JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

PERGUNTAS DE UM BRASILEIRO IGNORANTE

Por que o “berço da liberdade”, o Estado de Minas Gerais, ao invés de permanecer encolhido, chorando os seus mortos em perpétuas melopeias fúnebres não pega no bisturi e dá um corte profundo; impõe medidas vigorosas que façam cessar as tragédias que sepultam vivos os seus filhos?

Quantos enxurros de cadáveres ainda precisam ser arrastados pelas borrascas de ondas avassaladoras e descomunais para que o governo de Minas Gerais desembainhe a espada e, no papel de reparador de afrontas e injustiças, lidere uma poderosa frente contra as negligências criminosas perpetrada pela Vale, cujos executivos, aliás, com cara de paisagem, apenas fingem nada ver e ouvir?

Por que a Justiça Brasileira, célere em escarmentar réus pobres e ignorantes, até hoje não aplicou edificante sova penal ao lombo desse fabricante de borrascas? Até quando Minas Gerais vai aturar a tabela da Vale: empregos e impostos ao preço da morte? Agredido durante os séculos diamantíferos por quantos outros séculos o solo mineiro haverá de ser escarificado, golpeado, desnudo, esterilizado ante a adustão dos sóis?

A natureza ainda tem fôlego para suportar as agressões cometidas pela ganância ou Brumadinho e Mariana são evidências plenas de que deu início ao um processo de reação, vomitando feito um bicho acuado tudo que descomedidamente lhe impingiram de goela abaixo? Por que se admite que barragens de rejeito se estabeleçam no sentido montante das comunidades de seres humanos? Por que se admite que comunidades de seres humanos ergam acampamento no sentido jusante das barragens de rejeito?

Cansados de velar e sofrer, sofrer e velar, os mineiros, por certo, esperam que os governos estadual e federal sejam, aos moldes de um Duque de Caxias, defensores estrênuos não apenas de Minas Gerais, mas de toda brasilidade.

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