O CATA-VENTO – Otacílio de Azevedo

Alto, de frente ao revoltoso oceano
e exposto à eterna rigidez do vento,
levanta-se ao prestígio soberano
dos músculos de ferro, o cata-vento.

Pulsa-lhe a vida a cada movimento
e parece oxidar-lhe o desengano,
quando se lhe transforma num lamento
todo o seu vão clamor, vezes humano.

Pregado ao solo, numa infinda mágoa,
de mil sonhos, talvez, sobre os escombros,
chora, enchendo de pranto a caixa-d’água ….

É que ele, preso à angústia de existir,
sente a revolta de suster, aos ombros,
asas de ferro, e não poder subir!

Colaboração de Pedro Malta

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