O PARAÍSO DOS PUXA-SACOS NAZISTAS

Comecei a trabalhar em indústrias no início de 1974. Era o auge do “Milagre Brasileiro”. Eu tinha 17 anos e havia sido aprovado recentemente no exame vestibular para o curso de engenharia mecânica da Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco. A vida era uma estrada aberta à minha frente. O mundo me pertencia.

Desde as primeiras funções desempenhadas, constatei que, salvo raríssimas exceções, a ascensão profissional de qualquer indivíduo dentro das organizações por onde passei, estava diretamente vinculada à capacidade de puxar o saco e babar os ovos dos chefes. Isto, juntamente com uma imbecilidade aguda e uma capacidade infinita de se constituir em carrasco e algoz daqueles que dessem o azar de lhes ser subordinados.

Em suma: Quanto mais imbecil, inescrupuloso e carrasco você se mostrasse, mais rápido você seria promovido!

Aliás, essa se tornou a maneira através da qual pude aquilatar, de forma rápida e precisa, o caráter das pessoas com quem estabelecia relações: Babão para cima e carrasco para baixo? É UM IMBECIL! Além de carreirista.

Podemos facilmente concluir que, a partir desse estado de coisa, não se costumava encontrar ambientes de trabalho muito saudáveis nas empresas. Muito pelo contrário. Eram, geralmente, ambientes altamente tóxicos e insalubres, especialmente no que se refere aos relacionamentos humanos e aos aspectos psicológicos.

Outra conclusão automática é que, o fato de tentar me manter de espinha ereta e me comportar de forma digna e honrada, não contribuiu muito para o meu progresso dentro das organizações. Esta foi a razão que me forçou a ter de peregrinar por umas 15 empresas diferentes, a fim de sair da condição de operador de torno mecânico para a função de Gerente Industrial, ou até mesmo de superintendente, em grandes indústrias multinacionais.

Eu era sempre um navio abandonando os ratos que iriam afundar.

Como eu não estava disposto a me degradar ao nível da opção preferencial pela canalhice dos ambientes profissionais, a única coisa que me segurava nos empregos era o fato de ser sempre extremamente competente, aguerrido e cumpridor de minhas obrigações de forma eficiente. Desempenhasse um pouco menos que isso e estaria imediatamente no olho da rua.

Empresa nenhuma tinha muito interesse em investir na qualificação profissional dos funcionários. Raciocinavam que iriam qualifica-los e, logo depois, os mesmos começaria a demandar maior salário e posição. Terminariam perdendo o que haviam investido pois estes iriam utilizar as novas qualificações na concorrência. Assim, todas procuravam contratar quem já tivesse sido preparado por alguma outra entidade. Queriam funcionários “Prontos”! Bem consciente disso, tomei a decisão de só ficar nas empresas enquanto estas estivessem contribuindo para a minha evolução profissional. Elas me usavam? Eu as usaria da mesmíssima forma utilitária. Foi nesta situação que desenvolvi a “Curva de Aprendizado Profissional de Adônis”.

Ao ser contratado pela empresa (Ponto A), o volume de coisas novas que aprendemos é o máximo (Ponto B). Imediatamente, as coisas começam a se tornar repetitivas e, como consequência, vamos aprendendo cada vez menos. A redução no volume de aprendizado se parece com a curva que vai de B a C. Ao atingir o ponto C, o nosso aprendizado passa a percorrer uma trajetória Assintótica. Para os que não são engenheiros, assintótica é uma curva exponencial negativa e que tende a ser paralela ao eixo ordenado no infinito. Isto significa dizer que passamos a não aprender mais quase nada. É a situação de quem está só esperando o salário no final do mês e a aposentadoria. Infelizmente, muitos de meus companheiros se deixaram ficar nesta situação por anos sem fim.

A cada empresa que chegava, cada vez em níveis mais altos, encontrava sempre os mesmos velhos companheiros de tornearia marcando passo naquela função. O ponto C representa uma encruzilhada: Ou se muda de função, ou se recebe uma promoção, ou se é transferido, ou se pede as contas e vai embora, sempre em busca de novos desafios e de evolução. O tempo necessário para esgotar o potencial de aprendizado de um cargo é função da sua dificuldade, normalmente relacionada com o nível hierárquico. Nas primeiras funções, as mais simples, meu tempo de permanência foi de menos de um ano. Depois, ocupei diversas funções que me demandaram uns bons quatro anos. Já como Gerente Industrial, passei sete anos e não foi suficiente para dizer que já sabia tudo. Cada dia era um desafio diferente.

Mais adiante, ao enveredar em cursos de administração, conheci a filosofia de trabalho que veio a ser conhecida como “Burocracia Weberiana”. Aliás, o termo “Burocracia” (Governo exercido pela turma dos birôs) foi criado pelo mesmo Max Weber que desenvolveu esta filosofia. Era baseada na estrutura do Exército Prussiano, naquela ocasião considerado o de melhor desempenho e o mais eficaz do mundo. Esta filosofia preconiza alguns princípios bem simples: a) Hierarquia e disciplina rígida, b) Senioridade, c) Treinamento contínuo, d) Normas rígidas e escritas, e) Tratamento igual para todos, f) Honra ao mérito – Meritocracia e g) Fortíssimo espírito de corpo. Entrava-se menor aprendiz e poderia terminar, a depender de seu mérito, na presidência. Se esses princípios já não foram seguidos de forma ideal na maioria das empresas privadas brasileiras, sempre devido ao ambiente de selvagem carreirismo mencionado acima, nas empresas públicas o quadro então é uma monumental catástrofe. Ao carreirismo juntaram-se outros elementos ainda mais perniciosos: o corporativismo e a corrupção.

Enquanto seguiram os princípios Weberianos, algumas organizações públicas atingiram patamares de desempenho admirados em todo o mundo. Os melhores exemplos foram Os Correios, o Banco do Brasil e o Ministério de Relações Exteriores, dentre muitos outros. No momento em que foram arrombadas as porteiras para a interferência da classe política, através da nomeação de apaniguados em cargos de gestão, deu-se início à roubalheira desenfreada. Isto, juntamente com o assalto às estruturas governamentais por grupos de interesses dos mais diversos tipos, todos altamente vorazes e ávidos por abocanhar gordos nacos de dinheiro público. A imagem que nos veem à mente, ao nos referirmos às estruturas governamentais, é a de um bando de piranhas altamente vorazes devorando uma esquálida rez até os ossos. No caso, as finanças nacionais.

A politicalha, não satisfeita em provocar a formidável debacle da nossa nação, refastelam-se em opíparos banquetes pantagruélicos, sempre bancados pelo erário, rindo-se a bandeiras despregadas da nossa cara de otário.

TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI? HAHAHAHAHAH Conta outra!

E as centenas de recursos, embargos, agravos, contestações e habeas corpus do canalha barbudo, que passaram na frente de todo mundo e foram julgados sempre em regime de “Urgência Urgentíssima” pela mais alta corte deste país, mesmo esta se encontrando atravancada de processos até o ano 2.359?

Meu processo contra o INSS se arrasta há mais de 3 anos e está há UM ANO em cima da mesa da juíza de 1ª Instância, simplesmente para ser dada a sentença em um processo que é

• Direito líquido e certo; (Tem mais 7 milhões de pessoas requerendo o mesmo direito)

• Requerido por pessoa idosa;

• Referente a verba alimentar; e

• Para qual não foi concedida a tutela provisória, mesmo tendo sido requerida. A não decisão já é uma decisão. (“Mata esse bosta de fome”!) Quando a sentença finalmente sair, talvez não seja mais necessária.

FILHOS DA PUTA!!!!! GRANDESSÍSSIMOS FILHOS DA PUTA!!!!

Onde é que está a vergonha na cara dessa população de macacos, que não parte para porrada e para destruir toda essa estrutura canalha de dominação e de espoliação da nossa querida pátria?

Minha modesta opinião: a ÚNICA maneira de desentortar este país é PENA DE MORTE! JÁ!

Quero ver correr rios de sangue dos canalhas parasitas, fomentadores e aproveitadores da desgraça nacional.

GUILHOTINA JÁ! Artigo 140 da C.F. neles, JÁ!

Está chegando a hora do impasse e do clímax dessa putaria toda. A pior de todas as atitudes possíveis será ficar tomando uma cervejinha no final de semana e discutindo se Neymar é melhor que Messi. Torna-se conivente e cúmplice de todas as patifarias. Quem acoita essa cachorrada é porque, muito provavelmente, está também mamando numa tetinha. Pois bem: a farra acabou!

Admiro a coragem dessa corja de ladrões. O país é uma panela de pressão, prestes a explodir, e os caras não estão nem aí. Ou então, é a imbecilidade em estado puro: Vão ser linchados em praça pública sem nem entender porque.

3 pensou em “O PARAÍSO DOS PUXA-SACOS NAZISTAS

  1. Colega Adônis, não há muito o que acrescentar ao que você expôs.

    Mas me atrevo a dizer uma coisa: a resposta à sua pergunta “Onde é que está a vergonha na cara dessa população?”, é justamente “tomando uma cervejinha no final de semana e discutindo se Neymar é melhor que Messi”.

    Não há panela de pressão alguma. Nosso país está como sempre esteve, deitado eternamente em berço esplêndido. Temos carnaval, futebol e putaria. Para que mais? Nossa vocação não é ser eficiente e eficaz como o exército prussiano, é ser essa alegre desorganização em que todo mundo fica feliz se conseguiu levar vantagem em alguma coisa, nem que seja furando a fila do pão.

  2. Caramba, Marcelo!
    Fico sonhando que não sejamos só nós os que estão a ponto de sair dando tiros nessa canalha.
    Será que você está certo?
    Converso com algumas pessoas e não sabem nem quem é Gilmar Mendes.
    Meu Deus! Meu Deus! Por que nos abandonastes?

  3. Caríssimo colunista e professor Adônis Oliveira:

    Aos poucos, esses picaretas, criminosos, que tentaram destruir o Brasil e saquearem os brasileiros honestos, produtivos e trabalhadores, estão sendo asfixiados pela ação dos homens de bem que ascenderam ao poder.

    Não é fácil! Mas chegaremos, de preferência com todos enjaulados com prisão perpetua!

    Forte braço, grande colunista!

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