DAVOS MESMO?

Por que tanta miséria no mundo? ― eis uma pergunta recorrente, tanto quanto recorrente é a miséria. E não imagine ser um problema exclusivamente brasileiro, não. Tirando os ricos, é problema do mundo inteiro. Então comece a se estarrecer com a frieza dos números, recentemente divulgados em toda a imprensa.

Apenas 26 homens ― bilionários, obviamente ― têm mais dinheiro do que 3,8 bilhões de pessoas. Quem afirma é Winnie Byanyima, diretora da Oxfam, uma ONG internacional, que fez a revelação semana passada, quando da abertura do Fórum de Davos.

Para ela, as desigualdades extremas estão descontroladas, o que impõe aos governos abandonar promessas e obrigar bilionários como Jeff Bezos e suas empresas a pagar impostos maiores e mais volumosos. O abismo entre ricos e pobres sabota a luta contra a pobreza, porque traz a fome como prato principal e a revolta como sobremesa. É impossível atenuar a ira diante de uma família esfomeada e, como é sabido, a fome é má conselheira.

Quando você vê aqueles africanos esquálidos morrendo de fome e de doenças dela provenientes, se horroriza, não é certo? Pois saiba que apenas 1% da fortuna de Jeff Bezos ― apenas 1% ―, pagaria o orçamento de Saúde da Etiópia.
O fato concreto, porém, é que a riqueza dos bilionários aumentou, ano passado, US$ 900 bilhões a uma velocidade de US$ 2,5 ao dia, enquanto a renda da metade mais pobre caiu 11%. Na atual ordem econômica, pois, em que os milionários pagam proporcionalmente menos tributos, conclui–se que em Davos, apesar da consonância, não se “davos” nada. Se toma.

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  1. Mais um amontoado de clichês “progressistas” ou “socialistas” que no fundo mostram apenas inveja fome de poder.

    Durante a maior parte da história da humanidade, 80 a 90 % da população passava fome. Nos dois últimos séculos, graças ao avanço tecnológico e à abundância de energia (vindo do petróleo, basicamente), esta porcentagem diminuiu para menos de 20%, e não para de cair.

    Mas temos que aturar os inteligentinhos, auto-denominados “intelectuais”, bem acomodados em seus cargos bancados pelos impostos da plebe, clamando contra os “ricos” e exigindo que estes se desfaçam do que tem. Eles próprios, jamais receberam um esfomeado em seus belos apartamentos de Paris, Genebra ou Londres.

  2. Há umas semanas atrás, enviei ao Berto (que fez a gentileza de publicar) um “exercício argumentativo” que fiz analisando um texto que circulava pela internet. Repito a receita:

    “Por que tanta miséria no mundo? ― eis uma pergunta recorrente, tanto quanto recorrente é a miséria.”

    Porque a miséria é a condição natural. A riqueza tem que ser produzida. Casas não se constroem sozinhas, roupas não surgem do nada, comida tem que ser plantada ou criada ou colhida, para não falar de automóveis, smartphones e remédios.

    Agora, há pessoas no mundo que se dedicam a produzir. Outras não produzem quase nada, mas aproveitam-se do que os outros produziram. Há os que pregam que se tome dos outros aquilo que se quer. E há os que se dedicam a destruir, ao invés de produzir.

    “Apenas 26 homens ― bilionários, obviamente ― têm mais dinheiro do que 3,8 bilhões de pessoas. Quem afirma é Winnie Byanyima, diretora da Oxfam, uma ONG internacional,”

    Estes números já foram questionados em muitos lugares; não na grande imprensa, é claro, onde “ONG internacional” é senha para ser inquestionável e irrefutável, assim como certos partidos e certas celebridades.

    Um dos truques revelados é o de considerar riqueza = patrimônio líquido. Neste sistema, um jovem brasileiro com diploma universitário e um bom emprego que resolva comprar um apartamento financiado torna-se instantaneamente tão pobre quanto um refugiado de Bangladesh, em função da “dívida” que contraiu. É óbvio que ter um patrimônio financiado é bem diferente de não ter patrimônio, mas isso não interessa aos cálculos de ong´s como essa.

    “Para ela, as desigualdades extremas estão descontroladas”

    Talvez para ela forró seja melhor que sertanejo universitário, ou o contrário. Desde quando a opinião pessoal de alguém, especialmente alguém claramente ligado a uma determinada ideologia, é um argumento definitivo?

    “o que impõe aos governos abandonar promessas e obrigar bilionários como Jeff Bezos e suas empresas a pagar impostos maiores e mais volumosos.”

    Jeff Bezos é o fundador e maior acionista da Amazon, uma empresa global de comércio eletrônico. A Amazon, ao contrário dos governos, não tem o poder de obrigar ninguém a lhe dar um único centavo. Se as pessoas OPTAM pela Amazon, é porque gostam dos preços, do atendimento, enfim, do serviço que a Amazon presta. Quem não gosta, tem a opção de comprar em uma infinidade de outros lugares, ao contrário do que acontece com os serviços do governo, que são pagos por todos sem o direito de optar ou mesmo de reclamar.

    Acrescente-se que a Amazon também permitiu o acesso ao mercado de milhares de pequenos empreendedores através de sua plataforma. Se você produz alguma coisa que as pessoas gostam, você pode vender esta coisa para o mundo inteiro através do site da Amazon, coisa que seria difícil de fazer sozinho. Só isso já ajudou mais pessoas a enriquecer que tudo que a Oxfam fez em sua existência. Mas a Oxfam quer prejudicar este negócio com “impostos maiores e mais volumosos”.

    Por outro lado, é interessante notar que a Oxfam, que tanto exige o aumento de impostos dos ricos, já foi acusada de movimentar dinheiro em paraísos fiscais para evitar o pagamento de impostos na Grã-Bretanha, onde fica sua sede.

    “Quando você vê aqueles africanos esquálidos morrendo de fome e de doenças dela provenientes, se horroriza, não é certo? Pois saiba que apenas 1% da fortuna de Jeff Bezos ― apenas 1% ―, pagaria o orçamento de Saúde da Etiópia. ”

    A Etiópia mal pode ser considerada um país. É uma terra sem lei, onde a maior parte do território é controlada por gangues criminosas. O orçamento de saúde da Etiópia com certeza não é referência para nada, exceto para forjar comparações enganosas e escandalosas. Mas vamos supor que fosse verdade. A Oxfam aceitaria que Jeff Bezos e a Amazon assumissem o sistema de saúde da Etiópia? Claro que não! Deixar a iniciativa privada exercer uma atividade tipicamente “pública” seria um escândalo, com o risco de escancarar como governos são ineficientes e corruptos. A maneira “certa”, é claro, é cobrar impostos cada vez maiores das empresas que produzem, e dar este dinheiro aos burocratas do governo que usarão uma pequena parte (o que sobrar depois de pagar a si próprios e às suas mordomias) para oferecer um serviço ruim à população.

    Resumo: quando você ler um texto escandaloso patrocinado por alguma ong reclamando dos ricos, e constatar que os dirigentes desta ong (sediada no primeiro mundo) viajam em primeira classe e se hospedam em hotéis cinco estrelas, desconfie.

  3. 1% da fortuna de Jeff Bezos resolveria o problema da saúde da Etiópia? Então tá, talvez dê certo se defenestrar os governantes e suas bem fornidas contas bancárias. Isso vale para o mundo todo. Além disso, todo mundo esquece um princípio básico da economia, ou administração ou simples bom senso: administrar a escassez. A riqueza e/ou alimentos simplesmente não dão pra todo mundo.

  4. Isto é uma besteira a estatística é sobre riqueza e não sobre dinheiro. Riqueza é quantos bens você tem descontadas as dívidas. Se você der r$10 para uma criança ela será mais rica que 2 bilhões de pessoas. Pessoas estas tipo um médico recem formado que deve o curso o carro e o apto e tem menos riqueza que um indiano que puxa um riquichá e fatura u$10 por dia.

    • Você prefere ser um médico recém-formado que tem um carro e um apartamento, e tem um salário que permite pagar as prestações, ou prefere ser um indiano que puxa riquixá ?

      Riqueza só tem utilidade se traz qualidade de vida. Senão, é só manipulação estatística para impressionar incautos.

      Aliás, os brasileiros conhecem um sujeito – que está preso aqui na minha cidade – que é um bom exemplo de como patrimônio não tem obrigatoriamente relação com padrão de vida: o tal sujeito só viajava de jatinho particular, só se hospedava em hotéis cinco estrelas, só frequentava os melhores restaurantes, mas não tinha patrimônio nenhum: nem apartamento, nem sítio, nem dinheiro.

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