BARCOS DE PAPEL – Guilherme de Almeida

Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde tímida e lavada,
Eu saía a brincar, pela calçada,
Nos meus tempos felizes de menino

Fazia, de papel, toda uma armada;
E, estendendo o meu braço pequenino,
Eu soltava os barquinhos, sem destino,
Ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais:
São feitos de papel, são como aqueles,

Perfeitamente, exatamente iguais…
– Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

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QUEM, QUEM, QUEM ???

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, saiu em defesa dos auditores fiscais que investigam o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Em mensagem veiculada no Twitter, Deltan anotou que “Ministério Público e Executivo devem garantir a independência da atuação dos auditores.”.

O procurador reagiu com ironia ao pedido de Gilmar para que seja investigado suposto “abuso de poder” dos investigadores que apuram ‘focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência’ atribuídos ao ministro e à mulher dele, a advogada Guiomar Mendes.

“Pode o investigado determinar investigação dos investigadores?”, indagou Deltan.

“Era essa inversão de papeis que o projeto de abuso de autoridade proposto contra a Lava Jato fazia, defendido adivinhem por quem…”.

* * *

O Procurador Deltan faz uma pergunta instigante no seu Twitter:

“Adivinhem por quem…”.

Fiquei encucado.

Vocês, os antenados leitores deste blog seriam capazes de me dizer quem é este “quem”.

Hein?

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A TRAGÉDIA BRASIL

Os antigos diziam que quando Deus criou o mundo juntou num pedaço da América do Sul um país com uma costa gigantesca e belas praias, ouro nas montanhas e sol nos dias de verão. Sem terremotos, vulcões, tsunamis nem outros acidentes naturais. Então, o anjo Gabriel chamou Sua atenção para a injustiça de tal privilégio. Consta que o Criador explicou: “vais ver o povinho que porei lá”. É uma piada preconceituosa e inominável diante de tudo o que tem acontecido ultimamente nestes tristes trópicos, neste país do carnaval e do futebol, a superar em tragédia o teatro grego antigo, culminando com a coincidência de mesclar paixão coletiva e dor pessoal.

O incêndio do Centro de Treinamento (CT) do Flamengo com 10 mortos e 3 salvados do fogo parece mais um castigo divino, mas não é. É conjunção de canalhice com descaso, desídia e desumanidade, que já se haviam manifestado no incêndio do Museu Nacional e no estado lastimável que impede visitas ao Museu da Independência, no Ipiranga.

Essa mistura transforma nosso passado num monturo onde enterramos nossas oportunidades de aprender com erros e acertos que já cometemos. Os rejeitos minerais da Vale em Mariana, que mataram o Rio Doce, num descomunal assassinato ambiental, não serviram de alerta e três anos depois a lama seca de Brumadinho apodrece o Paraopeba e se prepara, de forma lenta, mas incansável, para emporcalhar Três Marias e trucidar o Rio São Francisco, o Velho Chico, “rio da unidade nacional”.

O Estado brasileiro, controlado por burocratas e políticos corruptos, se acumplicia a empresários gananciosos que exploram nossas riquezas e massacram nossos pobres à jusante de represas, expondo-os por cupidez às ondas de dejetos que sufocam humanos, bovinos e peixes. O Criador poupou-nos de vagalhões e lavas, mas os beneficiários do uso e furto dos bens públicos os substituem pela mortandade por susto, bala ou vício. Essa Medusa, que nunca encontra Ulisses de volta a Ítaca, reproduz em sua saga milhões de cabeças vorazes que despedaçam a ventura dos humildes.

Os meninos do Flamengo são talentosos e quase todos pobres, mais do que arrimos, o que resta de fé para seus parentes e amigos. Quando sucumbem à indiferença de dirigentes de má-fé, que usam a paixão do povo como combustível para sua fortuna, fundida num bezerro de ouro insaciável, levam para a morada final as esperanças de seus entes queridos.

O pior de tudo é que os dirigentes de Vale, Museu Nacional, Museu da Independência e Flamengo, e prefeitos que escorcham os munícipes com vultosos impostos (casos do Rio inundado e desprovido de programas públicos eficientes contra inundações e desta Piratininga de viadutos rachados caindo aos pedaços), são beneficiários da pior de todas as ofensas, a impunidade. Os mandachuvas do popular rubro-negro da Gávea, os mesquinhos da mineração que não gastam com segurança nem pagam multas e os gestores públicos e privados que se escondem das penas que deviam pagar em capas de pleonasmos nunca purgarão os seus crimes com vil metal ou perda de liberdade.

A tragédia Brasil tem a agravante de não contar com o deus ex-machina do teatro grego, aquela solução final implausível em que os justos são recompensados e os culpados, punidos. E às vítimas só resta reclamar, em vez de apoiar, aplaudir, glorificar, eleger e até endeusar os vilões que as massacram.

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DÚVIDA

A juíza federal Gabriela Hardt determinou que o cartório de imóveis em Atibaia formalize o confisco do sítio Santa Bárbara.

O sítio é o pivô da nova condenação de Lula na Lava Jato, a 12 anos e 11 meses de prisão.

Segundo a sentença, o corrupto e lavador de dinheiro recebeu R$ 1 milhão em propina na forma de reformas feitas na propriedade por Odebrecht, OAS e Schahin.

Hardt determinou que o sítio seja bloqueado por ser produto dos crimes de Lula.

* * *

Fiquei em dúvida…

Esta expressão “bloquear o sítio” seria mandar colocar um cadeado no portão do sítio, de modo que não se pudesse nem mais fazer churrasco por lá?

Hein?

Sou tapado nestes assuntos jurídicos e peço ajuda aos leitores especialistas em direito. 

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BABAQUICE MIDIÁTICA

Amigo meu me mandou um pequeno texto pelo zap.

Um texto irônico que resume muito bem como é que a grande imprensa banânica trata o presidente que tomou posse há pouco mais de um mês.

Vejam:

O presidente Bolsonaro convidou o papa para almoçar num barco para desfrutar as belezas do Rio de Janeiro, e o papa aceitou.

Durante o almoço, uma ventania levou o chapéu do pontífice jogando-o na água. A tripulação e os serviços secretos organizavam um barco para ir buscá-lo, quando o presidente interveio, dizendo:

– Deixem, rapazes, eu vou buscar.

Bolsonaro desceu pelo lado da embarcação, andou sobre a água na direção do chapéu, pegou-o, caminhou de volta sobre a água, subiu e entregou ao papa o seu chapéu.

Todos presentes ficaram sem palavras. Ninguém sabia o que dizer, nem mesmo o papa.

No mesmo dia, NBC, CBS, EL PAIS, LE MONDE, ESTADÃO, VEJA, MSNBC, FOLHA DE SP, GLOBO, GLOBO NEWS e todos os grandes órgãos da imprensa deram a sua versão do fato.

A manchete foi esta:

BOLSONARO NÃO SABE NADAR!!!

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REZA PRA SOLTAR LADRÃO

Depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no processo referente ao sítio de Atibaia (SP), nesta quarta-feira, 6, a defesa do petista afirmou que recorrerá da decisão, classificada como “perseguição política” no comunicado divulgado pelo advogado Cristiano Zanin Martins no início da noite.

O defensor diz também que levará a sentença ao Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Lula foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no recebimento de 1 milhão de reais em propina das empreiteiras Odebrecht e OAS, além do pecuarista José Carlos Bumlai, por meio de obras e reformas na propriedade no interior paulista.

* * *

Eu acho que ao invés de apelar para o Comitê de Direitos Humanos da ONU, o Dr. Cristiano Zanin, advogado de Lula, deveria mesmo era procurar Dona Gina, a maior catimbozeira de Palmares.

Ela resolve tudo, cura tudo e até mesmo consegue tirar bandido da cadeia com suas rezas brabas.

No caso de Lula, só mesmo Dona Gina pra conseguir dar um jeito.

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NÃO É HORA DE CHORAR POR LULA

Goiano Braga Horta

Berto me convida para retomar a coluna que mantinha no Jornal da Besta Fubana e a hora seria propícia para comentar a segunda condenação de Lula, por doze anos e meio de prisão, no caso do Sítio de Atibaia.

Ainda não pude ler o inteiro teor da sentença, entretanto algumas notícias já nos dão idéia de barbaridades que continuam a ser cometidas pelo chamado livre convencimento do juiz, uma vez que as amostras do noticiário já parecem indicar que dentre uma série de barbaridades, a mais gritante se repete: – Não se pôde demonstrar a prática, por Lula, de atos concretos de “ajuda” a empresas corruptas para que elas pudessem ter vantagens ilícitas na obtenção de contratos com a Petrobras.

O juízo da 13ª Vara da Justiça Federal insiste em julgar por suas próprias razões, convencidos os julgadores de que, a uma, Lula recebeu vantagens distribuídas por empreiteiras, a duas, que essas vantagens só podem constituir contrapartida e, a três, que a forma de receber os “presentes” é, sem dúvida, lavagem de dinheiro.

Tanto quanto se sabe, nem no caso do tríplex, como nem no caso do sítio, algum delator teve a cachimônia de denunciar que Lula recebeu os favores por ter feito isso, aquilo e mais aquilo outro em favor de empresas, de modo que sequer as delações, tidas como provas, ou formadoras de um conjunto indiciário, carregariam o poder de garantir a atuação desonesta de Lula – que mais não fora, se o fosse, de fechar os olhos a favores feitos por empresas interessadas em estar bem na fita com um ex e, muito provavelmente, futuro presidente do Brasil, ou, que tanto não fosse, autoridade de destaque na república.

Vários juristas se debruçam sobre a questão do convencimento do juiz formado pela análise de indícios trazidos em delações e corroborados por outros indícios, condenando essa forma de fundamentação de sentenças condenatórias que correspondem à afirmação de que o cachorro entra na igreja porque encontra a porta aberta, como é o caso do advogado criminalista Guilherme Kuhn.

Bem, seria esse o material que eu começaria a explorar hoje, inaugurando esse regresso digamos assim oficial.

Mas o momento não é disso, a hora é de chorar e rezar pelas vítimas das recentes tragédias brasileiras em Brumadinho e no Ninho do Urubu do Flamengo, além dos demais mortos e feridos pelas recentes tempestades – não de chorar por Lula.

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