TERCEIRO TURNO

Em outubro de 2018 Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais com 57 milhões de votos e desde então vencidos e vencedores continuam no afã de uma, aparente, disputa eleitoral. No meu entende, o que mais se sobressai é a falta de compromisso com o Brasil. A gente se convence disso diante da postura dos deputados do PT que se colocam contra qualquer coisa que venha de Bolsonaro. Se amanhã ele declarar que descobriram a cura do câncer, o PT vai dizer que se trata de uma exploração dos incautos, dos pobres e que isso só irá beneficiar a classe rica e poderosa. Nesse sentido, é extremamente cansativo ver as publicações de Haddad nas redes sociais. Não é hora para isso. O PT tem uma bancada no congresso e se tiver propostas – vejam bem: eu disse propostas – apresente, se não tiver, arrume.

Não precisa ir muito longe, pois basta lembrar o discurso de Paulinho da Força no 1º de maio. Sem esquecer que o STF abriu um inquérito para apurar a participação desse nobre deputado em desvios de recursos do BNDES; sem esquecer que o TRF-3 o condenou à perda dos direitos políticos e vai por aí. Esse honesto cidadão – porque tudo que a Polícia Federal e o Ministério Público disseram contra ele é mentira – está articulando, com o chamado Centrão, uma forma de “desidratar” a reforma da previdência, simplesmente para não capacitar Bolsonaro para uma tentativa de reeleição em 2022. Nas suas palavras: “Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro”. Estamos no início do governo e o canalha pensando na eleição de 2022. Isso é que é otimismo, porque não leva em conta a probabilidade de estar preso!!!!!

Que fique claro, também, que o presidente eleito perde oportunidade de acertar ou de tratar a presidência com seriedade. Não tem cabimento ficar no twietter rebatendo declarações de adversários. O que o governo precisa é apresentar projetos. Note-se que, somente Paulo Guedes e Sérgio Moro, foram capazes de encaminhar para o congresso propostas decentes para o país. Fala-se que os ministros da área militar se destacam também nas suas expertises, mas os efeitos são ofuscados por essa mania boba de Bolsonaro em responder qualquer crítica. O que precisa ser divulgado, numa linguagem simples, são as ações que tendem a melhorar a vida das pessoas. O que for de ruim, não pode ser escondido, mas o presidente deve deixar claro o que está sendo feito para contornar.

Um exemplo que aparentemente se perdeu nas discussões menores. O governo lançou um sistema, chamado Plataforma + Brasil, totalmente informatizado que vai centralizar os tipos de transferências que são feitas, em todos os níveis. Hoje, o governo conta com um sistema, chamado Siconv, pelo qual transitam transferências de diversas naturezas, mas que registra menos de 3% do total de transferências do governo, ou seja, algo em torno de R$ 10 bilhões. O que ocorre com os outros 97%? Fica claro que esse montante é objeto de desvios, de fortalecimento de contas privadas com recursos próprios, porque não há rastreamento.

De acordo com o cronograma divulgado, o Siconv atenderá 500 mil usuários, isto é, vai crescer 270%. Os Termos de descentralização de crédito serão feitos por essa plataforma. Todas as informações estarão disponíveis para qualquer cidadão. Isso significa que a evaporação do dinheiro público tende a diminuir porque o acompanhamento da execução será melhor e ao alcance de qualquer um. Tal feito era para ser divulgado com mais ênfase. Que Bolsonaro fosse ao twietter explicar este alcance e deixasse que a população julgasse a dimensão, a funcionalidade, os efeitos. Mas, perde tempo com picuinha, com bobagem digna de quem, de fato, não sabe a extensão do cargo que ocupa.

No meu entender, esse clima de terceiro turno precisa acabar e as pessoas buscarem soluções para os problemas do país. Quem foi eleito, deve satisfações do voto recebido e seria muito bom que demonstrasse afinidade com os interesses da população. Pensar em eleição presidencial, agora, é olhar para o próprio umbigo e desprezar as necessidades da população, principalmente dessa gama de desempregados construída nos últimos governos. É acreditar que é uma pessoa insubstituível em qualquer processo e cabe lembrar que “o cemitério está cheio de insubstituíveis”. Simples assim.

A eleição acabou. Temos um presidente eleito pela maioria e temos a necessidade de fazer o Brasil voltar a crescer. O convencimento da população pode ser feito através de propostas. Então, coloque-as à mesa e vamos discutir. Propostas, discutir propostas.!!!!

6 Comentários

MAIS IDIOTAS

Semana passada eu fiz um resumo sobre uma declaração de Ciro Gomes que, nas suas palavras, “o Brasil escolheu um idiota”. Enumerei alguns pontos mostrando o quanto Ciro Gomes é idiota e se ele fosse eleito, o Brasil teria, de fato, escolhido um idiota. Como em Banânia a idiotice anda a galope e todo dia você tem motivos infinitos para descobrir mais idiotices, resolvi estender um pouco o assunto.

Primeiro cabe dizer que nossas autoridades (in)competentes fazem de tudo, diuturnamente, para transformar a população numa massa cinzenta de idiotas. Lamentavelmente, a gente assiste as negociatas entre poderes para livrar da cadeia um preso famoso. Ministros do STF – Suprema Troca de Favores, confabulam, descaradamente, sobre a melhor alternativa para mandar Lula para casa. Aí, os jornalecos ou bloguetes (como um tal Blog do Esmael), idiotas, publicam pérolas como “Lula solto impulsionará o Brasil”. Prisão domiciliar continua sendo prisão.

Afora a canalhice orquestrada por essas excelências, eis que dentre elas surgem nada mais nada menos que uma babaquice monumental feita por Alexandre de Moraes que foi a censura ao O Antagonista e a Revista Crusoé por conta do “Amigo do amigo do meu pai”. Vamos lá! Alexandre de Moraes tem livros publicados na área de Direito Constitucional. No ano 2000, pela Universidade de São Paulo (USP) defendeu uma tese de doutorado na qual condena a nomeação para ministro do STF de pessoas que ocuparam cargos no governo. Para ele correria o risco de haver “demonstração de gratidão política”. Todos nós sabemos que Alexandre de Moraes era ministro de Temer quando foi indicado ao STF. Por um lado isso é bom porque ninguém pode dizer nada sobre uma eventual nomeação de Moro.

Uma tese envolve um período de pesquisa, envolve uma banca formada por cinco doutores sendo três externos ao programa. Essas pessoas gastam parte do seu tempo analisando resultados, o fato inédito da tese e quando esta é aprovada, tem-se uma contribuição para a academia e para a sociedade porque qualquer trabalho científico deve mirar o bem estar social. Lógico que os resultados de uma tese depende do momento da sua realização. Lógico que ela pode ser ajustada por um trabalho posterior realizado com um arranjo tecnológico diferente. Mas, o autor negar seu próprio trabalho, ou seja, agir de encontro aquilo que a sociedade acatou como sugestão, realmente é um fato inusitado. O título de doutorado de Alexandre de Moraes deveria ser cassado.

Na antiguidade havia defensores do sistema geocêntrico para explicar o movimento dos planetas. Nesse sistema a Terra era estava no centro do sistema solar (a expressão “nascer do sol” é fruto desse sistema) até que Nicolau Copérnico propôs o sistema heliocêntrico (o sol no centro do sistema) e mais tarde Newton mostrou, matematicamente, que a órbita dos planetas em torno do sol eram elipses. Claro que as teses anteriores foram refutadas com argumentos matemáticos. Não é o caso de Alexandre de Moraes que ao tomar posse no STF rasgou e jogou no lixo um trabalho que serviu de referências para outros trabalhos. É assim que a ciência evolui: olhando o que já foi feito e aprimorando.

A atitude de proteger o “Amigo do amigo do meu pai” viola, frontalmente, a Constituição que esse togado de meia tigela deveria defender. Sua atitude coloca em risco o funcionamento das instituições desse país porque intensifica o corporativismo existente naquela espelunca e coloca os ministros acima do bem e do mal; imunes a lei. A sociedade não pode permitir que esse tipo de ação ganhe corpo. Se não reagirmos agora, a próxima ação será ainda mais escabrosa. Mas, como dar um basta a este tipo de coisa?

O caminho mais adequado é pelo impeachment. Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, não deveriam cruzar as portas do STF quanto mais participar de decisões. A ação de Alexandre de Moraes é tão esdrúxula quanto o fato de Lewandowski ter mantido os direitos políticos de Dilma no processo de impeachment, numa violação clara da constituição. A questão é simples: violou os preceitos constitucionais, não serve para ser guardião da constituição, mas para isso nós precisamos do senado. Precisamos que o presidente do senado acate um pedido, basta o de Gilmar Mendes. Começa por ele e o resto vai perceber que os tempos são outros.

Ademais, cabe a cada veículo de imprensa noticiar que houve uma violação a liberdade de expressão. Vamos homenagear o “Amigo do amigo do meu pai”. Ele merece explicar se o dinheiro que recebeu do PT era lícito, merece explicar como paga uma pensão de R$ 50 mil quando ganha R$ 39 mil, merece explicar se transava com Christiane Araújo em troca de passar informações privilegiadas. Então, com a palavra o todo poderoso Dias Toffoli.

Deixe o seu comentário

IDIOTAS

Ciro Gomes disse semana passada que o Brasil escolheu um idiota para presidente. Quando se joga um dado só pode ocorrer, na face, um número entre 1 e 6, inclusive. Quando uma campanha presidencial traz, de um lado, idiotas e de outro, corruptos, só se pode eleger um idiota ou um corrupto. Fato inusitado nesta campanha foi termos candidatos, “comum de dois gêneros”, ou seja, corrupto e idiota, ao mesmo tempo e não necessariamente nessa ordem.

Dentre os pretensos candidatos, sem sombra de dúvida, Ciro Gomes é o mais idiota de todos. Motivos há vários, mas para não municiarmos sua biografia com informações excessivas vamos tratar do caso do SPCiro. O idiota, Ciro Gomes, colocou no seu programa de governo retirar as pessoas do SPC (quá quá quá) para dinamizar a economia brasileira. Uma proposta dessa natureza deveria concorrer ao Prêmio Ignóbil. Este prêmio existe de fato e se contrapõe ao Nobel, no sentido de premiar as ideias mais idiotas já publicadas. O lema do prêmio é “faz rir e depois pensar”. O último premiado, brasileiro, escreveu um artigo que falava sobre o impacto do tatu nos sítios arqueológicos.

Ciro Gomes foi muito jumento para achar que uma ideia dessa natureza tiraria o Brasil do atoleiro que ele se encontra. Durante a campanha de Dilma, uma peça publicitária mostrava uma família perdendo tudo caso Dilma não fosse eleita. Nitidamente, buscava atingir a classe menos favorecida, iletrada e dependente do paternalismo político. Ciro fez a mesma coisa. De olho na massa de endividados gerada e parida pela desgraçada política econômica dos governos anteriores, Ciro soltou essa “bufa” no ar. O que faz uma economia crescer é renda disponível para consumo. Leia Keynes, idiota, e busque caminhos para aumentar a demanda efetiva.

Passada a campanha, as idiotices de Ciro continuam a prosperar. Na falta do que fazer e sem qualquer compromisso com o Brasil, este nobre idiota continua a criticar. A mais recente idiotice de SPCiro é instruir quebra-quebra por conta da proposta de autonomia do Banco Central. Há duas formas de ação do governo numa economia. Uma através da política fiscal que é feita no congresso. Trata de receitas e despesas do governo e caso uma medida seja adotada há de se observar o principio da anterioridade, ou seja, se for proposta uma redução na alíquota do imposto de renda de 27,5% para 25%, com o objetivo de aumentar a renda disponível, ela só passaria a valer no exercício do próximo ano. A economia morreria por inanição.

A outra forma de ação do governo na economia é através da política monetária que é feita pelo COPOM e tem, como agente executivo dessa política, o Banco Central. Essa política controla a taxa de juros (e com isso, a inflação) mediante a oferta de moeda. Diminuindo a oferta de moeda a taxa de juros sobe, os preços caem. No Brasil, o Banco Central não é autônomo como o FED – Federal Reserve (Banco Central Americano). O presidente do Banco Central não tinha status de ministro, mas Lula no sentido de proteger Henrique Meirelles contra investigação de primeira instância deu esse status para que ele fosse investigado pelo STF.

O Banco Central deveria ser autônomo? Sim. A política monetária deveria ser feita com base em critérios puramente técnicos e não com espírito político escondendo o que é ruim e só divulgando o que interessa. Esqueceram Rubens Ricupero? Na famosa entrevista a Carlos Monfort ele, falando sobre as pretensões de FHC, disse que “o que é ruim eu escondo mesmo”. Isso é resultado da falta de autonomia. Essa loucura de Ciro em falar de “entregar o Banco Central para o mercado financeiro” não passa de sandices de candidato derrotado que não tem interesse em contribuir com o país. Mas, se uma pessoa pretende fazer uma angioplastia com stent vai procurar um cardiologista ou uma manicure? Quando Ciro precisou ser internado para tratar do seu problema na próstata ele ficou aos cuidados de um médico ou de um curandeiro? Entregar responsabilidades a quem é especialista, parece razoável.

Os fatos são simples: esse pessoal critica tais medidas porque temem em perder a boquinha. Enquanto o Banco Central, ou outro órgão, estiver sob a batuta do governo, irão prevalecer indicações políticas, e não técnicas, para determinados cargos. Se houver independência a chance torna-se muito menor. Se o Banco do Brasil fosse privatizado muito provavelmente o filho de Mourão não estaria numa diretoria ganhando R$ 36 mil por mês. Se o BB fosse privatizado, a verba de publicidade seria bem menor do que é hoje e não haveria João Santana nem Mônica Moura sugando dinheiro público.

Dessa forma, cabe lembrar a Ciro Gomes que, infelizmente, dos idiotas ou corruptos concorrentes apenas um poderia ser eleito. Henrique Meirelles foi um idiota ao gastar parte de sua fortuna com uma campanha para a qual ele não teria a menor chance. Só foi candidato porque seu partido não investiu um real sequer na sua campanha. Aproveitaram essa idiotice para eleger as sanguessugas de sempre.

Alckmin foi um idiota porque acreditou que ninguém iria falar sobre a corrupção do PSDB e tentou levar a eleição falando bobagens. Passava longe de fazer um discurso de combate à corrupção. Fernando Haddad não é apenas um idiota. Ele é um idiota pau-mandado, com 30 processos por improbidade, fazendo um papel ridículo de marmita de presidiário. O título de doutorado ficou na lata do lixo. O pior de tudo isso é que estes idiotas influenciam os outros que estão discutindo reformas crucias para o país.

Vou terminar trazendo outro grande idiota: Guilherme Boulos! Chamar esse cara de idiota é ser injusto com os idiotas. Chega!

4 Comentários

A VELHA POLÍTICA

O mercantilismo no Congresso Nacional nunca foi um objeto vivo e inanimado. Pelo contrário: sempre foi uma célula reprodutora, transcendente, aparentemente hereditária e imortal. A maior expressão desse mercantilismo foi o escândalo do mensalão. Naquele contexto a gente viu o quanto são venais nossos representantes, salvo raríssimas exceções. Imagino até que se não fosse o mensalão, o governo Lula não teria obtido determinadas conquistas porque ficou patente que havia uma base de apoio ao governo que era alimentada por recursos escusos e não por afinidade a ideologia do PT.

O desgaste do governo Dilma teve, também, sua grande parcela de negociatas. Por exemplo: o ministro bandido Henrique Alves não era um dos seus preferidos ao cargo, mas o MDB impôs o seu nome. Se assim não fosse causaria um desconforto muito grande na base. Temer teve uma denúncia arquivada pela Câmara porque distribui emendas e cargos. Os cargos, como se sabe, permitem que os deputados indiquem alguém se sua confiança para arrecadar dinheiro que fortaleça sua campanha e sua conta corrente. Maurício Marinho foi filmado embolsando R$ 3 mil e foi colocado nos Correios por Roberto Jefferson. Waldomiro Diniz teve uma atuação fundamental quando José Dirceu era ministro.

São questões dessa natureza que me levam a perder a crença em bom andamento da economia a partir desse ano. A prévia vista na presença de Paulo Guedes na Comissão de Cidadania e Justiça mostra o quanto é difícil tratar com pessoas com inteligência limitada. A oposição é oposição apenas porque não tem nada mais útil a fazer. Obviamente, que não estamos interessados em unanimidade. Acredito que o estado de direito democrático se lastreia no debate, ou seja, no contraditório, mas uma coisa é sermos contra pela convicção que temos e outra, totalmente diferente, é sermos contra porque assim nos orientaram.

As pessoas atacam propostas e não apresentam alternativas. A realidade é bem simples: o Brasil está se transformando num buraco negro (aquele que a massa gravitacional é tão grande que nem a luz consegue sair dele) e um dos caminhos a ser percorrido chama-se: aprovação da reforma da previdência. O sistema atual que temos chama-se é baseado na repartição, um sistema de gerações superpostas. Ou seja, a população economicamente ativa de hoje sustenta o pagamento do pessoal inativo e no futuro será sustentada pela PEA do seu tempo. Se a taxa de pessoas que se aposentam for maior do que a taxa das pessoas que entram no mercado de trabalho, nitidamente teremos problemas.

O sistema de capitalização, duramente criticado, consiste no fato de que cada trabalhador formará a sua poupança e ao deixar a vida laboral esta poupança vai se converter no seu benefício. Se formos olhar o que existe no mundo, a gente vai ver que muitas economias passaram a adotar um regime híbrido. Mas, quem se opõe não apresenta argumentos, mas prefere agir como “Maria vai com as outras”.

O conhecimento de Zeca Dirceu em previdência deve guardar uma relação de 1 para 1 com o nariz dele. O engraçado é que o cara está se sentido a bala que matou Kennedy. Certamente, não se deve culpar o filho pelos erros dos pais e vice-versa. No entanto, a realidade muda quando um se beneficia do mal feito do outro. Zeca Dirceu, segundo delatores da Odebrecht, recebeu R$ 250 mil do departamento de propina. Complicado é aceitar isso como um crime eleitoral.

Embora o governo Bolsonaro não tenha tantos medalhões com se viu desde FHC (contava com apoio de estudiosos com Pérsio Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha), cabe destacar o conhecimento dos ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes. O segundo tem uma formação em economia invejável. O primeiro mostrou um vasto conhecimento com juiz em dois momentos: auxiliando Rosa Weber nos votos do mensalão e como juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba (será que por essa 13ª o PT não teria interesse em mudar de número/).

Moro condenou Lula em primeira instância e uma tese de Moro na ação do mensalão pode tirar Lula da cadeia. A defesa de Lula está usando a tese de Moro em não considerar, no mensalão, crime de lavagem de dinheiro. Os argumentos que ele utilizou foram bem aceito nos votos do julgamento. Será engraçado vermos a defesa de Lula citando Sérgio Moro nas suas alegações.

6 Comentários

RESUMO ECONÔMICO

Uma recente pesquisa da FGV diz que o crescimento econômico dessa década tenderá a ser o menor do Brasil em 120 anos. Não quero nem me alongar muito no passado, mas vamos pegar o bonde a partir do período 1968-1973. Os economistas chamam esse período de “milagre brasileiro” porque o Brasil cresceu 12% ao ano. Mas, em 1973 vem a crise do petróleo e joga a economia brasileira no chão. A partir de 1974, já no governo Geisel, houve aumento da dívida pública (Angra I e II pesaram bastante) de modo que entramos na década de 1980 com a economia já enfraquecida a ponto de nos submeter as orientações do FMI, por muitos anos.

A década de 1980 ficou conhecida como a “década perdida”. Em 1986 tivemos os Planos Cruzado I e II, em 1987 o Plano Bresser e 1989, o Plano Verão (Maílson da Nóbrega). Foram quatro planos econômicos em quatros anos e nenhum deles foi eficiente na estabilização da moeda. Sarney entregou o governo a Collor de Mello, em 1990, com a inflação de fevereiro em 84% ao mês, ou 150.496,15% ao ano. De fato: dez anos jogados no lixo. Além dessas tentativas tivemos o Plano Collor, com o famoso confisco da poupança das pessoas e apenas no Plano Real, implantado em julho de 1994, tivemos a tão sonhada estabilização da moeda e o aumento do poder aquisitivo das pessoas. O Plano Real, nos seus primeiros anos de vida, passou por duas crises graves conhecidas como “Crise Tequila” e “Crise Hong Kong”. FHC ficou oito anos no poder e na sua gestão o país cresceu, em média, 2,4% ao ano.

Lula assumiu o governo favorecido pela expansão da economia no mundo e adotando a mesma política expansionista do governo FHC. Lula favoreceu as indústrias automobilística e de linha branca, com redução de IPI, houve aumento do crédito por parte dos bancos e muita gente aproveitou as facilidades para comprar carros, imóveis, etc. Em 2008 veio a crise mundial, menosprezada por Lula. Ele sai do governo do governo em 2010 deixando um crescimento econômico de 4% ao ano, em média, pelos seus oito anos de governo. Os efeitos da crise começaram a ser sentidos em 2011, quando um crescimento esperado de 7,35% se transformou em 3,9%.

A maior desgraça econômica desse país tem nome, sobrenome e cargo: Dilma Rousseff. Entre 2011 e 2016, tivemos crescimento de 3,9%, 1,2%, 3,0%, 0,5% -3,77% e -3,9%, ou seja, estas taxas credenciam Dilma como a pior desgraça econômica do Brasil desde Deodoro da Fonseca. Portanto, nos últimos 130 anos ninguém conseguiu ser tão ruim quanto Dilma Rousseff. Seu governo produziu um crescimento econômico de 0,22%. Dilma saiu do governo deixando 13 milhões de desempregados (a taxa de desemprego passou de 5,8% para 8.9%), a inflação chegou a 9,20% ao ano e dívida pública cresceu 70%. Talvez isso seja um argumento suficiente para explicar o motivo das pedaladas que lhe custou o mandato. Temer pegou a economia esfacelada e não tivemos muito a comemorar na presença no cenário político, exceto sua recente prisão relaxada por um desses laxantes togados.

Os problemas do Brasil são cruciais. Gasta-se mais do que se arrecada, convive-se pacificamente, e até sob as bênçãos do STF, com a corrupção; promove-se quem rouba o dinheiro público; busca-se desconstruir quem procura combater desvios de condutas. A imprensa prefere noticiar que o presidente foi ao cinema ou falar da dissertação de mestrado de um juiz, como se quantidade de páginas fosse um determinante para aprovação de uma tese ou de uma dissertação, do que promover debates relevantes. Quando estava escrevendo minha tese precisei de informações de um artigo sobre crescimento econômico com crescimento populacional negativo. O artigo que li tinha seis páginas e demonstrava matematicamente como isso poderia ocorrer. Em apenas seis páginas o autor conseguiu demonstrar seu modelo.

Eu nunca me iludi sobre crescimento econômico espetacular nesta década. Não depois de ter visto o governo Dilma. O fato é que foi colocada uma proposta econômica na campanha eleitoral que me agradou. Exatamente essa economia de mercado proposta por Paulo Guedes, mas que, infelizmente, há pontos importantes que necessitam ser aprovados pelo congresso. Aí entra minha descrença. A visão de congresso é sempre de negociata, de toma-la-da-cá. Temer conseguiu se livrar da investigação porque liberou emendas parlamentares, distribuiu cargos, etc. Nitidamente, nossos nobres deputados votam com o bolso e não com o compromisso por um Brasil melhor.

O projeto anticrime proposto por Moro deveria ser prioridade. Sua aprovação daria um sinal extremamente positivo para a comunidade internacional e traria credibilidade para nossas instituições, muito embora os nossos togados não mereçam o respeito devido.

Acho que o projeto que temos de crescimento econômico é este que está sendo pautado pelo atual governo. A esquerda vai desconstruir sempre porque para essa gente o que interessa é tirar o presidente do cargo. A esquerda foi desmascarada duramente com a confissão de Battisti que, de fato, tinha praticado os assassinatos pelos quais era acusado. O comentário de Tarso Genro beirou o ridículo. O cara disse que acreditou no depoimento de Battisti. Ô jumento! Na tua posição o correto era pedir o processo aberto na Itália para estudar. Olhar as provas e decidir. Mas, o resumo da ópera é isso: esquerda acredita em qualquer merda que se diga. Acreditam até que Maduro é democrata.

O fato é que para essa gente, criar um clima de insegurança política, econômica e social é o caminho mais viável para continuar em evidência, mas a imbecilidade é tão grande que eles esquecem que há um vice-presidente. E me parece que mexer com Mourão …

4 Comentários

QUAL O PAPEL DA IMPRENSA?

A Constituição Federal permite a livre manifestação, vedando o anonimato, e concede a liberdade de expressão às atividades artística, científica, intelectual e de comunicação, independente de censura ou licença. Parece absolutamente justo num país de Direito Democrático. Desde a redemocratização do país, a imprensa vem tendo um papel destacado na cena política brasileira. As denuncias de corrupção, por exemplo, são mais comuns a ponto de a gente acreditar que se trata de algo novo, mas na verdade, corrupção sempre existiu, a diferença é que agora ela se torna pública com mais rapidez.

Um repórter sensato, antes de noticiar deve checar as fontes, apurar fatos com total independência porque se assim não for contamina-se a democracia. É sabido que Ary Barroso, flamenguista doente, narrava jogos do Flamengo e quando o time fazia um gol ele se passa uns dois minutos gritando “gol”. Também quando o time adversário partia para o ataque ele dizia “lá vem eles para cima de nós”. Ano passado o repórter Lucas Strabko, conhecido como Cartalouco, foi afastado de suas funções porque após um jogo que livrou o Ceará do rebaixamento chamou o time do Fortaleza de “pequeninho”.

O jornalista Diego Bargas foi demitido da Folha de São Paulo porque “fez perguntas inconvenientes a Danilo Gentilli” e o sindicato de jornalistas de SP emitiu uma nota dizendo que “a Folha demonstrou não ter o mínimo compromisso com princípios como a liberdade de imprensa e com a pluralidade, dos quais a empresa se reclama em suas campanhas de marketing“. Bóris Casoy foi afastado da Rede Record, em 2005/2006, por pressões do PT, segundo ele próprio declarou mais tarde. Verdade ou não, fica a pecha do quanto o interesse político-partidário pode influenciar no conteúdo, e na forma, do noticiado. O destaque vai, sempre, na direção dos fatos negativos. Lembro um caso de uma revista que escreveu na sua capa MIGUEL FALABELLA: não TENHO AIDS. O “não” era imperceptível e se alguém lesse de longe entenderia que Falabella estava declarando ter AIDS.

Entre 2000 e 2014, o governo federal gastou R$ 23 bilhões dos quais 73% foram gastos com televisão (a Rede Globo recebeu R$ 7,4 bilhões), os jornais receberam R$ 2,8 bilhões (a Folha de São Paulo recebeu R$ 275,2 milhões, o Estadão recebeu R$ 263 milhões) e a Carta Capital recebeu R$ 64 milhões. Tadinha!!!!! Cabe ressaltar que delatores da Lava Jato disseram que Lula e Mantega pediram dinheiro para a Editora Confiança que publica a Carta Capital. Acabado o dinheiro do PT circulou na internet, em 21/01/2019, a notícia de que a Carta Capital não seria mais vendida nas bancas. O que se tira disso: a revista é lixo. Não tem atrativo e como tinha dinheiro do PT para falar bem do governo, não importava se era vendida ou não.

Não importa o partido. Não pode haver cordão umbilical entre imprensa e governo. Quando há transferência de recursos de um lado para outro, acaba-se a lisura. Foi assim com a UNE – União Nacional dos Estudantes. Altamente combativa no passado, mas quando recebeu R$ 25 milhões para construir sua sede (alguém sabe como está esta obra?), simplesmente passou a acatar e, pior ainda, justificar erros dos governantes.

O presidente atual já havia declarado durante a campanha que cortaria gastos com propaganda. Sua relação com a imprensa é distante. Ele prefere as redes sociais e pouco atende repórteres. Obviamente, que seu comportamento causa apreensão nas grandes redes porque estas precisam de dinheiro e num momento de crise, investimento de empresa privada em propaganda passa a ser item supérfluo, mas o governo precisa divulgar suas ações para dar satisfação aos eleitores. É aí que a surge a promiscuidade. Falar contra o governo não é uma ação saudável. Durante a campanha de reeleição de Dilma, a analista do Santander chamada Sinara Polycarpo enviou carta para os investidores do bando informando que havia risco de crise com a eleição de Dilma. Ela foi demitida por pressão de Lula. Ganhou uma indenização e mostrou ao mundo que estava certa, mas a pressão do governo foi imoral.

Ontem li uma notícia que me deixou bastante preocupado. Trata-se de uma suposta entrevista feita por um jornalista francês com uma jornalista de O Estadão. Essa jornalista é responsável pelas denúncias contra Flávio Bolsonaro e se tais fatos são verdadeiros, pode-se deduzir que parte da imprensa pode levar esse país a uma situação de caos inigualável. É preciso apurar a veracidade do que foi anunciado e punir os responsáveis. Não se pode destruir um governo por interesses particulares. As pessoas dizem que não há democracia sem imprensa livre, mas liberdade envolve direitos e deveres (“meu direito termina onde começa o do vizinho”). Houve um tempo, recente, políticos falavam sobre a criação de regras para a imprensa, para o judiciário (aquela coisa do abuso do poder), mas a melhor regra é ser decente. Ser coerente com a verdade e deixar interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos.

10 Comentários

INTERESSES PARTICULARES X INTERESSES COLETIVOS

O presidente Bolsonaro está sendo provocado, diariamente, e está revidando direta ou indiretamente através dos filhos. Existe uma orquestração simples para fazê-lo quebrar o decoro e a turma da esquerda protocolar um pedido de impeachment. Discutir publicamente com Daniella Mercury é uma bobagem inominável. Ameaçar processar o ator Zé de Abreu por conta da idiotice cometida por ele (se autoproclamar presidente do Brasil) significa pura perda de tempo. A questão com Zé de Abreu deve seguir outro ritmo: entregar a CGU o processo de prestação de contas dos recursos públicos que ele usou e apurar o que foi indevido. Constatado que houve fraude, que se abra um processo um administrativo, exigindo devolução dos recursos que foram desviados da finalidade dos projetos apresentados. Emite-se uma GRU no valor devido e se não for pago, inscreva-se o nome dele na Dívida Ativa da União, declarando inidôneo para firmar contratos com o setor público e pronto.

A celeuma recente é por conta de um vídeo de uma cena carnavalesca que foi postado por Bolsonaro. Não importa se ele se indignou com o que viu e postou. Importa que ele postou e por isso já se fala em quebra de decoro. Em tempos remotos, lá pelos idos dos anos 1980/1990, a molecada que não curtia o carnaval na rua ficava grudada na TV para assistir o baile Vermelho e Preto do Flamengo. Putaria em larga escala. Sexo ao vivo e em cores transmitido, principalmente pela TV Manchete. Esse baile competia com o Scala, de Chico Recarey e a sacanagem era tanta que num determinado ano, Alexandre Garcia, então na Manchete, pediu demissão por conta das cenas absurdas que foram mostradas. Para não esquecer Recarey recebeu o título de cidadão honorário da cidade do Rio de Janeiro. Ele não foi preso, não foi condenado por favorecimento à prostituição. Foi condecorado.

De todos os comentários que vi sobre essa postagem, o mais sensato me pareceu ser o de Janaína Paschoal. Creio que ela interpretou corretamente o momento: a questão não foi o vídeo, mas Bolsonaro ter postado o vídeo. Eu concordo plenamente com ela. Qualquer coisa que Bolsonaro faça vai servir de munição para a oposição. Se ele entrar no meio de um tiroteio numa favela do Rio e salvar uma criança vítima de bala perdida, irão dizer que ele é exibicionista e que isso não é atitude para um presidente. Se o pegarem com a Bíblia na mão, provavelmente dirão que dentro da Bíblia tinha um texto de Olavo de Carvalho.

Bolsonaro não entendeu ainda a dimensão do cargo que ocupa. Agora, a palavra da pessoa física se confunde, em tudo por tudo, com a palavra, com a opinião do presidente. Então, volto a concordar com Janaína quando ela diz que o governo tem um porta-voz que deveria expressar a opinião do governo/presidente. Eu tenho muito receito desse comportamento porque eu acredito que o caminho para o Brasil crescer é através da economia de mercado proposta por Guedes. Concordo plenamente com as privatizações e pela primeira na vida vi um ministro dizer publicamente como iria reduzir o déficit. Outros diziam “precisamos reduzir o déficit em x%” e nunca externavam os caminhos.

A presidência não é como aquele brinquedo que a gente soca e ele volta a ficar em pé. Entende-se, perfeitamente, a defesa de Carlos Bolsonaro pelo pai e vice-versa, mas agora a questão não é defender o pai, mas sim, defender o governo. E as atitudes de Carlos causam o mesmo efeito da bomba de Hiroshima. De modo igual, entende-se perfeitamente a defesa feita por Bolsonaro. Trata-se do filho dele. Conheço muitos casos de pais que se desentenderam porque os filhos brigaram na escola e alguns deles terminaram em morte de um dos lados. O instinto paterno se sobressai, lógico, mas se Bolsonaro tivesse um entendimento maior da sua função, já teriam controlado seus rebentos.

Acho importante lembrar que até o momento temos duas propostas no congresso. A reforma da previdência e a lei anticrime. Foram as únicas apresentadas até o momento, então cabe aos demais ministros colocarem propostas para cultura, educação, saúde, etc. No governo Temer faltou relator para a reforma da previdência, neste está sobrando gente. O remédio é amargo, mas sem ele o paciente morre e o comportamento do presidente pode afetar a aprovação dessa proposta e se isto acontecer o governo acaba porque o mercado deixará de acreditar. Basta lembrar do governo Temer: acabou quando não conseguiu aprovar essa reforma.

No mais, a gente no dia a dia vai descobrindo quebra de decoro por tudo parte. E estas não são questionadas. O mais vergonhoso continua sendo o tratamento privilegiado concedido pelo STF aos bandidos de colarinho branco. Em pleno carnaval foi divulgado conversas entre Aloysio Nunes, advogado de Paulo Preto, Raul Jungmann e Gilmar Mendes. Conversas que culminaram com deferimento do HC que dava mais prazo para juntar provas contra Paulo Preto e o faria se livrar de vários crimes pelo fato de completar 70 anos. Raul Jungmann, tramando. Do mesmo que jeito que fez Thomas Bastos no caso de Palocci e por isso louvo as palavras de Moro respondendo a pergunta de um repórter: “o tempo em que ministros da Justiça atuavam como advogado de defesa de integrantes do governo acabou.”

Então, vamos colocar o comportamento do ministro Raul Jungmann (que na campanha para prefeito do Recife declarou ter um patrimônio de R$ 16.800,00 igual ao salário que recebia como deputado federal) e do canalha Gilmar Mendes, como a mesma cena do vídeo do carnaval: ambos enfiando o dedo no fiofó do povo e urinando nas nossas cabeças.

5 Comentários

ACABOU A LUA DE MEL?

A recente pesquisa de aprovação do governo Bolsonaro, 38,9% da população, divulgada pelo Instituto MDA, difere da aprovação pessoal do presidente, que chega a 57%. Acho que cabem, pelo menos, dois comentários aqui. O primeiro é que pesquisa de opinião varia muito de acordo com o cenário, com o interesse do financiador, com a isenção de quem faz a pesquisa, etc. Esse instituto tem, dentre os seus clientes, o PMDB, o PSB, Governo de Minas, ANEEL, enfim, mostra que conhece o ambiente político, mas eu prefiro muito a independência. No passado eu vi uma pesquisa no qual 42% dos homens diziam “a mulher que não se dá ao respeito é estuprada”. Levei essa discussão para minhas aulas na pós-graduação com o intuito de mostrar que a gente pode produzir o resultado que quiser numa pesquisa dependendo da formulação da pergunta. Fiz um questionário com perguntas que induziam o respondente, meus alunos, para a resposta que eu queria. Muitos deles com convicções diferentes do que estava sendo perguntando responderam aquilo que eu esperava. Apenas para mostrar que isso é possível.

Não quero dizer que foi isso que ocorreu nesta pesquisa, mas eu tenho certeza de que chegar para uma pessoa e dizer “você aprova o governo Bolsonaro?” é diferente de contextualizar o momento do governo, antes de perguntar. Nenhum governo é capaz de produzir nada no mês de janeiro porque a aprovação do orçamento só ocorre após o início do trabalho da câmara, que volta em 01/02, então, não temos nenhum mês de governo, rigorosamente falando. Certamente, se há esse desencanto com o governo, é possível ter um viés de desconhecimento das prerrogativas legais, porque não há imediatismo.

O ponto contraditório é a reação do mercado. A Bolsa de Valores bateu recordes com a eleição de Bolsonaro e com a posse e suportou, até mesmo, a desvalorização das ações da Vale do Rio Doce devido ao desastre de Brumadinho. Ao que parece, esse pessoal não deve ter participado dessa pesquisa. A leitura econômica mostra que empresários continuam interessados nas implantações da medida. A reforma da previdência, no governo Temer, ninguém queria relatar. Agora, há uma disputa entre parlamentares. Não tem como negar tais mudanças.

O segundo ponto é o comportamento da equipe de governo e também dos filhos do presidente. A equipe é fraca. Destaca-se Moro e Paulo Guedes. O resto é um bando de malucos que não conseguem encaminhar propostas. O Ministro da Educação, calado seria um gênio, mas publicamente ele consegue, com um simples bom dia, causar um estrago sem dimensões para o próprio governo. Bolsonaro se deixou levar pela pressão das igrejas e vetou Mozart Neves, ex-reitor da UFPE e com um grande conhecimento na área de educação. Embora a obrigatoriedade de cantar o Hino seja fruto do governo petista, há coisas muito mais fundamentais a se fazer pela educação. Até o momento não sabemos qual será a prioridade do governo nessa área. Educação básica ou educação superior. Na primeira levar-se-á anos para formar um aluno. Na segunda são desenvolvidas pesquisas que podem contribuir com o ensino em todos os níveis.

Os filhos do presidente precisam entender que não estão numa reunião de condomínio. Bolsonaro é presidente, não síndico. Ele não foi colocado ali para pintar prédios. O que se espera é encaminhamento para problemas crucias do país, como o desemprego deixado pelas ações dos governos passados. É provável que o fato de não se ter geração de empregos tenha pesado nesse índice de aprovação. Particularmente eu continuo torcendo para que as promessas de campanhas sejam transformadas em projetos estruturadores para a economia.

Acho uma enorme perda de tempo ficar discutindo bobagem, mas acredito que é o despreparo que favorece essas babaquices. A população espera por emprego, renda, corrupção sendo combatida exaustiva e continuamente, violência diminuindo, etc. Moro levou a proposta anticrime e o que se sabe é que Rodrigo Maia coloque em pauta com as famigeradas emendas de abuso de poder. Aquelas mesmas que Deltan Dallagnol tanto criticou. Assim, seria muito bom que o Ministro da Educação apresentasse algo pró-educação, ao invés de ficar atirando no pé do governo ou cuspindo para cima.

A aprovação pessoal do presidente indica que a população ainda acredita. Mas, se o governo não agir, a lua de mel acaba e o casamento sobe no telhado.

2 Comentários

FALÊNCIA MORAL

Mauricio Assuero

O que tem acontecido neste país retrata a falência moral que envolve nossos dirigentes. Precisamos ter discernimento para isolar fatos de factoides, realidade e ficção. O recente caso envolvendo as contas pessoas do casal GG (Gilmar e Guiomar Mendes) escancarou o que há de mais esdrúxulo nesse país. Não é porque eu (e talvez 90% dos brasileiros) não suporte a figura asquerosa de Gilmar Mendes. Não é porque ele tem a capacidade de nos fazer palhaços com suas decisões particulares que beneficiaram Jacob Barata (do que ele foi padrinho do casamento da filha), Beto Richa ou Demóstenes Torres, mas é porque Gilmar Mendes “não vale o que o gato enterra”.

A suspeita de movimentação estranha nas contas de Guiomar teve como explicação uma sandice que apenas os imbecis acreditam. Ela disse que esperava ser chamada “como cidadã e contribuinte eventualmente com erros na declaração e não ser apresentada com alguém que cometeu fraude fiscal”. Guiomar crie vergonha nessa cara imunda. Erros na declaração são avaliados a partir do dia 02/05 de cada ano (a data final de entrega é 30/04) e a Receita comunica ao contribuinte os eventuais erros. Aconteceu comigo. Uma semana depois de entregar a declaração recebi uma correspondência informando que o CNPJ do meu plano de saúde estava errado. Eu tinha fornecido o CNPJ inexistente. Retifiquei imediatamente.

Quando o “erro” diz respeito a esconder renda ou patrimônio, não se trata de um simples equivoco, mas de fraude. A movimentação suspeita nas contas do casal indica isso, mas quem não se lembra da faculdade que Gilmar vendeu ao estado de Goiás por R$ 7,2 milhões causando grave prejuízo aos cofres públicos? Quem não se lembra da benevolência de empresas, algumas delas enroladas em problemas judiciais, em patrocinar os eventos do Instituto de Direito Público que tem Gilmar como principal acionista? Estas relações nunca foram devidamente examinadas porque as pessoas temem o corporativismo no judiciário e se sentem receosas em denunciar.

O que estamos vendo é a putrefação dos poderes públicos invadindo nossas narinas. A corrupção se alastrou durante anos e envolveu pessoas de diversos cargos. Lula está na cadeia; Temer está temeroso da visita indigesta da PF. Senadores e deputados, não importa o partido, com digitais em desvios de recursos públicos. Fernando Haddad disse essa semana que os feitos da família Bolsonaro em 30 dias superam os do PT em 40 anos. Então, ele está admitindo os “feitos” do PT. Ele, próprio, poderia falar dos dele na prefeitura de São Paulo. O PT criou um cargo para Haddad. Chefe do NAPP que deve significar Núcleo de Apoio a Políticos Presos. Diz-se que ele vai viajar pelo Brasil em caravana pregando o Lula livre.

O PSL foi envolvido esta semana com uma doação ilegal para uma candidata fantasma. Imediatamente envolveram Bolsonaro. Poucos se debruçam nos fatos para lembrar que Bolsonaro chegou a PSL como uma alternativa de candidatura. O PSL foi o único que lhe deu legenda, mas as mazelas já existiam. O que a sociedade deve cobrar é que se apure tudo doa a quem doer.

Decididamente, não tem como a população tirar corruptos do congresso e não fazer pressão pela saída dos canalhas togados. Sérgio Cabral vive prometendo delação premiada para citar os corruptos do judiciário. Não percamos a esperança. Ela tem nome: Sérgio Moro.

7 Comentários

ERA APENAS UM PALANQUE

Maurício Assuero

Sou apenas mais um indignado com a exploração do cadáver do irmão de Lula. Vavá, como era chamado, era um irmão querido e foi o responsável pelo ingresso de Lula na política sindical e partidária. Vavá foi flagrado uma ocasião em conversas telefônicas na qual dizia “manda dois pau pra eu” (sic) e Lula quando indagado pela imprensa sobre isso disse que “Vavá era só um lambari”, dizendo que havia grandes tubarões no mar da propina.

A morte Vavá fez o ex-presidente solicitar o direito de sair da cadeia para participar do velório e/ou do sepultamento. A juíza Carolina Lebbos, fez o que o bom senso manda: pediu que a PF se posicionasse sobre o pedido porque sabia da logística necessária para esse atendimento. Diante da impossibilidade operacional (deslocamento de helicóptero, escolta, controle da multidão, etc.) e do histórico ocorrido quando da ordem de prisão (os partidários sequestraram Lula na sede do sindicato), a PF externou os riscos a ordem pública e o pedido foi vetado.

Continue lendo

Deixe o seu comentário