JUS PRIMAE NOCTIS!

Decididamente, o Brasil é uma experiência que vem dando errado desde a Proclamação da República.

Esse negócio de querer juntar no mesmo saco alhos com bugalhos não poderia mesmo dar certo nunca! Grandes países são sempre na horizontal. Tudo território na mesma latitude. Quando se trata de relacionamento de áreas temperadas com tropicais, a coisa só funciona sendo a tropical colônia da outra. A Inglaterra colonizou os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia como cópias da matriz. Hoje são economias pujantes. Já no caso da Índia, Egito, Tanzânia, Quênia, Zimbabwe e outros, a receita foi sempre de senhor e servo: nunca de igualdade. Permanecem se debatendo na miséria. Gentes de áreas temperadas se entendem. O Brasil juntou no mesmo balaio jacaré com cobra d´água. Somos o único império vertical: A cabeça no equador e os pés nos pampas gelados. Temos uma região sul temperada, um sudeste e um centro oeste intermediários, e uma ampla selva tropical, juntamente com uma imensa extensão de semiárido quase desértico, onde vegeta um terço da nossa população, sobrevivendo com uma renda de R$ 20,00 por dia. Só podia dar nesse samba do crioulo doido que aí está.

A consequência é a seguinte: Se liberarmos a região Sul do peso de carregar nas costas as regiões miseráveis do país, esta vira rapidamente uma mistura de Baviera com o Norte industrializado da Itália e a Suíça. Se liberarmos o Centro Oeste do peso de carregar a incompetência governamental nas costas através das exportações agrícolas, aquela região vira rapidamente uma réplica da Ucrânia, “Bread Basket” da Rússia. A região Norte, na área tropical, retirados os imensos subsídios governamentais, retorna imediatamente à situação de isolamento e pobreza anterior, virando algo como uma Indonésia, com suas cidades em “ilhas” dispersas no “Oceano Verde”, só que bem mais miserável. Quanto ao Sudeste, vira uma mistura de Chicago (São Paulo) com Iowa e uma Caracas se esvaindo em criminalidade (Rio de Janeiro). Se cortar a metade do PIB do Nordeste que é doado através de repasses governamentais, regride imediatamente à condição de uma imensa Biafra famélica. Teríamos de recomeçar a comer os inimigos assados.

Para manter conjunto tão heterogêneo unido fez-se necessário um centralismo absoluto. Desde o início do império, prolongando-se por toda nossa história até os dias de hoje, os recursos governamentais foram sempre drenados e direcionados em sua maior grande para o governo central. Depois, tome porrada para debelar as revoluções separatistas. Chamaram de “República Federativa” ao nosso país, mas, em realidade, de federação não temos nada. Este modelo centralizador já vem de longe! Foi levado a extremos pelos militares de 64 e culminou com a constituição de 1988. Ocorre que o total centralismo dos recursos e decisões – por ínfimas que sejam – em Brasília, dá origem a montanhas de decisões estúpidas, coadjuvadas por um custo de processamento absurdo e uma corrupção absolutamente rampante. Quando o governo federal se acha no direito (e na obrigação) de dar “Luz para todos”, “Água para todos”, “Universidade para todos”, “Casa para todos”, “Saúde para todos”, TUDO PARA TODOS, do Oiapoque ao Chuí, pode ter certeza de que lá vem montanhas de merda. O resultado está aí para quem quiser ver: Roubalheira desbragada e montanhas de projetos parados na metade. Projetos estes que, caso sejam concluídos, serão absolutamente desastrosos, pois foram paridos em ambientes refrigerados de Brasília e com o único fito de amealhar propinas e fazer política paternalista. Não há dinheiro que chegue. Carga tributária extorsiva e um sistema de cobrança maluco arrematam a nossa desgraça.

Dizem que durante muito tempo, ao longo de toda a história da humanidade, os senhores feudais costumavam preservar para si o direito de descabaçar todas as virgens que viessem a casar em seus domínios. O pobre marido, mal casava, já ganhava um belíssimo par de chifres logo na primeira noite. Eita vida dura!

Exemplo interessante do “Jus Primae Noctis” nos foi dado no filme Calígula, de Bob Guccioni. Há uma cena em que Calígula parte para se congratular com um casal de recém-casados e reclama o seu direito de descabaçar a noiva (gostosíssima, por sinal) do seu centurião. O ponto em que Calígula se revelou inovador foi, por uma questão de justiça, comer também o cu do centurião logo depois do cabaço da noiva. Igualdade de gêneros é isso aí! Ela levou rôla do chefe? Então, ele leva também!

Em cismar sozinho à noite fico tristonho a pensar: por que será que nossos condes e barões assinalados não preservaram o tão salutar costume de comer o cabaço de todas as nubentes do reino? Será que o fato de estarem sempre tremendamente preocupados em foder com a nação os distrai dos ardores sexuais? Não creio! Eu só sei que, para concluir o estupro que estão praticando com a nação, pouco mais do que isso está faltando.

Acho que desistiram mais porque, depois da tremenda avalanche de degeneração moral patrocinada e protagonizada pelas esquerdas em nosso país, para se achar um cabaço hoje em dia está uma tremenda dificuldade. As meninas não estão mais “dando” para o namorado, como antigamente. Estão distribuindo ou fazendo bamborê: Joga para cima e quem pegar, é seu. Assim, para encontrar um cabaço está tão difícil que talvez nem valha a pena procurar. É! Acho que é isso.

Só que isso não era nada. As coisas poderiam ser ainda muito piores. Aliás, as coisas SEMPRE podem ser muito piores! O Congresso brasileiro e o STF são os melhores exemplos disso e estão aí, sempre ativos e a pleno vapor, para não nos deixar esquecer disso jamais. Quando pensamos que os caras atingiram o ápice da canalhice, eles se agigantam e, num esforço supremo e sobre-humano, transcendem as suas condições de meros filhos da puta e conseguem atingir píncaros de filhodaputice nunca dantes sequer vislumbrados. Agora, até os nossos pensamentos estão querendo controlar.

A “Bola da Vez” é o “Crime de pensamento” (“thoughtcrime”) e o “Pensar Criminoso” (‘crimethink’) segundo nosso guardião da moral e dos bons costumes: o famigerado STF. De acordo com a última decisão dos mesmos, só o fato de não gostar de veado, bicha, gay, baitola, e assemelhados, já constitui um crime terrível. Para controlar tão terríveis desvios, a ‘Polícia do Pensamento’ (‘thinkpol’) será criada e aparelhada, e atuará lado a lado com patrulhas ideológicas de cidadãos comuns, sempre ávidos por denunciar desvios tão infames quanto este – considerar ridículos e patéticos os veados e assemelhados. Estarão sendo produzidas novas expressões, prenhes de eufemismos, chavões e circunvoluções estilísticas e linguísticas, a fim de descrever estas criaturas. Será toda uma nova língua (‘novilíngua’), projetada para não dizer aquilo que se está dizendo, assim como para bloquear qualquer possibilidade de um raciocínio lógico. Vejam abaixo alguns deploráveis exemplos de sarcasmos e ironias com as pobres bixinhas enrustidas. Isto é inadmissível!

Haroldo e a visita do Dr.Rossetti

Piti-Bicha na Lavanderia

Como podem ficar rindo dessas caricaturas feitas por esse bando de cearenses depravados? Se eu fosse bicha, processava vocês tudinho por homofobia. Ia ganhar uma grana preta. Bichas de todo o mundo, uni-vos!

O final desta conversa toda é o seguinte: enquanto eu quero dividir o Brasil em cinco países, que é para ver se cada um deles se adequa às suas próprias condições, a politicalha só fala em retalhar o país ainda mais. Estão visando os milhares e milhares de cargos regiamente remunerados pelo governo central que deverão ser criados nesses novos estados. Querem fazer com os estados a mesma desgraça que o Piauí fez com seus municípios: saiu de 85 para de 223 nas últimas duas décadas. O efeito foi um custo monstruoso das novas e inócuas administrações, junto a uma pulverização brutal de recursos, além da roubalheira. Esse é o futuro do Brasil!

Se eu tivesse poder, botava cada um desses entes parasitas para pagar suas contas com a arrecadação própria. Só mandariam para Brasília uma pequena contribuição federativa. Queria ver continuarem com essa esbórnia nos salários dos juízes, promotores, deputados, reitores e professores universitários. Queria ver essa multidão de ASPONES regiamente pagos e mantidos pelo erário; quando os pagamentos fossem feitos com os orçamentos locais e aprovados pela população de cada localidade, exatamente como é nos Estados Unidos e na Europa. Cortadas as esmolas sulistas, a renda média do nordestino seria de R$ 10,00 por dia. Só vai dar para um pastel e um copo de suco. Que tal?

7 pensou em “JUS PRIMAE NOCTIS!

  1. Adonis, acho que quando estás só deves cantar “e eu me sinto assim como um deus grego”….mas, dito isso vamos aos fatos: bateu certo na tecla certa. Políticas regionais poderiam contribuir para o desenvolvimento do país, bastava apenas integrar, depois, as regiões. Faço apenas uma correção: essa merda de país dá errado desde 1500. As capitanias eram hereditárias e foram distribuídas aos amigos do rei e não por critérios técnicos. Tem uma história que diz que Noé, ao longo dia 40 dias do dilúvio, não suportando os excrementos dos animais pediu permissão ao Senhor para jogar na água, com a promessa de localizar e incinerar após o dilúvio. Pedido aceito. Depois que a água abaixou, Noé se danou pelo mundo a procurar a montanha de excrementos. Não achou, apesar dos esforços. Quem achou foi Pedro Álvares Cabral, em 1500.

  2. Bem analisado as desigualdades regionais em termos econômicos Adonis Me assombra as desigualdades sexuais que o STF ainda inventa de criar. Vai ser o único país que vc nasce da raça homem e se nao gostar pode escolher ser da raça veado. Só falta criar a cota gay

  3. É fato essa postura do STF. A discussão do aborto era pra ser feira no congresso. A CF fiz que o estado é laico, mas se vê um monte de crucifixos e de bíblia espalhados Bas repartições públicas. Agora, vem Bolsonaro dizer que.seria bom ter um ministro evangélico no STF. Precisamos de juízes que cumpram a constituição. Quero um ministro que entenda de leis, não de bíblia. Ser evangélico não significa ser santo. As igrejas neopentecostais vivem da miséria dos pobres. Pastores podres de ricos, loteando espaço no céu, ou seja, fazendo a mesma coisa que Lula fez: aproveitar-se de terras alheias.

  4. Sempre ferino, Adônis. Continue assim.

    Pergunta: consumada a separação, quais as chances de nosso nordeste, lançado na miséria, perceber que não vai mais poder viver de caridade alheia e tomar rumo na vida? Condições físicas existem, o que precisa é o povo botar pra correr os coronéis.

  5. Marcelo, o nordeste tem dificuldades comi qualquer região. No sudeste, por exemplo, o Rio de Janeiro mostrou a decadência com a crise moral, econômica e financeira, decorrente da corrupção. O Rio Grande do Sul, na época de Yeda Crusis, pagou salários parcelados ao funcionários. Entre no site do tesouro e nas contas públicas olhe a receita e a despesa corrente líquida de cada estado. Calcule a razão D/R. Você vai se chocar com a inviabilidade de muitos. O RS, por exemplo, tinha uma relação de 1,92. No nordeste não foi diferente a indústria da seca deixou a região pobre enquanto figuras proeminentes como Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia, Sarney, etc ficavam casa vez mais ricos. Hoje, 29% da população nordestina são beneficiários do Bolsa Família. No entanto, parte dos municípios vivem de repasses, FPM. O pior é que temos alternativas para mudar esse quadro. Essencialmente, não se trata de viver da caridade alheia. O nordeste é vítima da corrupção de firma mais miserável possível.

    • Maurício, a proposta do texto do Adônis é que cada região pare de enviar grana para Brasília “redistribuir”, e viva de seus próprios recursos. O Nordeste seria o maior prejudicado num primeiro momento, já que é quem mais recebe recursos “redistribuidos”. Enquanto esta situação persistir, os Renans, Maias e Sarneys serão eternos: eles controlam o dinheiro, controlando o dinheiro eles controlam os votos e controlando os votos eles impedem qualquer mudança.

      Minha curiosidade é justamente o que aconteceria se este ciclo fosse quebrado. Sem verbas federais, o que os Renans e Sarneys fariam? Continuariam mantendo um status quo cada vez mais pobre? E o povo? Sem os políticos distribuindo dinheiro alheio como se fosse generosidade sua, continuaria votando neles?

      O Rio Grande do Sul é mesmo um negócio absurdo. São estatistas fanáticos, amam um governo enorme. A Yeda Crusius foi uma das que menos roubou na história recente do estado, mas foi crucificada a posteriori porque derrotou o candidato do PT, e o PT nunca perdoa nem esquece. Foi um daqueles casos em que o governo assume e descobre que já roubaram tanto que não dá para piorar mais. Aí faz um governo austero com o pouco que tem e perde a eleição seguinte porque “não fez nada”. O Mário Covas passou por isso em São Paulo depois de Quércia e Fleury (o Quércia teria dito “quebrei o Banespa mas fiz meu sucessor”).

  6. Prezado Marcelo.
    Creio que entendestes perfeitamente qual é a minha visão.
    Enquanto o dinheiro continuar a cair do céu, feito o Manah para as tribos de Israel no deserto, continuaremos essa mesma situação: Romarias de políticos de todos os níveis a Brasília, sempre mendigando dinheiro, e total irresponsabilidade na outra extremidade, já que o dinheiro está dando em árvores.
    Isto, juntamente com negociatas mil para aprovar as aplicações mais estapafúrdias do dinheiro público. Cadê o plano estratégico? Quais são as metas e os objetivos? Quem sabe?
    Bota cada um para gastar aquilo que arrecada.
    O Brasil tem mais de 5.000 Municípios. Se usar o meu critério, mais da metade fecha. Só no Piauí seriam uns 120 que não se sustentam. Virariam distritos outra vez.
    Quem não puder viver… MORRA!!!!

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