O BOM HUMOR NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Oliveira de Panelas, grande cantador repentista nordestino

* * *

Cristo foi crucificado
Em meio mil agressões
Porém por sorte morreu
Somente entre dois ladrões,
Se fosse hoje, na certa,
Seriam muitos milhões.

Oliveira de Panelas

O que eu tenho é esta casa
Que eu herdei do meu pai
É a chuva vem não vem,
É a casa vai não vai;
Todo dia eu boto barro,
Toda noite o barro cai!

Luiz de Campos (1939 – 2013)

Eu sou feliz porque vivo
Cantar verso sem quebranto
Sou feliz por ser poeta
Isso aí eu lhe garanto
Sílvio Santos tem dinheiro
E não canta o tanto que eu canto.

Geraldo Amâncio

Coisa ruim de fazer
É dirigir sem para-brisa
Entrar no xote com os filhos
Levando a carteira lisa
Amansar mulher valente
Que achou batom na camisa.

Rogério Menezes

Eu sou tão analfabeto,
Que nem sei dizer o tanto;
Vendo um lápis, tenho medo;
Vendo um caderno, me espanto,
Mas, quando um jumento rincha,
Eu penso um poema e canto.

Onésimo Maia (1951 – 2001)

6 pensou em “O BOM HUMOR NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. O bom humor é uma característica dos repentistas. Considero Oliveira de Panelas um mestre em fazer versos engraçados. Ele já escreveu um livro – O Poeta Gozador – que conta causos e histórias para fazer rir os leitores. Se fosse escolher uma sextilha dessa seleção, não tenho dúvida que seria a do grande poeta e repentista Oliveira de Panelas.

  2. Vitorino,

    Agradeço ao seu excelente comentário. Você conhece o admirável mundo do repente, então sua opinião nesse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana me incentiva no prazeroso trabalho de pesquisar a nossa rica cultura popular. Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha do talentoso repentista e poeta Oliveira de Panelas:

    Construir uma pirâmide
    Se é difícil, não acho
    Eu acharia difícil
    Se nascesse um cabra macho
    E construísse uma pirâmide
    Com o vértice para baixo…

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. Prezado Aristeu!
    Eu sou tão analfabeto,
    Que nem sei dizer o tanto;
    Vendo um lápis, tenho medo;
    Vendo um caderno, me espanto,
    Mas, quando um jumento rincha,
    Eu penso um poema e canto.

    Onésimo Maia, nos dá prova que o repente não precisa de Doutor em Letras,o dom já nasce com o repentista que sem demora canta seu verso e não precisa de muita história!
    Parabéns!

    Abraços e feliz semana aos leitores JBF!

    Carmen.

    • Carmen,

      Muito obrigado por fazer um inteligente comentário sobre esse grande repentista potiguar nesse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana. Há dezoito anos o poeta e repentista Onésimo Maia encantou-se e foi cantar no céu junto aos outros monstros sagrados do maravilhoso mundo do repente. Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha de Onésimo com a prezada leitora fubânica:

      Com a minha cantoria
      Estou vivendo tranqüilo:
      Urubu não ganha fama,
      Não canta, não tem estilo!
      Todo dia come carne,
      Sem saber quanto é um quilo!

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  4. Pense num bando de cabra bom.
    Só dando asas ao seu tom.
    Pegando no violão.
    Fazendo poesia com as mãos.
    Tirando do coração.
    Aquilo que eu quero escutar.

    Saiu sem querer.
    Um forte abraço Aristeu.

  5. Marcos Ribeiro,

    Agradeço ao seu comentário de forma poética. Você é uma amigo que sempre prestigia a cultura popular. Lembro-me sempre das nossas conversas com assuntos interessantes e bem-humorados que permitem grande aprendizado. Muitas ideias para artigos no Jornal da Besta Fubana vêm desses agradáveis encontros. Aproveito a oportunidade para compartilhar um poema que fiz numa reunião de planejamento da Alfândega do Aeroporto Internacional dos Guararapes com o prezado amigo:

    VISTORIAR BAGAGEM E MERCADORIA
    GERANDO O PROGRESSO DA NAÇÃO

    Conhecer a legislação aduaneira
    E aplicar no rigor a lei
    Sem a arrogância de um rei
    Com educação e boa maneira
    Faz da nossa Aduana a primeira
    No trabalho feito na razão
    Sem se deixar levar pela emoção
    Todos se empenham com categoria
    Vistoriar bagagem e mercadoria
    Gerando o progresso da nação.

    A consciência tributária é aceita
    Pela modernização da gestão fiscal
    O contribuinte entende o ato legal
    Porque é a forma de gerar receita
    Em qualquer economia eleita
    Pra o funcionamento sem evasão
    Não se pode agir com o coração
    O Inspetor conhece essa história Vistoriar bagagem e mercadoria
    Gerando o progresso da nação.

    Nós temos segurança de fiscalizar
    Devido a estar sempre reciclando
    De estudar nunca relaxando
    O bom senso de quem sabe administrar
    Dá autoconfiança para trabalhar
    Fazendo o serviço com convicção
    Se há dúvidas pedimos opinião
    De colega com maior sabedoria
    Vistoriar bagagem e mercadoria
    Gerando o progresso da nação.

    Planejar no momento presente
    Pra construir o futuro promissor
    Foi o tema proposto pelo Inspetor
    Numa inspiração competente
    Porque ninguém aprende de repente
    É preciso estudar com dedicação
    Servir ao público é nossa missão
    Em um ambiente de harmonia
    Vistoriar bagagem e mercadoria
    Gerando o progresso da nação.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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