JOSÉ PAULO CAVALCANTI – RECIFE-PE

Recebi esse texto que reproduzo a seguir que talvez o nobre Guru já conheça.

Mas que talvez ache interessante ler ou reler.

R. Conhecia não, meu caro amigo.

Sutilezas desta nossa fantástica língua.

Tá ótimo.

Transcrevo da maneira que você nos mandou.

Grato pelo envio.

* * *

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.

Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.
2,34.

Pode criar heróis..

Isso só, ele resolve.
Isso, só ele resolve.

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER…

* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM…

Moral da história:

‘A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos a pontuação.

Pontue sua vida com o que realmente importa.

Isso faz toda a diferença.

4 pensou em “JOSÉ PAULO CAVALCANTI – RECIFE-PE

    • Como amante da Língua Portuguesa, gostei imensamente do interessante texto. Realmente, o emprego, indevido, de uma vírgula pode modificar completamente o sentido da frase. Excelente postagem, prezado José Paulo Cavalcanti! .

  1. Parabéns José Paulo Cavalcanti. Belo texto. Mas me senti desafiado para contribuir com uma pequena estória. Realmente uma vírgula pode salvar uma vida e alterar o rumo das coisas. Lembro-me bem de uma estória interessante.

    Naqueles dias, daquele Reino distante, andava o Rei atarefado com um Decreto que haveria de publicar, para condenar um velho ancião à forca, por delitos inaceitáveis de acordo com as leis vigentes.

    Chamou toda a Corte, inclusive o mensageiro encarregado de não tão somente levar o Decreto, como também abrir o Édito Real e lê-lo na presença de todos, antes do enforcamento.

    E ditou o Decreto na presença de todos, que o ajudante de ordens escrevera com bastante respeito: “Se todos concordam, eu não discordo!”.

    Dobrado o papel, lacrado e personalizado com o Selo Real (estando o lacre ainda quente e flexível), a mensagem fora entregue ao mensageiro. Ele montou em seu cavalo e rumou para o Condado onde a terrível cena aconteceria.

    Por manobras do destino, ocorre que o velho ancião era pai do mensageiro. E esse vislumbrou uma maneira de salvar o velho pai sem falsificar a letra do ajudante de ordens. Bastaria fazer uma pequena modificação, após arranjar uma réplica do Selo Real, para conferir ares de original ao papel redobrado.

    Chegando no Condado, onde uma multidão, o carrasco e o velho pai o aguardavam, desceu do cavalo, subiu no cadafalso e abriu a mensagem. Ao ler, com visível emoção, bradou em alta voz: “Se todos concordam, eu não, discordo!”.

    Rapidamente, pai e filho montaram no cavalo e foram para o exílio em outro Reino distante. Mas, vivos!

  2. – Para ilustrar as citações orais, em que a vírgula pode ser facilmente dissimulada, há uma frase transcrita na obra Chronicon, de Alberico delle Tre Fontane, do século XIII, com a qual os oráculos da antiguidade davam vazão à ambiguidade de seus vaticínios. Trata-se da expressão “Ibis redibis non morieris in bello” (Irás voltarás não morrerás na guerra), que ainda hoje é citada tanto para denunciar a anfibologia do discurso sibilino como para, apenas, destacar a relevância de uma pontuação correta. Ao ser consultada pelo guerrei-ro que estava de partida para o campo de batalha, a célebre sibila de Delfos fazia-lhe a melhor das previsões: – Irás, voltarás, não morrerás na guerra. No entanto, caso o infeliz perecesse em combate, ela explicava aos parentes do herói morto que sua previsão, de fato, fora a seguinte: – Irás, voltarás não, morrerás na guerra.

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