SEM O TRIPÉ, NÃO PARA EM PÉ

Nosso presidente Jair Bolsonaro não entendeu o jogo. O que sustenta seu governo em pé é o competente tripé generais, Moro e Guedes. Essa troica é confiável e republicana, sem eles o Governo cai em pouco tempo. Embora os brasileiros estejam se acostumando a trocar de presidente no meio do mandato, isso não seria nada bom.

Os generais estão abandonados pelo Presidente que continua dando demonstrações de admiração e respeito pelo “ideólogo” Olavo de Carvalho, que já foi comunista, astrólogo, agora é ativista radical de direita e mentor dos Bolsonaro. Moro está vendo sua imagem de paladino da justiça derreter como picolé. O Juiz que defendeu o Brasil da roubalheira escandalosa do Petrolão, que foi usado como selo de qualidade pelo Novo Governo para propor uma nova política sem negociatas, agora é desprezado, tratado como um pedinte a um posto no STF.

O Ministro Paulo Guedes, que foi fundamental para muitos agentes econômicos aderirem a campanha “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, hoje sofre com as besteiras diárias espalhadas pela Família B e as consequências na economia. Apesar do projeto transformador de uma economia tutelada pelo Estado, num ambiente menos burocrático e mais competitivo; apesar da “Coragem” de Guedes em enfrentar praticamente sozinho as comissões parlamentares defendendo em nome do Governo a reforma constitucional (Previdência) que poderá ser a pedra fundamental para uma possível e indesejável reeleição do Mito; Bolsonaro com seu populismo histórico está minando as expectativas positivas que a sociedade criou ao depositar 57 milhões de votos na sua chapa, dar ao PSL 54 cadeiras na Câmara e 4 no Senado. Bolsonaro não abastece mais no Posto Ipiranga e anula o efeito Guedes.

A cada semana o Relatório FOCUS, do Banco Central, mostra uma expectativa de crescimento do PIB menor. No final de 2018, depois da eleição do Mito, as instituições financeiras representadas nesse documento estimavam um aumento do PIB em 2019 da ordem de 2,7%. Esse número hoje está em 1,45%. Há quem fale em menos de 1%. Outro aspecto curioso é que os investidores estrangeiros sempre estiveram muito interessados em aportar recursos no Brasil, afinal de contas somos um país por construir. Nossa infraestrutura, por exemplo, é do século passado, as oportunidades são enormes. Porém, o dinheiro especulador, que compra ações em Bolsa de Valores e precede o investimento fixo está deixando o Brasil. Não é um bom sinal. Desde outubro 2018 até hoje (14/05/2019) o fluxo está negativo em R$ 11 bilhões.

Em 29/04 escrevi aqui no JBF, o texto “Filhos acima de todos, Deus acima de tudo”, em 14/05, no jornal “O Globo” o colunista Merval Pereira, compartilha essa percepção e dá o título ao seu artigo “O Mito acima de todos”. Bolsonaro erra se achar que ele é o Mito e que pode sustentar seu governo num outro tripé formado por Olavo de Carvalho, igrejas e caminhoneiros.

“Eu (Senador Flavio Bolsonaro) estava na mesa quando o Moro conversava com Jair recém-eleito presidente e pediu para levar o Coaf com ele. Jair falou: problema nenhum, é seu. Nunca tínhamos ouvido falar de Coaf na vida”. (Estadão 12/05) Se não sabia, agora já sabe. Não pode subestimar a astucia da Velha Política que está preparando o bote.

O Mito tem pés de barro, não se sustenta sozinho. Se antes tinha a expectativa a seu favor, agora ela passou a ser mais um obstáculo. Afasta-se cada vez mais do seu discurso sedutor de 28/10/2018. Ainda pode virar o jogo, basta retomar aquele roteiro.

Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo – Friedrich Nietzsche

1 pensou em “SEM O TRIPÉ, NÃO PARA EM PÉ

  1. Quando comprava uma mercadoria qualquer para meu comércio e o pedido vinha errado, ou com algumas peças com defeito, chamava o vendedor para arrumarmos a situação. No geral, se resolvia com troca das peças defeituosas ou adição ou subtração do que não estava no pedido. Mas sempre tinha um que vinha com a conversinha de que a culpa não era dele, que não podia fazer nada, ou que mais lá na frente a gente acerta isso, no próximo pedido tudo estaria resolvido. E a resposta sempre foi a mesma: Não fiz o pedido com a fábrica, não foi a fábrica que me vendeu esse produto, foi você. E é você que tem resolver, ou não fornecerá mais nada, de qualquer origem, por aqui. É assim que vejo a situação do país hoje. Tenho certeza que os mais de 57 milhões de pessoas votaram em Jair Bolsonaro. Não votaram nos filhos dele, não votaram no velhaco esquisito, não votaram sequer em Sérgio Moro. Votaram nos militares? Creio que sim. Votaram em valores cristãos? Certamente. Votaram contra a esquerda? Obviamente sim. Pela modernização economica? Claro. Era isso que o eleitorado enxergava no candidato. E hoje assistimos uma guerra em que um acusa o outro e os valores eleitos foram esquecidos. Se não resolver, não compro mais.

Deixe uma resposta