LAGO AZUL

No lago azul das minhas ilusões
vi certa vez um rosto misterioso,
sereno e triste, embora tão formoso,
de enlouquecer incautos corações.

Perdi-me então num sonho vaporoso,
sonhei do amor as ternas emoções.
E alguém cantou tão místicas canções
que o mundo pareceu quedo e choroso.

Quis-lhe o brilho do olhar, sem ver-lhe a morte:
tinha o furor dos vendavais do Norte
e a solidão dos pélagos do Sul…

E debrucei-me sobre as águas frias,
tentei beijar-lhe os olhos de ardentias…
e em prantos me afoguei no lago azul!

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