SONIA REGINA – SANTOS-SP

O BRASIL NÃO É PARA AMADORES

Faz alguns dias, ouvi de um devoto da seita dos despejados, que os brasileiros tiveram um salto no valor do salário mínimo depois de 2003. Correto. O problema é que dinheiro não nasce em arvore. O salário mínimo anunciado pelos governos seja ele qual for, é uma referência para os empresários que, por lei, não podem pagar um valor menor aos seus empregados.

Ora, o empregador tem que repassar esse aumento nos seus custos. Aposentei em empresa privada e tão logo era anunciado o percentual de aumento do salário mínimo, também era confeccionada uma nova lista de preços para venda dos produtos. Ou seja, produtos mais caros nas prateleiras.

Em alguns produtos não é sentida alteração nos preços de imediato pois, sempre existe algum estoque que pode ser utilizado pelo comerciante para não ter um impacto negativo nos seus negócios e até opta por aumentos homeopáticos que, dependendo do produto, passam até desapercebidos.

Vacas gordas e magras

Vamos nos referir aos aposentados que recebem um salário mínimo. Nesse caso, o pagamento é feito pelo INSS. Até onde eu sei, o INSS, paga aposentados com o dinheiro arrecadado daqueles que estão em atividade e contribuem com um desconto mensal em seus rendimentos.

No caso do INSS, só posso entender que havia dinheiro em caixa, portanto, os aumentos foram mais ousados e hoje a coisa mudou de tal forma, que já falam dia e noite sobre reforma da previdência. Alguém consegue explicar essa aritmética? Talvez uma atitude prudente, fosse apenas ler a história de antigo Faraó do Egito, que ficou preocupado quando 7 vacas gordas foram engolidas por 7 vacas magras num sonho profético.

Faltou falar do “Calcanhar de Aquiles”, os funcionários públicos.

Não me atrevo, o bolo cresceu muito e só espero que tenham sabedoria para entender que, todos somos iguais perante a “Lei” e isso se aplica também aos sacrifícios que, são impostos por governos quando resolvem fazer qualquer alteração em sua Constituição.

Termino com a celebre frase:

O Brasil não é para Amadores.

5 pensou em “SONIA REGINA – SANTOS-SP

  1. Dona Sônia Regina: não sei se já explicaram pra senhora que o desconto dos funcionários sempre foi maior do que os dos empregados que descontam para o INSS; obedientes a um teto. Assim, como a aposentadoria é michuruca, as aposentadorias são proporcionalmente michurucas. As dos funcionários nunca gozou da benfeitoria de ter um teto. Pelo contrário, pagava-se um percentual fixo (e alto) em função do que eles ganhavam. Assim, se o sujeito, ou sujeita, por exemplo, ganhava 100 mil e o desconto era de 10%, lá se iam 10 mil para os “gunvernos”, enquanto os dos contribuintes do INSS morriam no teto; uns 500 mil réis, se tanto. Paralelamente, as políticas sociais dos “gunvernos” ainda não haviam descoberto a mamata de dar aposentadoria a deus e o mundo, e ganhar seus votos; súcia de gente que nunca deixou um “tustão” de contribuição, nem tinham criado o porrilhão de bolsas para um mundo de vadios, até para os coitados dos presidiários – gente que também vota e elege excelentíssimos. Vai daí, pra sustentar este mundão de pagamentos, fora os valores desviados para as falcatruas que a lava-jato anda desmontando, gasta-se o que entra, sem olhar de onde vem, e a culpa sobra para a aposentadoria dos funcionários “marajás” de merda.
    Entendeu? Se não entendeu, fica por isso mesmo.

    • Esse desconto dos funcionários é tão cruel que eu sempre me pergunto por quê é tão difícil achar alguém que pediu demissão de emprego público para trabalhar como empregado na “iniciativa privada”.

  2. Sra. Sônia, ao longo dos anos, e desde o seu início, a previdência foi tomada por desnadesm de toda natureza. Parece lógico acreditar que uma contribuição mensal do salário, todo mês, só longo de 35 anos, formaria uma poupança para o aposentado. É fácil calcular qual a renda mensal depois das contribuições. A Sra fez um comentário feliz: no modelo que temos é a população economicamente ativa quem sustenta os aposentados ou seja, temia um modelo chamado de geração superposta. Em 1990, eu era bancário e sabia que a previdência não se sustentaria. Naquela época, o modelo do Chile era o mais comentado e o exemplo a ser seguido. Os funcionários públicos estao longe de ser o “calcanhar de Aquiles”.Pela proposta de Bolsonaro irão descontar 14% do meu salário. Para o setor privado é 11% . O erro da nossa previdência é de modelo. Um modelo de capitalização se permitindo um pouco mais de risco, ajudaria mais.

  3. Sr. Mauricio, “Calcanhar de Aquiles” foi utilizado para o governo que terá que convencer ao menos a maioria da população da necessidade de mudança no regime de aposentadorias, inclusive explicando as diferenças de contribuição que a maioria da população desconhece. Não é o meu caso, meu marido trabalhou por 30 anos numa empresa do Governo do Estado de São Paulo, mas, gosto de textos pequenos e acho é fácil perceber que fiz crítica a governos que não conseguiram administrar com prudência na época das vacas gordas.

    Uma coisa é liquida e certa, qualquer cidadão vai continuar preferindo a empresa publica para trabalhar se puder escolher.

    Agradeço seu comentário sempre gentil e proveitoso.

Deixe uma resposta