filhos, que estavam presos junto com ele em uma torre. Séculos mais tarde, exames forenses constataram que ele não havia comido nenhum tipo de carne em seus últimos dias;

– VSESLAV, O LOBISOMEM – O príncipe bielorusso Vseslav de Polatsk viveu no início do século XI. Dizia-se que ele havia nascido por meio de um feitiço e que se transformava em lobo à noite.

O tema e a lista é infindável. Negócio para trocentas páginas.

ALCUNHAS SIMPÁTICOS

Alberto de Oliveira – Príncipe dos Poetas Brasileiros
Ana Cristina César – Escritora Maldita, Poeta Maldita
Aureliano Lessa – Bardo Fluminense
Bernardo Guimarães – Bardo Mineiro
Carlos Drummond de Andrade – Gauche, Urso Polar
Castro Alves – Poeta dos Escravos
Cruz e Sousa – Cisne Negro, Poeta Negro
Dalton Trevisan – Escritor Maldito, Escritor Misterioso
Filinto de Almeida – Fly
Glauco Mattoso – Poeta da Crueldade, Poeta Sinistro
Graciliano Ramos – Graça, Velho Graça
Gregorio de Matos Guerra – Boca do Inferno
Hilda Hilst– Grande Personagem
João Antonio – Escritor Maldito
João Cabral – Engenheiro das Palavras, Poeta Diplomata
Jorge Amado – Escritor Maldito
José de Alencar – Patriarca da Literatura Brasileira
José de Anchieta – Poeta Missionário
Ledo Ivo – Chulé de Apolo
Machado de Assis – Bruxo, Bruxo do Cosme Velho
Manuel Bandeira – Bardo, Poeta Menor
Mário de Andrade – Decano do Modernismo, Pai do Modernismo
Monteiro Lobato – Pai do Jeca Tatu
Nelson Rodrigues – Escritor Maldito
Olavo Bilac – Príncipe dos Poetas Brasileiros, Sapo-Boi
Oswald de Andrade – Calcanhar-de-Aquiles do Modernismo
Padre Antonio Vieira – Paiaçu (Pai Grande), Judas do Brasil
Raduan Nassar – Escritor Misterioso
Raquel de Queiroz – Rainha das Escritoras Brasileiras
Raul Bopp – Poeta Diplomata
Rui Barbosa – Águia de Haia
Vinicius De Moraes – Poeta Diplomata, Poetinha

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PINTO DO MONTEIRO, UM GÊNIO DO REPENTE

Severino Lourenço da Silva Pinto, o Pinto do Monteiro (1895-1990)

Improvisos de Pinto do Monteiro, a Cascaval do Repente, em cantorias diversas

Ninguém deve ignorar
Porque Pinto do Monteiro
Largou de mão a viola
E passou a usar pandeiro
O volume é mais menor
E o pacote mais maneiro.

Eu admiro o tatu
Com desenho no espinhaço,
Que a natureza fez
Sem ter régua, nem compasso
Eu tenho compasso e régua,
Pelejo, porém, não faço.

Sua terra é muito ruim
Só dá quipá e urtiga
Planta milho, o milho nasce
Não cresce nem bota espiga
De legume de caroço
Só dá sarampo e bexiga.

Homem deixe de história
Que se eu for ao Pajeú,
Dou em Jó e dou em Louro,
Em Zé Catota e em tu,
E fico no meio da rua,
Cantando e dançando nu.

Em dezembro, começa a trovoada,
Em janeiro, o inverno principia,
Dão início a pegar a vacaria:
Haja leite, haja queijo, haja coalhada!
Em setembro, começa a vaquejada:
É aboio, é carreira, é queda, é grito!
Berra o bode, a cabra e o cabrito;
A galinha ciscando no quintal,
O vaqueiro aboiando no curral;
Nunca vi um cinema tão bonito!

Esta palavra saudade
Conheço desde criança
Saudade de amor ausente
Não é saudade, é lembrança
Saudade só é saudade
Quando morre a esperança.

Saudade é tudo e é nada
Saudade é como o perfume
Eu só comparo a saudade
Com o peso do ciúme
Que a gente carrega o fardo
Mas não conhece o volume.

* * *

No vídeo abaixo, Severino Pinto e Lourival Batista cantando de improviso o gênero Meia Quadra.

Constante da Coleção Música Popular do Nordeste, com 4 discos, lançada em 1972.

A abertura da cantoria é feita por Lourival.

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UM PAÍS DESIGUAL, CADA VEZ MAIS

A novidade é o crime de homofobia. Estamos assistindo essa perda de tempo injustificável, na minha opinião, debatendo se a homofobia deve ser tratado como um crime especifico, ou não. Mobilizam-se o STF e o Congresso Nacional para atender essa queixa da Associação Brasileira de gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT). Nossa Constituição de 1988 tem como fundamento a dignidade da pessoa humana. Parece que as mulheres, os gays e os índios não se incluem nessa categoria de pessoa humana.

Diz o Artigo Segundo, parágrafo IV – Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Já no Artigo Quinto temos a seguinte redação: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, e a propriedade nos termos seguintes:

Parágrafo I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição

Parágrafo III – Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

O que mais é preciso para entender que todos deveríamos ser iguais perante a lei? Infelizmente não somos e cada dia criam-se mais classes privilegiadas, cotas e exceções. Fico incomodado com o feminicídio. Até o nome é feio. Por que o assassinato de uma mulher deve impor uma pena, ou tratamento diferente do que o assassinato de um homem? Não é isso que a Constituição Cidadã propôs. Os homens que andam surrando e matando mulheres devem ser punidos severamente, mas da mesma forma que qualquer um que mate um pai de família trabalhador. Sou totalmente a favor das delegacias das mulheres, para que elas sejam atendidas por quem está preparado para dar segurança e conforto emocional as vítimas. Daí em diante a polícia e a justiça devem dedicar os mesmos esforços para punir os agressores de homens, mulheres e qualquer outro gênero que não tenha sido criado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Congresso Nacional engavetou o processo, talvez Dias Toffoli faça a mesma coisa no Supremo, ao invés de seguir com esse julgamento polêmico e inútil. Na minha modesta opinião. Mas a controversa matéria está tomando tempo, dinheiro e energia das entidades que deveriam estar usando esses recursos para temas que poderão tornar mais segura e próspera a vida de todos nós brasileiros. Esse assunto empolga tanto os nossos políticos que 16 deputados federais estão ameaçando pedir o impeachment dos quatro Ministros do STF que já deram voto favorável a equiparar a homofobia ao racismo.

Já temos tantos problemas emergenciais para ocupar os Três Poderes da República, será que não dá para os gays se conformarem em serem brasileiros como todos os outros?

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ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Bom dia, preclaro Pontífice

Acabo de receber esta mensagem que tomo a liberdade de repassar a suas mãos, limpas e bem cuidadas.

A mensagem abaixo reproduz diálogo originário do mui respeitável senador Randolfe Rodrigues, que acredito possa merecer espaço nas colunas de nosso jornal.

Vejamos…

Com respeitosos cumprimentos, Arael Costa

1 Resposta

COMERAM MÃE ! ! !

Quando tenho minhas frequentes crises de priapismo, me lembro logo de um bloco carnavalesco aqui do Recife cujo nome é Bloco Bimba Mole.

Uma dura e outra mole…

O bloco sai na Bomba do Hemetério, cuja prefeita é a minha amiga Neide, fiscal e administradora do bairro, comandante de todas as rodas de fuxico do local.

Coisas do carnaval irreverente desta terrinha.

São inumeros os nomes esculhambatícios dos blocos daqui do Recife. Aqui vão apenas alguns, das dezenas existentes.

Comeram mãe; Mulé arreta o cara; Toco cru pegando fogo; Ovos fritos, Já que tá dentro, deixa; Cagão Misterioso; Hoje a mangueira entra; Bota gaia na cabeça desse touro

E, pra alegrar o expediente fubânico desta sexta-feira, uma hora de frevo pernambucano quente.

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ACABOU A LUA DE MEL?

A recente pesquisa de aprovação do governo Bolsonaro, 38,9% da população, divulgada pelo Instituto MDA, difere da aprovação pessoal do presidente, que chega a 57%. Acho que cabem, pelo menos, dois comentários aqui. O primeiro é que pesquisa de opinião varia muito de acordo com o cenário, com o interesse do financiador, com a isenção de quem faz a pesquisa, etc. Esse instituto tem, dentre os seus clientes, o PMDB, o PSB, Governo de Minas, ANEEL, enfim, mostra que conhece o ambiente político, mas eu prefiro muito a independência. No passado eu vi uma pesquisa no qual 42% dos homens diziam “a mulher que não se dá ao respeito é estuprada”. Levei essa discussão para minhas aulas na pós-graduação com o intuito de mostrar que a gente pode produzir o resultado que quiser numa pesquisa dependendo da formulação da pergunta. Fiz um questionário com perguntas que induziam o respondente, meus alunos, para a resposta que eu queria. Muitos deles com convicções diferentes do que estava sendo perguntando responderam aquilo que eu esperava. Apenas para mostrar que isso é possível.

Não quero dizer que foi isso que ocorreu nesta pesquisa, mas eu tenho certeza de que chegar para uma pessoa e dizer “você aprova o governo Bolsonaro?” é diferente de contextualizar o momento do governo, antes de perguntar. Nenhum governo é capaz de produzir nada no mês de janeiro porque a aprovação do orçamento só ocorre após o início do trabalho da câmara, que volta em 01/02, então, não temos nenhum mês de governo, rigorosamente falando. Certamente, se há esse desencanto com o governo, é possível ter um viés de desconhecimento das prerrogativas legais, porque não há imediatismo.

O ponto contraditório é a reação do mercado. A Bolsa de Valores bateu recordes com a eleição de Bolsonaro e com a posse e suportou, até mesmo, a desvalorização das ações da Vale do Rio Doce devido ao desastre de Brumadinho. Ao que parece, esse pessoal não deve ter participado dessa pesquisa. A leitura econômica mostra que empresários continuam interessados nas implantações da medida. A reforma da previdência, no governo Temer, ninguém queria relatar. Agora, há uma disputa entre parlamentares. Não tem como negar tais mudanças.

O segundo ponto é o comportamento da equipe de governo e também dos filhos do presidente. A equipe é fraca. Destaca-se Moro e Paulo Guedes. O resto é um bando de malucos que não conseguem encaminhar propostas. O Ministro da Educação, calado seria um gênio, mas publicamente ele consegue, com um simples bom dia, causar um estrago sem dimensões para o próprio governo. Bolsonaro se deixou levar pela pressão das igrejas e vetou Mozart Neves, ex-reitor da UFPE e com um grande conhecimento na área de educação. Embora a obrigatoriedade de cantar o Hino seja fruto do governo petista, há coisas muito mais fundamentais a se fazer pela educação. Até o momento não sabemos qual será a prioridade do governo nessa área. Educação básica ou educação superior. Na primeira levar-se-á anos para formar um aluno. Na segunda são desenvolvidas pesquisas que podem contribuir com o ensino em todos os níveis.

Os filhos do presidente precisam entender que não estão numa reunião de condomínio. Bolsonaro é presidente, não síndico. Ele não foi colocado ali para pintar prédios. O que se espera é encaminhamento para problemas crucias do país, como o desemprego deixado pelas ações dos governos passados. É provável que o fato de não se ter geração de empregos tenha pesado nesse índice de aprovação. Particularmente eu continuo torcendo para que as promessas de campanhas sejam transformadas em projetos estruturadores para a economia.

Acho uma enorme perda de tempo ficar discutindo bobagem, mas acredito que é o despreparo que favorece essas babaquices. A população espera por emprego, renda, corrupção sendo combatida exaustiva e continuamente, violência diminuindo, etc. Moro levou a proposta anticrime e o que se sabe é que Rodrigo Maia coloque em pauta com as famigeradas emendas de abuso de poder. Aquelas mesmas que Deltan Dallagnol tanto criticou. Assim, seria muito bom que o Ministro da Educação apresentasse algo pró-educação, ao invés de ficar atirando no pé do governo ou cuspindo para cima.

A aprovação pessoal do presidente indica que a população ainda acredita. Mas, se o governo não agir, a lua de mel acaba e o casamento sobe no telhado.

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O HINO DO MINISTRO

Nosso Ministro da Educação baixou Portaria recomendando que as escolas cantem o Hino Nacional. Vamos ao tema. E começo lembrando que hino, por toda a antiguidade clássica, era nome dado aos cantos sacros. Só bem depois passou a ser uma exaltação à pátria. O primeiro hino entoado em terras brasileiras foi o Wilhelmus Von Nassauven. Aqui mesmo, no Recife, durante a ocupação holandesa (1630-1654). Em homenagem a Maurício de Nassau, claro. Mais tarde, em 1808, a família real se fez ao mar por temor a Junot, general de Napoleão. Toda gente sabe disso. O que poucos sabem é que trouxe, na bagagem, um Hino Nacional Patriótico Realista Lusitano. De Marcos Portugal. Para ser nosso Hino Nacional. Achando pouco, o próprio Príncipe Regente acabou escrevendo outro, o Imperial Constitucional – que, curiosamente, acabou se tornando Hino Nacional Português. E foi entoado na coroação de Dom Carlos. O único rei assassinado em Portugal, Regicídio, assim se diz do episódio. Mas essa é outra história. Certo é que nós brasileiros passamos a ter, portanto, dois hinos. Mas nenhum dos dois fazia sucesso.

Em 1889, veio a República. E durante dois meses, por compreensível mimetismo, acabamos usando emprestado o hino da França. Até quando Deodoro da Fonseca esbravejou: “Basta de Marselhesa”. Para escrever um novo hino nacional, o Governo Provisório convidou Carlos Gomes – consagrado autor de O Guarani, Fosca e O Escravo. Chegando a remeter para Milão, onde morava, cheque de 20 contos de réis-ouro. Uma fortuna, à época. “Não posso”, foi sua curta resposta. Era grato a Pedro II – por lhe haver garantido bolsa de estudos, na Europa. Poucos lhe louvaram esse gesto de reconhecimento e grandeza. A bolsa foi cancelada. Não se falou mais disso. E Carlos Gomes morreu desgostoso, logo depois.

A solução foi recorrer a concurso público, em que foram inscritas 29 músicas. Sendo apresentadas, no Teatro Lírico (Rio), as 4 finalistas. Depois, o que se ouviu, foi um silêncio constrangedor. Ninguém gostou. Nem a comissão julgadora. Então as fanfarras tocaram, espontaneamente, a Marcha Triunfal de Francisco Manuel da Silva – que nem escrita para ser hino foi. Mas era ela que o povo entoava pelas ruas, em momentos cívicos, desde 1821. Com Deodoro mandando o concurso às favas e encerrando a questão – “prefiro o velho”. O Brasil passava a ter seu hino oficial.

A letra veio depois. Como todos sabem, é de Osório Duque Estrada. Mas os versos não foram todos escritos como os cantamos, hoje. “De um povo heroico o brado retumbante” era “Da independência o grito retumbante”. “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido” era “Brasil um claro sonho, um raio vívido”. “De amor e de esperança à terra desce” era “Da fé no seu futuro às almas desce”. Na hora de cantar, alguns problemas acabaram sem solução. “Natureza” ganhou mais um E, virando nature-eza. “Grandeza” também, grande-eza. Como “Desce”, de-esce. “Colosso” passou a ter mais um O, colo-osso. Como “Penhor”, penho-or. Sem contar novas palavras que acabaram nascendo – como terradorada ou heroicubrado. Faz mal não. Viva nosso hino.

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