EXTRAVAGÂNCIA, MANIA OU DOENÇA

Não sei se está enquadrado como extravagância, mania ou doença, o desejo compulsivo de esbanjarmos dinheiro para nos assemelharmos a astros e estrelas do cinema ou a destaques do mundo esportivo. Desconheço a razão para se acumular centenas de um mesmo tipo de objeto sem qualquer finalidade mercantil.

É difícil distinguir entre extravagância, mania ou doença quem dedica a existência montando coleções com o fito de alimentar o ego, direcionando afeição desmesurada para um objeto, e se reservando o exclusivo direito do usufruto. Realmente, existem pessoas portadoras de procedimentos um tanto excêntricos, difíceis de serem processados por nós outros, meros e desconhecidos normais.

Aqui abro parênteses. Eu procurei incentivar um dos meus netos a jogar tênis, quando ele completou sete anos de idade. Mostrei-lhe jogos de um ás na modalidade, na época, Rafael Nadal. As mungangas do jogador de esfregar a mão no nariz, nas orelhas e, por fim, puxar a cueca para desalojá-la de onde se metera, suponho que tenha desestimulado o moleque para tal esporte. Talvez, ele tenha imaginado que a mania – ou doença -, fosse uma das regras do jogo. Fecho parênteses.

É sabido existirem esquesitices decorrentes de distúrbios comportamentais, porém, o que pensar de quem garimpa e cataloga tudo o que se refere ao seu ídolo, numa ânsia ilógica, comprometendo a própria identidade?

Li, em algum lugar, que um morador de Hong Kong adquiriu por 4,3 mil dólares um chumaço de cabelo de John Lennon; que três radiografias do tórax de Marilyn Monroe foram vendidas por 45 mil dólares; que uma unha postiça da cantora Lady Gaga, despregada de seu dedo num show em Dublin, foi vendida por 300 mil dólares; e, que um lenço de papel, usado por Scarlett Johansson por conta de uma gripe transmitida por Samuel L. Jackson, foi arrematado em leilão por 6,6 mil dólares.

O lençol utilizado na noite de núpcias de Sean Pean e Madonna foi vendido por milhares de dólares. Cá entre nós: que fantasia elucubrou tal colecionador para curtir a peça usada no enlace relâmpago daqueles famosos astros de Hollywood?

Porém, deveras estarrecido eu fiquei, ao saber que o penico utilizado por Napoleão Bonaparte fora leiloado, em maio de 2005, com lance inicial de mil dólares. Impossível esse fato passar despercebido por meu caçuá de questionamentos.

O que o bendito comprador fez com o penico de Napoleão? Expôs o dito na sala de visitas de sua casa como um troféu irrefutável dos embates intestinais do imperador corso? Quem sabe utilizou o utensílio de alcova para se imaginar tão poderoso quanto o general de tantas vitórias ou tentou vencer a guerra contra os próprios desarranjos intestinais oriundos de suas necessidades fisiológicas.

Com tamanha preciosidade em mãos, o comprador do penico de Napoleão, poderia se deleitar antevendo o famoso ex-proprietário acocorado majestosamente na peça, bolando estratagemas para evacuar o exército inimigo de posições privilegiadas no próximo embate a ser travado.

Caso desejasse emoções mais fortes poderia relembrar, aboletado no penico, a derrota esmagadora de Napoleão na batalha de Waterloo, quando foi defenestrado de território de domínio inglês pelo duque de Wellington, sendo evacuado ele mesmo, em seguida, do trono francês.

O certo é que o livre arbítrio nos permite explorar manias inaceitáveis para uns e de naturalidade estrondosa para outros… Até mesmo colecionar penicos.

Deixe uma resposta