ERA APENAS UM PALANQUE

Maurício Assuero

Sou apenas mais um indignado com a exploração do cadáver do irmão de Lula. Vavá, como era chamado, era um irmão querido e foi o responsável pelo ingresso de Lula na política sindical e partidária. Vavá foi flagrado uma ocasião em conversas telefônicas na qual dizia “manda dois pau pra eu” (sic) e Lula quando indagado pela imprensa sobre isso disse que “Vavá era só um lambari”, dizendo que havia grandes tubarões no mar da propina.

A morte Vavá fez o ex-presidente solicitar o direito de sair da cadeia para participar do velório e/ou do sepultamento. A juíza Carolina Lebbos, fez o que o bom senso manda: pediu que a PF se posicionasse sobre o pedido porque sabia da logística necessária para esse atendimento. Diante da impossibilidade operacional (deslocamento de helicóptero, escolta, controle da multidão, etc.) e do histórico ocorrido quando da ordem de prisão (os partidários sequestraram Lula na sede do sindicato), a PF externou os riscos a ordem pública e o pedido foi vetado.

Cabe dizer que Gleisi Hoffman já havia convocado a militância para comparecer ao cemitério e imagine uma escolta formada por 10 ou 20 policiais no meio de uma população desmiolada. O caso seria idêntico ao que ocorre hoje na Venezuela. Incrível como as pessoas usam a morte como palanque político. Todos os políticos presentes como Eduardo Suplicy, Gleisi, Haddad, Marinho, estas pessoas estavam ali não para homenagear Vavá, mas para atiçar a multidão contra as instituições sob o mantra do “Lula livre”.

É decepcionante o comportamento de Lula. Primeiro, a morte de Marisa Letícia foi explorada até o túmulo e depois, no primeiro depoimento dele, ficou patente que a estratégia de defesa era jogar tudo no caixão de Marisa. A Galega foi responsável pela cozinha do tríplex, pelas reformas do sítio, por tudo de ruim que o inocente Lula estava sofrendo. Aquilo foi de uma crueldade sem precedentes. Adicionalmente, fica caracterizado que o sentimento de Lula pelos familiares depende dos interesses dele. Os jornais noticiaram a morte de dois dos seus irmãos quando ele estava livre, leve e solto, gozando das benesses do poder. Ele mandou representantes para o enterro desses irmãos. Havia algo mais importante a fazer que comparecer ao sepultamento de um irmão, afinal, naquela ocasião não havia palanque.

O enterro de Vavá foi marcado por esse desrespeito ao defunto. Não se tratava de pessoas interessados em prestar uma homenagem ao morto. As pessoas, inclusive, o imoral padre que comandou a cerimônia estava ali para gritar “Lula livre” e afrontar como estão fazendo, diariamente, a justiça brasileira. Da mesma forma que o Pai Nosso na Venezuela diz “Chavez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós, delegados. Santificado seja teu nome. Venha a nós o teu legado para levarmos ao povo daqui e de lá….”, parte dos padres católicos, estará, em breve, rezando  “Lula nosso que estás em Curitiba….” e ao invés de “amém” dirão “Lula livre”.

O fato do STF ter autorizado o encontro de Lula com a família num ambiente isento, sem a presença de partidários, sem telefone celular, não interessou. Não havia palanque. Lavoisier tinha razão quando disse que “na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Ontem, o Brasil viu um defunto se transformar num palanque.

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