NOTAS

As crises institucionais chegaram pra ficar, tomar assento, se estabelecer no comando do país, para tumultuar o ambiente, já distorcido. É confusão partindo em todas as direções. O Poder Judiciário detona acusações até nos componentes da própria Justiça. O Legislativo, em vez de fiscalizar o Executivo, detona desaforos, alfineta indiretas, sem agir conforme as normas. O Executivo, em vez de se preocupar somente com os destinos do país, atualmente à deriva, não se toca, espeta. Os desentendimentos aporrinham a população. Deixam à mostra a vaidade, o egoísmo, o poder irritante. Ofusca a reflexão e o bom senso. Os brigantes parecem desconhecer os preceitos da Constituição de 1988, considerada a mais democrática de todas. As divergências, generalizados, derrubam a ordem, desorganizam a vida pública, abatem a economia, desmoralizam a paz social. Engrossam as desconfianças porque deixam o país combalido. Consagram incertezas. Forçam a sociedade a desconfiar do conceito nos poderes constituídos que deviam apenas prezar as boas ideias a fim de gerar emprego e renda, constantemente. Causar boa impressão até no exterior. Não, apenas, individualmente. Como acontece, atualmente. Cada um botando o podre na mídia. As grosseiras discussões desviam o foco de denúncias da Lava Jato, talvez com o propósito de enfraquecer o combate à corrupção. Deturpação que permanece fortalecida no país.

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A China enfrenta sério dilema. Por causa do severo programa de controle de natalidade, iniciado em 1980, dando preferência à geração do filho único, do sexo masculino, um rapaz por família, a quantidade de mulheres ficou exageradamente menor. A população masculina cresceu excessivamente. A consequência de sobrar homens e faltar mulheres, resulta num incrível drama social. De acordo com as projeções, caso a população de homens cresça nesse ritmo, os especialistas estimam que em 2020 haverá treze milhões de homens a mais do que mulheres. A estatística torna a China um dos países mais desequilibrados do mundo. Força a mulher, para não sobrar e nem ficar solteira, antes dos 27 anos, dar preferência ao casamento e a maternidade para escapar do título de “sheng nu”, mulher que sobrou. Visando reparar o erro do passado, o Partido Comunista Chinês incentiva a mulher a procurar casamento o quanto antes. No entanto, tem muita mulher que não pensa em casamento, por enquanto. Em vez do matrimônio, a mulher tá preferindo evoluir na educação. Obter formação universitária, gozar de excelente vida de solteira, ser feliz sem a companhia de homem para fugir do padrão chinês, em vigor por várias décadas. Seguindo o preceito extremamente patriarcal.

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Em 1939, o sociólogo americano Edwin Sutherland afirmou, quando uma alta personalidade política, pessoas influentes e de elevado status social, cometem infrações financeiras, lesam a ordem econômica ou tributária de um país no exercício do cargo, prticam infração. Apelidada de colarinho branco. Os crimes mais comuns de colarinho branco são fraudes, suborno, uso de informações privilegiadas, venda de influências, peculato e lavagem de dinheiro. Apesar da ilegalidade, tem ministro do STF, Dias Toffoli, defendendo a troca de punição. Em vez de cadeia, cumprimento de penas alternativas ao praticante do crime de colarinho branco uma vez que não houve violência no ato da ilegalidade. Atinge apenas a moral e os bons costumes na alta esfera. Porém, o impacto causado por esse tipo de crime afeta diretamente o cidadão. Priva o doente de receber medicamentos normalmente, prejudica a assistência médico-hospitalar, impede governos de construir escolas, fazer saneamento básico, cuidar da mobilidade urbana. As violações afetam, inclusive a circulação de riquezas no país. Prejudicam, enfim, a vida da sociedade. Defender a liberdade para os praticantes de crime colarinho branco, apesar de legal, é imoral. Afinal, soltar empresários, gente da alta sociedade, caciques políticos de carrada é um estímulo à corrupção. Agressão à honestidade.

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O professor exerce a nobre missão de transmitir conhecimentos à juventude para enfrentar o futuro. Prepara a mente da garotada, via aprendizagem, para cair em campo consciente de ter condições para enfrentar a forte concorrência no mercado de trabalho. O mestre complementa o ensino da personalidade, numa mútua divisão de responsabilidades com o Estado e a família. Para ser professor, o profissional se qualifica. Estuda, pesquisa, se dedica integralmente ao projeto com o fim de obter base para ensinar, profissionalmente. Pelos parâmetros atuais, não está fácil despertar o interesse do estudante nos estudos. Atrair a concentração no processo de aprendizagem. Isso, exige respeito, compreensão e paciência para juntos, mestre e aluno, estabelecerem um padrão de relacionamento sadio, visando os objetivos da educação. Todavia, as agressões em sala de aula, praticadas contra os docentes, colocam o país no topo da violência na escola. Em vez do ensino e da aprendizagem, as escolas do ensino fundamental e médio, reservadas para alunos de 11 a 16 anos, têm se transformado em palco de agressões verbais, físicas, bullyng e vandalismo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE condena a impunidade dos estudantes agressores. Situação bem diferente da Coreia do Sul, Malásia e Romênia onde as agressões aos professores se mantem no nível zero de violência. Para satisfação geral.

2 comentários em “NOTAS

  1. Carlos Ivan, esse problema das mulheres que não querem casar também acontece na Coréia e no Japão. Como a cultura destes países determina que as mulheres devem cuidar da casa e dos filhos, e obedecer aos maridos, as mulheres simplesmente preferem morar sozinhas, trabalhar e gastar o salário com si mesmas. E não apenas não casam com os homens, como sequer dão bola para eles.
    Já os homens, coitados, estão sem saber o que fazer. No Japão, criou-se um termo brincalhão: os solteiros, desprezados pelas mulheres, não conseguem usufruir dos “prazeres da carne”, então são chamados “homens vegetarianos”.

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