A PALAVRA DO EDITOR

REPÚBLICA BANANÍFERA

Pra um país que já teve Lula e Dilma na Presidência, ter Renan comandando o Senado é uma coisa normal.

Acrescente-se a isto o fato de que Dias Toffoli é o Presidente do Poder Judiciário.

Indubitavelmente, somos a República Federativa de Banânia!!!

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO SELECIONADO

MAIS CHIFRE

Comentário sobre a postagem O TEMA É CHIFRE

Violante Pimental:

Prezado Editor:

Olhe o arrependimento de Dalva de Oliveira, infeliz na união com Herivelto Martins, o seu grande amor…

* * *

Nota do Editor:

Cara amiga, na letra contida neste vídeo que você nos mandou, logo na abertura tem este trecho:

“Errei, sim
Manchei o teu nome”

Na verdade, ela não manchou o nome do macho. O que ela fez foi embelezar a testa dele botando uma linda gaia.

Aliás, as brigas entre Dalva e Herivelto, um botando gaia no outro, foram excelentes pra música brasileira. 

J.R.GUZZO

MELHOR ASSIM

A vida de presidente de país subdesenvolvido tem mais espinhos do que rosas, como é bem sabido, e um desses espinhos é o Fórum Econômico Mundial de Davos. Um chefe de governo da Alemanha ou da Austrália, por exemplo, vai lá quando os seus assessores julgam conveniente que ele vá, cumpre em 24 horas, ou menos, o programa definido por eles e volta para casa. Não lhe passa pela cabeça apresentar alguma demonstração concreta da possível utilidade pública de sua viagem aos Alpes da Suíça, e menos ainda ser julgado pelos “resultados” que obteve. Já o chefe de governo de um país tipo Brasil, digamos, tem de “performar”, como gostam de dizer os executivos de hoje em dia. Começa a ser cobrado antes de desembarcar em Davos, e não tem mais sossego até esquecerem do assunto uns dias depois de sua volta à Brasília. Quantos bilhões de dólares em investimentos ele conseguiu atrair para a economia brasileira? “Interagiu” direito com os líderes mundiais que estavam ao seu redor? Foi elogiado pelos sábios das ciências econômicas, políticas e sociais presentes? Já é muito difícil, em condições normais de temperatura e pressão, atender às expectativas da banca examinadora. Se o presidente da República se chama Jair Bolsonaro, então, como é o caso no presente momento da nossa história, aí você já pode esquecer: vai voltar de Davos com um zero no boletim, seja lá o que tenha feito ou deixado de fazer durante sua participação no evento.

Bolsonaro, por tudo o que se disse dessa sua estreia no cenário internacional, não conseguiu acertar uma. Levou para Davos uma comitiva pequena demais, o que, segundo a crítica, mostrou o seu pouco caso com a grandiosidade da conferência. Ficou num hotel excessivamente barato, o que seria um desprestígio para a majestade do Estado brasileiro. Foi almoçar num bandejão do centro da cidade, por 19 francos suíços; foi condenado pela prática de “demagogia barata”. Pior ainda: causou, potencialmente, prejuízos econômicos de valor inestimável para o Brasil, já que deveria ter aproveitado a hora do almoço para levar “grandes investidores”, etc., a algum restaurante de primeira classe e, assim, fechar negócios vitais para o interesse público nacional. Que investidores? Que negócios? Não foram fornecidas informações a respeito. Seu discurso, de oito minutos, foi acusado de ser “muito curto”, sem que os inquisidores especificassem qual seria a duração correta, em sua avaliação, da fala presidencial. Quinze minutos? Vinte? Meia hora?

O conselho de sentença se manifestou particularmente chocado com o que considerou a “superficialidade” das palavras de Bolsonaro. Não esclareceu, em nenhum momento, qual o nível de profundidade que o discurso deveria ter atingido, nem fez qualquer comparação com os discursos dos quatro outros presidentes brasileiros que foram a Davos ─ Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. O que teria qualquer um deles dito de útil, inteligente ou inovador para escapar da reprovação por “superficialidade”? De Fernando Henrique ninguém se lembra mais nada. Lula falou que os “países ricos” deveriam se comportar melhor com os países pobres, ou alguma coisa com esse grau de originalidade. Dilma, na prática, entrou muda e saiu calada ─ o que com certeza foi uma grande sorte para todos, levando-se em conta as coisas prodigiosas que costuma dizer a cada vez que abre a boca para falar em público. Temer revelou que era importante “fazer a reforma da previdência” ─ o que, francamente, não impressionou ninguém pela profundidade. Em suma: nada que se possa aproveitar nestes últimos 25 anos. Mas como Bolsonaro é Bolsonaro, sua participação foi julgada “um fiasco histórico”.

Tomando em consideração isso tudo, a melhor coisa que Bolsonaro fez em Davos foi não ter comparecido à entrevista coletiva à imprensa que estava no programa ─ e na qual só iria receber perguntas com o teor de qualidade mental que se percebe acima. Com uma cirurgia altamente complicada para dali a três dias no Hospital Albert Einstein (tanto que acabaria tendo 7 horas de duração), preferiu repousar um pouco. O público não perdeu absolutamente nada com a sua decisão. O presidente poupou seu tempo e saúde. Melhor assim.

A PALAVRA DO EDITOR

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CESAR IZIDORIO – FORTALEZA-CE

Boa tarde, Berto.

Quando eu era minino pequeno lá em Missão-Velha-CE, o meu pai Vicente Gomes Linard, tinha uma bodega que se chamava “A SAMARITANA” que vendia de tudo um pouco. (voz do povo: se não tiver na Samaritana, não tem em lugar algum).

Do Almanaque do Pensamento à Sianinha, citados no excelente Romance da Besta Fubana.

Hoje tenho 66 anos e resido em Fortaleza-CE.

Fraterno abraço.

R. De fato, dentro as mil coisas que lá estão citadas, o Almanaque do Pensamento e a fita de costura sianinha estão mesmo no meu livro, que você generosamente chama de “excelente”. 

Brigadão, meu caro leitor.

Fiquei feliz com sua apreciação.

O livro está zerado, esgotado, totalmente vendido. Uma nova edição deverá sair ainda neste ano da graça de 2019.

A Editora Bagaço é administrada por conterrâneos de Palmares. Conhecendo bem o meu povo, vou ficar torcendo para que o livro fique pronto antes do Natal… Vamos rezar!

Como sou muito inxirido, aproveito a oportunidade que você me deu, caro leitor, pra transcrever a orelha da 1ª edição d’O Romance da Besta Fubana, lançada há 35 anos.

Uma orelha que foi escrita pelo saudoso Ênio Silveira, um dos maiores nomes no mundo do livro do Brasil no Século XX, fundador da Editora Civilização Brasileira e um dos ícones deste campo.

Capa da primeira edição de O ROMANCE DA BESTA FUBANA, de autoria do grande artista mineiro Cláudio  Martins – Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1984

* * *

O ROMANCE DE BESTA FUBANA

Ênio Silveira

Assim como o padre escondido na penumbra do confessionário, ou o psicanalista supervisionando seu rendoso divã, o editor se vê submetido diariamente às manifestações mais contraditórias da capacidade de enredo que é própria à condição humana. Grandeza e mediocridade, audácia e timidez, auto-segurança e incerteza se apresentam diante de seus olhos em cada texto que recebe e lê (há editores que não se dão pessoalmente a tal prática, delegando a tarefa a seus assessores, mas eu, que ainda sou mais artesão do que industrial sofisticado, examino-os um por um). Ao contrário, porém, daqueles seus “colegas”, que dispensam orações e conselhos sem se envolverem emocionalmente, ele se encontra depois diante da cruel e difícil obrigação de dar ou não dar guarida – e divulgação – ao trabalho alheio, o que muitas vezes poderá iniciar, ou prosseguir carreiras literárias, ou simplesmente desencorajá-las.

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DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM MOTE BEM GLOSADO

José de Souza Dantas glosando o mote:

Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

No lugar que nasci e fui criado,
Todo dia a saudade me aperta,
Bate forte em meu peito e me alerta
Pra lembrar bons momentos do passado,
Tiro um tempo para ficar sentado
Meditando com mais profundidade,
Confiante sentindo-me à vontade
Vendo o mundo, a paisagem, fauna e flora.
Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

Toda vez que visito o meu sertão,
Passo uns dias na casa dos meus pais,
A saudade que sinto dói demais
Que não cabe dentro do coração,
Tenho viva toda recordação
De papai na nossa propriedade,
Que partiu para outra eternidade,
Não está entre nós e foi-se embora.
Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

* * *

Um folheto de Franklin Maxado

A BELA HISTÓRIA DE JACI – A PROSTITUTA VIRGEM E SANTA

Nossa vida, minha gente
É cheia de contradições
As vezes, o que se vê
Em muitas situações
Não é a realidade
São apenas ilusões

Aqui conto um caso desses
Como enganam as aparências
Uma moça que ninguém diz
Olhando suas vivencias
Seja virgem e muito santa
Apesar de experiências

Jaci era uma dessas
Mulheres fáceis da vida
Adotou a profissão
Passando-se por perdida
Para poder sobreviver
Sem depender de acolhida

Feita esta explicação
Vamos contar sua estória
Feita com muito amor
Da derrota fez vitória
E nisso está seu louvor
Na conduta meritória

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A PALAVRA DO EDITOR

VÍCIO INCURÁVEL

Ontem, 31 de janeiro, fechamos o mês com um número significativo.

Este blog escroto foi acessado 2.869 vezes nesta quinta-feira!!!

Foi o maior número desde que inauguramos este novo espaço.

Vou torcer pra que em breve a gente ultrapasse a média de 3.000 acessos diários.

Brigadão aos viciados do Brasil e do mundo.

Tenham todos um excelente final de semana!

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

ANTES DO GALO SAIR

Fernando Antônio Gonçalves

Ás vésperas de mais uma saída sempre triunfal, no Recife, do Galo da Madrugada, uma editora brasileira relançou um manual didático diferenciado . Um manual que ensina como se defender de “ispertos” postulantes a cargos eletivos, todos eles recheados de promessas mirabolantes, algumas até envolvendo as próprias Forças Armadas . Denominada COMO NÃO SER ENGANADO NAS ELEIÇÕES, tal cartilha aponta os truques e as vadiagens (e viadagens) utilizados numa campanha eleitoral (atenção para 2020!), as frases de efeito, as encenações ilusórias, as falsas pesquisas, os efeitos visuais, as dicotomias superadas (esquerda/direita, moço/velho, usineiro/camponês), algumas delas ainda em plena vigência nos núcleos eleitorais mais desatentos.

A proposta do Manual é simples, ainda que oportuníssima. Através de um texto didático, leve, recheado de bom humor, estruturado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, casos concretos serão explicitados tim-tim por tim-tim, favorecendo esclarecedoras discussões em ambientes sociais.

Neste muito trepidante milênio, um cuidado especial deveria ter todo eleitor de bom senso, cidadania calibrada, cabeça acima da bunda e bem distante dos emocionalismos cavilosos praticados pelos candidatos oportunistas. A lição de John Lukacs , analista social e ganhador do Prêmio Ingersoll, bem traduz essa preocupação: “Devemos tomar cuidado com a tentação perigosa de ver a História basicamente do ponto de vista do presente, embora tenhamos consciência de que o que sabemos no presente seja um reflexo inerente à nossa visão do passado”.

Nada ameaça mais um regime democrático que a gestão daqueles que desconhecem a tese fundamental, límpida e cristalina para os mais conscientes: “em toda democracia, as respostas são difíceis diante de uma demanda facilmente induzida”. Nesta semifalida sociedade brasileira, versão 2019, Brumadinho como exemplo maior, é preciso ampliar a noção sobre os nossos erros e acertos, omissões e fragilidades comportamentais. Repensar acerca das indecências sociais que redundaram no atual estado de coisas. Sem carecer apontar quem acertou ou errou, posto que os erros e os acertos são de todos nós, brasileiros .

Acima das ideologias e resguardadas as individualidades, faz-se mister um inadiável repensar nacional/regional/estadual/municipal, apreendendo com eficácia a advertência famosa de Ortega y Gasset: “Como é possível as rãs discutirem sobre mar, se nunca saíram do brejo?”. Urge que a nova classe média brasileira saiba discutir sobre mar, sem os moralismos faniquiteiros que não a levaram a nada nos últimos cem anos, salvo a ter mais medo de tudo, de todos e de um amanhã plúmbeo que já nos ameaça de longa data.

Nós, às vezes , ficamos muito seguros do nosso aprendizado do passado. E sentimo-nos bem fundeados sobre coisas que aprendemos quando éramos moços, perdendo, por essa ingenuidade, o bonde da história. Porque o bonde sempre está em movimento e com uma velocidade cada vez maior. E quando as pessoas perdem esse bonde , começam só a olhar para o passado, nostálgicas, sem qualquer sintoma reoxigenador.

O educador baiano Anísio Teixeira posicionava-se admiravelmente: “Eu não tenho responsabilidade nenhuma com as minhas ideias. Eu tenho, sim, uma responsabilidade com a verdade”. Quem tem esse grau de maturidade, sabe andar. Quem não tem, apenas continua sobrevivendo mal, atrelado ao me-disseram antissocialmente mundano. Saindo no Galo da Madrugada, na turma do tabaco leso.

No mais, saber divertir-se sem exageros, preparando-se para um ano 2019 repleto de reformulações estruturais amplamente indispensáveis. E barragens criteriosamente auditadas