MUDANÇAS EM GRANDES GRUPOS HUMANOS

“A natureza fez o homem feliz e bom, porém a sociedade o deprava e o torna miserável”. Jacques Rousseau

Na minha modesta visão, o filósofo genebrino falou enorme besteira nesta frase. Posso parecer um tanto arrogante e prepotente ao questionar o “grande filósofo”, mas meu posicionamento básico perante o mundo é:

“Nunca idolatrar! Jamais reverenciar! ”

Assim, coerentemente com esta visão do mundo, vejo que existem inúmeros estudiosos da personalidade humana, tais como Kurt Lewin e sua Teoria Dinâmica da Personalidade, que parecem descrever com muito mais correção a real situação deste animal sui generis que somos nós. A ideia básica é que a personalidade do ser humano ao nascer, seja por que motivo for (herança genética, reencarnação, composição aleatória, circunstâncias do período gestacional, etc.), parece já vir com traços básicos bem definidos e específicos em cada ser humano.

Por que é assim? Ninguém sabe!

Quem, como eu, tem mais de um filho, sabe bem que as personalidades parecem já sair formadas da barriga da mãe. Cada um deles apresenta características altamente específicas e que os diferenciam uns dos outros de forma quase que absoluta. A partir deste arcabouço básico, as vivências e convivências vão moldando as características. Primeiro, as lições recebidas junto com o leite materno vão inculcando na mente da criança, tal qual numa folha em branco, os valores básicos que irão guiar seu comportamento durante toda a vida. Depois, já na escola e no convívio com amigos e parentes, vão sendo-lhe agregados princípios de comportamento. Por fim, ao estudar o mundo que o rodeia e ao processar uma multitude de informações recebidas, vão sendo formadas as opiniões que, a depender da forma como se estabelecem, são embasadas em fatos mais ou menos mutáveis. Por fim, as opiniões que, por serem de menor importância para o indivíduo, e por terem sido menos ponderadas, fariam parte de um conjunto de palpites, mutáveis a depender de novas argumentações e fatos que vierem a ser conhecidos.

Devemos observar que, segundo este modelo de personalidade tipo “Pérola”, em camadas, os valores centrais seriam extremamente “duros” e difíceis de serem modificados. Já os demais aspectos da personalidade, à medida que se aproximam da superfície, seriam cada vez mais influenciados pelos contatos com o meio ambiente e flexíveis. Foi segundo esta visão que Homero, na Odisseia, fez Ulisses declarar “Sou o que sou e parte de tudo aquilo que encontrei”, ao ser questionado pela esposa a respeito da severidade de sua atitude ao matar todos os amigos que tinham lhe atraiçoado ao tentar se casar com ela para ganhar o trono. De forma semelhante, Ortega y Gasset declara que “O homem é o que é e suas circunstâncias”.

Toda essa explanação teve por objetivo preparar para as seguintes perguntas:

O que deve fazer nosso Presidente a fim de realizar as imensas mudanças desejadas para nosso país?

Qual a metodologia a ser adotada a fim de minimizar o caos e os conflitos durante as mudanças?

A maior autoridade no estudo das mudanças em grandes organizações, Edgar Schein, dizia que a grande preocupação de um líder deveria ser criar e gerenciar cultura.

Este conceito de “CULTURA” é mais um daqueles que foi sodomizado pelas esquerdas criminosas, em busca de uma maldita hegemonia Gramsciana. No sentido clássico da palavra, seria o conjunto de valores e princípios de uma organização. Seriam aqueles padrões de comportamento inquestionáveis porque sempre foram assim e que, por isso mesmo, passaram a ser um “Imperativo Absoluto” naquele grupo.

Ao contrário do Brasil, onde o conceito de cultura passou a representar algo como manifestações artísticas de grupos com influência afro, onde negrinhos tocam atabaques desvairadamente e negrinhas se contorcem de forma lasciva usando roupas sensuais, ou mesmo festivais de cenas escatológicas, o conceito de cultura tradicional é de uma importância tal que Peter Drucker afirmou que “Culturas comem planos estratégicos como café da manhã”. Entendo que o mestre da administração quis dizer que, mesmo as melhores estratégias, são absolutamente impotentes frente a culturas adversas.

O primeiro passo para criar e desenvolver uma cultura é fomentar um sentimento de “Destino Comum” para todos os membros do grupo. Para catalisar este sentimento, o líder deve ser possuidor de uma clara visão daquele futuro almejado (O sonho), deve saber transmiti-lo bem a todos os circundantes e, principalmente, deve conseguir com que todos compartilhem esta visão de um futuro melhor. Esta visão comum do futuro colimado atuará como um catalisador que fará com que todas as forças se unam no sentido de trazer este sonho para a realidade. Quanto maior a congruência, mais rápido será o sucesso.

Isto feito, a etapa seguinte dos esforços deve ser no sentido de tornar bem desconfortável a situação daqueles que pretendam manter a situação atual. É extremamente importante que fique bem claro para todos quais os benefícios que deverão auferir ao atingir a nova situação, de modo que, comparando-os com a situação de desconforto atual, coloquem-se em movimento rumo aos objetivos.

Parte importante deste processo de encaminhamento em direção à nova situação é a criação de eventos que reforcem os valores e princípios que fazem parte da identidade daquele grupo, princípios estes que são introjetados na personalidade junto com o leite materno, e que são reforçados ao longo da vida pelos rituais e cerimônias promovidos pela liderança. Depois, é muito tarde para distorcer o pepino.

O caso do Brasil torna extremamente difícil este direcionamento, já que a maioria das crianças está sendo gestada e nutrida em ambientes de baixíssima coesão social, em condições econômicas e morais que deixam muitíssimo a desejar. A grande maioria das crianças é filha de mães solteiras adolescentes, em sucessivas gestações e cada uma delas de um pai diferente e ausente. As de classe média, sofrem também a influência (boa ou má) de um verdadeiro rodízio de sucessivos padrastos. Em seguida, completa o desastre nossa escolarização básica. É o cenário perfeito para o nosso quadro atual de total desagregação social.

Se o nosso presidente deseja realmente dar um direcionamento totalmente diferente ao desastre social que estamos vivenndo, urge que adote algumas providências que poderão vir a chocar os “progressistas”:

1. Ligação de trompas obrigatória após a segunda gravidez adolescente irresponsável.

2. Perda do pátrio poder e encaminhar a adoção os filhos de adolescentes solteiras e com baixa condição social.

3. Ênfase absoluta na escolarização de qualidade para todas as crianças já a partir dos primeiros anos de vida.

4. Redirecionar o grosso dos recursos para educação básica. Garantir boa escolarização a TODAS as crianças.

5. Meritocracia ABSOLUTA em todas as etapas do processo de escolarização. Formação de turmas de alto nível a fim de desenvolver adequadamente as crianças superdotadas. Igualdade de oportunidades para todas as crianças e tratamento diferenciado segundo os méritos apresentados.

Seguindo este roteiro, repetiremos em uma geração a trajetória de sucesso dos países asiáticos. Não o seguindo, afundaremos cada vez mais neste pântano de violência e de decadência financeira e moral.

5 comentários em “MUDANÇAS EM GRANDES GRUPOS HUMANOS

  1. Caro Adonis, é um prazer ter seus excelentes textos de volta e devemos agradecer ao nosso editor por ter voltado com esta fonte de oportunidades de reflexão apesar do trabalho que certamente dá.
    Este seu arrazoado é muito lúcido mas como todos os seus escritos nos da uma certa tristeza em relação ao futuro.
    Por força da profissão atendi dezenas , centenas, de adolescentes nas condições que você descreve, não só de gravidez precoc e falta de ambiente familiar adequado mas também de total imersão num ambiente cultural de ausência de valores e metas dignas do nome. Por isto concordo com sua “escandalosa” avaliação final.
    Sobre seus valiosos textos, lembrando sua engraçada busca de uma companhia feminina, as mulheres do meio cultural no qual você submergiu não sabem o que perdiam. Talvez você devesse achar uma “Lucia” como a descrita no artigo anterior mas acho que a buscou no lugar errado. Desnecessário dizer que o lugar certo é bastante raro e difícil de ser encontrado.
    Não deixe de publicar suas reflexões , são apreciadas por nós.
    Um abraço,

  2. Prezada Valéria,
    Você não tem ideia da alegria que me deu seus comentários a respeito das mal traçadas linhas que costumo divulgar no nosso querido JBF.
    Certamente que o seu conhecimento desta nossa malsinada realidade social de nosso país deve ser imensamente superior aos meus, já que sou um simples engenheiro industrial que prefere pensar com seus próprios neurônios e gosta de avaliar tudo o que está lhe ocorrendo ao redor.
    Quanto à busca de uma “Lúcia”, posso lhe afirmar que está realmente extremamente difícil. O simples fato de saber diferenciar o presente do indicativo (está) do infinitivo (estar) já está se constituindo um diferencial competitivo para mim. Se não falar “menas”, diferenciar “mais” (aditivo) de “mas” (alternativo” e não falar utilizando constantemente o gerúndio, ai então é uma sumidade.
    Indo um pouco além, se souber a diferença da forma futura do verbo (Comprarão) do pretérito (Compraram), aí então já é uma sumidade digna dos maiores encômios.
    Sabendo construir frases “tipo assim”: com sujeito, predicados e complementos, aí é o céu!
    O seu caso, minha cara. já é considerado atualmente como sendo digno de uma alienígena, oriunda de priscas eras onde ainda se falava e escrevia um idioma conhecido como “português”.
    Desculpe-me o desabafo. Serve apenas para explicar a razão pela qual me encontro solteiro há já uns bons 15 anos.
    Adoraria poder destilar este meu mau humor compartilhando uma garrafa de um bom vinho, na companhia de GENTE da sua qualidade, de Luiz Berto, e de um bando de cabras malassombrados que aparecem frequentemente neste JBF. Como nosso querido editor está numa fase de abstemia compulsória, levamos para ele um suco de cajá.
    Vou agitar para ter um Encontro Anual dos Aficionados do Jornal da Besta Fubana, de modo que possamos todos nos conhecer pessoalmente.

    • Sobre a postagem, a Valéria já traçou boas linhas do que pretendia. Para evitar a cacofonia, apenas ressalto que merecem guarida os valores e princípios expostos, bem como parte das opiniões, das quais pontualmente ouso divergir. Não tanto em conteúdo e sim na forma, ou melhor, abrangência de alguns pontos.
      Dado o relato, já me disponho a reservar uma garrafa de vinho para o encontro suscitado ao final do seu texto. Quanto baste esta ideia, tudo a concordar! Grande abraço!

  3. Caríssimo professor Adônis Oliveira:

    Em postagem anterior o mestre manifestou o desejo de debater o tema abordado no artigo com outras ideias, o que considerei desnecessário porque a ideia trazida e esmiuçada no artigo já era o suficiente, de uma lucidez invejável a abordagem.

    Nesse MUDANÇAS EM GRANDES GRUPOS HUMANOS, também considero digno de não reparo, pois o que nele está contido já é o suficiente para qualquer pessoa minimarmente inteligente compreender.

    A propósito da “ligação de trompas obrigatória após a segunda gravidez adolescente irresponsável”, tive a oportunidade de visitar uma comunidade carente em Conceição do Ó, Paulista, e me assustei com uma “jovem” de 27 anos mãe de oito crianças filhas de pai diferente, porque cada uma recebia uma esmola do “bolsa-família, estimulada pelo bandidão Lapa de Presidiário.

    Quando a perguntei se não se assustava “vendo aquelas crianças crescerem sem rumo”, respondeu:

    “Eu, não! LULA sustenta elas com o bolsa-família!”

    Saí de lá com o coração partido pensando no futuro daquelas crianças! E até hoje me provoca pesadelos!

    Obrigado mais uma vez pelo belo texto, grande colunista!

    Fraternais saudações!

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