OS CONES INFERNAIS

Os cones de tráfego (também chamados cones de estrada ou cones de segurança) são cones de plástico, de cores brilhantes e fortes. São sempre vermelhos, amarelos ou laranja, com uma fita refletora que os torna mais visíveis., Esses cones são muito usados nas estradas e também dentro das cidades. Tem a finalidade de avisar aos condutores de veículos, que por ali trafegam, algum desvio necessário, em decorrência de obras ou serviços. São usados, também, nas Blitz, dentro ou fora da cidade.

Dentro das cidades, quando necessário, os cones são usados para organizar o trânsito em frente às escolas, espaços públicos , ou marcar ruas em obras e serviços, que impliquem em desvio de passagem de veículos..

Esses cones são fáceis de colocar e retirar. Onde se precisam de marcas maiores e consistentes se utilizam barreiras de tráfego, recheadas de areia.

O furto de cones de tráfego parece ser comum entre vândalos, pessoas embriagadas e violentas. Eles são usados na realização de blitz nas estradas, em vésperas de feriados e nos dias de carnaval. São de grande utilidade. Entretanto, em Natal, nos últimos anos, os cones de tráfego passaram a invadir o espaço de circulação de pessoas e veículos, a ponto de impedir a passagem por algumas ruas e lojas, dificultando a vida do povo. Os cones deixaram de ser usados somente pelo DETRAN, passando agora, ilegalmente, a serem usados por particulares, donos de garagem e lojas, impedindo o estacionamento de veículos em sua frente. O uso dos famigerados cones invadiu indiscriminadamente o comércio do Bairro do Alecrim, a ponto de você se ver obrigado a usar estacionamentos privativos e afastados. Os logistas não permitem que se estacione na frente de suas lojas, mesmo que o condutor do veículo seja um freguês.

O contribuinte paga IPTU e IPVA, e se vê impedido de circular livremente, a pé, ou de carro, pelas ruas da cidade. Centenas de “amarelinhos” (a cor da farda é amarela), servidores da “indústria da multa”, com talonário e caneta bic na mão, “pastoram” quem infringe as absurdas regras estabelecidas para o condutor de veículo particular ou não, gerando multas altas e constantes. Os guardas de trânsito, jocosamente chamados de amarelinhos, estão em toda parte, caçando presas para multar e garantir suas gratificações na folha de pagamento.

Além do desassossego provocado pelos agentes de trânsito (Amarelinhos), com um talonário de multas e uma caneta “bic” na mão, aplicando multas absurdas, até em portas de hospital, finais de semana, deparamo-nos, agora, com a proliferação de cones de trânsito por toda parte, atrapalhando a passagem de pessoas e veículos..

Sábado à tarde, precisei parar numa padaria, no Tirol, e a Avenida Afonso Pena estava interditada, cheia de cones impedindo a passagem de veículos, e com barracas armadas e espalhadas nas duas vias (mão e contramão), A metade da Avenida Afonso Pena, uma via pública, de intensa movimentação, estava à disposição de um logista, durante toda a tarde do sábado. Estava servindo a uma exposição de produtos encalhados de uma determinada loja. Um evento de iniciativa privada, impedindo a passagem de veículos.

Certa vez, num dia de semana, às 13 horas, precisei ir ao Escritório de uma Casa Funerária no Alecrim, pegar a Nota Fiscal das despesas que havia pago pelo funeral de uma tia minha e fiquei procurando vaga para estacionar o carro. Depois de rodar muito, sem encontrar onde estacionar, vi um espaço na frente de uma loja, com dois famigerados cones impedindo o estacionamento. Já estressada, num calor de quase quarenta graus, e cansada de ouvir das pessoas que ali era “estacionamento proibido”, dei uma de doida. O escritório da Funerária ficava perto de onde eu estava, e a Nota Fiscal das despesas, segundo informação que me fora dada por telefone, já estava pronta. Em menos de 20 minutos, daria para eu ir e voltar. Parei o carro entre os dois cones, e foi o suficiente para vir correndo um vigilante da loja e me mandar tirar o carro. Na mesma hora, chegou um guarda de trânsito e me pediu para eu estacionar em outro local. Chorando de raiva e muito nervosa. implorei ao guarda :

-Pelo amor de Deus, seu Guarda, deixe eu parar esse carro aqui, pois só quero ir ali àquele Escritório do “Grupo Vila”, buscar uma Nota Fiscal, que já está pronta, referente às despesas do funeral de uma tia minha, que se enterrou ontem. Eu volto rapidamente.

Nessas alturas, meu nível de estresse aumentou e eu disparei no choro. O guarda me olhou assustado , tirou os cones da frente da calçada da loja e disse:

-Tenha calma, senhora! Já que é coisa rápida, pode deixar o carro aqui. Eu mesmo vou ficar pastorando, para evitar que um colega meu venha lhe aplicar uma multa e queira rebocar o veículo.

Quase sem acreditar naquele fato, para mim inédito, do próprio guarda de trânsito me tratar com tanta gentileza, fui quase correndo ao escritório do Grupo Vila, recebi a Nota Fiscal que já estava pronta, e retornei como um raio.

Agradeci ao guarda e ele me tratou com muito respeito. Saí dali, ainda triste, tanto pela morte da minha tia Edite, como pelo estresse que acabara de passar. Entretanto, senti-me gratificada, por ter encontrado, naquele momento, um Guarda de Trânsito tão humano.

Lembrei-me do filme “OS BRUTOS TAMBÉM AMAM”.

14 pensou em “OS CONES INFERNAIS

    • Obrigada pelo comentário, prezado Flávio Feronato! Cada vez mais, o cidadão de bem, contribuinte obrigatório de tributos, tem seu direito de ir e vir, limitado..Realmente, o poder público inferniza a vida dos cidadãos, dificultando a passagem de pessoas e veículos pelas vias públicas..

      Um abraço!,

  1. Ao longo da sua dissertação, cheguei a pensar que essas cenas haviam acontecido em Sobral-Ceará. Mas, logo constatei que faltaram dois agravantes: Um flanelinha para lhe extorquir e um meliante para lhe assaltar no percurso até o Escritório da Funerária.

    • Obrigada pelo comentário, prezado José Salvador Pedroza. Esse fato ocorreu aqui em Natal mesmo. Não deu tempo de chegar um flanelinha para me extorquir, pois eu não tinha onde estacionar o carro. As ruas não nos pertencem mais…Temos muitas obrigações e poucos direitos.Também, por sorte, escapei de ser assaltada..

      Um abraço!

  2. Violante,

    A crônica me deixou surpreso pela atitude fraterna do guarda de trânsito. É muito difícil encontrar gentileza nesses dias agitados das grandes cidades. As pessoas estão ficando egoístas e só pensam e agem como na famigerada Lei do Gérson:”Gosto de levar vantagem em tudo”. O ex-jogador de futebol Gérson fez uma propaganda para determinada marca de cigarro que ficou famosa pela atitude egoística de querer se dá bem em qualquer situação. Acredito que o famoso jogador da copa de 70 deve está profundamente arrependido de ter seu nome utilizado com um objetivo de deseducar o povo. Parabéns pela escolha de um assunto extremamente importante para uma sociedade tão carente de ética.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Obrigada pelo gratificante comentário, prezado Aristeu Bezerra! Depois de rodar muito, sem poder estacionar o carro, tive a sorte de me deparar com uma situação raríssima de acontecer: Um guarda de trânsito solidário e humano, que se compadeceu do meu estresse. Achei que foi um milagre. Agradeci a Deus e também à minha tia Edite, que tinha sido sepultada na tarde anterior..
      Diferente da Lei do Gerson, o guarda, gratuitamente, praticou uma boa ação,

      Um abraço e um feliz fim de semana!

      Violante

  3. Se no local não havia sinalização oficial de estacionamento proibido, o guarda de trânsito tem a obrigação não só de não incomodar nossa querida Violante, como também de retirar os cones e avisar os responsáveis pela loja que obstrução de espaço público é crime. Se não fizesse isso, o guarda também estaria cometendo crime, possivelmente prevaricação.

    Ainda bem que esta moda não chegou aqui pelas minhas bandas. Eu sou meio chegado numa encrenca, ia dar confusão logo, logo…

    • Obrigada pelo comentário, prezado colunista Marcelo Bertoluci! O pior é que os famigerados cones, agora, nos são impostos nas ruas como sinalização, até por particulares. em frente de lojas e garagens..,É claro que algum “agente” desonesto está recebendo “bola” (o nome agora é propina) por essa permissividade Reze para que essa moda não chegue aí…rsrs.

      Um abraço!.

  4. Dona Violante Pimentel:

    Das 05:30 às 09:00, de 2ª à 6ª feira (na Rádio Guaíba, de Porto Alegre – RS), há um excelente programa de músicas, entrevistas e comentários, regido por Rogério Mendelski e seus convidados – aliás, o único não contaminado pela esquerdopatia reinante – e que, por isso mesmo, sempre que posso, acesso pela Internet.

    Afora as músicas belíssimas, o cerne é sobre as sempre presentes e prepotentes atuações de funcionários – particulares ou não, de municipais a nacionais.

    E, para isso, demonstrando que “quer conhecer o vilão, dá-lhe o bastão”, raríssimas vezes, há um caso – como esse que condoeu-se da senhora.

    A maioria absoluta é de idiotas do tipo “sabe-com-quem-está-falando”, exigindo uma obediência ao prepotente recalcado – que nem de longe tem a “otoridade”, que ele mesmo se atribui.

    E ai de quem se topa com um comuníssimo imbecil desses e/ou precisa de seus serviços e/ou de sua ajuda.

    Então, o “reizinho-de-araque” infla-se de seus autos e pseudos poderes e derrama seus reprimidos recalques, de toda ordem, sobre a vítima ao alcance de suas “funções”.

    E, para isso, o Rogério Mendelski tem uma frase lapidar, antológica:

    “Nesse momento, a maioria absoluta dos tais funcionários tem o seu único gozo sexual, o seu único orgasmo possível – que é o de ‘encher o saco’, ou seja, de tripudiar sobre aquele a quem deveriam servir.”

    Um baita abraço,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail.

  5. Obrigada pelo comentário, prezado Adail Augusto Agostini! De um modo geral, os Agentes do trânsito são prepotentes e arrogantes, sem falar em alguns desonestos, que atuam na estrada, entre a Paraíba e Pernambuco.
    Nunca tinha visto um guarda de trânsito tratável e solidário. Pelo contrário, eles só abordam os condutores de veículos, com grosseria, sem a mínima consideração a ninguém, seja homem ou mulher. Eles tem prazer de tripudiar sobre os cidadãos de bem. O caso que ocorreu comigo, considero um “milagre”.

    Um grande abraço e um feliz fim de semana!

    Violante Pimentel

    • Como diz o Rogério Mendelski:

      “Nesse momento, a maioria absoluta dos tais funcionários tem o seu único gozo sexual, o seu único orgasmo possível – que é o de ‘encher o saco’, ou seja, de tripudiar sobre aquele a quem deveriam servir.”

      A prepotência, a arrogância deles deve-se a que sempre estão de mal com a vida, isto é, são uns mal amados, uns invejosos – originado de que são, como se diz por aqui, uns “brochados”.

      Duvido que alguém – que está de bem com a vida, a começar por ser bem amado e amar alguém – aja de maneira indelicada, seja onde e com quem for.

      E, infelizmente, os mal-amados, os “brochados” vão, sempre, a procura de funções onde, invejosos e bancando uma “otoridade” que não têm, possam se vingar – de sua vidinha medíocre, sem fundamento, sem amor e sem prazer nenhum – nos e dos que precisam de sua ajuda, do bom exercício de suas funções.

      Se fosse em um país decente, bastava uma queixa comprovada, e essas “imundícies” seriam despedidas na mesma hora, sem direito a nada.

      Mas estamos em uma América Latrina, onde a maioria absoluta quer um emprego para viver exigindo os seus “dereitos” – cada vez maiores, mas trabalhar e ser eficiente, enfim, cumprir bem os seus deveres – nunca!!!

  6. Essa frase de Rogériio Mendelski,, que o senhor citou, é muito verdadeira. Esses servidores frustrados e pobres de espírito, realmente se divertem, dificultando e atrapalhando a vida dos cidadãos de bem. Agindo dessa maneira, sentem-se importantes e tentam tirar seus recalques. . Como nesta vida só se colhe o que se planta, uma vez por outra, são vítimas de represálias.

    Um abraço, Sr. Adail Augusto Agostini, e um excelente final de semana!

  7. Excelente desabafo, queridíssima Violante Pimentel nesse OS CONES INFERNAIS.

    Infelizmente a maioria dos estados brasileiros são verdadeiros sanguessugas da nossa honestidade, nos furtando direta e indiretamente sem, em contrapartida, nos oferecerem nada que preste. Bons serviços!

    Desde 2012 que não dirijo carro devido a um assalto a que quase viajei para a cidade de pés juntos em plena avenida do Centro movimentadíssima!

    Motivo do engarrafamento: passeata petista só para perturbar em nome de uma moralidade inexistente, com cones e pneus velhos queimando à frente!

    Eram dez horas do dia, quando um meliante “adolescente” sacou dum treizoitão e, nervoso, cheio de cannabis sativas, pipinou por três vezes na minha testa!

    Não tivesse um soldado a paisana no outro carro, que lhe sapecou três tiros no bucho, eu não estaria hoje lhe contando essa história!

    Nunca mais tive condições de dirigir! Quando pego na direção, começo a tremer, toda cena me vem à cabeça feito uma tempestade!

    Fraternais saudações querida colunista, com ótimo final de semana para a nobre cronista e os seus entes queridos!

  8. Obrigada pelo comentário, querido Colunista Cícero Tavares!! Muito chocante o seu relado do assalto que sofreu no trânsito, e, graças a Deus, escapou..

    A classe trabalhadora recebe vencimentos ou salários com uma mão, e com a outra devolve uma grande parte ao poder público, sob a forma de impostos, taxas e contribuições de melhorias.. . Como se isso não bastasse, existe agora uma verdadeira indústria de multas, aplicadas pelos agentes do trânsito (Amarelinhos) aos condutores de veículos, pelos motivos mais absurdos.

    Para completar o desassossego, surgiram os famigerados cones, para limitar o estacionamento e proibir a circulação de veículos por determinadas ruas.

    Nossos direitos, como contribuintes, estão diminuindo e as obrigações aumentando.

    Um grande abraço e um excelente domingo para você e seus familiares!

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