2 – USINA NUCLEAR – Modelo Falido em Todo o Mundo!

Segundo a AIEA – Agência IInternacional de Energia Atômica, existem atualmente no mundo 448 reatores, com uma potência total de 391.721 MW. Destes reatores, 99 estão nos Estados Unidos, 58 na França, 42 no Japão, 39 na China, 35 na Rússia, 24 na Coreia do Sul, 22 na Índia e 19 no Canadá, o que dá um total de 338. Isto significa dizer que estes 8 países englobam ¾ de todos os reatores em operação no mundo, estando os demais pulverizados entre todos os demais países, principalmente os europeus, estrangulados pela importação de energia.

Afirma ainda a mesma AIEA que os reatores da França fornecem 63 130 MWe e representam mais de 70% da produção total de eletricidade na França. O governo francês assumiu publicamente o compromisso de aumentar a participação de fontes de energia renováveis para 23% e 32% do consumo total de energia, respectivamente, em 2020 e 2030. As energias renováveis devem atingir 40% da geração de eletricidade até 2030, ao mesmo tempo em que reduz a parcela de energia nuclear na geração de eletricidade para 50% até 2025. A capacidade de geração nuclear será limitada ao seu nível atual. Enquanto isso, no Brasil, segundo o Balanço Energético – Ano Base 2018 – a geração de energia elétrica (centrais públicas e autoprodutores) atingiu 601,4 TWh, resultado 2,0% superior ao de 2017. A geração elétrica a partir de fontes renováveis representou 82,4% do total nacional, contra 79,2% em 2017.

De 1995 para cá, apenas 10 novos reatores nucleares entraram em operação no mundo. Desde o desastre na usina de Fukushima, no Japão, em 2011, as vendas do setor nuclear praticamente pararam. Todos os países do mundo suspenderam seus projetos e fizeram planos para desativar os reatores em operação.
Segundo o World Energy Outlook 2019 da IEA – Agência Internacional de Energia, divulgado em 13 de novembro passado, o mundo passou por sucessivas transições tecnológicas ao longo dos últimos séculos. Iniciamos com lenha e, em seguida, tivemos a era do carvão na revolução industrial. Depois veio o século do petróleo e, na 2ª metade do século XX, a possibilidade de termos uma transição para a era nuclear, possibilidade essa hoje descartada. É quando surge o “Shale Gas”, para salvar a situação dos Estados Unidos, e as energias eólica e solar, para dar continuidade ao sucesso do Brasil.

Em todas estas revoluções, o Brasil sempre primou por chegar atrasado e na rabeira dos países desenvolvidos. A única ocasião em que lideramos o mundo foi quando da criação do PROALCOOL, na década de 70, programa este do qual usufruiremos os benefícios por inúmeras gerações e que enche de inveja o mundo inteiro.

A Suécia, que tinha 40% da produção de eletricidade baseada na energia nuclear, decidiu em plebiscito fechar todas as usinas até 2010. O mesmo recurso democrático conduziu ao mesmo destino a energia nuclear na Áustria e na Itália. A Áustria chegou a abandonar uma usina praticamente pronta. A Alemanha, graças à participação do Partido Verde no governo, limitou a 30 anos a sobrevivência de suas usinas. Os Estados Unidos não constroem nenhuma usina nuclear há mais de 25 anos (chegando a desativar algumas), em razão dos custos, da rejeição popular e da ausência de resposta sobre o que fazer com o lixo. Por razões semelhantes, o Reino Unido parou a expansão dos investimentos nucleares, a Holanda está descomissionando suas usinas, a Espanha vive uma fase de moratória, Bélgica e Suíça estão abandonando seus planos. A Argentina, com duas centrais, paralisou a construção da terceira, Atucha 2. O Canadá fechou seis usinas, que provavelmente não serão religadas por fortes pressões. Na América Latina, além de Brasil e Argentina, apenas o México tem um reator nuclear em funcionamento. Cuba também desistiu no começo do caminho. A França, um dos poucos países desenvolvidos que colocam a energia nuclear como alternativa de futuro, passa também por um processo de desaceleração.

Como consequência deste quadro mundial, a empresa francesa monopolista na área nuclear, a AREVA, vem apresentando continuamente enormes prejuízos e passando por sucessivas reestruturações, demandando grandes aportes de capital ao governo francês, seu grande acionista. Vem também enfrentando debandada dos grandes investidores. O fundo soberano do Kuwait, um dos maiores do mundo, pagou 600 milhões de euros (US $ 712 milhões) por sua participação de 4,82% em 2010, mas desde então as ações da Areva caíram à medida que seu patrimônio foi sendo destruído por anos de perdas. Após um resgate e reestruturação, com 4,5 bilhões de euros sendo financiados pelo Estado, o governo francês pagou 4,5 euros por ação pelas 18,46 milhões de ações da KIA, ou cerca de 83 milhões de euros, representando uma perda de 86% para o fundo.

Diante da falta de alternativas estratégicas, a AREVA em 2007, em busca de atuação em novos mercados e atraída por este paraíso movido a energia renovável chamado Brasil, adquire a pernambucana KOBLITZ, empresa paradigmática na implantação de centrais de geração de energia elétrica a partir de fontes alternativas. Só que, em lugar de absorver o Know How da Koblitz e partir para uma mudança nos objetivos estratégicos, optou por empurrar goela abaixo de nossa nação as famigeradas Centrais Nucleares em que é especialista e que ninguém mais no mundo deseja.

Para todos os babacas que estão se deixando levar pelo canto de sereia desta conversa enganadora, sugiro firmemente que assistam inteirinho ao filme sobre o desastre de Chernobyl. Uma das partes mais interessantes deste filme aterrador é, próximo ao final, quando os franceses se negam a aceitar que a nuvem radioativa proveniente da explosão do reator de Chernobyl tenha chegado até à França.

A Agência Internacional de Energia afirma que a produção de energia elétrica nuclear mundial, nos próximos 20 anos, tende a estacionar no mesmo patamar ou até mesmo diminuir. Afirma também que a energia solar deverá representar METADE de toda a capacidade de geração introduzida no mundo neste mesmo período de tempo. Eis que nos surgem os iluminados do governo querendo nos empurrar goela abaixo esta solução banida e ojerizada em todo o mundo e torpedeiam insistentemente a energia solar. Por que será? Qual será o interesse deles com essa conversa para boi dormir? Será que é porque não dá para roubar com a auto geração? Quanto será que vão levar de comissão para ajudar a salvar da falência a cambaleante AREVA, mesmo que para isso tenham de nos deixar com esta bomba relógio caríssima nas mãos?

A verdade é que a gangue da eletricidade já vem tentando impingir este projeto há bastante tempo. Por eles, estaríamos inaugurando a primeira usina no próximo ano de 2020. Vejam o cronograma anexo. Para isso, passaram a torpedear todas as formas alternativas de energia no seu planejamento, conforme detalharemos mais adiante. Lembrem que a estimativa é de US$ 10 Bilhões para cada um dos seis reatores previstos. Dá para a gangue toda receber propinas absolutamente milionárias.

4 pensou em “2 – USINA NUCLEAR – Modelo Falido em Todo o Mundo!

  1. Caríssimo professor Adônis Oliveira:

    O estilo é o homem, que jamais será mudado! Faz parte da sua personalidade!

    O importante é a moral e a ética com que são feitos, mostrando os fatos como são!

    Todos os seus artigos são verdadeiras obras-primas no tema abordado que só engrandecem o Jornal da Besta Fubana.

    Cada artigo seu é uma verdadeira aula de sabedoria onde a ciência exata predomina com imponência!

    Parabéns!

  2. Adônis, você já deu “spoiler” da história toda numa frase só: “Será que é porque não dá para roubar com a auto geração?”

    É exatamente isso. Já era para toda casa de classe média para cima ter dois ou três painéis fotovoltaicos em cima do telhado, e já poderíamos estar chegando às classes mais pobres. Mas tinha que ser simples e barato, sem trocentas regulamentações de governo, inmetro, ipem e sei lá quem mais (só falta a funai…). Mas aí não dá para roubar !!!

    Para a geração de grande porte, centralizada, eu acho a eólica melhor que a solar, começando pela vantagem óbvia de funcionar à noite também.

  3. Caro Marcelo,
    Realmente, tens razão! A eólica, com a mesma capacidade de geração, tende a produzir 3 ou 4 vezes mais energia que a solar.
    Ocorre que as 3 formas básicas de produção de energia limpa são complementares:
    Quando tem chuva para encher as barragens, tem vento também mas não tem sol.
    Quando tem sol e vento, obviamente não tem chuva.
    Sol e chuva, ao mesmo tempo, é um pouquinho complicado.
    A solução encontrada para esta descontinuidade no suprimento seria utilizar nossas barragens como imensos acumuladores de energia. Fecha as comportas durante o dia e utiliza apenas as energias solar e eólica. à noite, ou se faltar vento, abrem-se as comportas e passamos a utilizar energia de geração hídrica.
    É isso o que faz o mundo sem esse nosso bando de ladrões e incompetentes.

  4. Esse assunto é de grande interesse, nacional e mundial.
    Como não tinha eu conhecimento, sequer, de como é obtida a energia nuclear, fui procurar conhecer alguma coisa e encontrei um esclarecedor texto de autoria a várias mãos, cujo primeiro nome é de Raquel Anna Sapunaru, e que explica, entre outras coisas, como é obtida a energia elétrica nas chamadas usinas nucleares.
    “Basicamente, a fissão/fusão de nucleotídeos liberam
    uma quantidade enorme de calor, na faixa dos milhões
    de graus Celsius, vaporizando a água instantaneamente.
    Este processo gera vapor e, por sua vez, este gera pressão.
    Daí: a) movem-se as turbinas; b) movem-se os eixos das
    turbinas que giram dentro de uma estrutura que contém
    um imã em forma de arco; c) movem-se os elétrons dos
    metais e assim; d) gera-se uma corrente elétrica muito
    alta, tanto no que tange a voltagem, quanto a amperagem.
    Grosso modo, para que a energia nuclear se transforme
    em energia elétrica é necessário uma usina nuclear.
    Trocando em miúdos, esta usina possui um reator no qual
    ocorrerá uma fissão nuclear de forma controlada. A fissão
    nuclear gera muito calor, sendo necessário refrigerar
    o reator. A seu turno, a refrigeração do reator é feita
    através de um circuito fechado que superaquece. O calor
    desta água é transferido através de vasos trocadores de
    calor para outra água que se aquece ao ponto de vapor.
    Finalmente, este vapor é utilizado para acionar turbinas
    que estão ligadas aos geradores elétricos. Notamos que
    o gerador nuclear é semelhante aos geradores utilizados
    nas usinas hidroelétricas. Assim, o que muda é a forma
    de acionar estes geradores. (GUERRINI, 2001). A título
    de ilustração, nas hidroelétricas com as quais estamos
    habituados, os geradores são acionados por turbinas
    hidráulicas, mas nas usinas nucleares são acionados
    por turbinas a vapor. Há também as termoelétricas que
    funcionam como as usinas nucleares. Nelas, os geradores
    são acionados por turbinas a vapor, mas, neste caso, o
    vapor não é obtido a partir do calor gerado pela fissão
    nuclear e sim por aquecimento da água pela queima de
    óleo ou carvão”.

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