PRECAUÇÃO

Nestes tempos de loucura total. Turbulências política, econômica e social, incertezas rondando o cotidiano, carestia, baixos salários, dívidas, alta inadimplência e desconfiança nas políticas salariais, faz o cidadão grudar-se na base da precaução. Não exagerar nos gastos, porém não viver no foco da mendicância. Mas, tentar manter-se no equilíbrio, evitar se expor demais no cheque especial, no cartão de crédito, nos empréstimos e nas financeiras é o melhor remédio. Ninguém deve ser fisgado pelas atrativas ondas da publicidade, cuja intuição é caçar os incautos. Senão dança na chapa quente e pra sair do fogo, sem se queimar, não é fácil. Como disse o poeta: “de perto, ninguém é normal”. Todavia, cair na tentação é moleza. Dedicar-se ao consumo irracional, é procurar sarna pra se coçar. Basta perder a concentração. O difícil é sair dela. O caminho mais plausível para escapar das armadilhas é ter noções de educação financeira. Lição que deve ser aprendida ainda na juventude.

No Brasil, prevalece a cultura de que todo mundo na velhice, vai depender da aposentadoria do governo. O que não é uma boa lição. Tá na hora do cidadão se libertar da forca de pensar exclusivamente no dia de hoje, sem se incomodar com o futuro, que é muito mais importante. Como o costume de poupar, saiu do costume do povo, restam outras alternativas para garantir um futuro melhor. Mais saudável, especialmente na parte financeira. Previdência privada e títulos de capitalização, não faz mal a ningém. São alguns conceitos que não podem ser esquecidos, recomendam os especialistas. A pessoa deve trabalhar, se possível cedo, poupar e investir as sobras. Não ser pão duro consigo próprio. Mas gastar bem menos do que ganha, é fundamental. Afinal, organizar as finanças, tem retorno. Ser fisgado pelas garras da tranquilidade, segurança e conforto é bom demais. Procedendo com inteligência, a preocupação jamais penetra. É escanteada, desprezada, especialmente na velhice.

Um dos melhores conselhos para quem é fisgado pelo vício do consumismo, ser tragado por impulso, é planejar. Priorizar as necessidades, programar os sonhos de consumo, adiar as compras supérfluas, evitar desperdícios, eliminar a despesas irrelevantes a fim de não ultrapassar os limites. Como os adultos, abaixo dos 35 anos, são as maiores vítimas da inadimplência, compete aos jovens fugir dos débitos e das despesas anormais para eliminar a rotina de passar o mês no vermelho. Com o desenrolar da tecnologia, tá fácil traçar planos. Utilizar aplicativos para construir o perfil de consumo. Uma coisa é certa. Quem se dedica à educação financeira, dificilmente se arrepende. Manuseando o parco salário com atenção, dificilmente o cidadão passa vexames, entra em fria. Uma coisa é certa. Feito o feijão com arroz, com certeza, a pessoa pula os inconvenientes que normalmente aparecem nesses tempos recheados de dúvidas, preocupações e de reviravoltas políticas.

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O brasileiro tem mania de reclamar. Botar a boca no trombone. Algumas reclamações têm procedência. Merecem divulgação para chegar no ouvido do povo. Outras, no entanto, não tem lógica. São críticas sem fundamento que deviam ser jogadas no lixo porque só provocam desentendimentos. Alimentam discórdias. Por falar em críticas, enerva ver notas, informações e discursos assegurando que os piores problemas do Brasil, foram, um dia, solucionados. Não adiados. No entanto, basta dar uma voltinha pelo dia a dia do país para constatar que os erros permanecem iguais. Não mudaram porcaria nenhuma. Aliás, houveram mudanças, mas somente para as classes privilegiadas, porque para os humildes, residentes em comunidades, tudo continua do mesmo jeito. No mesmo patamar. Com a mesma feição.

A miséria, a desnutrição, o analfabetismo, a falta de moradia, a precária saúde pública e, especialmente a concentração fundiária ainda não mudou uma vírgula sequer. Incubou-se é verdade, no entanto, jamais desapareceu do mapa brasileiro. No Relatório do IBGE, de dezembro de 1917, está bem clara a real situação social. No quesito referente ao mercado de trabalho, os dados do IBGE apontam que realmente houveram algumas transformações positivas, impulsionadas por políticas públicas. Porém, passageiras. O que destronou as conquistas foram os efeitos da crise e da estagnação que surgiram no período 2015/2016 que derrubaram o PIB, enfraqueceram o consumo, elevaram o desemprego. As causas desses desalinhamentos foram a crise política, o crescimento das dívidas, a redução dos investimentos e a presença significativa das incertezas.

Enquanto não cortarem os excessivos gastos com as mordomias políticas, o país nunca vai encontrar o Norte do progresso, da justiça e da satisfação. A mídia tá cheia de críticas fundamentadas sobre as gastanças de parlamentares. Embora não resolvidas, mas, pagas pelos contribuintes. Numa nota consta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) gastou R$ 32 mil com alimentação em 2018 e outro tanto com viagens ao exterior. Na argumentação, o Senado apenas se defende, afirmando que “quando em compromisso de natureza política, funcional ou de representação parlamentar”, as despesas são ressarcidas. O Parlamento acrescenta, a verba de alimentação em foco não ultrapassou a cota para o exercício da atividade parlamentar. Em outra nota, surgem afirmação de que “Senadores gastam até R$ 950 numa única refeição. Quer dizer, o senador gasta o valor de um salário mínimo no luxo, enquanto o povão passa um mês inteiro para ganhar e sobreviver com a família com esse tostão. É justa essa gastança exagerada, principalmente quando o governo alega que se não houver alternativas, vai faltar dinheiro para pagar benefícios a idosos pobres. Afinal, onde está o erro? Quem está certo?

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A sociedade não percebe. Mas, os mangues estão desaparecendo do mapa. Um dos maiores agressores do manguezal, ecossistema costeiro e úmido entre a terra e o mar, é a exploração imobiliária que aterra áreas e as destina para a construção. Outro fator que provoca intenso desequilíbrio ambiental na área de mangues é o despejo de esgotos urbanos. Os metais pesados dos resíduos urbanos, matam os microrganismos. O homem, na ânsia de ganhar dinheiro, explora o mangue sem se preocupar com o futuro. Desconhece a importante função que este ecossistema exerce na face da Terra. Equilibra o meio ambiente, serve de berçário e abrigo para diversas espécies marinhas se reproduzirem naturalmente, além de funcionar também como protetor contra inundações, erosão, ressacas e tsunamis. Todavia, por causa do cheiro forte, resultado do acúmulo de sedimentos orgânicos em decomposição e o reduzido grau de oxigênio, pessoas desinformadas aterram ou transformam o local em lixões. Matando riquezas.

A água salobra do manguezal, formada em tempo de maré alta, mistura da água do mar com a dos rios, forma um excelente habitat para peixes, ostras, cavalos marinhos, moluscos, crustáceos, marisco, camarão, aves marinhas, répteis e anfíbios. As raízes aéreas das árvores exercem várias tarefas. Funcionam como respiradouro para as plantas da vegetação local, que respiram pela raiz. São justamente as raízes altas que ajudam a evitar o impacto das ondas maiores que impedem a retirada do solo, úmido, salgado, lodoso e pobre de oxigênio, porém altamente rico em nutrientes. Protetor da a erosão marinha. Como a costa litorânea brasileira é extensa, vai do Amapá até Laguna, em Santa Catarina, está cheia de rios sinuosos, na beira de baías e estuários, onde os mangues se formam. Por serem locais seguros, os mangues funcionam como locais de desova para muitas espécies marinhas. Caso a ganância humana não fosse tão egoística e agressiva, os mangues não sofreriam a fúria dos construtores de casas de veraneio, marinas e portos e nem a invasão da cana de açúcar que aproveita a terra fértil para aumentar o canavial.

Os caranguejos são frutos do manguezal. Aliás, mais de 90% do alimento marinho ingerido pelo homem provém da pesca. Por isso, são muitas as comunidades pesqueiras que dependem do manguezal. Bioma considerado como área de desova. Quando não pesca, essa gente, no tempo de maré baixa, aproveita a folga do serviço para retirar a madeira a fim de construir suas modestas casinhas, construir jangadas, servir de lenha para cozinhar e garantir a subsistência da família. Quando são destruídos, os manguezais causam enormes prejuízos. Cortam trabalho e renda. Como as florestas de manguezais são destruídas em larga escala, desde a década de 80, é necessário cuidar um pouco mais desses pontos de descanso, alimentação e reprodução de aves, moluscos crustáceos e peixes para o bem da economia e do bem social do país.

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Apesar de ser uma atividade milenar, nem todo mundo tem o dom de cultivar a terra com fins produtivos. Explorar a agricultura com técnica para obter alimentos e matéria prima destinada à indústria. A terra é a principal fornecedora de fibras, energia, insumos para a fabricação de roupas, combustível, medicamentos, ornamentação e até para o setor de construção. Foi através da agricultura que o homem, nos primórdios da civilização, despertou curiosidade para viver em sociedade. Dividir o espaço e a produção com o vizinho. Antes de ter noção social, o homem, ainda meio bruto, dedicava-se somente as atividades de caça, pesca, coleta de frutos e de plantas para a sobrevivência.

Depois então que a raça humana aprendeu a cultivar cereais e tubérculos, às margens dos rios Tigre, Eufrates e posteriormente ao longo do rio Nilo, na região da Mesopotâmia, Egito, a alimentação familiar, mais consistente, melhorou bastante. Os descendentes puderam viver com saúde e mais disposição, principalmente após a inclusão da pecuária na atividade do campo. Todavia, com o passar dos anos, as pessoas foram compreendendo os efeitos da mudança do tempo. Logo, aprenderam a técnica de construir abrigos para se proteger do sol, das geadas e dos invernos pesados. À medida que o tempo passava, souberam inventar utensílios para o trabalho no campo. Marcando o inicio da tecnologia.

A partir daí a agricultura detonou. No Brasil, em especial, colaborou no crescimento econômico. Além de produzir alimentos, oferta produtos primários para a indústria, comércio e serviços. A agricultura nacional anda se comportando tão bem que colocou o país como o terceiro maior exportador do mundo. Neste ponto, o Brasil só perde para os Estados Unidos e a União Europeia. Em 2017, a safra de grãos nacional passou dos 237 milhões de toneladas. No complexo da soja, arrasa. Em alguns aspectos, a agricultura é destaque. Gera emprego e renda, amplia a distribuição de renda, combate a fome com o setor da agricultura familiar. Aliás, foi com a expansão de gêneros alimentícios que a pauta de exportação brasileira cresceu. A venda de commodities, soja, cana de açúcar, café, milho, algodão, laranja, mandioca, arroz, cacau e tabaco tem favorecido o agronegócio nacional.

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