PEQUENA HISTÓRIA DA (QUASE) REPÚBLICA SOCIALISTA DE ITAPETIM

No período do governo militar, mais precisamente entre 1967 e 1977, o Brasil se tornou um barril de pólvora com vários grupos de esquerda organizando ações por todo o Brasil. Muitos comunistas foram enviados a Cuba, China e União Soviética para receber treinamento em guerrilhas urbanas e rurais, e ao retornarem ao Brasil espalharam focos de multiplicação da ideologia marxista-leninista, com o objetivo de criar um clima propício para a tomada do poder, tomando como base as vitoriosas revoluções cubana e chinesa. O movimento de guerrilha rural que ficou mais conhecido, embora só tenha sido divulgado para o grande público brasileiro após a redemocratização, foi a do Araguaia, organizado pelo PCdoB na região de Marabá e Xambioá, nas margens do Rio Araguaia, no limite dos estados do Pará, Maranhão e Goiás, hoje Tocantins. Vários militantes comunistas vieram de vários locais do Brasil e se passavam por pessoas comuns que foram para a região em busca de novas oportunidades. Lá os médicos consultavam, outros abriram pequenas bodegas, lecionavam, plantavam e divulgavam de leve seus ideais comunistas entre a população miserável e analfabeta, explorada por proprietários de terra e políticos da região. Estava formada a Guerrilha do Araguaia, que só seria debelada pela luta armada com o exército brasileiro. Um dos primeiros presos no Araguaia foi José Genoíno, ex-deputado federal pelo PT. Pelo lado dos militares que atuaram no combate a guerrilha, o mais famoso foi o Major Curió, também ex-deputado federal pelo PDS.

1. Militares desembarcando na área do conflito 2. José Genoino preso; 3. Guerrilheiros mortos

Longe do Araguaia outro grupo de comunistas se instalava em Pernambuco na divisa com o estado da Paraíba, na cidade de Itapetim, mas precisamente no povoado de São Vicente. Não podemos falar de grupo, visto que só se tem noticia de um comunista, podendo ter havido outros, pois a regra era esta em outras regiões, eles se passavam por desconhecidos entre eles, mesmo morando próximos. O militante de extrema esquerda que veio para a região das cabeceiras do Rio Pajeú foi João Leonardo da Silva Rocha, conhecido no local como ‘Zé Careca’, ex-funcionário do Banco do Brasil e professor de inglês e latim. No final dos anos 60 ficou preso no DOPS por ser integrante da ALN. É suspeito de ter participado do assalto ao trem pagador em Jundiaí e de ser um dos assassinos do militar americano Charles Chandler. Foi solto e expurgado do Brasil para o México em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que havia sido sequestrado por militantes de esquerda. Em 1971 entrou clandestinamente no Brasil com outros militantes, entre eles o ex-ministro José Dirceu, e criaram a MOLIPO, Movimento de Libertação Popular.

Treze terroristas libertados em troca do Embaixador americano Charles Elbrick. José Dirceu é o segundo de pé e João Leonardo (de bigode) o primeiro agachado.

João Leonardo foi morar no sítio Baixio, onde comprou um pequeno terreno, a cerca de 2 km do povoado de São Vicente, já perto da divisa com o município de Livramento no estado da Paraíba. Casou-se com uma viúva, Dona Virgínia, proprietária de um bar no povoado. Dona Virgínia morreu em 1990 sem saber do histórico revolucionário do ex-esposo. Eu visitei o local em 2011, junto com meu irmão Cil Mascena e o primo Aguinaldo Pires, fomos no sítio Baixio e entramos na casa em que morou Zé Careca, junto com alguns moradores da vizinhança, que conviveram com o guerrilheiro sem saber da história de Zé Careca, mas me disseram que já estranhavam alguns costumes do forasteiro, como escutar rádio em inglês, dizia que não entendia nada, mas as vezes comentava algo que o locutor falava. Outro fato que eles me contaram foi que João Leonardo sempre matava bode e convidava os vizinhos para comer, mas seu rebanho não diminuía, muitos anos depois souberam que era carne de cachorro.

Eu visitando a casa de Zé careca no Sitio baixio

No povoado encontramos com o dono da farmácia, o qual não me-lembro o nome, que era filho de dona Virgínia, viúva de Zé Careca. Ele disse que Zé Careca conheceu a mãe dele frequentando o bar, tratava muito bem os enteados e costumeiramente viajava dizendo que ia para São Paulo visitar a família e trazia pequenos presentes para os enteados. Ele lembra que certa vez uma peça da máquina de costura da mãe quebrou e ela pediu para Zé Careca comprar, ele trouxe a peça em um papel de embrulho com o nome de uma loja de São Paulo, mas o tempo que ele passava viajando era muito pequeno para este deslocamento naquela época. Depois José Dirceu disse que se encontrava com ele em Arcoverde regularmente para trocar informações. Em um dia da feira de São Vicente em 1975, em uma sinuca, houve uma briga e chamaram a polícia de Itapetim, neste interstício Zé Careca chegou para jogar sinuca e quando viu 2 policiais descendo do jipe e se dirigindo para o bar, correu por trás e fugiu para o sítio, chamou a esposa, deu o terreno a ela dizendo que precisava fugir, foi para Sumé na Paraíba e de lá viajou para o interior da Bahia, onde foi morto em confronto com a policia militar em Palmas de Monte Alto, algum tempo depois.

Entrevista com o então Ministro José Dirceu e a ex-guerrilheira Ana Corbisier

Na pracinha do povoado tem um monumento que homenageia Zé Careca. O então ministro José Dirceu visitou o lugar em 2011 e afirmou que estaria colhendo informações para fazer um filme em homenagem ao guerrilheiro amigo, porém este documentário nunca foi concluído.

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  1. George, não chame essa gente boa de terroristas. Eram investidores, como diz Millôr Fernandes. A indenização que eles receberam, recebem ou irão receber, como no caso de Dilma cujo processo está sendo analisado, mostra que Millôr tinha razão.

    Entre os 13 estava Gregório Bezerra. Na minha opinião o único que se manteve fiel às suas convicções. Saiu para Cuba e depois URSS. Os outros, todos eles procuram países capitalistas pra viver.

    Francisco Julião (México), Brizola (fazendeiro no Uruguai e para ele era cômodo porque ele organizava a guerrilha e pulava a cerca, ou seja, a fronteira. Para acabar com esse movimento veio a famosa Operação Condor.), Arraes (Argélia), enfim, faça o que digo, mas não faça o que eu faço.

    Franklin Martins, tornou-se um renomado jornalista, comentarista da Rede Globo. Esse “guerrilheiro” foi delatado pelo casal de marqueteiro do PT. Recebeu caixa 2 segundo a delação, Maduro pagou US$ 11 milhões pela campanha de Hugo Chávez. O dinheiro arrecadado era repassado a Mônica Monteiro, esposa de Franklin.

    De acordo com a carta que ele fez enfatizando que a guerrilha assaltava bancos para se financiar, Franklin Martins percebeu que era mais fácil assaltar os cofres públicos porque no caso dos bancos a polícia poderia prender, mas torrando R$ 6 bilhões numa TV pública que ninguém assuste não teria problema porque ele tinga a proteção do governo.

    Franklin Martins é craque na arte de conspirar. Devemos a ele a proposta de controle da mídia.

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