INOCENTES OU CÚMPLICES COMPRADOS?

Todas as vezes que eu começo a meter o pau na nossa avacalhada Previdência Social, aparece sempre um honrado funcionário público querendo defender sua briosa categoria profissional. Os argumentos são sempre os mesmos:

1. Fui contratado por concurso público;

2. Trabalhei anos e anos, como qualquer trabalhador;

3. Contribuí para a Previdência Social a fim de garantir a minha aposentadoria;

4. A função pública é diferente, por isso os privilégios;

5. São direitos que me são assegurados por lei;

6. Tenho direito adquirido;

7. Não fui eu quem inventou. Não tenho culpa se as coisas são assim;

8. O problema do déficit da Previdência não está nos Funcionários Públicos; e outras merdas parecidas.

Tudo isso, naturalmente, é a mais pura verdade! Só que são um bando de meias verdades e, como todos nós que não estamos mais de fralda bem sabemos, uma meia verdade é uma mentira completa. Vamos aos detalhes:

1. Toda a putaria começa com esse papo de concurso público. Nossa juventude, desiludida com o monumental fracasso da nossa economia e seduzidos pelo nirvana dos funcionários públicos (onde se trabalha pouco, a cobrança é mínima, os salários são assombrosamente altos, são inamovíveis e contam com aposentadoria integral), viraram todos concurseiros. Ninguém mais quer produzir coisa nenhuma. Passam a vida toda parecendo Bob Dylan naquela célebre canção, “Batendo na porta do céu!” (Knocking on the heaven´s door)

2. Ultrapassada a barreira do concurso, é só aguardar o tempo da tão almejada aposentadoria. Desta feita, a trilha musical é outra. É uma tranquila caminhada rumo ao paraíso. Algo como a “Escadaria para o céu” preconizado pelo “Zepelim de Chumbo”. (Stair way to Heaven)

3. Ninguém pode querer negar que essa casta de privilegiados contribui para suas próprias previdências. Longe de mim querer negar a realidade. Só que… Ao longo da carreira, que já começa em patamares salariais absurdamente superiores aos da iniciativa privada, vão agregando penduricalhos e benesses salariais. Ao final de uns 30 anos, o que já era um absurdo vira uma completa aberração, impossível de ser compreendida e aceita pelos humildes mortais pagadores de impostos. Para completar a sacanagem, aposentam-se com salários integrais, como se tivessem constituído um fundo de aposentadoria milionário, capaz de lhes sustentar como nababos indianos até que a morte lhes advenha.

4. Que a função pública é diferente, disso temos certeza absoluta! É sempre a mais completa esculhambação! Nada desta merda funciona a contento e ninguém liga para isso! Não há cobrança nem punição para nenhum dos vagabundos. Se o “cliente” se irritar, ainda lhes passam na cara a lei que diz serem “otoridades” e, portanto, INTOCÁVEIS. Privatizem qualquer bosta dessas e acompanhem o salto de produtividade que dará. Pelo que esses parasitas geram de riqueza para a nação, deveriam pagar para estar ali dilapidando o dinheiro dos nossos impostos.

5. Millôr Fernandez dizia que “A melhor forma de viver fora da lei é legislando em causa própria” É só o que essa imensa corja de bandidos tem feito década após década: Legislar em causa própria. O resto da população, que é quem lhes paga a conta da esbórnia, essa QUE SE EXPLODA!

6. Direito adquirido em uma sacanagem é a desculpa mais canalha de todas. Foi por causa desse tipo de argumentação que banhos de sangue foram necessários para estancar a bandalheira vigente em inúmeras ocasiões. Os parasitas só largaram as tetas após serem devidamente degolados. Fisicamente, e não metaforicamente! Lembrem-se da Revolução Francesa.

7. Só porque não foi você quem montou esta imensa putaria, quer dizer que tens o direito de continuar fazendo a população toda de otária até o final dos tempos? Direito de continuar praticando a mais descarada apropriação indébita, já que a contribuição que dão para a sociedade é ridícula e não justifica os imensossalários que recebem? Além do fato de que NÓS, O POVO BRASILEIRO, não demos autorização para esta continuada sodomização que sofremos destes canalhas. Vão ver o que é “direito adquirido” no dia que esta população de ignorantes tomar vergonha na cara e começar a enforcar e a fuzilar essa cambada de pústulas.

8. Por último, mas nem de longe o menos importante, é dizerem que o rombo da previdência não é provocado pelos funcionários públicos. É não? Pois, então, vamos fazer o seguinte: Cada um se aposenta EXATAMENTE com o dinheiro que depositou no seu fundo particular de aposentadoria. Vamos fazer uma experiência, só para ver no que dá?

P.S. Não polemizarei mais a respeito e nem tornarei a tratar deste assunto. O MEU SACO ESTOUROU!!!!!!!!

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  1. O seu estourou ? meu também. Não aguento mais tanta sacanagem. Não acredito que o Brasil tenha solução. A corrupção está no sangue dos brasileiros e em vista disso os corruptos mor ( governo e adjacências ) ficam vomitando na nossa cara.
    Seu eu fosse mais novo deixaria o paiz. Não creio que tenha solução, a ganância dos fominhas devoram tudo igual a formigas.
    Vou me embora para passargada. O último que sair que apague a luz.
    Lamento professor, mas sua ausência no assunto em questão fará muita falta.

  2. Entendo, perfeitamente, essa crítica ao funcionalismo público. Como é do conhecimento, não há FGTS para a categoria. Os legisladores, tão bem definidos por Millôr, criaram leis em benefícios próprios. Escandalosas são as aposentadorias no legislativo e no judiciário. Acho importante entender que o setor público tem seus regimes próprios de previdência. Se você ganha R$ 10 mil, e porque você contribuiu, nesse regime, para isso. Se quiserem eu ponho fórmulas de cálculos de benefícios baseado em contribuições. Tem um artigo escrito por Osvaldo Sarmento e Roberto Ramalho (quem estudou engenharia, Física, Matemática, etc na década de 1980 deve ter estudado algum cálculo diferencial e integral com ele) mostrando que o problema da previdência não é o funcionário público. Obviamente, há casos de regimes próprios deficitários, como o caso dos correios, mas isso, também, é decorrência da pessima administração e da não aplicabilidade dos preceitos atuariais.

  3. Sou funcionario, de carreira exclusiva, e não estou enquadrado na sua matéria.
    Fiz concurso por convicção e acredito na função pública. Trabalho mais de 30 horas semanais, atendo com muito respeito o contribuinte, e ainda recebo elogios deles, via ouvidoria. Sou homem e respeito o povo. Não quero privilégio. Vc é um recalcado. Quem passa em concurso público tem seus méritos. Respeito!

  4. Prezado Maurício,
    Sou engenheiro e estudei numa década anterior à que mencionas. Por conta disso, fui submetido ao estudo do cálculo integral e diferencial. Só que não creio ser necessário apelar a estas técnicas para analisar a situação da previdência. Normalmente, quando se apela para técnicas “exotéricas”, e que a maioria da população não sabe nem para onde é que vai, o objetivo é apenas para dar força à argumentação e impedir a contestação.Sugiro apenas que sejam bem explicitadas quais foram as premissas adotadas para chegar a semelhante conclusão. Só assim poderemos debater com estes senhores.
    Quanto ao Severino, gostaria imensamente de saber como foi que o senhor chegou à conclusão de que eu seria um recalcado (seja lá o que isso for), simplesmente porque nunca quis ser funcionário público e por discordar frontalmente desta imensa bandalheira que é nossa administração pública. Qual é o tipo de respeito que o senhor me demanda? Que aceitemos passivamente a esbórnia e que paguemos a conta sem tugir nem mugir? Não dá! Chega, né!

  5. De acordo com o site do INSS temos o resumo da arrecadaão e dos gastos com aposentadoria em 2017:
    Empregados urbanos arrecadou 380 bilhões e pago 300 bilhões de aposentadoria saldo positivo de 80 bi.
    Empregados públicos(fedral, estadual e municipal) arrecadou 39 bilhões e pagou 129 bilhões gerou um buraco de 80 bi.
    Funrural arrecadou 5 bilhões e pagou 120 bilhões gerou um buraco de 115 bi.
    Depois dizem que os empregados da iniciativa privada é que estão dando déficit. Esta afirmação é de gente que não sabe fazer conta.

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