GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Pedro Malta, pesquisador da cultura popular nordestina

A grande dupla Ivanildo Vilanova e Valdir Teles numa cantoria em Fortaleza-CE

* * *

Valdir Teles e Ivanildo Vilanova glosando o mote:

Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

Valdir Teles

Logo após ser eleito está mudado,
cada um tem direito a secretária,
segurança, assessor, estagiária,
gabinete com ar condicionado,
vai lembrar-se do proletariado,
com favela e cortiço pra viver,
ou será que não vai se aborrecer,
com esgoto, favela, lodo e grude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

Ivanildo Vilanova

Pode ser um sujeito agitador,
boia-fria, sem terra, piqueteiro,
camarada, comuna, companheiro,
se um dia tornar-se senador,
vindo até se eleger governador,
qual será o seu novo proceder,
vai mudar, vai mentir ou vai manter
as promessas que fez de forma rude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

Valdir Teles

No período que um adolescente,
quer mudar o planeta e o país,
através dos arroubos juvenis,
vira líder, orador e dirigente,
mas se um dia ele sair presidente,
o que foi nunca mais poderá ser,
aí diz que o remédio é esquecer
as loucuras que fez na juventude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

Ivanildo Vilanova

Todo jovem, a princípio é sectário,
atuante, grevista, condutor,
antagônico, exaltado, pregador,
um perfeito revolucionário,
cresce, casa e se torna secretário,
veja aí o que trata de fazer,
leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

Valdir Teles

Quem vivia de luta e de vigília,
invasão, pichamento e barricada,
através disso aí fez a escada,
pra chegar aos tapetes de Brasília,
vai pensar no progresso da família,
no que faz pra do posto não descer,
nunca falta quem queira se vender,
sempre acha covarde que lhe ajude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.

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QUATRO TOLÔTES

Lendo o noticiário sobre a triste situação da Venezuela e do seu povo, submetidos à tirania do decadente e sanguinário ditador Maduro, me lembrei de uma imagem.

Uma imagem de um tempo recente.

Nela aparecem quatro tolôtes da bosta mais fedorenta que a ideologia babaquística sul-americana já produziu.

Confesso a vocês que tive ânsias de vômito quando olhei a foto.

Vejam que coisa horripilante:

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COMO DIZIA VINICIUS DE MORAES

Carlos Eduardo Gomes

O assunto do momento são as trapalhadas da Família Bolsonaro. Comparáveis às enrascadas do antigo grupo humorístico, formado também por quatro integrantes, Didi, Dedé, Zacharias e Muçum, “Os Trapalhões”. Só falta colocar aquela trilha sonora da abertura do antigo programa dominical para anunciar que lá vem trapalhada pelo Twitter. A diferença é que os trapalhões da arte, não afetavam a nossa vida e os trapalhões da política podem complicar muito a situação já bastante difícil do nosso país.

Jair e seus filhos são a oposição mais efetiva ao Governo Bolsonaro. Aparentemente envolvidos no submundo de desvio de recursos públicos (rachadinhas) e apoio político através de milicianos que controlam a vida e os votos em muitas comunidades nas periferias das metrópoles, os Bolsonaro precisam explicar muito bem essa situação para levarem a diante seu slogan moralizador “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. É exatamente isso que todos nós queremos: a verdade.

Para expor toda verdade que foi omitida dos brasileiros ao longo dos últimos quatro mandatos presidenciais, para dar transparência ao uso dos nossos escassos recursos, para moralizar e tornar eficiente o serviço público, para libertar o Brasil de compromissos ideológicos contrários a tradição da nossa diplomacia, para fazer as reformas constitucionais mais do que conhecidas e essenciais para nosso progresso, para tornar o Brasil um lugar bom para se viver, escolhemos o Capitão Jair Bolsonaro para liderar essa transformação.

Não falta coragem ao Presidente, não falta gente boa na sua equipe para ajudá-lo nessa tarefa, AINDA não está faltando boa-vontade nos eleitores e no Novo Congresso, mas o Capitão está mais comprometido com o sentimento de paternidade do que com seu patriotismo e com o mandato que lhe foi confiado. Ser presidente da república exige sacrifícios e entre eles está o de não poder escolher para quem governar, é preciso respeitar a Constituição e aplicar a lei para todos, incluindo familiares. É isso que esperamos de um bom presidente. É isso que o cargo exige.

O caso de Flávio Bolsonaro é preocupante. Está próximo demais de grupos criminosos. Será por descuido? Será que o Capitão Jair Bolsonaro sabia desse envolvimento do Zero Um com milicianos ao ponto de empregar familiares de chefes milicianos em seu gabinete? O conceito do Senador Bolsonaro 01 sobre milícias é assustador: “a milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos” foi o que disse num de seus discursos na ALERJ em 2007. Ele não considera crime a atuação das milícias que praticam todo tipo de extorsão, por exemplo.

No caso do Secretário da Geral da Previdência, Gustavo Bebiano, assistimos atônitos a participação escandalosa de Carlos Bolsonaro. Sem nenhuma necessidade do enorme desgaste para o Presidente. Motivo para a demissão havia, o que faltou foi o vereador carioca controlar seu impulso e deixar o caso para quem deveria cuidar do assunto com autoridade. Que o Zero Dois não tem. O que poderia ser uma troca de ministro por motivo justo, virou uma crise fora de hora para o Governo. Carluxo parece um filho mimado que faz pirraça para andar de carona no conversível e ir todo dia ao trabalho do pai só para ver como é.

Estamos vivendo um momento especial. A sociedade está consciente e disposta a promover os ajustes econômicos necessários para o equilíbrio financeiro do Estado. Só a Previdência Social Custa R$ 680bi por ano, desse custo os 20% mais pobres custam R$ 20bi e os 20% mais ricos R$ 280bi e fica um buraco de R$ 220bi, para o Tesouro cobrir com venda de patrimônio, ou aumento do endividamento. Está mais do que na hora dos Trapalhões entenderem que boca fechada não entra mosquito. Não está na hora de chamar inimigo para a briga. Dane-se que a Globo não gosta do Bolsonaro, se fizer o trabalho direito, eles vão aprender a gostar.

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?

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UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

Mote desta colunista

Eu sei que o mundo não é
Só graça, só alegria,
Mas por nada eu perderia
No bom Deus a minha fé
E por isso estou de pé
Não sou mulher pessimista
Sou poeta cordelista
Não dou aval a desgraça
Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

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A ARTE DE QUEBRAR A CARA

José Paulo Cavalcanti Filho

Faz muito tempo. Em 1969, os militares pediram gentilmente (nem tanto) que não estudasse mais por aqui. E em nenhum outro lugar, se possível. Eram anos escuros, amigo leitor. Acabei indo para Harvard. Eles gostaram. Eu também. E seguiu a vida. Já em Cambridge, vi notícia de conferência no quadro de avisos – ainda não havia internet, então. Paul Samuelson, que viria a ser Nobel de Economia no ano seguinte, faria conferência sobre O que vai acontecer, pelo mundo, na década de 1970. Cheguei cedo. Ele falou sobre tudo. Mas nada sobre a América Latina. Nem para dizer que a volta da democracia estaria próxima, por lá. Talvez por não acreditar nisso. Na fase das perguntas, levantei e disse, com toda a impertinência (lamentável) dos verdes anos: “Professor, quero lhe fazer um favor”. Quis saber qual era. “Se andar para o Sul vai ver que, depois do México, há muitos outros países. Trata-se da América Latina. E o senhor se esqueceu de nós”. Após o que sentei, orgulhoso. Sem me dar conta de que logo iria lamentar essa fala.

O velho professor, tranquilo, respondeu: “É que vim dizer apenas o que vai acontecer de importante na década de 70, meu jovem. E na América Latina, de relevante, não vai acontecer nada”. Risos gerais. Gargalhadas. Me encolhi na cadeira. Rezando para que os poucos amigos já feitos, ou companheiros de sala, não me vissem. Depois, condoído com meu abatimento, o professor veio vindo em minha direção e disse: “Gostei de sua pergunta”. Recuperando um pouco da autoestima, balbuciei: “E, eu, de sua resposta”. Mentira, claro.

Penso agora em nosso Brasil. E vejo que a arte de quebrar a cara talvez não seja privilégio só meu. A começar pelo ex-ministro Bebianno. Mas também lembro da mitologia grega. Onde nasceram lendas de filhos matando seus pais. Como Zeus, que matou Cronos. Ou Édipo, que matou Laio. E de Roma, com Brutus assassinando Cesar – kai su, teknon; assim, em grego, foram ditas suas últimas palavras (tu também, filho). No caso de nosso presidente, são logo três. Mais um primo (ou o que lá seja), Índio, participante já de 58 reuniões no Planalto (mesmo sem ter nenhum cargo). Como Os 3 Mosqueteiros, de Dumas (pai), que eram quatro. Tudo sugerindo que bom seria Bolsonaro mostrar logo, aos filhotes, o caminho de casa. Que, nessa pisada, o risco de ser ele o próximo a quebrar a cara vai ser grande.

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DÚVIDA

Coreia do Norte pede ajuda à ONU diante de previsão de fome em 2019

O governo da Coreia do Norte pediu ajuda às Nações Unidas e a organizações humanitárias nesta quinta-feira, 21, para contornar a escassez de alimentos no país.

Segundo a ONU, Pyonyang estima que sofrerá neste ano carência de 1,4 milhão de toneladas de alimentos básicos, como trigo, arroz, batata e soja.

O apelo do regime de Kim Jong-Un se dá a apenas seis dias de seu segundo encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Hanói, no Vietnã, para discutir o processo de desnuclearização da Península Coreana e um possível acordo de paz definitivo.

Kim Jong-Un: ou fome ou fim do programa nuclear

* * *

Uma dúvida da porra:

Eu só queria saber em que parte do planeta Terra o comunismo deu certo.

Vocês sabem?

Aguardo retorno de quem souber. Tô sem tempo pra pesquisar.

Os zisquerdistas brasileiros fiquem à vontade pra se pronunciar e usar o espaço aberto e democrático desta gazeta escrota.

Estou esperando seu pronunciamento, Dona Jandira Grelão, linda, sensata e destacada líder do PC do B, grande entusiasta do regime da Coréia do Norte.

 

Uma foice-martelada banânica que adora perder peso fazendo o regime alimentar norte-coreano

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O TELEGRAMA

Violante Pimentel

Minha mãe me contou. Era um começo de noite em Nova-Cruz (RN), quando meu pai chegou do trabalho, trazendo um telegrama vindo de Natal.

À luz de candeeiro, ele leu o telegrama em voz alta, onde viu escrito: “PROFESSOR CELESTINO MORREU.”

Minha mãe, filha de Celestino Pimentel, tomou o telegrama, leu novamente, e gritou: Não foi meu pai que morreu!!! Aqui está escrito “PROFESSOR CLEMENTINO MORREU”.

Muito choro na sala, principalmente da minha avó Júlia, prima/irmã de Clementino Câmara e das tias que tinham estudado em Natal, na sua casa.

Sempre ouvi minha avó falar com muito carinho desse primo/irmão, que ficou órfão de pai aos dois anos de idade, e de mãe, aos nove. Apesar do pai ter sido senhor de engenho, dono de terras e escravos, depois de sua morte, a família passou sérias dificuldades.

Clementino Câmara Nasceu na Praia de Pipa, em Tibau do Sul (hoje, Município de Goianinha), a 17.01.1888

Dona Júlia, minha avó paterna, dizia que Clementino aprendeu a ler atrás da porta, ouvindo aulas particulares.

Ainda garoto, em Natal, começou a trabalhar como serralheiro e depois como operário de fábrica de tecidos (Patronos e Acadêmicos, V. II, p. 194 – Veríssimo de Melo).

Aos 17 anos, em Natal, matriculou-se num Externato, completando sua alfabetização..

Começou a ensinar aos próprios colegas de classe, que tinham mais dificuldade em aprender.

Aos 18 anos, ensinava particular nas residências e também na casa onde morava em Natal, na antiga Rua dos Tocos, cuja sala foi transformada em sala de aula.

Já casado, numa das aulas particulares, mandou para casa, por mau comportamento, o aluno JOÃO CAFÉ FILHO Motivo: Ao ser chamado à atenção, o aluno, muito insubordinado, deu “uma banana” à dona Hilda, esposa do professor. Na época em que não se dizia palavrão, esse gesto significava uma grande irreverência. Professor Clementino nunca imaginou, que, décadas depois, esse aluno insubordinado chegaria à Presidência da República do Brasil, como chegou (Café Filho foi presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955. Filho de Presbítero da Igreja Presbiteriana, foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a Presidência da República do Brasil (junto com Ernesto Geisel).

Professor Clementino Câmara tornou-se autodidata, dedicando-se à leitura de jornais e se interessando pela História do Brasil e do Rio Grande do Norte.

Firmando-se como professor particular, fez boas amizades e conseguiu emprego num jornal da cidade, chegando a trabalhar como redator. Tempos depois, foi convidado para lecionar no Atheneu Norte-Rio-Grandense e posteriormente na Escola Normal, onde chegou a exercer o cargo de diretor. Sua disciplina era História e Geografia do Rio Grande do Norte.

Publicou as seguintes obras: “Revelações”, “Geografia e História do Rio Grande do Norte”, “Décadas”e “Romance do Atheneu”.

Clementino Câmara, além de professor, consciente das funções que exercia e da dedicação com que assumiu o magistério durante toda a sua vida, tinha dois posicionamentos não aceitos pela Igreja católica, nem pela forma de governo da época. Ele havia assumido sua função de intelectual, junto à Maçonaria e à Igreja Presbiteriana. Os dois posicionamentos se opunham aos princípios religiosos dominantes.

Pesquisou a linguagem popular e os costumes do povo do agreste, do campo e das praias, fazendo anotações, que se tornaram preciosas em sua vida literária. Transformou sua longa pesquisa em livro, ao qual deu o título de “GERINGONÇA DO NORDESTE.” (1937)

Esse livro merece uma especial atenção, pelo fato de ter sido censurado durante o Estado Novo. O livro buscava tratar a questão do estudo realizado por Clementino Câmara, sobre os termos falados pelas classes populares do sertão, agreste e praias do Nordeste. Na verdade, era um grande dicionário de gírias populares e que, por se tratar de um patrimônio intelectual da cultura potiguar, deveria ser publicado pelo governo do Estado, com base na lei estadual 145, que versava sobre o custeio de publicação de livros escritos por autores potiguares.
A recusa veio, então, pelo interventor Rafael Fernandes Gurjão, por meio do parecer emitido por uma comissão que julgara o livro como “ INADEQUADO E ATÉ PERIGOSO” para os jovens que porventura o lessem.

Por falta de sorte, o requerimento foi parar nas mãos do Cônego Amâncio Ramalho, Diretor do Departamento de Educação do Estado e guardião dos interesses do Estado Novo, em se tratando de política educacional. O trabalho foi jogado no Arquivo Público Estadual, como se fosse lixo.

Em 1986, conforme relata Geraldo Queiroz (op. cit., p. 17 a 21), localizou-se um processo no Arquivo Público Estadual datado de 4.10.1937, no qual Professor Clementino Câmara, invocando a lei estadual nº 145, de 6 de agosto de 1900, de incentivo à cultura, sancionada pelo então Governador Alberto Maranhão (V. “MARANHÃO, Alberto Frederico de Albuquerque”, Século XIX), solicita a publicação de um estudo sobre as classes populares do sertão, agreste e praias do Nordeste, onde colhera elementos para constituir um vocabulário típico e que, assim entendia, logo seria incorporado ao léxico. O Governador, à época Rafael Fernandes, que em pouco tempo seria Interventor, indeferiu o requerimento, face ao parecer contrário recebido. Entre outros argumentos, alegava-se o realismo de certas expressões que não podiam cair em mão de pessoas de pequena idade. (Na verdade, Dr. Edgar Barbosa, um dos Membros da Comissão, aprovara-o, reputando-o como ótimo glossário de modismos, dos mais completos que já se editaram no Brasil. Acompanhando-o, apenas sugerira a exclusão de alguns termos; o terceiro membro, Sr. Véscio Barreto, omitira-se e o Cônego Amâncio Ramalho, na condição de Diretor do Departamento Estadual de Educação, encaminhara a decisão).

Cinquenta anos depois, “post mortem”, ironicamente, seu trabalho seria reconhecido. Clementino Câmara, primeiro ocupante da Cadeira nº 19 da Academia Norte-rio-grandense de Letras, é nome de rua, de escola e de Loja Maçônica, em Natal. Faleceu, em Natal, a 18 de setembro de 1954. Levou para o túmulo essa mágoa.

Mas, se isso serve de consolo, cinquenta anos depois, seu trabalho foi encontrado no Arquivo Público Estadual, resgatado e estudado por um aluno de pós-graduação da UFRN, que o usou como tese. Após aprovação da tese pela Comissão Especial da UFRN, o livro do Professor Clementino Câmara, GERINGONÇA DO NORDESTE foi publicado, com o subtítulo A FALA POPULAR DO POVO, onde na capa figura apenas o nome do autor Geraldo Queiroz, e já está na 2ª Edição (Natal -2009).

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