REPÚBLICA BANANÍFERA

Pra um país que já teve Lula e Dilma na Presidência, ter Renan comandando o Senado é uma coisa normal.

Acrescente-se a isto o fato de que Dias Toffoli é o Presidente do Poder Judiciário.

Indubitavelmente, somos a República Federativa de Banânia!!!

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DAVOS MESMO?

Marcelo Alcoforado

Por que tanta miséria no mundo? ― eis uma pergunta recorrente, tanto quanto recorrente é a miséria. E não imagine ser um problema exclusivamente brasileiro, não. Tirando os ricos, é problema do mundo inteiro. Então comece a se estarrecer com a frieza dos números, recentemente divulgados em toda a imprensa.

Apenas 26 homens ― bilionários, obviamente ― têm mais dinheiro do que 3,8 bilhões de pessoas. Quem afirma é Winnie Byanyima, diretora da Oxfam, uma ONG internacional, que fez a revelação semana passada, quando da abertura do Fórum de Davos.

Para ela, as desigualdades extremas estão descontroladas, o que impõe aos governos abandonar promessas e obrigar bilionários como Jeff Bezos e suas empresas a pagar impostos maiores e mais volumosos. O abismo entre ricos e pobres sabota a luta contra a pobreza, porque traz a fome como prato principal e a revolta como sobremesa. É impossível atenuar a ira diante de uma família esfomeada e, como é sabido, a fome é má conselheira.

Quando você vê aqueles africanos esquálidos morrendo de fome e de doenças dela provenientes, se horroriza, não é certo? Pois saiba que apenas 1% da fortuna de Jeff Bezos ― apenas 1% ―, pagaria o orçamento de Saúde da Etiópia.
O fato concreto, porém, é que a riqueza dos bilionários aumentou, ano passado, US$ 900 bilhões a uma velocidade de US$ 2,5 ao dia, enquanto a renda da metade mais pobre caiu 11%. Na atual ordem econômica, pois, em que os milionários pagam proporcionalmente menos tributos, conclui–se que em Davos, apesar da consonância, não se “davos” nada. Se toma.

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MAIS CHIFRE

Comentário sobre a postagem O TEMA É CHIFRE

Violante Pimental:

Prezado Editor:

Olhe o arrependimento de Dalva de Oliveira, infeliz na união com Herivelto Martins, o seu grande amor…

* * *

Nota do Editor:

Cara amiga, na letra contida neste vídeo que você nos mandou, logo na abertura tem este trecho:

“Errei, sim
Manchei o teu nome”

Na verdade, ela não manchou o nome do macho. O que ela fez foi embelezar a testa dele botando uma linda gaia.

Aliás, as brigas entre Dalva e Herivelto, um botando gaia no outro, foram excelentes pra música brasileira. 

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MELHOR ASSIM

J.R. Guzzo

A vida de presidente de país subdesenvolvido tem mais espinhos do que rosas, como é bem sabido, e um desses espinhos é o Fórum Econômico Mundial de Davos. Um chefe de governo da Alemanha ou da Austrália, por exemplo, vai lá quando os seus assessores julgam conveniente que ele vá, cumpre em 24 horas, ou menos, o programa definido por eles e volta para casa. Não lhe passa pela cabeça apresentar alguma demonstração concreta da possível utilidade pública de sua viagem aos Alpes da Suíça, e menos ainda ser julgado pelos “resultados” que obteve. Já o chefe de governo de um país tipo Brasil, digamos, tem de “performar”, como gostam de dizer os executivos de hoje em dia. Começa a ser cobrado antes de desembarcar em Davos, e não tem mais sossego até esquecerem do assunto uns dias depois de sua volta à Brasília. Quantos bilhões de dólares em investimentos ele conseguiu atrair para a economia brasileira? “Interagiu” direito com os líderes mundiais que estavam ao seu redor? Foi elogiado pelos sábios das ciências econômicas, políticas e sociais presentes? Já é muito difícil, em condições normais de temperatura e pressão, atender às expectativas da banca examinadora. Se o presidente da República se chama Jair Bolsonaro, então, como é o caso no presente momento da nossa história, aí você já pode esquecer: vai voltar de Davos com um zero no boletim, seja lá o que tenha feito ou deixado de fazer durante sua participação no evento.

Bolsonaro, por tudo o que se disse dessa sua estreia no cenário internacional, não conseguiu acertar uma. Levou para Davos uma comitiva pequena demais, o que, segundo a crítica, mostrou o seu pouco caso com a grandiosidade da conferência. Ficou num hotel excessivamente barato, o que seria um desprestígio para a majestade do Estado brasileiro. Foi almoçar num bandejão do centro da cidade, por 19 francos suíços; foi condenado pela prática de “demagogia barata”. Pior ainda: causou, potencialmente, prejuízos econômicos de valor inestimável para o Brasil, já que deveria ter aproveitado a hora do almoço para levar “grandes investidores”, etc., a algum restaurante de primeira classe e, assim, fechar negócios vitais para o interesse público nacional. Que investidores? Que negócios? Não foram fornecidas informações a respeito. Seu discurso, de oito minutos, foi acusado de ser “muito curto”, sem que os inquisidores especificassem qual seria a duração correta, em sua avaliação, da fala presidencial. Quinze minutos? Vinte? Meia hora?

O conselho de sentença se manifestou particularmente chocado com o que considerou a “superficialidade” das palavras de Bolsonaro. Não esclareceu, em nenhum momento, qual o nível de profundidade que o discurso deveria ter atingido, nem fez qualquer comparação com os discursos dos quatro outros presidentes brasileiros que foram a Davos ─ Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. O que teria qualquer um deles dito de útil, inteligente ou inovador para escapar da reprovação por “superficialidade”? De Fernando Henrique ninguém se lembra mais nada. Lula falou que os “países ricos” deveriam se comportar melhor com os países pobres, ou alguma coisa com esse grau de originalidade. Dilma, na prática, entrou muda e saiu calada ─ o que com certeza foi uma grande sorte para todos, levando-se em conta as coisas prodigiosas que costuma dizer a cada vez que abre a boca para falar em público. Temer revelou que era importante “fazer a reforma da previdência” ─ o que, francamente, não impressionou ninguém pela profundidade. Em suma: nada que se possa aproveitar nestes últimos 25 anos. Mas como Bolsonaro é Bolsonaro, sua participação foi julgada “um fiasco histórico”.

Tomando em consideração isso tudo, a melhor coisa que Bolsonaro fez em Davos foi não ter comparecido à entrevista coletiva à imprensa que estava no programa ─ e na qual só iria receber perguntas com o teor de qualidade mental que se percebe acima. Com uma cirurgia altamente complicada para dali a três dias no Hospital Albert Einstein (tanto que acabaria tendo 7 horas de duração), preferiu repousar um pouco. O público não perdeu absolutamente nada com a sua decisão. O presidente poupou seu tempo e saúde. Melhor assim.

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CESAR IZIDORIO – FORTALEZA-CE

Boa tarde, Berto.

Quando eu era minino pequeno lá em Missão-Velha-CE, o meu pai Vicente Gomes Linard, tinha uma bodega que se chamava “A SAMARITANA” que vendia de tudo um pouco. (voz do povo: se não tiver na Samaritana, não tem em lugar algum).

Do Almanaque do Pensamento à Sianinha, citados no excelente Romance da Besta Fubana.

Hoje tenho 66 anos e resido em Fortaleza-CE.

Fraterno abraço.

R. De fato, dentro as mil coisas que lá estão citadas, o Almanaque do Pensamento e a fita de costura sianinha estão mesmo no meu livro, que você generosamente chama de “excelente”. 

Brigadão, meu caro leitor.

Fiquei feliz com sua apreciação.

O livro está zerado, esgotado, totalmente vendido. Uma nova edição deverá sair ainda neste ano da graça de 2019.

A Editora Bagaço é administrada por conterrâneos de Palmares. Conhecendo bem o meu povo, vou ficar torcendo para que o livro fique pronto antes do Natal… Vamos rezar!

Como sou muito inxirido, aproveito a oportunidade que você me deu, caro leitor, pra transcrever a orelha da 1ª edição d’O Romance da Besta Fubana, lançada há 35 anos.

Uma orelha que foi escrita pelo saudoso Ênio Silveira, um dos maiores nomes no mundo do livro do Brasil no Século XX, fundador da Editora Civilização Brasileira e um dos ícones deste campo.

Capa da primeira edição de O ROMANCE DA BESTA FUBANA, de autoria do grande artista mineiro Cláudio  Martins – Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1984

* * *

O ROMANCE DE BESTA FUBANA

Ênio Silveira

Assim como o padre escondido na penumbra do confessionário, ou o psicanalista supervisionando seu rendoso divã, o editor se vê submetido diariamente às manifestações mais contraditórias da capacidade de enredo que é própria à condição humana. Grandeza e mediocridade, audácia e timidez, auto-segurança e incerteza se apresentam diante de seus olhos em cada texto que recebe e lê (há editores que não se dão pessoalmente a tal prática, delegando a tarefa a seus assessores, mas eu, que ainda sou mais artesão do que industrial sofisticado, examino-os um por um). Ao contrário, porém, daqueles seus “colegas”, que dispensam orações e conselhos sem se envolverem emocionalmente, ele se encontra depois diante da cruel e difícil obrigação de dar ou não dar guarida – e divulgação – ao trabalho alheio, o que muitas vezes poderá iniciar, ou prosseguir carreiras literárias, ou simplesmente desencorajá-las.

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UM MOTE BEM GLOSADO

José de Souza Dantas glosando o mote:

Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

No lugar que nasci e fui criado,
Todo dia a saudade me aperta,
Bate forte em meu peito e me alerta
Pra lembrar bons momentos do passado,
Tiro um tempo para ficar sentado
Meditando com mais profundidade,
Confiante sentindo-me à vontade
Vendo o mundo, a paisagem, fauna e flora.
Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

Toda vez que visito o meu sertão,
Passo uns dias na casa dos meus pais,
A saudade que sinto dói demais
Que não cabe dentro do coração,
Tenho viva toda recordação
De papai na nossa propriedade,
Que partiu para outra eternidade,
Não está entre nós e foi-se embora.
Todo dia me sento meia hora
No batente da casa da saudade.

* * *

Um folheto de Franklin Maxado

A BELA HISTÓRIA DE JACI – A PROSTITUTA VIRGEM E SANTA

Nossa vida, minha gente
É cheia de contradições
As vezes, o que se vê
Em muitas situações
Não é a realidade
São apenas ilusões

Aqui conto um caso desses
Como enganam as aparências
Uma moça que ninguém diz
Olhando suas vivencias
Seja virgem e muito santa
Apesar de experiências

Jaci era uma dessas
Mulheres fáceis da vida
Adotou a profissão
Passando-se por perdida
Para poder sobreviver
Sem depender de acolhida

Feita esta explicação
Vamos contar sua estória
Feita com muito amor
Da derrota fez vitória
E nisso está seu louvor
Na conduta meritória

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