J.R. GUZZO

O Brasil acaba de chegar a um número espetacular: crianças e jovens estão há 200 dias seguidos sem aulas, fenômeno que não encontra paralelo em nenhum país do mundo. É a maior realização, até agora, da quarentena defendida com tanto entusiasmo por nossos “gestores” públicos, médicos que só pensam naquilo – “fique em casa” –, sindicatos de professores e todos os militantes, como eles, do Partido Funerário Brasileiro.

É mais um título mundial, para se juntar ao “penta”: nenhuma nação do planeta conseguiu chegar nem perto deste recorde. Na Dinamarca, as escolas públicas ficaram fechadas 30 dias. Na França, 56. Na Alemanha, 68. Mais uma vez a Europa se curva ante o Brasil.

Crianças e jovens estão há 200 dias seguidos sem aulas no País Foto: Alex Silva/ Estadão

Deve ser, obviamente, porque o sistema de ensino europeu é muito inferior ao brasileiro. Aqui, com a prodigiosa qualidade da nossa escola pública, podemos ficar praticamente um ano sem aulas – e garantir assim a perfeita saúde das crianças, enquanto a Europa, irresponsável, ignorante e coitada, está criando “aglomeração” nas escolas e fazendo esse genocídio infantil porque precisa tirar o seu atraso em matéria de educação. Só pode ser isso.

No Brasil quem entende mesmo do assunto é gente como a deputada Bebel, que manda no sindicato de professores de São Paulo, ou dr. Drauzio, especialista vitalício da mídia para questões de medicina pública, privada e de qualquer outra natureza – e mais uma penca de celebridades tão parecidas com esses dois que nem é preciso ficar citando mais nomes. Eles não podem nem ouvir falar em volta às aulas; os 200 dias de escola fechada são a maior vitória que já conseguiram até agora ao longo de toda a quarentena.

A sindicalista diz que não há nenhuma condição de reabrir as escolas no momento, embora o número de crianças que contraíram o vírus pelo mundo afora seja, em geral, inferior a 1% dos infectados; as mortes são menos de 1% desse 1%. Ela acaba, aliás, de fazer uma ameaça: se as autoridades ensaiarem qualquer tentativa de volta às aulas os professores entrarão “em greve”. O especialista diz que todo mundo tem de continuar trancado em casa – salvo, por alguma razão não explicada, os mesários das próximas eleições municipais, segundo sua mensagem ao público na propaganda da justiça eleitoral.

Todos falam, naturalmente, que a solução é substituir as aulas “presenciais” (como se fosse possível dar algum outro tipo de aula) por lições “no computador” – que servem, talvez, para quem quer fazer um curso de corte e costura, mas não ensinam coisa nenhuma de aritmética, ciências ou português.

Em países que contam com um mínimo de decência por parte dos seus “gestores”, levar as crianças de volta às aulas foi uma prioridade absoluta desde o começo da epidemia. Aqui, manter as escolas fechadas por 200 dias, e quantos mais for possível, é um ato de patriotismo.

8 pensou em “200 DIAS SEM AULAS

  1. Crianças sem aulas, sem o contato direto com professores e colegas; escolas particulares fechando ou mandando parte dos seus funcionários embora. Isso é o futuro de nossa nação indo embora.

    Fica a pergunta de Francelino Pereira, replicada na música dos Paralamas: Que país é esse?

    A resposta certa eu não sei, mas posso dizer o que já disse Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes”

  2. Guzzo está certo no espírito da coisa, mas na prática acaba não sendo bem assim.

    Primeiro, seu exemplo é forçado: é mais fácil aprender matemática ou ciências por computador do que corte e costura, que depende de “pôr a mão na massa”. Português, então, nem precisa de computador, basta um livro. Se o tempo que as crianças ficam escutando bobagens de professores despreparados fosse usado para ler bons livros, nossa língua não estaria na miséria que está. E existem inúmeras plataformas na internet que ensinam ciências com muito mais competência e eficiência que 99% dos nossos professores.

    Enfim, considerando que nossas escolas se preocupam muitíssimo com doutrinar e pouquíssimo com ensinar, dá para concluir que quanto mais nossas crianças ficarem fora delas, melhor, desde que não seja para ficar escutando os mesmos professores falando as mesmas coisas só que por video-aula.

    • Caro Marcelo!

      Para as crianças que dependem do ensino público, muito mai que a matemática, o português e as ciências, tem a merenda, que para muitos é a principal refeição do dia.

      A convivência entre os colegas e os professores também é muito importante.

      Pode-se aprender em homeschooling? Sem dúvida que sim, porém é preciso disciplina e preparo dos pais. A escola trás outras práticas muito importantes.

  3. Diante do monumental nível de imbecilidade da maioria avassaladora da nossa população, ir a essas aulas de merda, ou não ir, não faz grande diferença.

    Se brincar, é até melhor. O estúpido se convence logo de que é um jumento, analfabeto de pai e mão, enfia a língua no rabo e pára de dar pitacos em coisas que não entende. Pega a enxada e vai para a roça, se quiser ter o que comer.

  4. “Ela acaba, aliás, de fazer uma ameaça: se as autoridades ensaiarem qualquer tentativa de volta às aulas os professores entrarão “em greve”.”

    Opa! Fechou!

    Eu me candidato a ensinar.

    Posso ensinar português, matemática, ciências e estudos sociais para qualquer criança do Ens. Fundamental I melhor do que qualquer professor maconheiro bunda-mole saído desses ermos que chamam de universidades federais.

    E de graça! Não irá um puto disso pro meu bolso!

    Mas (aquele sorrateiro “mas”) com uma condição:

    todos os filhos das putas do corpo docente que advogarem a causa dessa parasita sindicaleira têm que ter todos os seus salários do tempo de afastamento descontados e permanecerem sem renumeração alguma até a sua pandemia acabar (todos os rendimentos têm que ir pro Ministério da Educação e reaplicados para melhorias substanciais na área).

    Quer ver que a pandemia para essa galera acaba amanhã (ou talvez alegarão que sequer existiu)?

  5. O pior é que as Escolas Particulares não estão nem aí.
    Cobram as mensalidades do mesmo jeito. Sem desconto. Sem uma sinalização de um acordo razoável para ambas as partes. Tendo em vista que os custos não devem ser os mesmos de aulas presenciais para aulas virtuais.
    Além das despesas com luz, água e etc., terem diminuído.
    Cordialmente enviam “e-mails”, mensagens e tudo mais. Lembrando-nos dos vencimentos dos boletos à cada mês.
    Será que podemos apelar para o espírito patriota, como o Presidente fez com os vendedores de alimentos?
    A ganância e a covardia sempre estão presentes nessas ocasiões. Nos acostumamos ao longo das décadas, de planos e crises econômicas. Com o mau caratismo do político desonesto e do empresário aproveitador, sonegador e chantagista. Esses aumentos são inadmissíveis. Principalmente nos itens básicos: alimentação e remédios. Deveriam existir Leis mais duras e eficientes para punir os responsáveis e coibir esses abusos.

    • Escolas particulares cobrando mensalidades integrais nessas condições? Cobrando a mesma quantia por um serviço pela metade?

      É sério isso?!

      Puta que o pariu…!!!!!! Só de imaginar a escola onde estudei fazendo uma patifaria dessas, como eu carrego memórias muito ₢ cândidas ₢ dela, usar um estoque de C4 nela viria bem a calhar.

      E imagino que a clientela dessa patuleia deve ser tudo cria da turba fétida do “rexitégui fica em casa”.

      O nível de escrotidão dessa porra de país está alcançando níveis inomináveis.

  6. Caro Nikolai Hel. Inomináveis escrotidões escrotas.
    Nada há ver com a nossa Gazeta Escrota.
    De fato nosso belo e amado País tornou-se um antro de aproveitadores em todas as áreas.
    Satanicamente comandados por essa camarilha comunista infiltrados tais quais cupins e ratos.
    Enquanto um devasta de dentro pra fora. O outro, além de infestar todos os ambientes com sujeira e doença, rouba o “queijo” da vida.

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