…E O VENTO LEVOU

Altamir Pinheiro

80 ANOS DE UMA OBRA PRIMA DO CINEMA

Desta vez eu resolvi baixar as armas do Velho Oeste colocando-as de volta ao coldre e dei de garra de uma caneta para travar um Duelo de Titãs em razão da passagem dos 80 anos do filme “…E O VENTO LEVOU”. Será que um dia o tempo traz de volta?!?!?!

Pois bem!!! Esta homérica fita é “a produção mais bem-sucedida de Hollywood” disse o famoso crítico norte-americano Leonard Maltin. Sob seu ponto de vista, “parece melhor com o passar dos anos”. Este romance ambientado durante a Guerra Civil Americana ganhou o impressionante número de 10 Oscars, incluindo Melhor Filme, e seus imortais personagens, Scarlett, Rhett, Ashley, Melanie, Mammy e Prissy, popularizam esse épico de apelo permanente a todas as gerações. Tido por muitos como o maior filme de todos os tempos, inclusive superando a grande produção BEN HUR, haja vista possuir uma trilha sonora memorável!!! Um clássico com C maiúsculo!!! Suntuoso, fascinante, inesquecível!!! Afinal de contas, o filme foi ousado para os padrões da época…

O filme chegou ao Brasil na década de 1940, porém teve sua estreia nos Estados Unidos em 1939 baseado em um romance escrito entre 1926 e 1929 por Margaret Mitchel. A obra é ambientada na segunda metade do século XIX, época da Guerra Civil norte-americana, que narra as situações vividas pelos sulistas durante este período histórico. O clássico conta a história da atrevida Scarlet OHara, vivida pela atriz Vivien Leigh, tendo como pano de fundo a Guerra Civil Americana, quando fortunas e famílias foram destruídas, e sua relação de ódio e amor com Rhett Buttler (vivido por Clark Gable). Ele é um aventureiro que com ela acaba produzindo cenas clássicas de conflito e vivem uma relação amorosa que se arrasta entre tapas e beijos…

A película narra a trajetória de Scarlett OHara (Vivien Leigh), uma mulher rebelde e decidida que sobrevive à Guerra Civil americana e luta para defender sua terra e para conquistar o amor de Rhett Butler (Clark Gable). A personagem Scarlett se apresenta como uma anti-heroína, egocêntrica e materialista. Em dezembro de 1939, é lançado o longa metragem com o título de Gone With The Wind, que se tornou sucesso absoluto e passou para a história como um dos grandes clássicos da sétima arte. Duas frases marcam a trajetória da personagem Scarlett OHara quando ela ficou praticamente na miséria: “Jamais passarei fome outra vez…”; na outra ela diz: “Tara, meu lar. Irei para o meu lar e pensarei numa forma de tê-lo de volta!!! Afinal, amanhã é um novo dia!!!)…

A crítica de cinema Sílvia Cristina afirma com todas as letras que, “…E o Vento Levou” é muito mais que uma grandiosa produção; é muito mais que um filme sobre a guerra e suas consequências; é um filme sobre a determinação e a sobrevivência, figuras encarnadas na imagem da terra. Scarlett é uma sobrevivente da guerra, da fome, da miséria, da perda trágica dos pais, de um amor nunca concretizado. Embora, seja vista como uma grande heroína por sua incansável capacidade de luta, a indomável personagem Scarlett de certa forma, é uma perdedora.

O cinéfilo carioca, Paulo Telles, que é leitor e escreve comentários aqui, no JBF, registra em seu excelente blog (Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema) que ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano. Aqui no Brasil, a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado “A História de E O VENTO LEVOU”. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

No mesmo blog do leitor fubânico, Paulo Telles, lê-se que “…E O VENTO LEVOU” estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas(Primeira Dama do Brasil), com os 1.400 lugares inteiramente ocupados. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.

Entre tantas curiosidades que o filme apresenta, citaremos algumas começando por Bette Davis que chegou a ser convidada para o papel de Scarlet O’Hara, mas o recusou; há quem diga que, entre os rumores dos bastidores, circulava a informação de que VIVIEN LEIGH não suportava as cenas de beijo com CLARK GABLE por causa de seu mau hálito. Para se ter ideia da grandiosidade do filme, na sua montagem, em 1º de julho de 1939 terminaram as filmagens e o produtor e roteirista David Selznick tinha diante de si uma montanha de celuloide revelado (cerca de 60.000 metros de filme), equivalente a 28 horas de projeção; por puro preconceito da época a “negona” Hattie McDaniel não pôde comparecer na première do filme em Atlanta porque era negra. Ela foi a primeira atriz negra a conquistar um Oscar e, finalmente, …E O VENTO LEVOU foi o primeiro filme a cores a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Apesar de ser uma fita muito demorada(4 horas de duração), quando o filme começa a ficar fascinante ele acaba…

Uma ideia sobre “…E O VENTO LEVOU

  1. Com relação ao filme “…E O VENTO LEVOU” do ano de 1939, ele teve 13 indicações para o OSCAR de 1940: das 13, arrebatou 10!!! Até hoje, a maior zebra da história do prêmio da Academia de Hollywood foi CLAK GABLE não ter recebido a estatueta, pois perdeu para Robert Donat que foi o protagonista do filme Adeus, Mr. Chips.

    Naquele ano, eis os filmes indicados para o Oscar: Vitória Amarga, Adeus, Mr. Chips, Duas vidas, A Mulher faz o Homem, Carícia Fatal, O Mágico de OZ, No Tempo das Diligências, O Morro dos Ventos Uivantes, E O VENTO LEVOU(Oscar de melhor filme).

    P.S.: Enquanto isso, VIVIEN LEIGH que viveu a personagem Scarlet OHara de E O Vento Levou, desbancou nada mais nada menos que Greta Garbo e Bette Davis e ganhou o Oscar de melhor atriz.

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