NOTAS

Quando bem trabalhada, a roça produz. É viável. Uma forma de detonar a agricultura é a irrigação. Finalmente, o agricultor pobre descobriu a irrigação por gotejamento. Utilizando material de baixo custo, na base da improvisação, o nordestino descobre outra maneira de faturar. Em 2009, a Embrapa trouxe a novidade para o sertão da Bahia. Deu certo, principalmente nas culturas de mandioca e de banana. Agora, os plantadores de cana, de Coruripe, Alagoas, introduziram a técnica para o canavial. Com a tecnologia, a perpectiva para expandir a produção de açúcar e etanol é a melhor possível. Pelo menos, os plantadores estão confiantes no sucesso.

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Como o dinheiro público é tratado apenas com segundas intenções, o Brasil tornou-se um cemitério de obras inacabadas. Existem mais de 20 mil delas paradas no país, devorando recursos do povo, sem oferecer reciprocidade alguma, disponibilizar serventia à população. Por desleixo de gestores, o prejuízo é incalculável. Algumas das obras paralisadas são de infraestrutura, onde se incluem rodovias, aeroportos, de mobilidade urbana, portos, ferrovias, refinaria e hidrovias. Os principais motivos da maioria das obras estar parada são problemas técnicos, abandono e, sobretudo, em função de dificuldades financeiras para tocar a obra.

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Bela providência. Com mais de 4 mil quilômetros de extensão, cobrindo cinco regiões nacionais, a ferrovia Norte Sul, a mais extensa linha férrea do país, começando em Açailândia, Maranhão, e com término em Estrela D’Oeste, São Paulo, foi incluída no leilão para venda à iniciativa privada. O projeto da ferrovia data de 1985, no governo Sarney, mas, passados 35 anos de promessas de trabalhos, a ferrovia parou, vítima de erros governamentais. Dos quase cinco mil quilômetros de trilhos projetados, nem a metade foi colocada na linha férrea. Devido a escândalos de corrupção.

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Nem todo mundo tem o direito de estudar na juventude. A falta de condições, corta o sonho do aprendizado na tenra idade. Foi o que aconteceu com Severina Rodrigues da Silva, natural de Lajedo, Pernambuco, obrigada a se dedicar à roça na infância para garantir o feijão na mesa da família, grande e pobre. Mas, agora, aos 72 anos, Dona Nena, como é conhecida na família, viúva recente, necessitada e incentivada pela neta, universitária de Direito, matriculou-se numa escola de São Paulo. Enquanto o brasileiro gasta 30 horas na internet e muito minutos diante da tv, tem gente igual a Dona Nena, mesmo com idade avançada, pensando na pós-graduação, após concluiar a graduação, motivada pelas necessidades.

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