NOTAS

Uma das manias do brasileiro é parcelar dívidas. Comprar a prestação. Neste vício, o brasileiro é doutor. Não quer nem saber se compromete a situação financeira, muitas vezes já embaraçada. A prática faz a festa de muitas empresas. Lojas, bancos e operadoras de cartão de crédito lavam a burra. Lucram em demasia com o parcelamento. Muitos usuários entram em fria, sem perceber que comprando à vista, obtém descontos, sem descontrolar o orçamento pessoal. Endividar-se absurdamente. Ocultando o planejamento de gastos, item essencial para evitar dores de cabeça e insônias, posteriormente, o ciadão menospreza a ideia de que poupando para comprar à vista, a ação é vantajosa, salutar. Salva o bolso do consumidor de problemas financeiros. Evita sujar sujar o nome na praça. Até 1980, a renda média do brasileiro superava a dos países em desenvolvimento e emergentes. Mas, depois da recessão de 2014, a situação dolorosamente. Como o país se preocupou apenas em gozar das vantagens do ciclo de commodities, esqueceu de fzer as reformas estruturais e institucionais. Por causa de desgovernos, a renda da população caiu drasticamente. Forçou as compras parceladas e o brutal endividamento.

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Tristeza, a cada década, a população de boto vermelho diminui. Os dados constam de estudos, polêmicos, realizados pelo Projeto Boto do Inpa-Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. A pesquisa revela que a espécie entrou na lista de alto risco de extinção em seu próprio habitat. O Parque Nacional de Anavilhanas, em Manaus, onde, entre ilhas, lagos, igarapés, plantas e animais silvestres, o mamífero aquático é rei. Diversos problemas contribuem para o desaparecimento do boto vermelho, um dos maiores símbolos do turismo amazônico. A poluição de rios por mercúrio que contaminam águas e peixes, a pesca predatória, a captura em redes de pesca, as represas que impedem a reprodução do golfinho, principalmente, depois que o cetáceo passou a servir de isca para a pesca da piracatinga, peixe necrófago que se alimente de carne de animais mortos e bem exportado para a Colômbia. O boto vermelho ou boto cor de rosa é o maior golfinho de água doce. No Brasil, a espécie é exclusiva da Amazônia. Entroncado, flexível e doce com as pessoas, o boto vermelho é o símbolo da região.

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O Brasil está abarrotado de erros e de injustiças. Enquanto a massa vive no lodo, passando necessidades, elementos que ocupam ou exerceram cargos públicos e ex-políticos de meia tigela gozam de benesses. Cinco ex-presidentes contam diuturnamente com 40 funcionários e 10 carros à disposição, até a morte. Até quem foi cassado ou está preso, dispõe de privilégios. Recentemente, diversos parlamentares curtiram a Europa em viagens pagas pelo povo. No entanto, quem carece de saúde, escola, transporte e segurança vive na rua da amargura. Sem amparo. Não tem vez em canto nenhum. O político, uma vez eleito, adeus preocupações. As portas se abrem eternamente em todos os setores. Tome gratuidade. Caso alguém de coragem pergunte as vantagens de ser governante, político ou ex, eles desviam a atenção. Se fazem de bobo. Cortam o assunto. A coisa anda tão descarada que cinco deputados do Rio de Janeiro, presos no Complexo de Bangu, chegaram a assinar o livro de posse da Alerj, dia desses, obedecendo decisão unânime da Mesa Diretora da Casa. Despacho que imediatamente foi cancelado pelo TRF-2. Acobertado de razão e de meios legais.

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Os venezuelanos mais velhos sentem saudades dos tempos de outrora, quando desfrutavam do privilégio de viver na riqueza e no conforto. Durante três décadas, de 1950 a 1980, a Venezuela bombava. A felicidade reinava. Forte produtora de petróleo mundial, a economia era pujante e poderosa. O país era o mais rico da América Latina. A população, de bolso cheio, gozava de excelente poder de compra, bem-estar social e luxo. A sociedade venezuelana detinha a fama de ser a maior consumidora de uisque do mundo. Todavia, com as mudanças ideológicas, a Venezuela sucumbiu. Vitimada por crises, braba corrupção, caos econômico que desmoronou o PIB, elevou a Inflação ao índice de milhões por cento, pobreza acentuada, escassez de comida, a Venezuela, vitimada pela queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, desgarrou-se dos prazeres da vida. Sucumbiu. Infelizmente, hoje, a população venezuelana assiste vergonhosamente pessoas comer do lixo e sofrer violência nas ruas. Sofrer constantes blackouts. A situação anda tão braba que até remédios faltam nas farmácias e nos hospitais. Pulverizado pela indefinição política, o país tem dois presidentes. Guaidó, apoiado pela oposição, tenta derrubar Maduro, do Poder Executivo, acusado de irregularidades na última eleição. Ter contribuído para aumentar a pobreza e a fome, esvaziar os supermercados de itens básicos, favorecer a mortalidade infantil. Pregar a tirania. Eliminar a paz.

1 pensou em “NOTAS

  1. Veja como são as coisas, Ivan.

    O Japão, país riquíssimo e que pode importar tudo que quiser, é auto-suficiente em arroz. Considerado importante não apenas do ponto de vista estratégico mas também do cultural, o governo japonês protege de todas as formas a produção local de arroz; algumas cidades chegam a manter plantações em áreas públicas. E o povo japonês valoriza muito o arroz “nacional”. Arroz importado, mesmo sendo mais barato, é considerado inferior.

    Já a Venezuela, assim que ficou rica por conta do petróleo, passou a achar feio os produtos nacionais; bom mesmo era importar tudo. Antes mesmo do Hugo Chávez, houve uma intensa redução na indústria, de um lado, e na agricultura, de outro. Quando as economia piorou, não havia dinheiro para importar, mas também não havia know-how para produzir. Mesmo tendo terras férteis em abundância, a Venezuela há poucos anos atrás importava 90% dos alimentos que consumia. É incrível pensar que há terra criando mato e pessoas passando fome sem ter a idéia de plantar um pé de feijão ou de milho.

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