DOR NO ANEL

Dia 16, sábado passado, fiz uma postagem dando notícias dos exames a que fui submetido.

Tudo em decorrência dos desmantelos acontecidos nas minhas tripas e no meu bucho.

E dei notícias da dedada que levei no furico quando cheguei à emergência do hospital.

Ô dotô do dedo grosso que só a porra!!!

Aí o cabra safado do Joaquim Francisco, leitor viciado e fiel desta gazeta escrota, postou um comentário que continha apenas um vídeo.

Um vídeo com uma música cujo título era ANEL DO IDO.

É pra lascar!!!

O meu anel, o meu recatado fiofó, servindo de mangação pra esse povo.

Sequiessê uma falta de respeito da porra!

ALEGRIA, ALEGRIA – POR ENQUANTO

Carlos Brickmann

As poucas informações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência já provocaram euforia no mercado: Bolsa em elevação, dólar em baixa. E, no fundo, Bolsonaro só disse de novo que a idade mínima para aposentadoria será de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens (aliás, nem isso era exatamente novidade: a novidade é ele ter sacramentado essas datas). Mas a expectativa do mercado é boa: a Bolsa espera romper a barreira dos 100 mil pontos, o ministro Paulo Guedes fala em economizar R$ 1,1 trilhão em dez anos. Ah, há outra novidade: o prazo de transição será de dez anos. Ou seja, aprovada agora como foi proposta, a reforma da Previdência fará com que, no final do mandato de Bolsonaro, homens se aposentem com 61 anos e seis meses, e as mulheres com 57 anos e seis meses; em 2029, os homens se aposentarão com os 65 anos. A transição das mulheres deve ir até 2031.

Fechado? Não é bem assim. O que se comenta é que há um colchão na reforma, pronto para absorver emendas mais suaves propostas pelo Senado e Câmara. De qualquer maneira, o alívio nas contas públicas será grande.

E agora? O ideal para o Governo é aproveitar seu capital político, a força da vitória, e passar logo a reforma. Com o tempo, a lembrança da vitória fica mais tênue, e 001, 002 e 003 limarão o prestígio do pai até transformá-lo num Zero. Quem já brigou com o vice, com o chefe da campanha e um trator como Joice Hasselmann não pode ser subestimado.

Quem tem a força

O Governo Bolsonaro, imagina-se, acaba de começar. O primeiro lance, diga-se, foi um êxito: os chefões do crime organizado paulista foram para prisões federais, conforme pedido do Ministério Público, e as medidas de segurança que o Governo tomou impediram até agora aquilo que se temia: a volta do clima de guerra civil no Estado, com bandidos atirando em todos os policiais que viam. Esta é a área de Sérgio Moro, um dos sustentáculos do atual Governo. Se a reforma da Previdência passar, se forem cumpridas as promessas de privatizações e da redução da máquina administrativa, será um sucesso da área de Paulo Guedes, de longe o mais importante ministro de Bolsonaro. Se a economia der certo, os Recrutas Zero, os ministros mais pitorescos, a turma do vai-vem podem fazer bobagem que o eleitor não vai dar bola. Se a economia der certo, será um grande Governo. Se a economia não der certo, será no máximo um Governo médio com acertos e erros.

A voz do povo

A Taboola, líder mundial na avaliação dos desejos dos consumidores, apurou que Paulo Guedes, da Economia, é o ministro mais lido nas redes sociais. A Taboola chegou a esta conclusão a partir do acesso que tem a 9 bilhões de page-views e 70 milhões de horas na Internet. Guedes é o mais lido; o segundo é Moro. Damares, com todas as declarações que provocam turbulência, é a terceira, com menos da metade das leituras de Guedes.

Seguem-se Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo, Tereza Cristina, Ricardo Salles, Marcos Pontes, general Fernando Azevedo, da Defesa, e Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação. Os outros – bem, os outros estão atrás não só da Damares mas também do Rodríguez. Não se preocupe com eles.

Podia, mas não pode

Fábio Giambiagi, um notável economista, fez praticamente toda sua carreira profissional no BNDES, como funcionário de carreira, nos mais diversos governos. Nessas condições foi convidado a escrever artigos no jornal Valor Econômico. Em 2015, quando o Valor comemorou 15 anos, promoveu uma série de entrevistas com seus colunistas, incluindo Fábio Giambiagi, e salientando sua condição de economista do BNDES.

Bom, 2015 era época de Dilma presidente. Agora, Fábio Giambiagi foi afastado do Valor por ser economista do BNDES – seu emprego de sempre. Só mudou uma coisa: o nome do presidente é Bolsonaro, não Dilma.

A lei é para todos

A deputada federal Bia Kicis, do PFL brasiliense, quer revogar a PEC da Bengala – a emenda constitucional que passou a idade de aposentadoria de ministros do Supremo de 70 para 75 anos. Diz que a extensão do mandato dos ministros “impede a oxigenação da carreira”. Mas o objetivo é outro: é abrir vagas para que Bolsonaro nomeie ministros que considere mais próximos. É um erro: Lula acreditava nisso e descobriu que as promessas de um candidato nem sempre são cumpridas após a nomeação. Segundo, a lei deve visar casos futuros, e não mudar as regras no meio do jogo. Os EUA não forçam ministros da Suprema Corte a se afastar: aposentam-se quando não mais se sentem em condições de julgar (se um tiver problemas e não se afastar, os demais votam sua aposentadoria). Para que pagar aposentados a mais e perder a experiência dos mais velhos?

Mal comparando

Pensando bem, o Michelzinho deu muito menos trabalho.

ANALFABETO ESCREVENDO

“Não reconheço a legitimidade dessa sentença, sou inocente e, por isso, vou recorrer.”

A declaração foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ser intimado sobre sua nova condenação, a 12 anos e 11 meses de prisão, na ação envolvendo o sítio em Atibaia.

* * *

Marcola e Fernandinho Beira-Mar também dizem que não reconhecem as sentenças que a Justiça enfiou no rabo deles.

Olha aqui, Lula da Silva: num tem que reconhecer nada, seu idiota.

Tem só que cumprir a pena.

Tu tás preso, babaca!!!

PREVIDÊNCIA BRASILEIRA

Adonis Oliveira

Projetada para ser roubada!

Dentre o imenso volume de canalhices e patifarias perpetradas pela nossa máfia política, sobressai o conto do vigário aplicado pelo sistema de previdência pública. A roubalheira é tão grande que mesmo os maiores crimes de corrupção e enriquecimento ilícito de nosso país, já considerados os maiores da história da humanidade, tornam-se minúsculos se comparados a esse estupro continuado. Vemos lá todos os mesmos ingredientes necessários à realização dos grandes crimes financeiros:

• Fluxo contínuo de montanhas imensas de dinheiro sendo drenado de absolutamente todos (ou quase todos) os trabalhadores do país, sempre de maneira sub-reptícia.

• Origem incerta, difusa e de difícil determinação sobre a origem desta fortuna, sua destinação e com quais critérios. Isso torna impossível aos interessados atuarem sobre o direcionamento do sistema.

• Indefinição sobre quem paga (empregados, patrões ou governo?), quem se beneficia e quais os critérios.

• Instabilidade na geração de receitas, tornando impossível o cumprimento dos compromissos assumidos demagogicamente na época das vacas gordas.

Esta é exatamente a mesma receita da roubalheira praticada por ditaduras sobre os imensos fluxos financeiros oriundos do petróleo, dos diamantes, da caça ilegal, das drogas e demais patifarias. No nosso caso, a matéria prima é vender a ilusão de uma aposentadoria após toda uma vida de trabalho honesto.

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GERAÇÃO CIBERNÉTICA

José Narcelio

Final de semana passada visitei um casal amigo, veranista de uma das belas praias do litoral potiguar. Além de curtir o estonteante panorama do recanto, pude me divertir com a espontaneidade e inteligência de Marina, uma criança de quatro anos de idade, neta do casal anfitrião, autênticos avós-corujas.

Marina pertence àquela geração que nos espanta pela sagacidade e rapidez de raciocínio tão comum nas crianças da atualidade. Geração essa familiarizada com a internet, consumidora da programação infantil das TVs, de revistas Recreio, de jogos eletrônicos, do telefone celular, privilegiadas portadoras de perspicácia acima da média estabelecida como padrão nas avaliações escolares.

Conversar com Marina lembrou-me o convívio com meu neto mais velho – hoje com 11 anos -, quando da mesma idade da neta do casal amigo. Luís Filipe – esse é o seu nome – perguntou-me certa vez: “Vovô, por que o peixe prego tem medo de água salgada?” Sem pensar duas vezes, respondi: “Deve ser por receio de enferrujar”. E ele: “Errou!”. Complementando em seguida: “É por medo do tubarão martelo”.

Isso não teve qualquer relevância diante da próxima pergunta:” Vovô, você sabe o que é hipopotomonstrosesquipedaliofobia?” Perplexo, eu larguei a revista que folheava e exclamei: “O que! Você pode repetir essa aberração?”. E o moleque repetiu soletrando, pausadamente, cada uma das 15 sílabas da palavra de 33 letras. Deixei escapar um “Não sei!” cauteloso. Então ele esclareceu: “É o medo irracional de pronunciar palavras grandes ou complicadas”.

Não convencido com a explicação do neto, disfarcei minha incredulidade e, sorrateiramente, entrei na internet e constatei a existência daquela monstruosidade gramatical da nossa língua, assim como me foi perguntado por Filipe.

Esse meu neto agora tem predileção por História Universal. Ano passado ele preparou uma explanação sobre a Primeira Guerra Mundial para apresentação em sala de aula, e se propôs reprisar a palestra para o avô. Acontece de ele não avisar que o trabalho fora elaborado para a sua turma do Open Doors e, como não poderia deixar de ser, em inglês. Vi-me obrigado a declinar do convite para não decepcionar Filipe, novamente, hoje fluente naquele idioma.

É impressionante a carga de informações imputada aos jovens da atualidade por diferentes meios de comunicação. Bem como a facilidade de aprendizado por artifícios eletrônicos, recursos inimagináveis para a juventude de outrora.

Longe de mim invejar não haver desfrutado do atual progresso educativo. Se assim fosse, eu não guardaria na lembrança momentos maravilhosos decorrentes das brincadeiras inocentes, porém envolventes, da minha época de criança.

Embora sem haver desfrutado, na infância, de embates com jogos eletrônicos ou demais recursos cibernéticos, meus netos, em contrapartida, não sentiram o prazer das peladas com bolas de meia ou de pegas com carrinhos de madeira ou em cavalos de pau produzidos artesanalmente. Tampouco conseguem admitir a possibilidade de criação de batalhas impagáveis dispondo apenas da imaginação e de um punhado de soldadinhos de chumbo.

O único sentimento a permanecer inalterado é o instinto maternal das meninas. Brincar com bonecas, sejam molambos ou modelos sofisticados, guardará o mesmo encantamento antes, agora e sempre. É essa sensação que Marina e minhas netas, Gabriela e Ana Júlia, transmitem quando embalam, em êxtase, as suas bonecas.

EM CASA

Já estou em casa.

Desfazendo as trouxas e botando os fuxicos em dia.

Ainda hoje, antes do sino bater a meia-noite, esta gazeta escrota será atualizada.

Não precisa ninguém ficar desesperado, roendo as unhas ou rogando pragas.

Tenham calma e aguardem com paciência.