E A PONTE NÃO CAIU

Em 1960 um prédio foi inaugurado na Praça da Sé em São Paulo, com grande alarde pela imprensa paulista, um dos maiores edifícios do Brasil, o Edifício Mendes Caldeira, o monumental arranha-céu era propagado como o melhor negócio do Brasil. Sucesso de vendas, todas as salas foram comercializadas rapidamente e em 1961 foram entregues. O prédio novinho em folha era vizinho do Palacete Santa Helena, da década de 20, de influência art-déco e propriedade do ex-governador paulista Manuel Joaquim Albuquerque de Lins. Esses 2 prédios e outros menos famosos e mais baixos ficavam entre as Praças da Sé e Clovis Bevilaqua e no caminho do metrô que seria construído anos depois.

1 e 2. Propaganda e jornal da época da construção do Mendes Caldeira. 3. Praça da Sé antes da implosão do edifício

O metrô de São Paulo foi construído no inicio dos anos 70, porém após entrar em operação, passava próximo à Praça da Sé, mas não tinha estação no local. Em 74 começou a demolição tradicional, na marreta e trator, dos prédios entre as praças, ficando de pé só o Mendes Caldeira, que precisava ser implodido, e foi. A escolha deste arranha-céu pra implosão nunca ficou bem explicada, falava-se de desvio de dinheiro e erro na construção e até uma falha geológica abaixo do prédio, que poderia causar o seu desmoronamento a qualquer momento. No dia 16 de novembro de 1975, um domingo, as 36 mil toneladas do Mendes Caldeira viraram metralha. A implosão virou atração turística, São Paulo queria ver, e em apenas 9 segundos o prédio foi abaixo.

1. Mendes Caldeira com o Palacete ao lado. 2. Palacete Santa Helena recém-construído. 3. Antes e depois da implosão, com o arranha-céu sendo substituído pelas palmeiras imperiais.

Em 1975 houve uma grande cheia no Rio Capibaribe que inundou o Recife, correu-se um boato que a Barragem de Tapacurá iria estourar, foi uma tragédia na cidade, muito prejuízo, mais de uma centena de pessoas morreram. Quando as aguas baixaram, iniciou-se um conjunto de obras para evitar novos alagamentos, uma das ações seria o alargamento da calha do Capibaribe, mas no bairro da Torre tinha uma ponte que atrapalhava o projeto, foi ai que surgiu a ideia: a ponte seria implodida, o Recife precisava alargar o rio e precisava também de uma implosão para entrar na era da modernidade que São Paulo já havia entrado.

Cheia do Capibaribe em 1975

“Foi ai que chamaram uma empresa paulista para implodir a Ponte da Torre. Na data programada para a primeira implosão em Pernambuco, deu TV transmitindo ao vivo e torcida organizada. Na hora exata, o engenheiro, um japonês, responsável pelo grande evento, autorizou a implosão. As bombas foram detonadas, os recifenses que assistiam em loco ou pela TV aguardaram apreensivos o baixar da fumaça, mas quanto se dissipou, a ponte continuava no mesmo lugar, invicta, como, aliás, até hoje está. A implosão virou piada, e acabou num frevo-canção intitulado “E a ponte não caiu”, de Mario Griz, interpretado por Beto de Paula. A Letra: Eu ri, Você também/ todo mundo riu/ a bomba estourou/ mas a ponte não caiu/ o engenheiro pela TV/ anunciava a nova implosão/ E a galera na beira do rio/ mandava o japonês/ para a ponte que não caiu.” Noticiou a Revista Continente de Fevereiro de 2003.

1. Ponte antiga da Torre na cheia de 1966. 2. Engenheiro japonês responsável pela implosão. 3. Implosão. 4. Ponte nova recém-inaugurada

O texto da revista Continente diz q a ponte até hoje está lá, mas na verdade a demolição foi feita manualmente e construída outra mais larga e maior no lugar, mas não importa, pois o Recife tinha feito a primeira implosão de uma via elevada da América do Sul.

Implosão do Mendes Caldeira

2 pensou em “E A PONTE NÃO CAIU

  1. George, a ponte que você se refere é a Ponte da Torre, ali pertinho da Conde de Irajá. Salvo engano, holandeses construiram-na. A igreja da Torre foi obra deles. Hoje, qualquer “peido de véia” derruba um prédio.

  2. Eu tinha dúvida entre a da Conde do Irajá e a do Carrefour. Na pesquisa não encontrei a data da construção da ponte antiga, mas pelo tipo de arquitetura acredito não ter sido construída pelos holandeses e sim já no século XX.

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