JOSÉ DE ANCHIETA BATISTA – RIO BRANCO-ACRE

MINHA INFÂNCIA NO SERTÃO – SAUDADES SEM REMÉDIO

Em Teixeira, Paraíba,
No meu sagrado Nordeste,
Eu nasci “cabra da peste”,
Sonhador, poeta e escriba…
Andei “pra baixo e pra riba”,
Num mundo de tanto engano…
Fui sensato e fui insano,
Perdi lutas… venci guerra…
Sem esquecer Minha Terra:
– Meu torrão paraibano!

Cresci em Aparecida…
Ali pertinho de Sousa,
E sua imagem repousa
No livro de minha vida!
Daquela gente querida,
Poucos estão por ali…
Lembro que quando parti,
Seu nome ainda era “o Canto”,
E ali, feliz, eu fui tanto
Que de lá nunca esqueci!

Meu pai, Batista, homem forte,
Plantava um grande roçado
Pra não faltar o bocado
E proteger nossa sorte…
Porque não há quem suporte
Olhar com desolação
Um filho chorar sem pão,
Quando uma seca assassina
Faz da dor uma rotina
Pra castigar o Sertão*.

Ali no grupo escolar,
Houvesse seca ou inverno,
Com livro, lápis, caderno,
A gente ia estudar…
E papai sempre a lembrar:
– Tu não serás o que és!
Estuda! – que ao invés
Dessa pobreza malvada,
Não herdarás minha enxada
Pra puxar cobra pros pés.

Minha mãe, com muito amor,
Queria que em minha sina
Eu vestisse uma batina
Em vez de ser um doutor…
Mas eu não tinha fervor
Pra seguir a vocação.
Desbravei mundos, então,
Inquieto, afoito e audaz,
Mas sem esquecer jamais
Das coisas do meu Sertão.

Lembro os livros e a sacola,
Lembro os castelos de areia,
As coisas de minha aldeia,
Meus coleguinhas da escola,
Meu campo de jogar bola,
Os meus carrinhos de lata,
E aquela gente pacata,
Cheia de fé e esperança…
Tudo agora é só lembrança,
E esta lembrança me mata.

Aprendi xote e baião,
Só para dançar com ela,
A garotinha mais bela
Que pisava aquele chão…
Despedi-me num São João,
Jurando que voltaria,
Mas nunca houve esse dia…
– Hoje, triste, em mim não cabe
A saudade… e ninguém sabe
Por onde anda Sofia.

Quando a tristeza me lança
Lá nos tempos de menino
Lembro o sertão nordestino
E me tortura a lembrança…
Que bom ter sido criança
Lá na terra do repente,
Onde a viola plangente
Enfeita o mote e a canção…
– Saudades de meu Sertão!
– Saudades de minha gente!

Na velhice, hoje cansado,
Tento vencer a distância
Para rever minha infância
No meu longínquo passado…
No peito, um fardo pesado,
Que conduzo a contragosto…
Só saudades… – Que desgosto…
Não quero lembrar mais nada!
– Basta a lágrima malvada,
Que agora queima o meu rosto.

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