EXTREMA GRATIDÃO

Passados 74 anos desde o fim da II Guerra Mundial cidadãos italianos das comunidades de Camaiore, Montese, Massarosa, Stafolli, Fornovo de Toro e outras, externam gratidão aos combatentes brasileiros, reverenciando as suas memórias.

Sete monumentos atinentes aos feitos de pracinhas do Regimento Sampaio, integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), estão espalhados por essas localidades.

Dos 25 mil expedicionários enviados para a Itália para libertar o país do nazifascismo, 465 morreram e cerca de 1.300 ficaram feridos. Apenas na sangrenta batalha de Montese, que durou quatro dias, 34 soldados morreram e 375 resultaram feridos.

A FEB desembarcou na Itália no dia 2 de julho de 1944. A partir daí começou a ofensiva que libertou várias cidades das regiões da Toscana e Emília-Romanha, sendo o momento mais crítico a tomada de Monte Castelo, numa batalha que durou quase três meses.

Um cemitério em Pistóia abrigou por 15 anos os soldados mortos em combate no solo italiano. Em 1960, os restos mortais foram exumados e transferidos para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.

No dia 2 de novembro de todos os anos são realizadas solenidades em homenagem aos soldados da FEB, responsáveis pela libertação das cidades acima citadas, do jugo alemão. Em Montese, adultos e crianças reunidos ao ar livre, cantam o hino da FEB, em português.

Isso mesmo. Todas as crianças do ensino básico aprendem letra e música do belo hino da Força Expedicionária Brasileira, numa manifestação pública de extrema gratidão para com o nosso país, por haver emprestado soltados para arriscar a vida em outro continente, para livrar comunidades italianas do jugo alemão.

Agora, façamos uma pausa sobre a nossa história e foquemos no que realmente almeja esta matéria. As crianças de outro hemisfério que homenageiam brasileiros cantando o hino da FEB, certamente, conhecem e cantam, também, os hinos que representam a Itália.

E no Brasil, como funciona essa questão? Aqui, temos quatro principais hinos: Hino Nacional do Brasil, Hino à Bandeira, Hino da Independência e Hino da Proclamação da República. Eu aprendi todos eles quando estudei em escolas municipal, estadual e de orientação católica. Fez-me bem tal prática, pois elevou meu sentimento patriótico.

Hoje, as crianças do meu Brasil varonil sequer concluem corretamente os versos e estrofes da letra do hino nacional, autoria de Joaquim Osório Duque Estrada. Isso porque a prática sistemática de interpretar o hino nacional brasileiro nas escolas, simplesmente acabou-se.

Animei-me quando soube que voltaríamos a cantar o nosso hino, diariamente, nas escolas. Tão logo lançada a ideia, forças contrárias ao ato cívico atuaram, e ela morreu no nascedouro. Se visitarmos Montese, e alguma criança da comunidade pedir para cantarmos um dos hinos brasileiros, com que cara ficaremos?

Só nos resta agradecer a extrema gratidão daquele povo por cultuar nossos heróis ali tombados e, até hoje lembrados.

4 comentários em “EXTREMA GRATIDÃO

  1. Infelizmente o canto do Hino Nacional e o hasteamento da Bandeira Nacional, que, no meu colégio (Marista) na década de ’50, do século passado era uma prática semanal, obrigatória para todos alunos, em formatura no pátio do colégio.
    Complementarmente, aos domingos tínhamos uma manhã esportiva, que, no entanto, começava com missa e hasteamento da bandeira. Só, então, começavam as atividades do esporte, principalmente o campeonato de futebol, entre as várias séries.
    Hoje, essas práticas desapareceram por completo e esse segmentos malsãos de nossa dita sociedade reclamam contra a sua reintrodução, como se isto não fosse um dos mais sólidos princípios da nossa nacionalidade.
    Lamentavelmente, esta está sendo uma dura realidade, restando-nos apenas reclamar e esperar que esse novo governo, que a nação espera seja um alvorecer, tome as medidas cabíveis para recuperarmos nossos bons costumes.
    Para tanto, temos de exigir de nosso presidente que como bom militar que ele o é, se ponha na posição correta, regulamentar, na execução do Hino Nacional e/ou hasteamento da Bandeira, que não prevê essa mão no peito, que é gesto inconsequente de jogador de futebol, que também expressa seu amor para o time que ora paga seu bom salário com “beijos ardorosos” na camisa do time.

  2. Sr. José Narcélio:

    Tudo o que o senhor narrou eu também vivi plenamente – na minha infância e adolescência, e quando já era professor.

    É uma das minhas melhores lembranças, provocando-me muitas saudades.

    Ainda sou dos que se emociona e se arrepia quando ouve o Hino Nacional.

    E para complementar o seu belo texto, no YouTube, tem o vídeo das crianças italianas – alegres, agitando bandeirinhas brasileiras e italianas – cantando, em bom português, a Canção do Expedicionário, demonstrando a sua gratidão pelo sacrifício de nossos pracinhas (na 2ª guerra) para libertar a sua terra dos nazifascistas.

    Está no link:

    https://www.youtube.com/watch?v=0z_gB-UUsi0

    Enquanto aqui…

    Gerações perdidas!!!

    Quo usque tandem abutere, PETRALHAS, patientia nostra?

    Um baita abraço,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail.

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