COMO DIZIA VINICIUS DE MORAES

Carlos Eduardo Gomes

O assunto do momento são as trapalhadas da Família Bolsonaro. Comparáveis às enrascadas do antigo grupo humorístico, formado também por quatro integrantes, Didi, Dedé, Zacharias e Muçum, “Os Trapalhões”. Só falta colocar aquela trilha sonora da abertura do antigo programa dominical para anunciar que lá vem trapalhada pelo Twitter. A diferença é que os trapalhões da arte, não afetavam a nossa vida e os trapalhões da política podem complicar muito a situação já bastante difícil do nosso país.

Jair e seus filhos são a oposição mais efetiva ao Governo Bolsonaro. Aparentemente envolvidos no submundo de desvio de recursos públicos (rachadinhas) e apoio político através de milicianos que controlam a vida e os votos em muitas comunidades nas periferias das metrópoles, os Bolsonaro precisam explicar muito bem essa situação para levarem a diante seu slogan moralizador “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. É exatamente isso que todos nós queremos: a verdade.

Para expor toda verdade que foi omitida dos brasileiros ao longo dos últimos quatro mandatos presidenciais, para dar transparência ao uso dos nossos escassos recursos, para moralizar e tornar eficiente o serviço público, para libertar o Brasil de compromissos ideológicos contrários a tradição da nossa diplomacia, para fazer as reformas constitucionais mais do que conhecidas e essenciais para nosso progresso, para tornar o Brasil um lugar bom para se viver, escolhemos o Capitão Jair Bolsonaro para liderar essa transformação.

Não falta coragem ao Presidente, não falta gente boa na sua equipe para ajudá-lo nessa tarefa, AINDA não está faltando boa-vontade nos eleitores e no Novo Congresso, mas o Capitão está mais comprometido com o sentimento de paternidade do que com seu patriotismo e com o mandato que lhe foi confiado. Ser presidente da república exige sacrifícios e entre eles está o de não poder escolher para quem governar, é preciso respeitar a Constituição e aplicar a lei para todos, incluindo familiares. É isso que esperamos de um bom presidente. É isso que o cargo exige.

O caso de Flávio Bolsonaro é preocupante. Está próximo demais de grupos criminosos. Será por descuido? Será que o Capitão Jair Bolsonaro sabia desse envolvimento do Zero Um com milicianos ao ponto de empregar familiares de chefes milicianos em seu gabinete? O conceito do Senador Bolsonaro 01 sobre milícias é assustador: “a milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos” foi o que disse num de seus discursos na ALERJ em 2007. Ele não considera crime a atuação das milícias que praticam todo tipo de extorsão, por exemplo.

No caso do Secretário da Geral da Previdência, Gustavo Bebiano, assistimos atônitos a participação escandalosa de Carlos Bolsonaro. Sem nenhuma necessidade do enorme desgaste para o Presidente. Motivo para a demissão havia, o que faltou foi o vereador carioca controlar seu impulso e deixar o caso para quem deveria cuidar do assunto com autoridade. Que o Zero Dois não tem. O que poderia ser uma troca de ministro por motivo justo, virou uma crise fora de hora para o Governo. Carluxo parece um filho mimado que faz pirraça para andar de carona no conversível e ir todo dia ao trabalho do pai só para ver como é.

Estamos vivendo um momento especial. A sociedade está consciente e disposta a promover os ajustes econômicos necessários para o equilíbrio financeiro do Estado. Só a Previdência Social Custa R$ 680bi por ano, desse custo os 20% mais pobres custam R$ 20bi e os 20% mais ricos R$ 280bi e fica um buraco de R$ 220bi, para o Tesouro cobrir com venda de patrimônio, ou aumento do endividamento. Está mais do que na hora dos Trapalhões entenderem que boca fechada não entra mosquito. Não está na hora de chamar inimigo para a briga. Dane-se que a Globo não gosta do Bolsonaro, se fizer o trabalho direito, eles vão aprender a gostar.

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?

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