NOTAS

A década de 80 destacou-se no país. Na política, marcou a despedida do militarismo. Ensaiou os passos da redemocratização, abriu brechas para um governo civil, através das “Diretas já”. No campo financeiro, para rolar as altas dívidas, empregou a ortodoxia econômica. Planejou cortar custos do governo e aumentar a arrecadação. Na economia, o país se empenhou para apagar a imagem de década perdida. Quando nada dava certo. Todos os programas foram por água abaixo. Combateu a hiperinflação e a braba fase de estagnação econômica. Adotou vários planos, Cruzado, Bresser e Verão. Todos, malsucedidos, não trouxeram crescimento e muito menos desenvolvimento econômico. Com o fim da guerra fria no mundo, o Brasil inovou. Implantou o modelo do neoliberalismo. Abriu a porteira para introduzir uma sociedade industrial moderna. Diversificou a produção, fomentou a cadeia produtiva, passou a qualificar a mão de obra para substituir os serviços braçais. Nos bancos, engatinhou a automação. Colocou máquinas para substituir a papelada. Método mais seguro e eficiente no serviço bancário. Porém, o tempo passou e a população ainda permanece aguardando realizar o velho sonho do crescimento e do desenvolvimento que não se realizou até o momento, justamente por falhas governamentais.

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Existem atividades lucrativas para quem não quiser ficar dependendo apenas do emprego formal, com carteira assinada. O leque de opções é extenso, até para quem tem pouco dinheiro para investir no negócio e pensa em retorno imediato. A crise econômica tem essa abertura. Criar tilápia e camarão em cativeiro tem sido um bom negócio. O Ceará em 2015 lavou a burra. Produziu 55 mil toneladas do crustáceo. Vendeu tudo. Para 2018, foi prevista a produção de 45 mil toneladas de camarão, mais da metade da produção nacional, o que torna o estado o maior produtor do país. Depois de investir em genética para fortalecer o animal contra a doença, mancha branca, que abalou a produção cearense por dois anos seguidos, a tendência, mediante a técnica de cultivo intensivo, é a produtividade aumentar nos tanques de criação. A doença mancha branca é letal, incurável. Tratada com displicência, pode devastar viveiros em pouco tempo. Foi o que aconteceu em 2016 e 2017, quando forçados pela doença, os produtores cearenses cortaram a exportação de camarão que até 2006 era negócio certo no estrangeiro. Mercado aberto para o camarão brasileiro. A adoção de estufas facilita a produção, faz o criador de camarão pensar em vendas maiores, além do consumo nacional que compra toda a produção. Para superar a má fase, no transcororrer de 2019, o setor produtivo tem outros objetivos. Intensificar os criadouros, introduzir novas tecnologias, para manter a produtividade.

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A qualidade do ensino brasileiro vai ruim a beça. Até no nível universitário as críticas são verdadeiras. No relatório anual da revista inglesa Times Higner Education-THE focando as 150 melhores universidades mundiais, as brasileiras raramente aparecem, no quesito relacionado a empregabilidade. Dentre as melhores, somente a USP-Universidade de São Paulo conseguiu figurar, embora tenha perdido posição. Enquanto em 2017, a USP ocupava a 75ª colocação, em 2018 pulou para a 90ª posição. Subiu 15 posições. Para pior. No entanto, dentre as mehores no desempenho de ensino, em 2018, aparece na ponta da lista a Harvad University, da cidade de Cambridge, em Massachusetts, EUA. No entanto, na relação das melhores universidades da América Latina, aparecem nos dois primeiros lugares a Universidade de Campinas-Unicamp e a Universidade de São Paulo-USP.

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Depois de analisar a situação, o Tesouro Nacional concluiu. O governo brasileiro é desajustado. Gasta pouco em saúde, mas, esbanja rios de dinheiro no pagamento de juros da dívida pública, Previdência e Tribunais de Justiça. No serviço público, então, desperdiça mais de 13% do PIB, praticamente em vão, superfaturando os orçamentos, cujos resultados pesam no bolso do contribuinte. No pagamento de juros da dívida pública, ultrapassa a média no mundo. Por isso, as reformas da previdência e tributária, são recomendadas para contornar a péssima situação, porque, uma vez reestruturada a política nos estados, as contas públicas deixam de pressionar o PIB. Favorecendo a distribuição de renda. Em 2016, o Brasil desviou 9,7 do PIB só pagar juros da dívida. Despesas que comparada com a de países desenvolvidos, que só gastam 1,95% do PIB, o Brasil aparece como país descontrolado. O mesmo problema se repete na Previdência Social. Para pagar as aposentadorias e pensões, o Brasil gasta 12,7% do PIB, enquanto os países ricos só retiram 8,2% da riqueza nacional. Com os Tribunais de Justiça, o Brasil devora fabulosa quantia, correspondente a 1% do PIB. Total equivalente ao triplo desembolsado pelas mais poderosas nações.

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