FALTA TEMPO – J.R. Guzzo

Já foi dito, mas vale a pena dizer de novo: o Brasil anda muito nervoso. Uma das manifestações mais comuns desta ansiedade é a cobrança de resultados concretos do governo de Jair Bolsonaro. E então: onde está a reforma da Previdência? Por que ainda não fecharam o Incra, o Ibama e a Funai? Quantos funcionários enfiados na máquina pública pelo PT (tudo peixe graúdo, ganhando de 50.000 reais por mês para cima) já foram demitidos? Por que o Brasil, até agora, não rompeu com a Venezuela? Onde estão os números de queda no índice de homicídios? E as privatizações: alguém já viu alguma privatização sendo feita? Fecharam a empresa do “Trem Bala”? Por que tanta gente fala e tão pouca coisa acontece? Enfim: porque esse governo não faz nada? Uma possível resposta para isso talvez esteja no calendário: quando se faz as contas, o novo governo não terá completado um mês quando o leitor estiver lendo este artigo. É verdade que já deu tempo para a ministra Damares pegar no pulo uma espetacular marmelada da era anterior ─ um contrato pelo qual você iria pagar 45 milhões de reais, isso mesmo, para instruir as populações indígenas no uso de cripto-moedas, ideia que realmente só poderia ocorrer a alguém depois dos dezesseis anos de roubalheira alucinada dos governos Lula-Dilma. Mas pouca gente parece disposta a considerar que três semanas são um prazo muito curto para mudar o Brasil, trabalho que vai exigir os quatro anos inteiros do governo Bolsonaro e sabe-se lá quanto mais tempo ainda.

O mercado, mais do que ninguém, dá sinais de que está entendendo a situação com muito mais realismo, objetividade e bom senso ─ falando com dinheiro, e não com ideias, os investidores fizeram a Bolsa de Valores bater todos os seus recordes nos últimos dias, e o dólar, eterno refúgio nas horas de medo, recuou para a sua menor cotação em dois meses. O recado aí é o seguinte: o país vai mudar, sim, na verdade já está mudando e parece estar engrenado para mudar mais do que em qualquer outra época de sua história econômica recente. Essa percepção se baseia num fato essencial. Seja lá o que o governo fizer, seja qual for o seu grau de competência na administração da máquina pública, ou seja lá quanto sucesso efetivo tiver na execução dos seus projetos, uma coisa é 100% certa: Bolsonaro, desde já e ao longo dos próximos quatro anos, vai fazer basicamente o exato contrário do que foi feito nos dezesseis anos de lula-dilmismo, incluindo o arremate dado por seu vice-presidente e aliado histórico Michel Temer. Não é muito complicado. Mesmo um governo presidido pelo centro-avante Deyverson inspiraria mais confiança, aqui e no exterior, do que qualquer gestão do PT. Pense, por 45 segundos, como estaria a situação se o presidente empossado no dia 1º. de janeiro tivesse sido Fernando Haddad, em vez de Jair Bolsonaro. Pronto. Não é preciso perder seu tempo com mais nada.

Os ministros escolhidos, em geral, parecem realmente os mais indicados para executar o trabalho que o governo se propõe a fazer. Sempre é possível que haja
um bobo entre eles ─ mas até agora ainda não se descobriu quem é. A dúzia de generais, ou algo assim, que foram para o ministério ou primeiro escalão, até agora só incomodaram os jornalistas; para o governo, deram prestígio moral, autoridade e a imagem de que o Brasil está sendo dirigido por gente séria. Os ministros mais atacados, como os do Meio Ambiente, Relações Exteriores e Justiça, passam a impressão de que sabem perfeitamente o que estão fazendo ─ e de que estão muito seguros quanto aos seus objetivos práticos. A “impossibilidade” de lidar com o Congresso, apresentada como fato cientifico durante a campanha, não impressiona ninguém, a começar pelo Congresso. As reformas mais complicadas na organização do país têm boas chances de serem aprovadas ─ e isso, por si só, promete uma virada vigorosa na economia. O que está faltando, mesmo, é mais tempo para o governo acontecer. Três semanas é muito pouco.

3 ideias sobre “FALTA TEMPO – J.R. Guzzo

  1. O Guzzo tem razão, mas a sensação trazida pelo imediatismo das redes sociais e da comunicação instantânea está criando um clima de anarquia. Ninguém sabe mais em que ou em quem acreditar.

    Vamos acabar regredindo para o início da Idade Média, onde os reis não mandavam em nada e o mundo era divido em feudos, cada um com seu senhor absoluto e sem conexão com os outros. A única diferença é que os feudos agora são virtuais.

    • Tudo tem seu tempo! Na sua casa é assim desordenada, tentando resolver as coisas de uma só vez? O presidente está apenas com 18 dias enquanto que os petralhada passaram mais de 10 anos sem melhorias para o nosso país como um todo.
      Ajudem a solucionar e não critique o que vc também não ajudou nós outros governos.
      Se vc é socialista, comunista e outros listas da vida, procure o país adequado pra viver, vá pra Venezuela, Cuba, Coreia do Norte por exemplo e veja como é não, kkkkk.

      • Desculpe, Walfredo, mas seu comentário reforça o que falei, porque não reclama do que eu disse, reclama do que você acha que eu sou.

        Leia de novo. Onde foi que eu disse que o Bolsonaro é culpado? Em lugar nenhum. Disse que o ambiente, especialmente impulsionado pelas redes sociais, é culpado.

        Culpado de comportamentos como o seu, que não se preocupam sequer em entender o que lêem, preferindo partir logo para a agressão pessoal, mesmo sem ter idéia sequer de quem eu sou, incluíndo um indefectível kkkkkk, que para mim tem cara de relincho.

        Quando escrevi meu comentário, Walfredo, estava pensando exatamente em gente como você.

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