LULA FAZIA MÁGICA ATÉ EM RESTAURANTE CHIQUE

Lula e Zé Dirceu foram jantar num restaurante muito luxuoso. Ali, os talheres eram de ouro. Puro luxo. Coisa para nababos.

De repente, Lula vê Zé Dirceu pegar duas colheres de ouro e esconder no bolso.

Ficou profundamente aborrecido. Como ele não tivera primeiro a ideia? Mas não passou recibo, decidiu que também ia roubar duas colheres. Todavia, na hora do furto, ficou nervoso (pois os companheiros sempre roubaram para ele e ele “nunca sabia de nada”) e as colheres acabaram batendo uma contra a outra, fazendo barulho.

Solícito, o garçom lhe perguntou se queria alguma coisa.

Lula ficou sem jeito, pois tinha sido pego com a boca na botija. Respirou fundo, recompôs a cara de pau e falou que não tinha ouvido nada, não sabia de nada e não queria nada.

Em seguida, “Nunca Antes” tentou de novo, mas uma das colheres caiu no chão.

O garçom ouviu o barulho, aproximou-se de Lula e perguntou, novamente, se ele queria algo.

Lula pensou um pouco. Exímio enganador, dissimulado e oportunista, perguntou ao garçom:

– Você quer que eu faça uma mágica?

– Claro, presidente, claro. Adoro mágicas.

– Então, pegue essas duas colheres de ouro e as coloque no meu bolso.

O garçom o atendeu prontamente.

– Pronto senhor, e agora?

– Agora, conte até três e tire as colheres do bolso do Zé Dirceu.

Todos os que viram a cena ficaram maravilhados. Inclusive o garçom. O Brasil nunca teve, de fato, um presidente como ele.

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APONTAMENTOS

Sou romântico inveterado. Sou Roberto Carlos sem voz.

Adoro mulher de quarenta. E gorducha também.

Desconfio da masculinidade de homens que não aceitam estrias e celulite.

São incapazes de dar o devido valor a um par de peitos levemente caídos.

São tolos. Desprezam a vivência.

Não se olham no espelho.

Paciência.

Antes de bater as botas, faço um apelo às mulheres, em especial às gorduchas:

– Não usem calcinhas seis números abaixo do que suas nádegas exigem! Não vejam erotismo onde a vulgaridade impera. E disparem um pontapé no traseiro de homens cheios de frescuras.

* * *

E ela bateu pesado, como toda mãe bate em marido inconveniente

– Sai daqui, animal: quer tomar o leite do menino?

Não queria roubar leite, muito menos leite do filho. Imagine… Nem de leite gostava, queria um prazer efêmero, coisa ligeira, de quem tem que trabalhar amanhã: um beijinho, uma mamadinha nos seios da amada de sempre.

Ela negou. Vítor cresceu. O amor se foi. E ele morreu. Por falta de cálcio. E de peitos.

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QUEM TEM JUÍZO…

A madame arrogante ficou transtornada, puta da vida, com a empregada com três meses de casa:

– Escuta aqui: você mal chegou e quer aumento de 20%?

– É que lavo a roupa melhor que a senhora?

– Quem lhe disse isso?

– Meu patrão. Tem mais: ele também me disse que cozinho melhor que a senhora.

– O que mais, abusada?

– Sei que na cama sou melhor que a senhora…

– Aquele vagabundo do seu patrão lhe disse isso?

– Não. Foi o motorista.

A patroa achou 20% pouco. Deu à mensalista 50% de aumento.

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RAPIDÍSSIMAS

QUATRO DÉCADAS

Quando tudo parecia perdido, eles deram a volta por cima: voltaram a ser o que sempre foram: amigos, cúmplices para sempre.

RECOMEÇAR

Nunca é tarde pra partir.

POR AQUI, POR ALI?

Ora, se a gente tivesse certeza sobre o melhor caminho, a gente o percorria.

TEM JEITO NÃO

Envelhecer é acumular perdas. Mas, quem se dispõe a ir antes da hora?

CONFORTO

Quem diria? Três casas nos separam. A gente voltou a namorar. Namorar é bom. Namorem.

ESFORÇO EM VÃO

Trocou os aplausos fugazes pelo silêncio reconfortante. E continuou infeliz.

NA PIOR IDADE

Aqueles gemidos lancinantes não são de prazer. São de dores, muitas dores. Nas costas, nos rins, nos braços e pernas.

ESTÁ ESCRITO

Homem que perde o trabalho, não importa sua história, com o passar do tempo vira estorvo Para si mesmo.

CELA 45

Muito pior que as grades é a convivência forçada

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O AZARADO

Achou estranho o convite para a entrevista, mais ainda cargo e salário em perspectiva. Mas não estava em condições de recusar desafios. Se mais não fosse, já passara da hora de alguém reconhecer aquele talento adormecido.

Fez a barba, tomou um banho bem tomado, espanou o paletó puído, calçou o par de sapatos das grandes e raríssimas ocasiões, tomou um trago e se foi – rumo ao sucesso improvável. E com aquele ar “altivo” dos previamente derrotados.

– Você sabe por que está aqui, não sabe?

– Claro que sei, respondeu. De peito estufado, coração na mão.

– Indicação dele.

– Do chefe, eu sei.

– O que sabe fazer?

– Tudo o que for preciso.

– Está dispensado.

– Mas, e o chefe?

– Ele não apita mais nada. Foi demitido ontem. Já foi tarde. E aqui a coisa só funciona na base do “quem indica”. Trate de arrumar outro padrinho.

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SANTA INGENUIDADE

Não sei como andam, hoje, as práticas na Câmara Municipal de São Paulo. Devem te piorado. Sempre pioram. Há anos, eu não acompanho de perto – como repórter ou assessor de imprensa – o dia-a-dia daquela casa legislativa. O que sei é o que os jornais publicam. Nada mais.

Mas houve um tempo em que eu, jovem repórter, me preocupei seriamente com a saúde de nossos representantes. Minha apreensão foi às alturas em junho/julho de 1986, quando um bando (perdão, grupo) deles foi ao México assistir aos jogos da Copa do Mundo, com atestado médico fajuto nas mãos e salários depositados nas respectivas contas bancárias.

Não imaginava que sol escaldante, comida apimentada e as emoções que os jogos disputados provocam pudessem fazer bem à saúde de cidadãos tão debilitados pelo excesso de trabalho e pela “dedicação total a você”.

Uma trabalhosa pesquisa no Diário Oficial e meia dúzia de entrevistas com o compromisso de manter em sigilo os nomes das fontes sossegaram minha alma sobressaltada.

Pedir licença por motivo de saúde era prática recorrente na casa, fruto de um “acordo político” – a expressão presta-se, até hoje, a toda sorte de lambanças – entre as bancadas. Os eleitos pediam licença por motivo de saúde, os suplentes assumiam (chance de ouro para apresentar projetinho de lei, fazer discurso, aparecer para os eleitores), e ambos ganhavam os salários normalmente.

Nunca consegui provar que alguns suplentes, por gratidão, devolviam parte da grana para os titulares das vagas. A máxima de São Francisco norteava as negociações. E os contribuintes que arcassem com as despesas extras. Não me lembro do motivo de não termos feito matéria sobre quem eram os médicos que assinavam os atestados fajutos em série. Foi uma falha.

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EM LIQUIDAÇÃO

Levei anos, décadas, mas descobri minha vocação: quero ser protestante. Que pastores não se animem. Sou meio desgarrado de igrejas, em especial das estridentes. Nunca fui chegado a ser membro de rebanho. Erro com minhas próprias pernas. Não me queixo das “graças” que obtive, muito embora não esteja convencido de meus parcos merecimentos. Além do mais, a situação econômica não me permite pagar por “milagres” de procedência e efeitos duvidosos. Quero ganhar a vida protestando – de forma lucrativa. Afinal, como dizem por aí, o mar não está para peixe. Tempo bicudo, o nosso.

O ramo de protestos se profissionalizou muito nos últimos tempos. Diria mesmo que, nesse quesito, superamos Estados Unidos e Europa. De uns tempos para cá, temos até protestos a favor do governo. Segundo dizem, estes são os de melhor remuneração.

Claro que há sempre o risco de o profissional do protesto tomar umas cacetadas dos policiais. Mas jamais tive a pretensão de ocupar a linha de frente, ter a cara estampada nos jornais e na televisão. Não sou candidato a nada. Quero fazer parte da turma do fundão. A paga é menor, sei, mas não preciso apanhar para sobreviver. Melhor dizendo: do ponto de vista financeiro, tenho apanhado além do razoável.

A lista de vantagens de ser protestante profissional é grande, compensa os esqueletos do ofício. Com roupa, pouco se gasta. Até porque não pega bem ir aprumado num protesto. Tem mais: a onda agora é ir pelado. Lanche e transporte estão garantidos. Também é muito bom ser livre, deixar de ser escravo das crenças. Que beleza poder ser a favor e contra isso ou aquilo na mesma semana.

Pagou, levou meu protesto. Cobro barato.

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RAPIDÍSSIMAS

É COM ESTE QUE VOU

– Para onde vai este trem?

– Acho que para lugar nenhum.

– Pois é deste trem que preciso.

CARA & COROA

Como é difícil ter amigos de fato. Como é difícil ser amigo de fato.

SÃO LONGUINHO

Em qual gaveta deixei meu rumo?

CUIDADO, TOTÓ

O cão continua sendo o melhor amigo do homem. A recíproca, apesar da onda atual, nem sempre é verdadeira.

NÃO, NÃO

A culpa não é de ninguém, não. Cada um de nós é responsável pelos seus erros e acertos. Pela sua irrelevância.

PESOS & MEDIDAS

Minhas opiniões valem pouco. Mas não abro mão de tê-las.

CONVIVÊNCIAS

A pior de todas é a involuntária.

SINA

Todo fanático é um idiota. Logo, incurável.

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EM LIQUIDAÇÃO

Levei anos, décadas, mas descobri minha vocação: quero ser protestante. Que pastores não se animem. Sou meio desgarrado de igrejas, em especial das estridentes. Nunca fui chegado a ser membro de rebanho. Erro com minhas próprias pernas. Não me queixo das “graças” que obtive, muito embora não esteja convencido de meus parcos merecimentos. Além do mais, a situação econômica não me permite pagar por “milagres” de procedência e efeitos duvidosos. Quero ganhar a vida protestando – de forma lucrativa. Afinal, como dizem por aí, o mar não está para peixe. Tempo bicudo, o nosso.< /span>

O ramo de protestos se profissionalizou muito nos últimos tempos. Diria mesmo que, nesse quesito, superamos Estados Unidos e Europa. De uns tempos para cá, temos até protestos a favor do governo. Segundo dizem, estes são os de melhor remuneração.

Claro que há sempre o risco de o profissional do protesto tomar umas cacetadas dos policiais. Mas jamais tive a pretensão de ocupar a linha de frente, ter a cara estampada nos jornais e na televisão. Não sou candidato a nada. Quero fazer parte da turma do fundão. A paga é menor, sei, mas não preciso apanhar para sobreviver. Melhor dizendo: do ponto de vista financeiro, tenho apanhado além do razoável.

A lista de vantagens de ser protestante profissional é grande, compensa os esqueletos do ofício. Com roupa, pouco se gasta. Até porque não pega bem ir aprumado num protesto. Tem mais: a onda agora é ir pelado. Lanche e transporte estão garantidos. Também é muito bom ser livre, deixar de ser escravo das crenças. Que beleza poder ser a favor e contra isso ou aquilo na mesma semana.

Pagou, levou meu protesto. Cobro barato.

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O LADO BOM DA DIETA

Sempre tive os nervos arruinados. Mas – é inegável –, eles pioraram muito nos últimos dias. A causa principal de minha ruína nervosa não são os parcos recursos que pingam sem nenhuma responsabilidade fiscal em minha conta corrente. Já me acostumei com isso, sou um estoico. O que me aflige é saber que pratos de repolho me esperam no almoço, no jantar, nos dias úteis, nos sábados, domingos e feriados.

Há 35 dias, o repolho refogado tem sido, por assim dizer, o alicerce de minha dieta. A única vantagem é que, sabedores do cardápio que tenho seguido à risca, parentes e vizinhos inoportunos já não me importunam mais. Como se percebe, tudo – até a maldita dieta – tem seu lado positivo.

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