RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Sou gaúcho e me orgulho de ter nascido por aqui no sul do Brasil, não pelo fato dos gaúchos serem melhores ou piores, mas sim pelo fato de que ser gaúcho torna-me brasileiro e, isto sim, infla meu ego. Com erros e acertos, mandos e desmandos este é meu chão, minha pátria, rica de cultura, diversa em sua diversidade, genial e criativa no jeito alegre e simples de seu povo.

Maltratada sim, ainda mais depois de anos de poder do ideologismo marxista, corrupto e corruptor, dos desmandos daqueles que nos governavam até pouco tempo e de outros que nos governaram antes. Saturada do putrefato projeto ideológico bolivariano que contrasta com tudo aquilo de bom que no Brasil e suas gentes tem e valorizam. Mas enfim sabemos que expurgados estes outros virão e a nós sempre ficará o orgulho de nossa Pátria una e diversa, o Brasil.

Hoje 20 de setembro comemoramos a dia do gaúcho, erroneamente celebrado como o dia de nossa ‘independência’. Independência de que, lhes pergunto? Do Brasil, perdemos, mas perdemos o que? De quem? Afinal os Revolucionários farroupilhas não almejavam a ‘independência’, queriam apenas subsídios, uma mamata, uma mãozinha do Governo Central. E como não havia BNDES ou Bancos de fomento, acabaram pegando em armas, a ideia era só ganhar uns ‘pilas’, como se diz por aqui.

Mas a coisa desandou e acabaram proclamando uma República, meio troncha, que durou até o acerto do preço de todo mundo. Claro que tudo se acelerou com a iminência da Guerra de Rosas e da Guerra do Paraguai. Acertado o preço acabou a República e foram-se os heróis para outra Guerra.

Mas ficou o orgulho, orgulho de ser gaúchos, orgulho de nossa Pátria Pampeana, seja lá o que isso significa. Acho o orgulho uma coisa legal, é bonito ver-nos cantando o hino e a gauderiada desfilando (embora o cheiro de bosta de cavalo perdure por dias depois). Mas acima de tudo é orgulho da Terra, da Terra Gaúcha e, principalmente, da Terra brasileira. E podemos ter orgulho sim, mas com o devido cuidado.

Afinal se esta Terra orgulhosamente viu nascer homens e mulheres de brio e valor. Terra do General Osório, do General Neto, do Almirante Tamandaré, da belíssima Miss Universo Yolanda Pereira (aliás pelotense como eu), de Érico Veríssimo, de Pedro Simon e de outros tantos.

Por outro lado esta terra também pariu Ditadores, de Getúlio Vargas à Médici, populistas de esquerda como Brizolla e Olívio Dutra, inutilidades como Tarso Genro e Manuela D’ávila, pseudo-intelectuais como Luiz Fernando Veríssimo (que já foi um grande escritor, mas morreu no dia em que matou a Velhinha de Taubaté). Pior esta terra acolheu e viu crescer Dilma Roussef.

Aqui o PT cresceu, Governou Porto Alegre, Desgovernou o Estado (por dois longos mandatos) e fez muita merda, com o apoio de muitos gaúchos. Mas nos regeneramos, aqui começou o apoio a Bolsonaro, aqui escorraçamos Lula e aqui deitamos o relho na PTzada. Acho que ainda temos salvação.

Há que falar um pouco da famosa Revolução, comemorada no dia da invasão de Porto Alegre, feita por Bento Manoel Ribeiro e não por Bento Gonçalves. Aliás uma patacoada, os homens de Bento Manoel nas proximidades da ponte da Azenha se assustaram com um barulho, deram uns tiros para cima e os guardas imperiais fugiram, aliás fugiu o presidente da província e junto todo o Governo, foram de navio para Rio Grande. E os revoltosos entraram na cidade vazia. Tempos depois a cidade foi retomada pelo mesmo Bento Manoel (que virou de lado) e nunca mais deixou o lado imperial, aliás ficou conhecida como ‘Mui Leal e Valerosa’. Isto ocorreu em 20 de setembro de 1835, por isso a data é celebrada como feriado.

Mas a República Rio-grandense só foi proclamada em 11 de setembro de 1836, nos Campos da Batalha de Seival, cerca de 400 km de Porto Alegre, pelo general Neto (Bento Gonçalves estava preso na Capital Imperial). A Revolução farroupilha e a posterior Guerra dos Farrapos se concentrou no sudeste do estado, região próxima de Pelotas e Bagé. Em ¾ do estado não houve batalhas ou incorporação da República, aliás estas áreas apesar de apoiarem um lado ou outro ao sabor das alianças permaneceram pacíficas e leais ao império.

O escritor e professor Peninha, no seu canal de youtube ‘Não vai cair no ENEM’ tem um excelente vídoe sobre a Revolução Farroupilha.

A zoeira e as escaramuças duraram 10 anos, mas quando o Barão (futuro Duque) de Caxias desceu para o sul resolveu tudo rapidamente. Algumas batalhas, o acerto do preço e o massacre dos Lanceiros Negros Farroupilhas, traídos pelos Comandantes Farrapos (eram um estorvo à paz) no evento conhecido como a traição dos Porongos, resolveram a questão. Feita a paz os militares Farroupilhas forma lutar em outras guerras, contra Oribe e Rosas e depois na Guerra do Paraguai. Mas o orgulho e a lenda, criada nos anos 1930, ficaram, fincaram raízes e prosperaram.

Tem seu lado bom, mas muitas vezes é pernicioso, pois cria no Estado, no povo uma sensação de superioridade, um achar ser melhor que o resto do Brasil. E esta sensação nos levou a um buraco difícil de sair. Ao nos considerarmos melhores ou diferentes do resto Brasil, não percebemos que estávamos atolando no banhado do orgulho e hoje muitos querem culpar os outros o Governo central (que tem suas culpas e não é nenhuma virgem vestal, mas não pode ser responsabilizado pelas nossas cagadas).

Hoje reflito que o culto exacerbado ao ‘orgulho farroupilha’ está devolvendo seus amargos frutos, parece-me que algumas pessoas do Sul vivem num universo à parte, onde sentem-se superiores aos demais brasileiros. Orgulhosos de seu passado de derrota (pois, repito, para quem não sabe os Farroupilhas foram derrotados, do primeiro ao quinto) encarnam um Napoleão, ou melhor, um Bento Gonçalves de hospício e vagam por estes pagos repetindo mentiras históricas como fatos heroicos.

Esquecem-se dos motivos (dinheiro e poder) da Revolução, das derrotas que foram maioria, da incompetência e da indisciplina dos líderes farroupilhas, da falta de valores e ideais que podem ser claramente vislumbradas na ‘Traição de Porongos’, onde os farroupilhas entregaram à morte os lanceiros negros, garantindo assim que suas fazendas poderiam continuar explorando a mão-de-obra escrava. É muita incoerência o fruto deste culto insano que leva pessoas a crerem-se melhores que as outras.

Felizmente esta sandice é de poucos, pois a maioria dos Sulistas não encampou a ideia de mártires derrotados pela perfídia e prefere trabalhar em prol da Pátria brasileira. Deixemos então de cultuar a derrota e abracemos a nossa Pátria vitoriosa.

Viva o Brasil! Viva o Brasil do Sul, do Norte, do Sudeste, Centro-oeste e Nordeste. Viva o Brasil do sertão a floresta, do pantanal ao pampa. E Vivam os brasileiros de qualquer origem.

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