DEU A LOUCA NO MUNDO

A palavra moda vem do latim “modus” e significa costume, maneira ou comportamento.

A evolução da moda e dos costumes, ao longo de décadas, indiretamente, tem contribuído para a degeneração dos valores morais da sociedade.

Entretanto, “para os anormais, tudo é normal”.

O modernismo atual resultou no culto ao que é “antinatural” e ao que se opõe aos costumes e aos princípios morais. Essa mudança conseguiu fazer, numa grande parte da população, uma verdadeira lavagem cerebral, no que se refere a tudo aquilo que envolve respeito à moral e aos costumes. No começo, houve um choque entre os costumes tradicionais e o modernismo considerado “indecente”, pelas pessoas conservadoras. Mas a maioria é quem manda…

Antigamente, no nordeste brasileiro, a moda chegava atrasada. Mas com a globalização, o modismo passou a influenciar as pessoas, imediatamente.

A televisão é uma verdadeira escola de novos hábitos e costumes, e a juventude tende a seguir os seus ensinamentos.

Pois bem. Certa vez, no início da década de 60, presenciei Dona Lia, minha saudosa mãe, que costurava muito bem, ficar sem graça, ao receber a visita de uma sobrinha que tinha chegado da capital. A jovem, de 17 anos, estava vestida com uma mini blusa de mangas compridas e uma calça bastante colada ao corpo, de cintura baixíssima, que mostrava o umbigo e boa parte do torso. Para Dona Lia, isso era falta de pudor. Ela considerava o umbigo uma parte sagrada do corpo, pois estava ligada ao parto.

Horrorizada com a exposição do umbigo da sobrinha, Dona Lia, muito franca, não se conteve e disse:

– Minha filha, você se vestiu tão bem, mas deixou de fora seu umbigo?!!!

Resposta da sobrinha:

– É calça “Saint-Tropez”, tia! É a última moda!!!

Dona Lia respondeu que considerava aquela roupa uma indecência. Para ela, o umbigo era quase uma parte genital. Era falta de pudor, deixá-lo à mostra.

A resposta da jovem veio com estupidez:

– A SENHORA É DE 12… “ (Xingamento usado, na época, pelos jovens, para agredir as pessoas mais velhas e conservadoras) .

Deu uma rabissaca e deixou a tia falando sozinha.

Minha mãe ficou chocada com isso. Nunca imaginou que fosse chegar o dia em que as moças se cobririam todas, mas deixariam à mostra o umbigo. Nunca tinha visto uma indecência tão grande!!!

Pouco tempo depois, surgiram outros modismos que escandalizaram Dona Lia, como o “monoquíni”, “fio dental” “exposição de barriga grávida” (adotada pela saudosa atriz Leila Diniz) e a nudez mostrada na televisão.

Coisas muito piores, como as que acontecem atualmente, incluindo a desvirtuação total dos valores morais, ela não chegou a ver.

A cintura baixa foi uma novidade dos anos 1960, na forma da calça saint-tropez, que mostrava escandalosamente toda a região do umbigo. A parte da frente da calça, que tinha normalmente 30cm, passou a ter entre 10 e 20cm, alongando o desenho do torso. Este corte de calças durou mais alguns anos como parte da cultura hippie, nos anos 1970. A região francesa onde foi lançada essa moda, emprestou seu nome ao novo tipo de calça.

4 pensou em “DEU A LOUCA NO MUNDO

  1. Violante,

    Excelente crônica. Sou favorável a evolução da moda que deixe a mulher mais bonita. O que vemos nos dias de hoje é uma falta de bom senso no vestuário. Fique surpreso quando vi o desfile de uma escola de samba do Rio de Janeiro com o espetáculo de uma sambista anã com fio dental. Pense numa imagem surrealista! Há uma frase atribuída a estilista Coco Chanel muito interessante, então compartilho com a prezada amiga: “A moda virou uma piada. Os designers se esqueceram que existem mulheres dentro das roupas. A maioria das mulheres se veste para os homens e quer ser admirada. Mas elas também precisam andar, entrar num carro sem arrebentar a costura. Roupas têm que ter uma forma natural.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  2. Obrigada pelo gratificante comentário, prezado Aristeu! Gostei muito da frase da estilista Coco Chanel. É muito verdadeira. .A mulher pode ser elegante, sem se tornar ridícula. Não deve ser escrava da moda.

    Um abraço e bom fim de semana!

    Violante!

  3. Excelente crônica de costume, Violante Pimentel!

    Realmente o modismo daquela época chocava muito a todas as pessoas simples, principalmente as donas de casa, mesmo aquelas que viviam na cidade grande e recebiam todas as notícias da transformação dos costumes sociais no mundo civilizado…

    Todas as revoluções provocam frisson!

    Mas o mais interessante em tudo isso, e depois de ler sua excelente crônica me reavivou a memória, foi que Dona Maria Alves da Silva, minha saudosa mãe, que se encantou aos 82 e dois anos trabalhando no lar, nunca se chocava com esses modismos. Quando alguma vizinha vinha comentar “essas faltas de vergonhas das mulheres para ela”, ela simplesmente e sabiamente dizia: -“Minha filha, deixe que cada uma seja feliz a sua maneira!” Nana escandaliza mais do que a FOME!

    Beijos mamãe, onde você estiver; e fraternais abraços, excelente Violante por mais uma crônica extraordinariamente pessoal!

  4. Obrigada pelo generoso comentário, prezado colunista Cícero Tavares! Minha saudosa mãe gostava de costurar, e se chocou com a calça “Saint-Tropez”, que deixava o umbigo à mostra. Imagine se ela tivesse alcançado a nudez e o sexo quase explícito das novelas. Sua querida mãe também tinha muita sabedoria. A FOME,.realmente, é chocante. rsrs.
    Um grande abraço e bom fim de semana!

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